sábado, 4 de julho de 2009

ENTREVISTA DE DANIEL BACELAR


in "Colecção Cinema", nº 29, inexplicavelmente, mas bem à portuguesa, sem data, mas provavelmente 1963

É um jovem discreto e educado, mentalmente muito distante das fúrias do "rock" e das histerias do "twist". Tem vinte anos de idade e dirige um conjunto cujos componentes são todos mais novos do que ele.

- Porque pensou em criar um conjunto? - perguntámos-lhe.

- Sinceramente, porque gostava de cantar e cheguei à conclusão de que é mais fácil fazê-lo quando se está ligado a um conjunto musical.

- E colheu os resultados que desejava?

- Sinceramente que colhi. Em parte, porque realmente os meus camaradas (camaradas?!? - nota do editor do blogue) tocam muito bem.

- Portanto, foi fácil pôr em prática a sua ideia e fácil tem sido também mantê-la, não é verdade?

- Fácil, até certo ponto só. Fácil porque a camaradagem (outra vez?!?! - nota do editor do blogue) tem sido excelente. Mas por vezes difícil, porque são tudo rapazes muito novos e como tal têm, por vezes, os seus problemas. Por exemplo, agora vou ficar sem baterista...

- Então porquê?

- Ora! Ainda e sempre por causa da extrema juventude dos meus colaboradores (mau! já não são camaradas?!?! - nota do editor do blogue). O meu baterista está a estudar Direito e por isso os pais não permitem que continue a perder tempo que lhe faz muita falta para estudar.

- Como resolverá o problema?


- Não tenho outro remédio senão arranjar outro baterista. Não quer dizer que, de hoje para amanhã, não esteja, de novo, a braços com o mesmo problema, porque o conjunto é essencialmente um conjunto de jovens e portanto será sempre assim.

- Há quanto tempo duram os problemas, Daniel Baclear? Ou melhor, há quanto tempo tem você o conjunto?

- Há um ano, aproximadamente, mas eles já tocavam.

- Daniel Bacelar, esta entrevista tem principalmente por fim perguntar-lhe se você tem algum sonho que gostasse realizar.

Daniel Bacelar não pára para pensar: o sonho, pelos vistos, acompanha-o permanentemente, vive com ele.

- O meu sonho seria poder organizar um "show" à maneira de Hallyday ou Sylvie Vartan e inteiramente a meu gosto, com músicas que não fossem só "rock" e ritmos turbulentos. A verdade é que eu tenho uma canção chamada "Nunca" ( do 1º EP, com os Conchas, de 1960 - nota do editor do blogue) que é uma composição mais lenta, mais sentimental e que obtém tanto êxito como as músicas consideradas modernas. Não sei porque se insiste tantos nos espectáculos em que os conjuntos são a nota barulhenta e trepidante.

- Mas não há dúvida que vocês têm sucesso...

- Pois não há. A prova é que acabámos de gravar o nosso primeiro disco em Espanha.

- Contudo...

- Contudo, eu vou continuando a sonhar com o meu... sonho.

- E porque não há-de pô-lo em prática?

- Por dificuldades materiais: o eterno problema. Mas vou esperando...

Nós também... que ele consiga o que deseja. Parece-nos absolutamente legítimo e sempre gostaríamos de ver "as suas habilidades".

Entrevista não assinada.

MICHAEL JACKSON, SEGUNDO PACHECO PEREIRA


Michael Jackson mereceu-me sempre uma distante atenção.

Admirava-lhe o profissionalisno, o mesmo profissionalismo que faz do show business americano uma grande indústria global, essa sim, sem concorrência em lado nenhum para já.

Vi-o no filme proprietário da Disneylândia em três dimensões e tudo estava sempre no sítio. Quando saía disco ou video ou filme, tudo era perfeito.

Mas o homem era de facto trágico na sua dimensão alucinada.

Feito já por uma mecânica muito robotizada, ele não podia e não conseguia viver fora de um interstício entre a infância e a idade adulta infantilizada, entre o preto e o branco, na verdade muito parecido com Elvis na autodestruição entre identidades.

Nunca me pareceu um génio, nem nada que pareça.

Freddie Mercury, Elton John ou os Beatles e os Rolling Stones vão mais fundo na música, são, a seu modo, clássicos.

Michael Jackson nunca deixou de ser um performer absoluto num corpo que não cabia em nenhuma pele.

José Pacheco Pereira in "Sábado", nº 270, 02 a 08 de Julho de 2009, pág. 9

PORTUGAL DESCONHECIDO (01)


Não muito longe do Castelo de Almourol...

PORTUGAL DESCONHECIDO (02)


... e à beira do apeadeiro de Tancos...

PORTUGAL DESCONHECIDO (03)


... fica o Restaurante Almourol, que me tinha sido sugerido por um amigo de infância de Coimbra.

PORTUGAL DESCONHECIDO (04)


Belo restaurante, bela vista para o Tejo e para o Castelo, excelente relação preço/qualidade.

PORTUGAL DESCONHECIDO (05)


PORTUGAL DESCONHECIDO (06)


sexta-feira, 3 de julho de 2009

MORREU GERVÁSIO, DA ACADÉMICA


Equipa da Associação Académica de Coimbra, vice-campeã nacional na época 1966-1967.

De pé: Maló, Marques, Gervásio, Celestino, Rui Rodrigues e Vieira Nunes
À frente: Rocha, Ernesto, Artur Jorge, Vitor Campos e Serafim

Gervásio, o jogador que mais vezes vestiu a camisola da Académica, faleceu sexta-feira aos 65 anos, vítima de cancro.

Vasco Manuel Vieira Pereira Gervásio nasceu na Malveira a 05 de Dezembro de 1943 e estreou-se na Académica aos 18 anos num jogo com o Académico de Viseu no dia 30 de Setembro de 1962.

Com a camisola negra da Briosa esteve durante 17 épocas, sendo o recordista com o maior número de jogos pelos estudantes: 430.

Foi capitão da Académica de 1968 a 1979, 10 épocas consecutivas!!! Outro recorde. Abandonou a carreira como jogador precisamente em 1979.

"Foi o estudante-atleta Gervásio um verdadeiro símbolo de atleta, que todos nós e o país se habituaram a admirar e a reconhecer na plenitude de uma verdadeira e indesmentível dedicação", considerou então a direcção da Académica.

Além de ter estado nas duas finais da Taça de Portugal, em 1967 e 1969, foi vice-presidente na equipa de João Moreno e presidente-adjunto da anterior direcção, liderada pelo actual presidente José Eduardo Simões.

Foi internacional júnior, B (a 22 de Março de 1967 jogam 7 estudantes, Maló, Celestino, Rui Rodrigues, Gervásio, Vítor Campos, Ernesto e Serafim) e militar.

"Para mim, para além de uma pessoa ligada à Associação Académica de Coimbra de uma forma íntima, perdi um grande amigo. Estou chocado, embora já estivesse à espera, infelizmente, a todo o momento deste triste desenlace", disse à agência Lusa o vice-presidente da Académica para a área da cultura, Gonçalo Reis Torgal.

"Era um colega com uma personalidade vincada. Verdadeiramente carismático. Um grande senhor, um enorme capitão de equipa, talvez o maior de sempre na Académica, uma jóia da coroa", disse um dia Belo, seu antigo companheiro de equipa e futuro adjunto do Provedor de Justiça, Nascimento Rodrigues.

"No campo tinha o dom dos predestinados de transformar em simples o que era difícil e de tornar produtivo o que parecia boa perdida. No quotidiano era cativante, simpático e sociável".

Licenciado em Direito, Gervásio foi até há pouco director dos serviços de Segurança Social em Coimbra.

Foi presidente do Sindicato dos Jogadores, treinador e dirigente da Académica e candidato do PS à Junta de Freguesia dos Olivais (Coimbra) em 2001, tendo perdido para o seu antigo treinador Francisco Andrade, do PSD.

Após ter arrumado as botas, a 17 de Junho de 1979, num jogo com o Vitória de Guimarães, escreveu Rebelo Carvalheira em "A Bola":

Foi um dos últimos grandes exemplos desse exemplo magnífico que tem sido o futebol de Coimbra.

Fonte: "Académica - História do Futebol", de João Santana e João Mesquita

O ORGULHO DE EUSÉBIO


22 de Junho de 1969

SEAN LENNON


CHIMERA MUSIC MMIX A.D. - Nº 0 - 2009

The World Was Made For Men (The Goastt) - Ask The Elephant! (Yoko Ono Plastic Ono Band) - You Feel Right (Cornelius Remix) (If By Yes) - Rainbows In Gasoline (The Goastt) - You're Something Else (If By Yes) - Hamlet's Theme (Sean Lennon) - Small Talk (Kemp and Eden) - Smoke & Mirrors (Sean Lennon) - If By Yes (If By Yes) - Papership (Kemp and Eden) - Elsinore (Sean Lennon) - Come Here Chimera (Sean Lennon) - Calling (Yoko Ono Plastic Ono band) - Freed (Sean Lennon)

Esta é a nova invenção do lado japonês da família Lennon, uma espécie de apresentação da Chimera Music.

Bela embalagem (digipack), com arte gráfica de Sean Lennon. Não a vi ainda comercialmente à venda, este exemplar foi adquirido à porta do concerto de Yoko Ono em Londres, tipo putos novos a arrecadar uns tustes.

Os Goastt são Charlotte Kemp Muhl e o seu boyfriend Sean Lennon e os If By Yes Yuka Honda, Petra Haden, Yuko "mi-gu" Araki e Hirotaka "Shimmy" Shimizu.

E sim, a música ouve-se muito bem.

Sean Lennon tocou em Lisboa no dia 18 de Fevereiro de 2007.

PETER YARROW


WARNER BROS - K 46150 - 1972

Lado 1

River of Jordan – Mary Beth – Goodbye Josh – Take Off Your Mask – Wings Of Time – Don’t Ever Take Away My Freedom

Lado 2
Sile Road – Tall Pine Trees – Greenwood – Beautiful City – Plato’s Song – Weave The Sunshine

PAUL AND


WARNER BROS - 1912 - s/data

Lado 1

Gabriel’s Mother’s Hiway Ballad 16 Blues – Been On The Road Too Long – Hey Sad Sack – Wedding Song – Meanings Will Change – Give A Dawn

Lado 2

Sebastian – Lucy - Ju Les Ver Negre En Cheese – Tiger – Tender Hands – John Henry Bosworth

Esta é a primeira capa de LP scaneada por Gin-Tonic na sua impressora Ferrari.

AROUND PP&M


Para além de um excelente contador de histórias, como o comprovam os textos que por este blogue têm passado, o Luís Mira, é, também um amável conversador, mais ainda quando gira à volta de música, livros e cinema, e aqui existirá a certeza que a noite vai ser longa.

O cenário fica composto com uma musiquinha de fundo, uns charutos e umas garrafas de espumante.

Numa longínqua conversa dessas noites longas de Luis Mira, veio a talhe de música os Peter, Paul & Mary.

Dessa conversa ficaram algumas curiosidades que ele se apressou a registar. Talvez que o tempo decorrido não permita a sua fidelidade. Se assim não acontecer o Luís Mira fará as respectivas correcções.

A constituição dos Peter, Paul & Mary foi preparada em laboratório por Albert Grossman para se tornar um estrondoso sucesso público de vendas. Mary Travers e Peter Yarrow foram os primeiros escolhidos e depois foi contactado Dave Van Ronk, que recusou. O pobre levou o resto da vida a lamentar a sua recusa; os amantes dos PP&M agradecem a Deus esse momento, porque com a presença do Dave Van Ronk a coisa teria dado em fracasso e os PP&M nunca teriam sido o que são hoje.

O lugar que era para ser do Van Ronk foi então oferecido a Noel Stookey, que aceitou de imediato. Mais do que um músico, Noel era um "entertainer" nos cafés de Greenwich Village, especialista em imitações. Tinha a alcunha de "O Homem do Autoclismo", porque uma das suas especialidades era exactamente a imitação desse som... Devemos a Stookey o facto do excelente álbum, ao vivo, dos PP&M estar estragado com uma série de faixas dedicadas às suas brincadeiras. Puro desperdício…

Resta relembrar que Noel Stookey não se chama, nem nunca se chamou, "Paul"...! Mas fazia parte da estratégia publicitária de Grossman dar um cunho bíblico ao nome do grupo (Peter, Paul and Moses...) e, por isso, obrigou Noel a mudar de nome! A melhor maneira de o chamarmos será Noel "Paul" Stookey, assim mesmo com o Paul entre aspas. Tem publicado um disco a solo “Paul And” a atirar assim para o fraquinho.

As capas dos discos a solo da Mary Travers, já aqui foram publicadas.

Quanto ao disco a solo de Peter, um maravilhoso álbum que, ao que se supõe, nunca teve edição em CD, convém lembrar que Mr. Mouse o remasterizou. “A very,very good surprise, como alguém deixou escrito na caixa de comentários. O ficheiro já não está disponível mas, se pedirem por “mail”, na volta do correio, Mr. Mouse colocar-vos-á o Peter em casa.

Voltando à estratégia publicitária de Grossman, haverá que dizer que ele exigiu que Mary Travers mantivesse intocável o seu ar angélico. Quando ia para a praia nunca se podia queimar muito, para não dar um ar demasiado "mundano". Tal como ela, melancolicamente, em várias ocasiões, foi contando, a sombrinha era o seu destino frente ao mar…
Colaboração de Gin-Tonic

MORREU BRIAN JONES


Brian Jones morreu no dia 03 de Julho de 1969, há 40 anos, portanto.

No mesmo dia, o "Diário Popular" publicou a notícia da Reuter (na imagem) na pág. 13 (centrais) na secão "Notícias do Estrangeiro":

O famoso guitarrista Brian Jones, que no mês passado abandonara o conjunto musical dos "Rolling Stones", foi encontrado morto hoje, às primeiras horas.

A Polícia de East Grinstead, no Sul de Londres, disse que três amigos do músico descobriram o seu cadáver na piscina iluminada da sua residência, que custou 30 mil libras (2.100 contos).

Brian fora condenado duas vezes, acusado de possuir drogas. No tribunal afirmou-se que ele estivera a ser submetido a tratamento psiquiátrico devido a "pressões e a tensão".

Abandonou, repentinamente, o conjunto que ajudara a criar, alegando: "A música dos "Rolling Stones" não é já do meu gosto. Desejo tocar o meu próprio género de música e fundar um conjunto".

quinta-feira, 2 de julho de 2009

SE BEM ME LEMBRO....


... esta capa do single "Gone Too Soon" (também acho!), de Michael Jackson, foi retirada do mercado na altura das acusações - nunca provadas! - de pedofilia.

Imagino o que vale agora este disco na especulação post mortem.

Além de "Gone Too Soon", há ainda "Human Nature", "She's Out Of My Life" e "Thriller".

Não, não está à venda!

"A FLORESTA PETRIFICADA" OU O DOCE SABOR DA TRANSGRESSÃO


Não me consta que tenha chorado ou me tenha escondido debaixo da cadeira com medo na primeira vez que fui ao cinema. Bem pelo contrário! De acordo com a minha prima Lena, que foi quem me levou, portei-me lindamente e acompanhei todo o filme com muita atenção. Um único percalço aconteceu: um trambolhão, por não estar habituado a cadeiras que me desapareciam debaixo do rabo sem ninguém lhes tocar... Foi no Monumental, era "A Bela Adormecida" e eu ainda não tinha seis anos (notem que lhes digo isto num tom de voz como quem vos fala de um primeiro amor: "era Primavera, ela chama-se Mariana e eu tinha 12 anos"...).

Medo, mas medo mesmo a sério, lembro-me de ter tido uns anitos depois, ao ver na televisão um filme que se chamava (nunca mais o esqueci...) "A Floresta Petrificada". Não era muito habitual poder ficar acordado a ver televisão com os "crescidos" depois do jantar, mas às vezes acontecia: por não haver escola no dia seguinte ou por especial tolerância dos meus pais ou dos meus irmãos, bastante mais velhos do que eu.

Mas às vezes também acontecia por distracção, pensava eu…. Ficava lá atrás muito quietinho sem tugir nem mugir, e quanto davam por mim já era demasiado tarde: já tinha aparecido no ecran a cena do beijo final de que tanto gostava. Mas ainda ia a tempo de ouvir da parte da minha irmã o raspanete do costume: "Isto não são filmes para crianças, e já devias estar na cama há muito tempo!" Não me aquecia nem me arrefecia e nem sequer a humilhação de me chamarem “criança” pela enésima vez me tirava o prazer do fruto proibido.

Hoje sei que puto nenhum fica por “esquecimento” numa sala durante duas horas a ver televisão, com outras pessoas à sua volta . Simplesmente, os sacaninhas dos meus irmãos preferiam deixar-me todo esse tempo “com a coração nas mãos”, a fazerem-me um gesto de tolerância. Tanto melhor assim. Ajudou-me a desenvolver o gosto pelo doce sabor da transgressão, que haveria de me acompanhar pela vida fora…!

Naquela noite vi "A Floresta Petrificada", não me lembro se de forma legal ou às escondidas. Lembro-me do "mau" da fita me ter provocado um medo terrível! Não sei se pelo estilo de representação se pelo facto da "violência" ser exercida sobre uma pobre rapariga e um velho, mas petrificado de medo e com um nó na garganta fiquei eu. E sem poder dizer nada nem transmitir qualquer tipo de ansiedade, porque isso seria dar aos “adultos” a prova de que eu não podia, de facto, habitar a noite e ver "os filmes deles". E nunca a chegada dos "bons" me deve ter sabido tão bem como nesse filme...

Estava então longe de sonhar que, muitos e muitos anos mais tarde haveria de saber umas coisas sobre esse filme: que fora realizado em 1936 por Archie Mayo, um dos mais prolíferos artesãos da Warner daqueles tempos, ao lado de Michael Curtiz, William Keighley , Lloyd Bacon e tantos outros; que Betty Davis nunca mais foi tão bonita como nesses gloriosos anos trinta; que o mau da fita se chamava Duke Mantee e que esse personagem tinha representado um importantíssimo ponto de viragem na carreira de Humphrey Bogard, que deixou de fazer os seus anteriores papeis quase anónimos de galã bem comportado e passou a ter direito a papeis principais, quase sempre de “mau, muito mau”, até que um outro filme - "High Sierra", que Raoul Walsh" realizou em 1941 - o suavizasse e lhe permitisse o acesso a um outro tipo de personagem de “herói simpático” que iria, quase sempre (há poucas excepções que confirmam a regra…), representar até morrer, em 1957, de um cancro no esófago e de um milhão de whiskies, como na altura escreveu André Bazin.

Fui visitar o "Petrifed Forest National Park" com estas memórias na cabeça, mas não com a expectativa de lá encontrar quaisquer reminiscências do filme, sabendo eu muito bem que tudo aquilo cheirava, não a exteriores, mas aos cartões e à madeira dos estúdios da Warner Brothers….

A história deste Parque é conhecida: há 225 milhões de anos atrás (???) esta era uma zona de florestas, lagos e riachos. A acção de fenómenos geológicos e biológicos através dos tempos fez com que as águas desaparecessem, as árvores apodrecessem e, progressivamente, fossem cristalizadas e transformadas em rocha. A acção do Homem, por sua vez, levou a que muitas dessas rochas tivessem sido pilhadas e hoje é possível encontrar, bem fora do Parque, grandes edifícios com enormes anúncios a indicar que é aí, e não no Parque, que se encontram os maiores exemplares de árvores petrificadas..! Depois de casa roubada, trancas à porta. Hoje o Parque é rigorosamente vigiado por carros-patrulha que, a todo o momento, nos podem obrigar a encostar e nos passam o carro a “pente fino”. Consta que levar uma simples pedrinha que seja é motivo para grandes chatices…

A norte de “Petrified Forest” fica o “Painted Desert” onde, em pontos estratégicos de observação, é possível ver montanhas a 60 milhas de distância.

O que também é possível encontrar bem no interior do Parque são vestígios da antiga Route 66, que o atravessava longitudinalmente. E logo à saída, na localidadezinha de Holbrook, deparamos com o que resta do “Wigwam Motel”, um dos mais célebres lugares desta mítica estrada.

Colaboração de Luís Mira

FOTOBIOGRAFIA DE JOSÉ AFONSO


A Fotobiografia de José Afonso, da autoria de Irene Pimentel, é lançada publicamente no dia 15 de Julho, às 18H30, na Casa da Imprensa, em Lisboa.

BEN HARPER, LÍDER DO ATLÂNTICO


Ben Harper continua a liderar o top das lotações do Pavilhão Atlântico, em Lisboa, com mais de 19 mil pessoas no concerto de 01 de Novembro de 2003.

É a seguinte a lista não oficial (mas verdadeira) das 10 melhores lotações:

01 - Ben Harper (01NOV03) - mais de 19 mil
02 - Jack Johnson (13MAR06)
03 - Shakira (27ABR03)
04 - Shakira (04ABR07)
05 - Coldplay (23NOV05) - mais de 18 mil
06 - Depeche Mode (08FEV06) -
07 - REM (17JUN99)
08 - Ivete Sangalo (20MAI05)
09 - Beyoncé (18MAI09)
10 - Daniela Mercury (09ABR99)

Com uma lotação legal de 20.000 lugares (desde 2002), o Pavilhão Atlântico foi oficialmente inaugurado como pavilhão multiusos de fruição universal no dia 10 de Novembro de 1998 com um concerto dos Massive Attack (10 mil pessoas).

FRANCISCO FANHAIS


ZIP-ZIP - LP 2.004/L - 1970

Lado 1

Meu Povo Que Jaz (César Pratas/Francisco Fernandes) – Corpo Renascido (Manuel Alegre/Pedro Lobo Antunes) – Os Labirintos (Garcia Lorca/Pedro Lobo Antunes) – Porque (Sophia de Mello Breyner/Francisco Fernandes) – Canto Do Ceifeiro (Eduardo Valente da Fonseca/Francisco Fernandes) – Cantata da Paz (Sophia de Mello Breyner/Rui Paz)

Lado 2
Poema (Ilídio Rocha/Padre Fanhais) – Descalça Vai Para A Fonte (António Cabral/Padre Fanhais) – À Saída Do Correio (António Cabral/Padre Fanhais) – As Pobres Solteiras (António Rebordão Navarro/Padre Fanhais) – Quadras Do Poeta Aleixo (António Aleixo/Padre Fanhais) – Canção Da Cidade Nova (Fernando Melro/Francisco Fernandes)

Faz hoje cinco anos que morreu Sophia de Mello Breyner Andresen.

Alexandre Lucas Coelho, no “Público” de 21 de Junho, descreve-nos uma viagem que fez pelo espólio da poetisa, que neste momento está a ser classificado no Centro Nacional de Cultura para ser doado à Biblioteca Nacional até Abril de 2010.

Este disco, do então Padre Fanhais, contém duas canções com poemas de Sophia: “Porque”, dedicado a Francisco Sousa Tavares, seu marido, com música de Francisco Fernandes, e “Cantata da Paz”, com música de Rui Paz.

No seu EP “Pastoral”, Mário Piçarra também canta “Porque” com música de sua autoria.

Porque os outros se mascaram mas tu não
Porque os outros usam a virtude
Para comprar o que não tem perdão.

Porque os outros têm medo mas tu não.

Porque os outros são os túmulos caiados
Onde germina calada a podridão.

Porque os outros se calam mas tu não.

Porque os outros se compram e se vendem
E os seus gestos dão sempre dividendo.

Porque os outros são hábeis mas tu não.

Porque os outros vão à sombra dos abrigos
E tu vais de mãos dadas com os perigos.

Porque os outros calculam mas tu não
Colaboração de Gin-Tonic

O CASO DA CAPELA DO RATO


Do “Diário de Lisboa” de 15 de Janeiro de 1973:

“A Direcção-Geral Segurança restituiu à liberdade todas as pessoas que, detidas pela P.S.P., aquando dos incidentes de 31 de Dezembro na capela do Rato, foram posteriormente transferidos para a cadeia de Caxias.

Dos treze detidos que ali deram entrada, os últimos a voltar à liberdade, sob caução, foram Francisco Pereira de Moura, Homero Cardoso, Luis Moita, Manuel Coelho, José Galamba de Oliveira e Nuno Theotónio Pereira”.

Na sessão da Assembleia Nacional de 15 de Janeiro de 1973, o ultra-deputado Francisco Cazal-Ribeiro vociferou:

“Em certas igrejas de Lisboa – o que se passará por esse país fora? – é sem eufemismos, antes pelo contrário às escâncaras, que se combate e critica a política social e económica do Governo e se condena abertamente a luta que em África somos obrigados a manter".

Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Não podemos ignorar
Vemos, ouvimos e lemos
Relatórios da fome
O caminho da injustiça
A linguagem do terror
A bomba de Hiroshima
Vergonha de nós todos
Reduziu a cinzas
A carne das crianças
D’África e Vietname
Sobe a lamentação
Dos povos destruídos
Dos povos destroçados
Nada pode apagar
O concerto dos gritos
O nosso tempo é
Pecado organizado.

Colaboração de Gin-Tonic

quarta-feira, 1 de julho de 2009

NUS EM OXFORD STREET


Todos os anos, centenas, milhares de ciclistas, masculinos e femininos, pedalam nus pelas ruas de Londres.

É o World Naked Bike Ride, em protesto contra a dependência do petróleo e da cultura automóvel.

ALGO VAI MAL EM PORTUGAL


EDIÇÃO DE AUTOR - 2009

Algo Vai Mal - Guerra - Canção de Madrugar (Ary dos Santos/Nuno Nazareth Fernandes) - Sentimos - Não Venhas Tarde (Aníbal Nazaré/João Nobre)

Constituídos por Zé Vilas (voz), Jorge Martins (bateria), Daniel Monteiro (guitarra), João Braga (guitarra) e Paulo Rosado (baixo), os Molde são uma nova banda portuguesa que se lança agora com este EP repleto de pujança.

Som cheio, guitarra possante, energia qb, os Molde espelham as suas preocupações sociais em "Algo Vai Mal" (li outro dia num jornal/que um homem/foi morto à queima-roupa/vi outro dia numa escada/um velho tremendo de frio) e oferecem um tratamento à la Xutos e Pontapés para clássicos da música portuguesa como "Canção de Madrugar" e "Não Venhas Tarde".

"Guerra" é um libelo contra o serviço militar, contra as guerras que, no séc. XXI, em Portugal, talvez não tenha tanta acuidade. Só vai para o Kosovo, Bósnia, Afeganistão e para as águas da Somália quem quer, à procura de pecúlio.

No contexto do EP, a canção tem porém um significado muito especial, muito pessoal e íntimo que não pode deixar de ser relevado.

Trata-se da homenagem da banda a um amigo que morreu em Portugal em consequência de uma contaminação com material radioactivo em missão internacional. Respeito.

"Sentimos" é uma balada fantástica retro, excelente para um baile de garagem.

Mas o melhor é mesmo esperar por um LP, a que este EP dá direito de passagem, com dispensa de prova oral.

A MOSCA


OBRAS NO METRO


Que dia é hoje?

Placard na Alameda, em Lisboa.

A foto é do dia do concerto de Elton John no Pavilhão Atlântico.

Sim, eu vou de metro para os concertos.