Não, não me refiro ao mais que provável afastamento do meu clube dos dois primeiros lugares deste campeonato e, por consequência, da Liga dos Campeões, mas sim ao título que em português foi dado a "The Sandpiper", filme que Vincente Minnelli realizou em 1965.
Fraquíssimo filme, diga-se desde já... Mais um daqueles que se espalharam ao comprido à pala das "diabrites" do casal Elizabeth Taylor/Richard Burton...
Nunca mais me esqueci que vi esse filme em reposição no antigo Cinema Alvalade. Chovia a potes e acho que havia um jogo qualquer importante na Televisão, porque o cinema estava deserto.
Não me poderei jamais esquecer, também, da forma como fiquei "colado à cadeira" ao ver a beleza daquelas imagens iniciais, captadas de helicóptero sobre a costa do Big Sur, que fica umas milhas abaixo de Monterey, na Califórnia.
A existência do Big Sur não me era desconhecida, pois já tinha visto referências a essa região a propósito da vida e da obra do Henry Miller e sabia que Jack Kerouac também tinha um livro que se chamava exactamente assim, "Big Sur". Mas, que me lembrasse, nunca antes tinha visto dele imagem nenhuma...
Durante a exibição do filme dei comigo a desligar-me da desinteressante "história" (as angústias existenciais de um professor/padre, preso às suas convicções e à sua família, e de uma pintora, alma livre, moderna e descontraída...) e a "beber" sofregamente cada pedaço de paisagem: as montanhas, os rochedos, a praia, as gaivotas que esvoaçavam pelo ar, e o mar, sempre o mar com aquelas magníficas ondas esfuziantes que se diria filmadas em câmara lenta...
Cinéfilo que já era há muitos anos e detractor das imagens "turisticas" e "bonitinhas" no Cinema, nunca antes me havia sentido assim tão preso à paisagem de um filme, como nesse "Sandpiper".
À saída do cinema fiz para comigo próprio uma jura, com um desejo e uma convicção tão firmes como nunca antes me lembrava de ter tido àcerca de uma viagem: "eu hei-de ir ali e há-de ser muito rápidamente...!"
Tenho ideia de que menos de um ano depois já lá estava...
Ao chegar ao Big Sur, senti-me em casa, de tanto que havia sonhado com aquelas paragens... Já conhecia aquela estrada, aquelas pontes, aquelas montanhas e aquele mar. Os meus olhos não tinham os filtros especiais das lentes do Milton Krasner (director de fotografia do filme) nem o meu olhar era em câmara lenta, mas pouco importava, tamanha era a beleza que se me oferecia.
Robert Louis Stevenson, que tão bem conhecia outras terras e outros mares, considerava este lugar "the greatest meeting of land and sea in the World"... Na altura era um fiel praticante do "Super 8" e fiz para mim próprio uma bonita reportagem, que nunca cheguei a "montar" convenientemente....
Desta vez, é claro que não pude deixar de lá voltar. Continua magnífico! E não consigo fazer essa estrada sem me sentir filmado bem lá do alto, com a orquestra a tocar, suavemente, "The Shadow Of Your Smile"....
Quando um dia me reformar, espero não dizer adeus à ilusão de aqui poder passar, tranquilamente, uma longa temporada...
Colaboração de Luís Mira
Fraquíssimo filme, diga-se desde já... Mais um daqueles que se espalharam ao comprido à pala das "diabrites" do casal Elizabeth Taylor/Richard Burton...
Nunca mais me esqueci que vi esse filme em reposição no antigo Cinema Alvalade. Chovia a potes e acho que havia um jogo qualquer importante na Televisão, porque o cinema estava deserto.
Não me poderei jamais esquecer, também, da forma como fiquei "colado à cadeira" ao ver a beleza daquelas imagens iniciais, captadas de helicóptero sobre a costa do Big Sur, que fica umas milhas abaixo de Monterey, na Califórnia.
A existência do Big Sur não me era desconhecida, pois já tinha visto referências a essa região a propósito da vida e da obra do Henry Miller e sabia que Jack Kerouac também tinha um livro que se chamava exactamente assim, "Big Sur". Mas, que me lembrasse, nunca antes tinha visto dele imagem nenhuma...
Durante a exibição do filme dei comigo a desligar-me da desinteressante "história" (as angústias existenciais de um professor/padre, preso às suas convicções e à sua família, e de uma pintora, alma livre, moderna e descontraída...) e a "beber" sofregamente cada pedaço de paisagem: as montanhas, os rochedos, a praia, as gaivotas que esvoaçavam pelo ar, e o mar, sempre o mar com aquelas magníficas ondas esfuziantes que se diria filmadas em câmara lenta...
Cinéfilo que já era há muitos anos e detractor das imagens "turisticas" e "bonitinhas" no Cinema, nunca antes me havia sentido assim tão preso à paisagem de um filme, como nesse "Sandpiper".
À saída do cinema fiz para comigo próprio uma jura, com um desejo e uma convicção tão firmes como nunca antes me lembrava de ter tido àcerca de uma viagem: "eu hei-de ir ali e há-de ser muito rápidamente...!"
Tenho ideia de que menos de um ano depois já lá estava...
Ao chegar ao Big Sur, senti-me em casa, de tanto que havia sonhado com aquelas paragens... Já conhecia aquela estrada, aquelas pontes, aquelas montanhas e aquele mar. Os meus olhos não tinham os filtros especiais das lentes do Milton Krasner (director de fotografia do filme) nem o meu olhar era em câmara lenta, mas pouco importava, tamanha era a beleza que se me oferecia.
Robert Louis Stevenson, que tão bem conhecia outras terras e outros mares, considerava este lugar "the greatest meeting of land and sea in the World"... Na altura era um fiel praticante do "Super 8" e fiz para mim próprio uma bonita reportagem, que nunca cheguei a "montar" convenientemente....
Desta vez, é claro que não pude deixar de lá voltar. Continua magnífico! E não consigo fazer essa estrada sem me sentir filmado bem lá do alto, com a orquestra a tocar, suavemente, "The Shadow Of Your Smile"....
Quando um dia me reformar, espero não dizer adeus à ilusão de aqui poder passar, tranquilamente, uma longa temporada...
Colaboração de Luís Mira

