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segunda-feira, 16 de setembro de 2013

1º FESTIVAL DE ROCK PORTUGUÊS HÁ 50 ANOS!


O primeiro grande festival de rock português (ié-ié, "tipo Shadows) faz hoje 50 anos!

Foi no cinema Roma, em Lisboa, para promover o filme "Mocidade em Férias", com Cliff Richard e os Shadows, e tinha o curioso título Concurso de Conjuntos  do Tipo Shadows.

O primeiro dia do Festival ocorreu a 16 de Setembro de 1963, faz hoje meio século.

Para o sensacional concurso do cinema Roma, inscreveram-se 22 conjuntos: Victor Gomes e os seus Gatos Negros, Nelo do Twist e seus Diabos, Electrónicos, Jets, Telstars, Eddye Gonzalez e os seus Ekos, Les Fanatics, Vendavais, Tigres, 3 Jotas, Titãs, Daniel Bacelar e os Gentlemen, S.O.S., Lisboa À Noite, Nova Onda, Sanremo 172, Napolitano, Panteras do Diabo, Jovens do Ritmo, Mascarilhas, Juventude Dinâmica e Condores.

Rezava assim o anúncio do Concurso publicado na Imprensa no dia 05:

O cinema Roma convida-os (aos conjuntos) a comparecerem na sua sala nos próximos dias 6 e 7, das 10 às 12,45 e das 18,30 às 20 horas, a fim de serem ouvidos, para que se possa fazer uma selecção prévia, e combinar o plano da sua actuação a partir da estreia do filme "MOCIDADE EM FÉRIAS", que está prevista para sexta-feira, 13 de Setembro.

Nesta reunião privada não se exigem os trajos com que aparecerão perante o público. Apenas se tornam indispensáveis os instrumentos de música e respectivos aparelhos de amplificação.

Mais uma vez se lembra que o Conjunto eleito pelo voto do espectador terá direito, graças aos Estabelecimentos Valentim de Carvalho, a uma face de um disco comercial e o Conjunto escolhido pelo Júri a um disco comercial (2 faces) e ainda à apresentação pessoal aos Shadows, em Londres, para onde serão transportados em aviões dos TAP-BEA.

O cinema Roma agradece, desde já, a todos o entusiasmo com que acolheram esta iniciativa.

O júri era constituído por Maria João Aguiar, António Miguel, Luís Villas-Boas, João Nobre, Paulo de Medeiros, Hugo Ribeiro, Posal Domingues, Mello Pereira, A. Leite Rosa e José Gomes.

Com apresentação de Fernando Pessa, as actuações decorreram de 16 a 29 de Setembro, tendo o júri deliberado convocar para a finalíssima, no dia 04 de Outubro, os Panteras do Diabo, Nelo do Twist e seus Diabos, Titãs, Daniel Bacelar e os Gentlemen e Fernando Concha e o Conjunto Mistério (ex-Mascarilhas).

No comunicado da decisão, o júri avisa que considerando que a apreciação dos Conjuntos por princípio teria de ser fundamentalmente do tipo do "The Shadows", não julgou a actuação dos vocalistas (embora alguns bastante se tivessem distinguido).

A final realizou-se no dia 04 de Outubro e o júri deliberou por unanimidade declarar vencedor do Concurso o "Conjunto Mistério de Fernando Concha".

O júri considerou também que constituiu um êxito invulgar, tanto para o Cinema Roma como para o público, a presença de tão elevado número de Conjuntos, na maioria formados por jovens executantes e de alguns elementos que muito se distinguiram.

O grupo mais votado pelo público foi Victor Gomes e os seus Gatos Negros.

No dia 07 de Outubro, o Diário Popular, pela pena de Paulo de Medeiros, simultaneamente escriba e membro do júri do Concurso, publica a crónica que se segue:

Perante uma enorme multidão, na sua essência constituída por jovens apaniguados do azougado ritmo dos nossos dias - o twist - terminou na passada sexta-feira no Cinema Roma o certame que a Gerência daquela sala empreendeu no sentido de escolher um agrupamento que maiores afinidades apresentasse com os celebrados Shadows.

Depois da exibição de todos os grupos inscritos, o júri seleccionou cinco conjuntos que dirimiam forças na final e que na realidade se afiguraram os mais apetrechados para discutir a primeira posição. Foram eles Os Diabos, de Nelo, Titãs, Conjunto Mistério, de Fernando Concha, Panteras do Diabo e os Gentlemen, de Daniel Bacelar.

Após as respectivas audições, saiu vencedor, como se previa - e por mérito próprio - o agrupamento Mistério, dirigido pelo conceituado Fernando Concha. Com efeito, o popular conjunto caprichou em ofertar-nos um variado e homegéneo sortilégio melódico para todos os paladares.

Sem dúvida que para o êxito obtido em muito contribuiu a escolha das engendradas composções onde o quarteto desenvolveu a sua classe proverbial, pois empregou uma orquestração assaz rica e utilizou-a em todas as tonalidades, sem perder qualquer das suas outras facetas quer no aspecto inventivo, frescura melódica e sentido rítmico.

Apresentação sóbria, como é apanágio, de Fernando Pessa.

Estão pois de parabéns o público, o conjunto galardoado, Portal da Costa, idealizador do certame que com tanto brilho decorreu e o júri pela uniformidade e certeza de critério com que deliberou.

No dia 12 de Outubro, a revista Rádio & Televisão deu a capa ao Conjunto Mistério e no interior escreveu:

No palco do Cinema Roma estiveram vários conjuntos jovens num concurso destinado a eleger o que mais se identificasse com os famosos Shadows. Ganharam justamente Fernando Concha e o seu Conjunto Mistério. E revelaram-se outros grupos que poderão ficar como valiosos intérpretes de música moderna.

Além deste factor, a iniciativa teve outra particularidade agradável: não houve êxtase de jovens contagiados na plateia, não houve distúrbios na sala.

Provou-se que os ritmos modernos podem ter o seu lugar em Lisboa sem os alarmanetes exageros de juventude que têm preocupado outras capitais e que ainda recentemente foram nota pouco tranquilizadora numa sala lisboeta".

Luís Pinheiro de Almeida

domingo, 9 de dezembro de 2012

SHEGUNDO GALARZA COM TITÃ


ORFEU - LPP 29 - 1985

Lado A

Amores de Estudante - Tango Ribeirinho - O Teu Segredo - O tango do Amor - Destinos

Lado B

Emigrante - O Último Bolieiro - Serei Feliz Com O Teu Amor - Maria da Luz - Não Quero O Teu Amor

João Lourival foi membro dos Titãs.

quinta-feira, 19 de maio de 2011

3º E ÚLTIMO EP DOS TITÃS (1969)


CLAVE - 18 - 1969

One Way Love (Fernando Costa Pereira) - Mira-me Maria (arranjo de Fernando Costa Pereira) - Janela Aberta (Fernando Costa Pereira) - We Gotta Make Love (Fernando Costa Pereira)

Este é o 3º e derradeiro EP da carreira discográfica dos Titãs, que decorreu entre 1963 e 1969 com um extenso lapso entre o 2º EP e este último, durante o qual os Titãs se transformaram radicalmente.

Com a entrada de José Lello, de instrumentos de sopros e com a vocalização das canções deixaram de ser um conjunto tipo Shadows.

Na capa do disco, Toni Carneiro (órgão), José Paias (sax alto, que não chegou a gravar o EP), António Braga (viola-baixo), já falecido), Fernando Costa Pereira (viola-solo), João Lourival (bateria) e José Lello (voz).

segunda-feira, 2 de maio de 2011

VAMOS DANÇAR


ORFEU - SUPER BUDGET SB 1101

FACE A

Vira da Nazaré (Titãs) - Lisboa À Noite (Sousa Pinto e seu conjunto) - 24 Mil Beijos (Los Deltas) - Canção da Beira Baixa (Titãs) - Agora Choro À Vontade (Sousa Pinto e seu conjunto) - Carolina Dai (Los Deltas)

FACE B

O Timpanas (Titãs) - Novo Fado Da Severa (Sousa Pinto e seu conjunto) - Ai Di Lá (Los Deltas) - Menino de Oiro (Titãs) - Madragoa (Sousa Pinto e seu conjunto) - Patatina (Los Deltas)

quinta-feira, 10 de junho de 2010

TITÃS


"Zorro", nº 70, 08 de Fevereiro de 1964

da esquerda para a direita: João Lourival (baterista), Alfredo Barros (viola acompanhamento), Fernando Costa Pereira (viola solo) e António Braga (baixo), este último já falecido.

Cortesia de João Lourival

quinta-feira, 14 de janeiro de 2010

2º EP DOS TITÃS (1963)


ORFEU - ATEP 6083 - 1963

Tema Para Titãs (Fernando Costa Pereira) - Olha Os Noivos (popular/Fernando Costa Pereira) - Marcha Ribatejana (A. Gavino/arranjo de Fernando Costa Pereira) - Avé Maria (D. José A. Pais e Silva/arranjo de Fernando Costa Pereira)

Este é 2º e último EP da fase instrumental, tipo Shadows, dos nortenhos Titãs.

Em 1969, ressurgiriam com um 3º e derradeiro EP, já vocalizado, com José Lello.

O 1º EP pode ser visto aqui.

Na capa do disco, António Braga (viola-baixo), já falecido, Alfredo Barros (viola-ritmo), Fernando Costa Pereira (viola-solo) e João Lourival (bateria).

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

1969 NO YÉ-YÉ PORTUGUÊS


CLAVE - E-P 18 - 1969

One Way Love (Fernando Costa Pereira) - Mira-me Maria (arranjo Fernando Costa Pereira) - Janela Aberta (Fernando Costa Pereira) - We Gotta Make Love (Fernando Costa Pereira)

O ano de 1969, tal como o fim da década, foi também um ano de transição na moderna música portuguesa. Muito lá para trás já tinha ficado o yé-yé - desses conjuntos, os Titãs (na imagem) foram dos últimos a editar, como os Vodkas, de Luís Maurício, e os Fliers.

Os ventos agora são outros, Maio de 68, a primavera marcelista, a guerra colonial, o Vietnam, a consciência política começa a tomar foros de cidadania e os artistas empenham-se militantemente, exteriorizando a inquietação: José Afonso, Adriano Correia de Oliveira, Luís Cília, José Mário Branco, Daniel, Sérgio Godinho, José Jorge Letria, Nuno Filipe, Manuel Freire...

Mas o ano de 1969, em termos de música, foi indubitavelmente da Filarmónica Fraude.

É também o ano de "Penina", dos Jotta Herre (edições portuguesa, castelhana, francesa, neerlandesa e chilena, pelo menos) e de Carlos Mendes, da confirmação do Quarteto 1111, do início do Objectivo, Pop Five Music Incorporated ("A Peça"), Música Novarum.

Também Fausto editou o seu primeiro EP em 1969 com "Hora Que Passa", "Banduca", "Quero Ir Para Lá" e "Chora Amigo Chora", esta última viria a fazer parte do álbum, raro, de 1970.

Os Zoo tiveram o seu one hit wonder...

Em 1969, os lisboetas tiveram oportunidade de ver muitos espectáculos, sobretudo de brasileiros, como Chico Buarque de Hollanda, Nara Leão, Edu Lobo, Vinicius de Moraes.
Mas também cá vieram Dalida, Manolo Diaz, Fourmost, Joaquin Diaz, Nico Fidenco e Georgie Fame.

sexta-feira, 6 de junho de 2008

JOSÉ RIBEIRO DE ALMEIDA NAS BOCAS DO MUNDO


José Manuel Lello Ribeiro de Almeida é portuense. Tem 23 anos. Cursa Máquinas e Electricidade no Instituto Industrial do Porto. Cumpre o serviço militar, como oficial. Estudou piano. Principiou há cinco anos a tocar saxofone. É desportista (andebol).

Em 1967, como consta desta resenha da "Flama", José Lello, ex-ministro e dirigente do PS que se destacou nos ataques a Manuel Alegre, alinhava pelos Titãs, uma das mais relevantes bandas do yé-yé português.

Os outros 5 eram António Henriques Brandão Simões Carneiro, 20 anos, teclista, João Lourival, 25 anos, baterista, António Braga de Oliveira, 28 anos, viola-solo, e Fernando Manuel Soares da Costa Pereira, 23 anos, viola-ritmo.

Mas a carreira musical de José Lello começou muito antes.

Em 1962 fez parte dos Cinco Académicos que animavam os bailes estudantis nortenhos e dois anos mais tarde transferiu-se para o Conjunto Sousa Pinto onde gravou 3 EPs.

Depois da banda da tropa, Inova 67, José Lello mudou-se precisamente para os Titãs - já numa fase descendente - onde também canta, o que se traduz numa transformação radical na postura do conjunto de Matosinhos.

O último EP dos Titãs, "One Way Love" (CLAVE 18 - 1969), é também a última experiência do dirigente do PS em grupos.

Depois disso, só a solo. Para a Alvorada grava um primeiro EP, onde uma das 4 canções é premonitória: "Balada Para Um Emigrante". Sim, José Lello viria a ser, anos mais tarde, Secretário de Estado das Comunidades.

Um 2º EP, um pouco mais tarde, viria a colocar um ponto final na carreira de músico de José Lello, que chegou a Ministro do Desporto, sempre pelo PS.

Não resisto a um excerpto da "Plateia", de 14 de Outubro de 1969, em crítica ao primeiro EP a solo de José Lello, o tal da "Balada Para Um Emigrante":

José Lello era um nome desconhecido . José Lello já não é um nome desconhecido na música portuguesa, é alguém que surge e de quem há muito a esperar. As nossas esperanças ficam nele depositadas.

quinta-feira, 8 de maio de 2008

1º EP DOS TITÃS (1963)


ORFEU - ATEP 6073 - 1963

Vira da Nazaré (arranjo de Fernando Costa Pereira) - Canção da Beira Baixa (arranjo de Fernando Costa Pereira) - O Timpanas (F. Freitas/arranjo de Fernando Costa Pereira) - Menino de Oiro (José Afonso/arranjo de Fernando Costa Pereira)

Na capa do disco, da esquerda para a direita, João Lourival (bateria), António Braga (viola-baixo), já falecido, Alfredo Barros (viola-ritmo) e Fernando Costa Pereira (viola-solo).

sexta-feira, 14 de dezembro de 2007

O MEU PRIMEIRO IÉ-IÉ PORTUGUÊS


ORFEU - ATEP 6073 - 1963

Vira da Nazaré (popular/arranjo de Fernando Costa Pereira) - Canção da Beira Baixa (popular/arranjo de Fernando Costa Pereira) - O Timpanas (Frederico de Freitas/arranjo de Fernando Costa Pereira) - Menino de Oiro (José Afonso/arranjo de Fernando Costa Pereira)

Adoro este disco! Comprei-o no dia 20 de Julho de 1964, tinha acabado de fazer 17 anos!

Este é, também o 1º dos 3 EPs dos Titãs, conjunto de Matosinhos, tipo Shadows.

Nesta altura - 1963 - os Titãs eram formados por Fernando Costa Pereira (viola-solo), João Lourival (bateria), Tony Simões Carneiro (viola-ritmo) e João Braga (viola-baixo).

Lê-se na contracapa deste EP:

SE CÉSAR...

... tivesse vivido no nosso tempo e ouvido "Os Titãs", teria com certeza encontrado outra aplicação para a sua célebre frase da campanha das Gálias: "Chegaram, foram vistos (e ouvidos) e venceram".

E era verdade.

Surgidos para a música em meados de 1963, estes quatro rapazes constituem hoje cartaz e de tal modo valioso que a sua segunda apresentação profissional logo teve lugar no internacional Casino do Estoril.

Tudo isto porquê?

Porque, longe de se limitarem a copiar, como tantos outros conjuntos do género, os Shadows, que os inspiraram, se voltaram para a música portuguesa, provando à saciedade os seus imensos recursos, desde que inteligentemente, talentosamente, aproveitada.

A prova está neste disco-estreia de "Os Titãs", onde há desde o folclore, representado pela "Canção da Beira" e "Vira da Nazaré", até à balada coimbrã - essa belíssima "Menino de Oiro", do Dr. José Afonso - para terminar com o trintão "Fado do Timpanas" que em hora de feliz inspiração Frederico de Freitas escreveu para o fonofilme - era assim que na época era designado - "A Severa".

Em resumo. Aqui está o cartão de visita de "Os Titãs". Tratem-no bem, não o amarrotem, nem o risquem, nem o estraguem. Será o primeiro disco da vossa futura colecção de "Os Titãs" - o mais internacional dos conjuntos portugueses.

Joaquim de Macedo

domingo, 2 de dezembro de 2007

JOSÉ LELLO


José Lello foi músico yé-yé: fez parte dos Cinco Académicos (1962), do Conjunto Sousa Pinto (1964), Inova 67 (no serviço militar), dos Titãs (1967) e depois dono de uma carreira a solo de dois EPs ("Balada Para um Emigrante" e "A Noite do Mar").

Sócio do Boavista, engenheiro de formação, é político de profissão, do PS. Já fez parte de governos, como secretário de Estado e como ministro, já foi deputado. É da direcção política de José Sócrates.

E foi um dos primeiros portugueses a passar férias em Antigua, em Julho de 2003 (na imagem).

quinta-feira, 4 de outubro de 2007

CONCURSO TIPO THE SHADOWS

Em Setembro de 1963, o cinema Roma, de Lisboa, para promover o filme "Mocidade em Férias", com Cliff Richard e os Shadows, resolveu organizar um concurso de bandas a que deu o (agora) engraçado título Conjuntos Portugueses do tipo do "The Shadows".

Não me lembro desta tradição noutros países, mas em Portugal, na década de 60, houve milhares de concursos ié-ié. Não havia cidade que não tivesse o seu.

Mas do meu ponto de vista, só houve três grandes concursos: Rei do Twist (1963), este de que vos falo agora, e o mui famoso Concurso Ié-Ié, em 1965/1966, de que vos falarei noutra ocasião.

Para o sensacional concurso do cinema Roma, inscreveram-se 22 conjuntos portugueses: Victor Gomes e os seus Gatos Negros, Nelo do Twist e seus Diabos, Electrónicos, Jets, Telstars, Eddye Gonzalez e os seus Ekos, Les Fanatics, Vendavais, Tigres, 3 Jotas (de Torres Novas), Titãs, Daniel Bacelar e os Gentlemen, S.O.S., Lisboa À Noite, Nova Onda, Sanremo 172, Napolitano, Panteras do Diabo, Jovens do Ritmo, Mascarilhas, Juventude Dinâmica e Condores.

Rezava assim o anúncio publicado na Imprensa:

"O cinema Roma convida-os (aos conjuntos) a comparecerem na sua sala nos próximos dias 6 e 7, das 10 às 12,45 e das 18,30 às 20 horas, a fim de serem ouvidos, para que se possa fazer uma selecção prévia, e combinar o plano da sua actuação a partir da estreia do filme "MOCIDADE EM FÉRIAS", que está prevista para sexta-feira, 13 de Setembro.

Nesta reunião privada não se exigem os trajos com que aparecerão perante o público. Apenas se tornam indispensáveis os instrumentos de música e respectivos aparelhos de amplificação.

Mais uma vez se lembra que o Conjunto eleito pelo voto do espectador terá direito, graças aos Estabelecimentos Valentim de Carvalho, a uma face de um disco comercial e o Conjunto escolhido pelo Júri a um disco comercial (2 faces) e ainda à apresentação pessoal aos Shadows, em Londres, para onde serão transportados em aviões dos TAP-BEA.

O cinema Roma agradece, desde já, a todos o entusiasmo com que acolheram esta iniciativa.

O júri era constituído por Maria João Aguiar, António Miguel, Luís Villas-Boas, João Nobre, Paulo de Medeiros, Hugo Ribeiro, Posal Domingues, Mello Pereira, A. Leite Rosa e José Gomes.

Com apresentação de Fernando Pessa, as actuações decorreram de 16 a 29 de Setembro, tendo o júri deliberado convocar para a finalíssima, no dia 04 de Outubro, os Panteras do Diabo, Nelo do Twist e seus Diabos, Titãs, Daniel Bacelar e os Gentlemen e Fernando Concha e o Conjunto Mistério.

Não percebo como aparecem citados Fernando Concha e o Conjunto Mistério se não estavam referidos no anúncio inicial de qualificação do Concurso. Um assunto a investigar.

No comunicado da decisão, o júri avisa que "considerando que a apreciação dos Conjuntos por princípio teria de ser fundamentalmente do tipo do "The Shadows", não julgou a actuação dos vocalistas (embora alguns bastante se tivessem distinguido)".

A final realizou-se no dia 04 de Outubro e o júri deliberou por unanimidade declarar vencedor do Concurso o "Conjunto Mistério de Fernando Concha".

O júri considerou também que "constituiu um êxito invulgar, tanto para o Cinema Roma como para o público, a presença de tão elevado número de Conjuntos, na maioria formados por jovens executantes e de alguns elementos que muito se distinguiram".

O grupo mais votado pelo público foi Victor Gomes e os seus Gatos Negros.

No dia 07 de Outubro, o Diário Popular, pela pena de Paulo de Medeiros, simultaneamente escriba e membro do júri do Concurso, publica a crónica que se segue:

Perante uma enorme multidão, na sua essência constituída por jovens apaniguados do azougado ritmo dos nossos dias - o twist - terminou na passada sexta-feira no Cinema Roma o certame que a Gerência daquela sala empreendeu no sentido de escolher um agrupamento que maiores afinidades apresentasse com os celebrados Shadows.

Depois da exibição de todos os grupos inscritos, o júri seleccionou cinco conjuntos que dirimiam forças na final e que na realidade se afiguraram os mais apetrechados para discutir a primeira posição. Foram eles Os Diabos, de Nelo, Titãs, Conjunto Mistério, de Fernando Concha, Panteras do Diabo e os Gentlemen, de Daniel Bacelar.

Após as respectivas audições, saiu vencedor, como se previa - e por mérito próprio - o agrupamento Mistério, dirigido pelo conceituado Fernando Concha. Com efeito, o popular conjunto caprichou em ofertar-nos um variado e homogéneo sortilégio melódico para todos os paladares.

Sem dúvida que para o êxito obtido em muito contribuiu a escolha das engendradas composções onde o quarteto desenvolveu a sua classe proverbial, pois empregou uma orquestração assaz rica e utilizou-a em todas as tonalidades, sem perder qualquer das suas outras facetas quer no aspecto inventivo, frescura melódica e sentido rítmico.

Apresentação sóbria, como é apanágio, de Fernando Pessa.

Estão pois de parabéns o público, o conjunto galardoado, Portal da Costa, idealizador do certame que com tanto brilho decorreu e o júri pela uniformidade e certeza de critério com que deliberou.

No dia 12 de Outubro, a revista Rádio & Televisão deu a capa ao Conjunto Mistério e no interior escreveu:

No palco do Cinema Roma estiveram vários conjuntos jovens num concurso destinado a eleger o que mais se identificasse com os famosos Shadows. Ganharam justamente Fernando Concha e o seu Conjunto Mistério. E revelaram-se outros grupos que poderão ficar como valiosos intérpretes de música moderna.

Além deste factor, a iniciativa teve outra particularidade agradável: não houve êxtase de jovens contagiados na plateia, não houve distúrbios na sala.

Provou-se que os ritmos modernos podem ter o seu lugar em Lisboa sem os alarmanetes exageros de juventude que têm preocupado outras capitais e que ainda recentemente foram nota pouco tranquilizadora numa sala lisboeta.