
in "Colecção Cinema", nº 29, inexplicavelmente, mas bem à portuguesa, sem data, mas provavelmente 1963
É um jovem discreto e educado, mentalmente muito distante das fúrias do "rock" e das histerias do "twist". Tem vinte anos de idade e dirige um conjunto cujos componentes são todos mais novos do que ele.
- Porque pensou em criar um conjunto? - perguntámos-lhe.
- Sinceramente, porque gostava de cantar e cheguei à conclusão de que é mais fácil fazê-lo quando se está ligado a um conjunto musical.
- E colheu os resultados que desejava?
- Sinceramente que colhi. Em parte, porque realmente os meus camaradas (camaradas?!? - nota do editor do blogue) tocam muito bem.
- Portanto, foi fácil pôr em prática a sua ideia e fácil tem sido também mantê-la, não é verdade?
- Fácil, até certo ponto só. Fácil porque a camaradagem (outra vez?!?! - nota do editor do blogue) tem sido excelente. Mas por vezes difícil, porque são tudo rapazes muito novos e como tal têm, por vezes, os seus problemas. Por exemplo, agora vou ficar sem baterista...
- Então porquê?
- Ora! Ainda e sempre por causa da extrema juventude dos meus colaboradores (mau! já não são camaradas?!?! - nota do editor do blogue). O meu baterista está a estudar Direito e por isso os pais não permitem que continue a perder tempo que lhe faz muita falta para estudar.
- Como resolverá o problema?
É um jovem discreto e educado, mentalmente muito distante das fúrias do "rock" e das histerias do "twist". Tem vinte anos de idade e dirige um conjunto cujos componentes são todos mais novos do que ele.
- Porque pensou em criar um conjunto? - perguntámos-lhe.
- Sinceramente, porque gostava de cantar e cheguei à conclusão de que é mais fácil fazê-lo quando se está ligado a um conjunto musical.
- E colheu os resultados que desejava?
- Sinceramente que colhi. Em parte, porque realmente os meus camaradas (camaradas?!? - nota do editor do blogue) tocam muito bem.
- Portanto, foi fácil pôr em prática a sua ideia e fácil tem sido também mantê-la, não é verdade?
- Fácil, até certo ponto só. Fácil porque a camaradagem (outra vez?!?! - nota do editor do blogue) tem sido excelente. Mas por vezes difícil, porque são tudo rapazes muito novos e como tal têm, por vezes, os seus problemas. Por exemplo, agora vou ficar sem baterista...
- Então porquê?
- Ora! Ainda e sempre por causa da extrema juventude dos meus colaboradores (mau! já não são camaradas?!?! - nota do editor do blogue). O meu baterista está a estudar Direito e por isso os pais não permitem que continue a perder tempo que lhe faz muita falta para estudar.
- Como resolverá o problema?
- Não tenho outro remédio senão arranjar outro baterista. Não quer dizer que, de hoje para amanhã, não esteja, de novo, a braços com o mesmo problema, porque o conjunto é essencialmente um conjunto de jovens e portanto será sempre assim.
- Há quanto tempo duram os problemas, Daniel Baclear? Ou melhor, há quanto tempo tem você o conjunto?
- Há um ano, aproximadamente, mas eles já tocavam.
- Daniel Bacelar, esta entrevista tem principalmente por fim perguntar-lhe se você tem algum sonho que gostasse realizar.
Daniel Bacelar não pára para pensar: o sonho, pelos vistos, acompanha-o permanentemente, vive com ele.
- O meu sonho seria poder organizar um "show" à maneira de Hallyday ou Sylvie Vartan e inteiramente a meu gosto, com músicas que não fossem só "rock" e ritmos turbulentos. A verdade é que eu tenho uma canção chamada "Nunca" ( do 1º EP, com os Conchas, de 1960 - nota do editor do blogue) que é uma composição mais lenta, mais sentimental e que obtém tanto êxito como as músicas consideradas modernas. Não sei porque se insiste tantos nos espectáculos em que os conjuntos são a nota barulhenta e trepidante.
- Mas não há dúvida que vocês têm sucesso...
- Pois não há. A prova é que acabámos de gravar o nosso primeiro disco em Espanha.
- Contudo...
- Contudo, eu vou continuando a sonhar com o meu... sonho.
- E porque não há-de pô-lo em prática?
- Por dificuldades materiais: o eterno problema. Mas vou esperando...
Nós também... que ele consiga o que deseja. Parece-nos absolutamente legítimo e sempre gostaríamos de ver "as suas habilidades".
Entrevista não assinada.
















