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domingo, 12 de julho de 2009

JOSÉ AFONSO E OUTRAS HISTÓRIAS


"Fotobiografia de José Afonso", Irene Flunser Pimentel, Temas & Debates, 2009, 200 págs., € 34,90

José Afonso, Zélia e a Mãe dos meus dois Filhos em Victoria Park, Londres (1970).


Se a memória não me falha, tínhamos ido ver um Festival Anti-Nuclear com John Lennon, Yoko Ono, Arthur Brown and the Crazy World e mais uns tantos.

Isto foi em Março de 1970, quando José Afonso e Carlos Correia (o célebre Boris) foram a Londres gravar "Traz Outro Amigo Também".

(só por graça, José Afonso gravou nuns estúdios da Pye, paredes-meias com os Status Quo).

Por causa da crise estudantil em Coimbra, em 1969, Rui Pato foi impedido de sair do País, falhando a sua primeira gravação com Zeca.

Gilberto Gil acompanhou-nos nesta incursão a Victoria Park. Há provas fotográficas, logo tenho a certeza.

As minhas cunhadas trabalhavam no Chelsea Kitchen (King's Road) e viviam em Oakley Street, defronte de David Bowie.

A cunhada mais nova era a companheira de José Labaredas, grande amigo de José Afonso. Está assim explicado todo este enredo.

Enquanto a cunhada metia as moedas no meter do 19 A, Oakley Street SW 3, eu jogava judo com o Zeca num dojo improvisado.

Quantas estórias...

A mais deliciosa - digo eu! - aconteceu quando nos encontrámos um dia (ou uma noite) num dos dois restaurantes portugueses de Beauchamp Place: José Afonso, Gilberto Gil, José Labaredas, eu, a Mãe dos meus dois Filhos, as duas cunhadas, a Zélia e um convidado muito especial, Caetano Veloso, ele também exilado em Londres.

Caldo verde lembro-me que comemos todos. No meio dos pastéis de bacalhau, Caetano Veloso confessou que estava atrapalhado, que os seus amigos brasileiros o pressionavam, indagando de como era a vila de um exilado político em Londres.

Queria responder com uma canção, mas não sabia como.

E foi nessa noite londrina, num recanto bem português, que José Afonso trauteou a melodia do que viria a ser o famoso "London London", de Caetano Veloso, provavelmente mais conhecido na versão de Gal Costa.

É isto verdade?

Para mim é, mas se me lembro da estória é porque não vivi os sixties...

Luís Pinheiro de Almeida

quarta-feira, 17 de junho de 2009

CHELSEA KITCHEN


O Chelsea Kitchen é uma das minhas paixões de Londres, ponto final!

Nos anos 60, as minhas ex-cunhadas Nina e Manela trabalharam lá e eu, claro, fui um dos fregueses...

Hoje em dia já não existe no 98 King's Road (agora está lá uma loja da Timberland), mudou-se para o 451 Fulham Road, esquina com a Gunter Grove, SW 10.

Paciência...

Para lá chegar foi um castigo por causa... de uma portuguesa!

O autocarro que nos conduzia pacatamente foi obrigado a uma travagem mais dura e uma senhora que acabara de entrar estatelou-se no chão... por causa de um carrinho de bébé de uma sul-coreana...

Confusão!

De repente, uma voz: anyone in this bus speaks portuguese?

A Teresa, que fala português como inglês ou vice-versa, deu um passo em frente, mas já julgava que ia perder o avião para Lisboa.

A senhora que caíra no chão era (e é ainda, presumo) portuguesa, empregada de limpeza de uma residência de estudantes há um ano, mas que não falava uma sílaba de inglês e, o que era mais grave, não dizia coisa com coisa, mesmo em português...

Mas como os britânicos, educados e prestativos como sempre, são um povo à parte, tudo se resolveu numa penada.

Abreviando, todo o mundo ajudou: a polícia, para ajudar, chegou num instante, o condutor do autocarro foi impecável, uma voluntária/passageira britânica, é claro!, prestou-se a toda a ajuda, dando conselhos, oferecendo-se como testemunha...

Uma polícia loirita, engraçadota, agradeceu à Teresa toda a ajuda e prontificou-se a levar a nossa portuguesa, Isabel Alface, 49 anos, (que nem se lembrava da morada onde vivia), ao hospital e... we take from here, thank you very much for your help... We appreciate...
Seria isto possível em Portugal? Não sei, só estou a perguntar...

Mais! O autocarro parou no meio de um cruzamento e não se ouviu uma única buzinadela de protesto!!! Como eu gosto dos ingleses....
Adiante....

Lá fomos ao Chelsea Kitchen, de Fulham Road.

Well, não é a mesma coisa, claro, mas come-se razoavelmente bem e não é nada caro!

CHELSEA KITCHEN EM FULHAM ROAD


CHELSEA KITCHEN, O ACIDENTE


Diligente e solidária, Teresa Lage escreve no capot do carro da polícia britânica as informações pertinentes sobre o caso da portuguesa que caiu no autocarro vermelho da London Transport, mas sempre a temer que já ia perder o avião para Lisboa - ah! ah! ah!

TIMBERLAND EM VEZ DE CHELSEA KITCHEN


No 98 King's Road, Londres, onde outrora existiu o Chelsea Kitchen, está agora uma loja da Timberland.

O famoso restaurante, que nos anos 60 foi gerido por um português, mudou-se para o 451 Fulham Road.

segunda-feira, 10 de março de 2008

MAPA DE LONDRES DOS ANOS 60


Este é um mapa de Londres dos anos 60. Está cheio de anotações minhas. Alguns exemplos:

Earl's Court ("droga", "emigrantes"), Kensington High Street ("mercado indiano"), Old Brompton Road ("café dos artistas", "bistro com vinho"), Royal Albert Hall ("música"), King's Road ("casa", "mercado", "câmara", "habitat", "correio", "fulham", "chelsea kitchen", "drugstore"), Beauchamp ("rua muito gira"), Belgravia ("embaixadas"), Regent St. ("Liberty"), Oxford Street ("anorak"), Tate Gallery ("arte moderna"), County Hall ("gravura antiga"), Queen Elizabeth Hall/Royal Festival Hall ("música, teatro, cinema, self-service"), Portobello ("mercado"), etc e tal.

A mais de 40 anos de distância... sorrisos.

domingo, 9 de março de 2008

CHELSEA KITCHEN


Desta também se safa. O Chelsea Kitchen, em King's Road, já fechou. Nos anos 60 foi gerido por um português de Luanda, Jorge Castilho. É um dos ícones dos sixties.