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sexta-feira, 18 de maio de 2012

ÚNICO EP DOS GUITARRAS DE FOGO (1966)


A VOZ DO DONO - 7 LEM 3154 - 1966 (Março)

Sutha Sutha (Lemmy Special) - Memphis (Chuck Berry) - Penniefluitjie (F. Woolpritge) - Seguirei O Sol (I'll Follow The Sun) (Lennon/McCartney/Carlos Gândara)

Da esquerda para a direita: António Gândara (viola solo), José Lourenço (bateria), Carlos Gândara (voz e viola baixo) e João Luís Ramos (viola ritmo).

Os Guitarras de Fogo formaram-se em Lisboa em 1961, sendo um dos mais antigos conjuntos yé-yé portugueses. Segundo João Charana, que foi membro fundador, antes deles só o Conjunto Nova Onda.

O grupo formou-se na Escola Luís Camões, em Lisboa, com três alunos, João Charana (vocalista e viola), António Gândara (viola) e José Lourenço (bateria) que avocaram João Luís Ramos, amigo e vizinho de José Lourenço.

O repertório era essencialmente constituído por música francesa (Richard Anthony, Chats Sauvages) e ainda Ventures, Shadows e Beatles.

Em 1965 gravaram este EP para a Valentim de Carvlho (só nos deram duas horas para gravar) e em Outubro ganharam a 10ª eliminatória do Concurso Yé-Yé no Teatro Monumental, em Lisboa, tendo sido eliminados na 3ª eliminatória, no dia 22 de Janeiro de 1966, pelos Espaciais, do Porto.

Alegam que foram eles que deram a conhecer o kwela ao Duo Ouro Negro quando actuavam juntos nos intervalos de do filme "The Young Ones", com Clif Richard, no cinema Lys, em Lisboa.

Nas várias formações do grupo também fizeram parte, entre outros, Edmundo Silva, Luís Waddington, Zé Nabo e Jorge Palma.

O grupo desfez-se no final de 1966.

quarta-feira, 10 de agosto de 2011

QUINTETO ACADÉMICO + GUITARRA DE FOGO


Quinteto Académico em actuação no cinema Roma, em Lisboa, no dia 26 de Maio de 1964 (num concerto em que acompanhou o cantor de charme brasileiro Francisco Egydio).

Da esquerda para a direita: Daniel Gouveia, Carlos Gândara (dos Guitarras de Fogo), Mário Assis Ferreira, José Manuel Fonseca e Artur Pinto.

segunda-feira, 30 de maio de 2011

3º DISCO DOS OBJECTIVO (1970)


MOVIEPLAY - SP 20.012 - 1970

Glory (Jim Cregan) - Keep Your Love Alivem (Kevin Hoidale)

Os Objectivo nasceram em 1960 das cinzas dos Showmen que, por sua vez, já eram uma cinzas dos Ekos, com Mário Guia (bateria), Zé Nabo (baixo), Tó Gândara, ex-Guitarras de Fogo, (guitarra) e Luís Filipe, também conhecido por Luís Toureiro, músico experiente do Casino Estoril (teclas e guitarra).

Esta formação não aguentou muito tempo e, em breve, Tó Gândara e Luís Filipe deixam a banda, tendo sido substituídos por Mike Sergeant (guitarra e teclas) e Kevin Hoidale (voz e guitarra).

Kevin Hoidale é um músico norte-americano que os Sheiks descobriram em Paris em 1967. Chegou a ser considerado como substituto de Carlos Mendes, mas o seu estilo não se ajustava bem aos Sheiks, segundo Edmundo Silva. Carlos Mendes acabou por ser substituído por Fernando Tordo.

Mike Sergeant, escocês, que parece ter sido guitarra-substituto nos britânicos Marmalade, fez carreira em Portugal sobretudo ao lado de José Cid.

O primeiro disco (Movieplay SON 100.0039) surgiu em 1969 com "A Place In The Sky", "At Death's Door", "I Know That" e "Gin Blues", originais da banda.

Como era um pèzudo a tocar bateria e eles eram músicos muito bons, acabei por deixar de tocar, dando lugar ao Zé da Cadela, que foi um dos melhores bateristas de todos os tempos e passei a ser o empresário, lembra Mário Guia.

O 2º disco (Movieplay SP 20.007) foi o primeiro single gravado em estereo em Portugal. Inclui "This Is How We Say Goodbye" e "The Dance Of Death".

Sucessivas mudanças de músicos continuam a marcar a vida do grupo: Mike Sergeant sai e regressa um par de anos depois, sendo temporariamente substituído por Dick Stubbs, que quase não chega a afinar a guitarra - três meses depois sai.

Para o seu lugar entra Bas Riche e, mais tarde, Jim Cregan que virá a ser um dos músicos de Rod Stewart.

Estávamos sempre à procura de um bom guitarrista. Fazíamos anúncios no "Melody Maker" pedindo músicos. Alguns respondiam, vinham cá, mas depois chateavam-se porque viam que o meio musical aqui em Portugal era quase inexistente e nem podiam viver da música. Por isso iam-se logo embora, conta o empresário da banda.

Ainda em 1970, os Objectivo editam o terceiro single, o da imagem (Movieplay SP 20.012), com "Glory" e "Keep Your Love Alive", também originais da banda.

Em 1971, Terry Thomas é outra das aquisições dos Objectivo que, pouco depois, perdem Jim Cregan, de regresso a Inglaterra, e Zé da Cadela, substituído por Guilherme Inês.

É com esta formação que o grupo se apresenta no Festival de Vilar de Mouros, no Verão de 1971.

No ano seguinte, Mike Sergeant regressa à banda que grava o que viria a ser o seu 4º e último disco (Nexus NX 2o.001) com "Music" e "Out Of The Darkness".

Logo a seguir, Terry Thomas regressa a Inglaterra.

Os Objectivo participam ainda num espectáculo com o Duo Ouro Negro e os cantores Fernando Girão (Very Nice) e Vicky a que dão o nome de "Blackground", uma singular mistura de música africana e europeia. Deste espectáculo, nasceu um LP com o mesmo nome, creditado ao Duo Ouro Negro.

Logo a seguir, os Objectivo acabaram.

Colaboração de Luís Pinheiro de Almeida

domingo, 14 de fevereiro de 2010

RITMOS MODERNOS 01


Em Outubro de 2008 esteve patente, em Almada, uma exposição subordinada ao tema: “A Magia do Vinil – A Música que Mudou a Sociedade”.

Para além das capas de discos de vinil, estavam em exposição jukeboxes, telefonias, gravadores e gira-discos. Também havia alguns cartazes de espectáculos organizados por Vasco Morgado.

Este respeita ao Teatro Monumental, num sábado à tarde, com “as mais recentes correntes melódicas” e podemos ver Paula Ribas, Daniel Bacelar e os Gentlemen, Eddie Gonzalez e os Ekos, José Manuel Concha e em estreia os Guitarras de Fogo.

segunda-feira, 13 de julho de 2009

SNOBS GANHAM 13ª ELIMINATÓRIA


Os Snobs, de Setúbal, venceram a 13ª eliminatória do Concurso Yé-Yé que se realizou no Teatro Monumental, em Lisboa, no dia 20 de Novembro de 1965.

Os Snobs arrebataram 24 pontos, contra 15,5 dos Celtas (Póvoa de Santo Adrião), 15 dos Playboys (Moscavide), 11,5 dos Marialvas (Lisboa) e apenas 1,5 dos Não Brinques Comigo (Gafanha da Nazaré).

Os Snobs iniciaram a sua carreira artística no Verão de 65 e são todos amigos e companheiros de folguedos: Victor Raposeiro, 17 anos, estudante, viola-solo, Waldemar Baptista, 18 anos, empregado de escritório, vocalista, Jacinto Costa Albino, 17 anos, estudante, viola-baixo, Luís Henrique Nascimento, 17 anos, estudante, bateria, e José Augusto Baptista, 18 anos, empregado de escritório, viola-ritmo.

No palco do Monumental, vestidos de casacos azuis de listas pretas, tocaram "Shaddogie", "Shut Gone", "Vem" e "Só Por Ti".

O público gostou deles e aplaudiu-os demoradamente, rezam as crónicas.

Os Snobs viriam a perder a 3ª meia-final, no dia 22 de Janeiro de 1966, para os Espaciais, do Porto. Ficaram em 2º à frente dos Bábulas, Guitarras de Fogo, Átomos e Krawas.

O curioso é que 44 anos depois, a filha de José Augusto Baptista entrou em contacto com este blogue para dar conta de que os Snobs ainda se mantêm, agora com a designação de 4 Sixties, actuando na região de Setúbal, e que desejam encontrar-se com outros conjuntos da época.
"O conjunto do meu Pai esteve presente numa emissão em directo no Radio Clube Português... apresentou dois temas dos Shadows, "FBI" e "Wonderful Land", e um tema , editado e interpretado pelos Snobs, uma canção lindíssima que foi gravada na altura , mas que infelizmente se "perdeu" ficando apenas na memória de quem a escreveu , e tocou , tão bela e harmoniosa canção ao estilo de Cliff Richard.

"Actualmente, ao fim de todos estes anos... o conjunto voltou a reunir os seus antigos membros, foi uma ideia do meu pai, e um amor sem precedentes pela música dos anos 60 que o fez empreender tanta energia neste novo projecto...

"Agora com um novo nome... os 4 Sixties já fizeram várias actuações e têm já uma agenda preenchida para este ano. Uma das actuações que estará para breve será realizada dia 31 de Julho pelas 22h30 no Palco Principal da Feira Anual de S'antiago em Setúbal. Pel 2º ano consecutivo, tanto na Feira Anual de Santiago em Setúbal, bem como, na Feira das Vindimas em Palmela, também no Palco Principal.

"O meu Pai esteve bastante doente e creio que a paixão pela música foi o que mais o impulsionou para uma rápida recuperação.

"Estes "jovens" na faixa etária dos 60 anos, fazem com que muitas memórias daqueles belos tempos, transpareceram agora nos rostos de quem já viveu a loucura dos 60s, do Rock n'Roll e de quem agora admira a persistência e dedicação deste conjunto.

"A camaradagem que se vivia intensamente era reflexo de tanta opressão e resultado de quem foi ao Ultramar e que tristemente deixava para trás a familía, esposas, filhos ou namoradas, como foi o caso do meu Pai".
myspace.com/4sixties

contacto: José Augusto Baptista (918 501 557)

sábado, 6 de outubro de 2007

10ª ELIMINATÓRIA DO CONCURSO IÉ-IÉ (1965)

No dia 03 de Outubro de 1965 - fez agora 42 anos - realizou-se no Teatro Monumental, em Lisboa, a 10ª eliminatória do Concurso Ié-Ié ("um concurso de gente nova para o público de todas as idades"), organizado pelo Movimento Nacional Feminino a favor das Forças Armadas no Ultramar (era a linguagem da época).

Ainda hoje estou para perceber a razão por que coube à extrema-direita portuguesa organizar um evento que, à partida, tinha tudo a ver com a rebeldia e com a contestação do sistema, mormente a guerra colonial. Do júri, faziam parte colegas meus conotados com a extrema-direita da minha Faculdade...

Enfim, vá-se lá saber porquê, mas ainda tenho esperanças de tirar isso a limpo.

Considero fascinante esta minha ideia de ir colocando aos poucos e poucos as eliminatórias do Concurso (até onde tiver informação). Assim, faço render o peixe!

Nesta 10ª eliminatória, participaram os Guitarras de Fogo (Caparica), Invisíveis (Lisboa), Corsários Negros (Águeda), Penumbras (Olhão) e Tártaros (Porto).

Como se pode ver, o concurso era mesmo nacional.

Para ilustrar esta anotação escolhi uma (péssima) fotografia dos Invisíveis. É que se não se perceber nada, fica cabalmente justificada a designação do conjunto.

Quem venceu esta eliminatória? Desculpem, mas terão de me acompanhar até ao fim.

Já agora, comecemos pelos Invisíveis. Eram 4 (vê-se na fotografia?): José Luís, 20 anos (agora tem 62), viola solo, Helder Coelho, 17 anos (agora tem 59), viola ritmo, Carlos Fernandes, 16 anos (agora tem 58), viola baixo, e Tony, 18 anos (agora tem 60), bateria. Que será feito deles?

Trajo característico: camisola negra de gola alta com a inicial I em branco, calças de bombazina e sapatos também pretos. Tocaram "The Enchanted Sea", "Summertime" e "Twist N. 2", este último da autoria do grupo.

Segundo a Imprensa da época, tiveram uma "exibição muito apreciável, embora a classificação alcançada tenha sido fraca".

Os Corsário Negros, de Águeda, eram 5. Para não me repetir (e aos que vierem a seguir), à idade indicada somem 42 anos e façam a mesma pergunta: que é feito deles? (pode ser que haja alguém que saiba). Eram eles: Manuel Franklin dos Santos, 18 anos, viola solo, António de Miranda, 17 anos, viola baixo, Manuel da Costa, 16 anos, viola ritmo, José Pedro de Almeida, 17 anos, vibrofonista e vocalista, e Acílio de Oliveira, 18 anos, baterista.

Trajo característico: calça preta, camisola de gola alta também preta com as iniciais CN e botas "à Beatle". Tocaram "Canção Yé-Yé", "Perdido", "Um Sonho, Dois Corações" e "Twist And Shout".

Foram os menos classificados, mas a sua presença não desmereceu os aplausos da sala. Tinham apenas mês e meio de existência, motivo por que, dizem os jornais, não puderam atingir o nível desejado.

Os Penumbras eram formados por José da Cruz, 18 anos, vocalista, Carlos Dias, 18 anos, bateria, António Leal, 19 anos, viola solo, António Granja, 19 anos, viola ritmo, e Francisco da Cruz, , 21 anos, viola baixo.

Trajo característico: camisola negra de gola alta (pelos vistos era moda - também usei uma, mas bordeaux), e blue-jeans escuras. O vocalista, José da Cruz, envergava também um blusão prateado. Tocaram "Don't She Ever" e "I'm The One", entre outras. A Imprensa não lhes atribuiu predicados especiais.

Os Tártaros - esses sim conhecidos nos dias de hoje - eram formados por Eduardo Alves, 19 anos, bateria, Hernâni de Melo, 25 anos (um avô), viola baixo e harmónica, Alberto Abreu, viola ritmo e órgão, e Joaquim Gualter, 20 anos, viola solo.

Particularidade: os Tártatos interpretam apenas música portuguesa. "É uma intenção louvável, tanto mais que a maioria dos conjuntos do género procura as composições estrangeiras".

Trajo característico: fato azul, sendo o casaco com gola de veludo.

Tocaram "Apelo", "Pistoleiro", "Sonho dum Poeta", "Beijos Teus", "Engano" e "Vento", tendo recebido "ferverosos aplausos".

Finalmente, os Guitarras de Fogo, da Caparica, eram formados por Carlos Gândara, 22 anos, viola baixo, António Gândara, 22 anos (seriam gémeos?), viola solo, João Charana, 20 anos, vocalista, e João Ramos, 26 anos, viola ritmo.

Trajo característico: smoking preto, embora não o tivessem utilizado nesta eliminatória.

Sem o vocalista, que estava no estrangeiro, tocaram "Eight Days A Week", "I Don't Want To Spoil The Party" e "Help!" - tudo dos Beatles - e "Memphis". É claro que foram os vencedores! "Os fortes aplausos que sublinharam a actuação foram totalmente justos".

Resta acrescentar que a apresentação desta eliminatória esteve a cargo de Carlos Cruz (ainda um miúdo).

Finalmente, a classificação desta eliminatória:

1 - Guitarras do Fogo - 40,5 pontos
2 - Tártaros - 37 pontos
3 - Penumbras - 13,5 pontos
4 - Invisíveis - 11 pontos
5 - Corsários Negros - 2 pontos

Ah! Já me esquecia, o Monumental já não existe, é claro. Em seu lugar está lá um palácio de vidro espelhado meio alaranjado com o pomposo nome de "Monumental Dolce Vita".