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quinta-feira, 8 de abril de 2010

CASA GOUVEIA MACHADO


Era aqui, na rua de São José, 148/150/152, em Lisboa, que ficava a famosa Casa Gouveia Machado.

Hoje, continua a ser uma loja de instrumentos musicais e o senhor que está do lá de lá do balcão é do tempo da Gouveia Machado.

Claro que ficou aprazada uma conversa.

quarta-feira, 7 de outubro de 2009

AS GUITARRAS SÃO COMO AS CEREJAS


Quase me apeteceria dizer que as guitarras são como as cerejas...

Nos primeiros tempos do rock inglês (segunda metade dos anos 50), o acesso às guitarras americanas em Inglaterra era uma raridade. As importações dos EUA eram praticamente impossíveis porque a Inglaterra estava ainda a pagar-lhes os empréstimos de guerra.

Por isso, os músicos ingleses começaram com guitarras fabricadas no Continente, em alguns casos por encomenda (e com marca de) retalhistas britânicos: foi a época das Hofner, Hagstrom ou Egmond.

A primeira guitarra "famosa" do George Harrison foi uma Futurama, fabricada na Checoslováquia numa fábrica de móveis, por encomenda da Rosetti inglesa.

À parte as excepções, como as Fender, primeiro do Hank Marvin e depois de todos os Shadows, o primeiro grande acesso dos músicos ingleses (alguns) às guitarras americanas foi através de Hamburgo, e dos músicos americanos com quem aí se cruzaram.

Começam então a aparecer, já nos anos 60, algumas Gretsch, Gibson, Epiphone, Rickenbacker e Fender, mas só com os anos 60 adiantados, com o fim das restrições à importação, elas se tornaram verdadeiramente acessíveis.

Pode dizer-se que, em geral, os grandes guitarristas ingleses começaram todos com instrumentos mais que medíocres, em alguns casos até construídos por eles próprios.

A Eko esteve praticamente fora desta equação. Primeiro, porque apareceu tardiamente, em relação ao período de que falei acima. Segundo, porque nunca se implantou verdadeiramente no UK (na altura em que apareceram, fabricavam-se em Inglaterra guitarras baratas equivalentes, como as Vox).

A Eko apareceu tarde porque pretendeu capitalizar num fenómeno já em marcha. Era originalmente um fabricante italiano de acordeões, que tentou modernizar-se e penetrar num mercado nascente. O passado "acordeonista" é bem visível na decoração das guitarras, pelo menos nos primeiros anos, com motivos brilhantes a lembrar lantejoulas.

Quando o boom da música moderna atingiu Portugal já se estava nos anos 60. A alternativa mais popular às grandes guitarras americanas (que apareciam por cá, mas em pequenas doses, que o mercado não dava para mais) foram as Eko, que tinham uma variedade enorme de modelos e de preços.

Porquê as Eko? Provavelmente uma brilhante jogada de antecipação do António Gouveia Machado, que percebeu muitas coisas mais cedo que os seus conservadores concorrentes e conseguiu a importação exclusiva no momento certo.

Mas mesmo entre nós, desde muito cedo os músicos sérios começaram a fugir delas como o diabo da cruz.

Comentário de Queirosiano, imagem de Luís Pinto de Freitas

domingo, 4 de janeiro de 2009

CATÁLOGOS GOUVEIA MACHADO

Soube há pouco tempo, julgo que com grande atraso, do falecimento de António Gouveia Machado.

Foi uma das figuras marcantes do meio musical em Lisboa nos anos 60. Pelo menos do meio musical que contava para mim.

Lembro-me de uma vez, ao questioná-lo sobre os méritos relativos de diferentes modelos de guitarras que ele representava, ele responder peremptoriamente: "Não há que enganar. O que é melhor é o que vem da América".

Aproveitei uma passagem recente por Lisboa para vasculhar nos arquivos sem fundo de um amigo, grande manancial de informação sobre a música e os grupos dos anos 60 em Portugal.

Lá encontrei alguns dos catálogos Gouveia Machado, de que lhe envio um excerto com o preçário das cordas para guitarra em 1966.

O mínimo que se poderá dizer é que os músicos da altura não eram confrontados com o embaraço da escolha.

O que também pode ser ilustrado pela resposta do Paul McCartney quando lhe perguntaram que tipo de cordas usava: "São umas compridas e prateadas..."

Colaboração de Queirosiano

sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

CARLOS MENEZES


ALVORADA - AEP 60471

Lisboa É Um Sonho - Rosinha Dos Limões - Lisboa À Noite - Berlenga Maravilhosa

Carlos Menezes era o guitarrista de Shegundo Galarza e ensinava a arte de tocar na Gouveia Machado em Lisboa.

Ainda guardo religiosamente um autógrafo de Carlos Menezes de 1962!

sábado, 13 de dezembro de 2008

GOUVEIA MACHADO


É com grande pesar que sei desta triste notícia. O Gouveia Machado era um grande homem, sempre bem disposto e amigo.

Dei aulas de bateria na sua casa comercial em 66, 67. Via-o de vez em quando, mais tarde, e guardo dele as melhores recordações.

Adrien Ransy (baterista do Quinteto Académico)

sexta-feira, 12 de dezembro de 2008

EM MEMÓRIA DE GOUVEIA MACHADO


Foi com muito pesar que recebi a notícia de que o Gouveia Machado nos tinha deixado.

Lembro-me da pessoa amiga que era e quão satisfeito ficava quando o visitávamos na sua loja.

Ainda tenho a viola-baixo que comprei ao Sr. Gouveia Machado em 1966 - uma "Burns". Só havia duas na altura, a minha e a do Thilo Krassman.

Paz à sua alma.

Alexandre Barreto (viola-baixo do Quinteto Académico)

quarta-feira, 10 de dezembro de 2008

CASA GOUVEIA MACHADO


Tenho as mais gratas recordações do Gouveia Machado, da irmã e dos seus colaboradores, alguns dos quais mais tarde fundaram a Diapasão.

Sem o seu Filantropismo, Entusiasmo e Vontade de ajudar os músicos a afirmarem-se, nunca teriam existido tantos grupos musicais nos anos 60 em Portugal.

Representava as melhores marcas de instrumentos que existiam na altura e o ambiente que conseguia criar era sempre entusiamante e encorajador.

Aqui lhe presto a minha homenagem.

Luís Pinto de Freitas (Claves, Rockefellas)

PS - A imagem reproduz uma parte da reportagem da revista "L'Eco Della Musica", do fabricante das guitarras EKO, sobre a exposição da EKO (Casa Gouveia Machado) na FIL, em 1963. Luís Pinto de Freitas e o Thilo's Combo foram alguns dos músicos que fizeram a demonstração da guitarra.

terça-feira, 9 de dezembro de 2008

DANIEL GOUVEIA LEMBRA O "SR. GOUVEIA MACHADO"


Gouveia Machado era um apelido conhecido na minha família. O pai do agora lamentavelmente falecido era afinador de pianos e, nessa qualidade, o preferido da minha avó paterna, professora desse instrumento.

Não o conheci. Conheci o filho, claro, ou não fosse ele o impulsionador de quase todos os grupos musicais lisboetas (e não só) que alimentaram os tão frutíferos anos 60 portugueses.

Não é justo deixar na sombra o seu contributo, ainda que nos bastidores, para a dignificação da música ligeira, sobretudo a praticada por jovens com poucos recursos financeiros.

Facilitava as aquisições, deixava experimentar, fraccionava os pagamentos. Para muitos, foi a única oportunidade de terem algum dia nas mãos uma viola eléctrica Fender (nesse tempo ainda não se dizia guitarra, pois tinha-se uma noção mais enraizada de ser português) ou de percutir uma bateria Premier, ou soprar num saxofone Selmer.

Foi, nessa acepção, um incentivador, e a casa que dirigiu uma verdadeira escola. Tratava com a mesma deferência um violinista da Gulbenkian ou um «rocker» da Avenida de Roma.

Do pai herdou o ouvido e vi-o afinar, rigorosamente, uma viola sem diapasão, corda a corda, sem voltar atrás uma vez que fosse.

O Quinteto Académico, como tantos outros grupos, deve-lhe muito. Sabia da nossa pretensão de termos sempre as últimas novidades.

O Sr. Gouveia Machado (assim o tratámos sempre, com a veneração inerente aos nossos 19 ou 20 anos) aceitava o material anterior (nunca muito usado) e facilitava os pagamentos do novo, lisonjeando-nos o ego dizendo: «Levem, que convosco não tenho problemas: em dois bailes pagam-me isto».

Que descanse onde os bons, os generosos, os dinamizadores merecem. E os que tanto lhe devem, que o recordem.

Daniel Gouveia (Quinteto Académico)

segunda-feira, 8 de dezembro de 2008

MORREU GOUVEIA MACHADO


Morreu Gouveia Machado!

A notícia, fria e crua, foi-me agora dada pelo filho, António Gouveia Machado, que vive no Brasil.

O Pai, segundo me disse, morreu agora mesmo, no passado dia 03 de Dezembro, em Miami. Não sei - nem me deram - mais pormenores.

Neste blogue temos algumas referências a Gouveia Machado, basta procurar nas chamadas etiquetas (tags).

Mas eu gostaria de ter muito mais, muito mais, por isso o meu apelo agora para recordações!

segunda-feira, 28 de abril de 2008

SIEGFRIED SUGG


MARFER MEL. 2.171

Quase de certeza que este acordeão passou pelas mãos do meu Pai na Gouveia Machado, em Lisboa.

Estão cá todos: Jorge Machado (piano), Carlos Menezes (viola), Correia Martins (guitarra eléctrica), Thilo Krasmann (contra-baixo) e Rueda (bateria).

terça-feira, 1 de janeiro de 2008

PORQUÊ QUINTETO ACADÉMICO?



Como se sabe, Do Tempo Do Vinil está a preparar para o 1º trimestre de 2008 uma Integral das gravações do Quinteto Académico.

Por esta e aqueloutra razão, o
Ié-Ié está atento.

Vai daí, perguntou a
Daniel Gouveia, um dos fundadores da banda, o trivial: "porquê Quinteto Académico?":


Daniel Gouveia já respondeu:

"O nome de «Quinteto Académico» foi proposto por mim, mas não se fixou senão depois de alguns debates.

"Queríamos um nome original. Até aí só havia «Os Estes» ou «Os Aqueles» (Os Ekos, Os Chinchilas, Os Seis Latinos, Os Rebeldes do Ritmo; o Mário até tinha proposto, a gozar, Os Flibusteiros da Mouraria), ou então, «Mário Simões e o seu Conjunto», «Jorge Machado e o seu Conjunto», «Helder Martins e o seu Conjunto».

"Thilo Krassman trouxe alguma frescura com «Thilo's Combo», mas era em inglês e nós não queríamos nada como Sheiks, Jets ou outra qualquer anglo-saxonice.

"Queríamos também acentuar a faceta de sermos estudantes, o que era uma raridade, e fomos os primeiros estudantes a afirmarem-se no universo musical português, daí o qualificativo de académico.

"Só anos mais tarde, com o advento dos grupos «tipo Shadows» (3 violas eléctricas, sendo uma baixo, e uma bateria) vários jovens seguiram o nosso exemplo, mantendo-se estudantes e músicos.

"Até nos copiaram a formação e parte do nome, surgindo na Madeira o Conjunto Académico de João Paulo, com piano, sem sopros, mas com um vocalista de excepção: Sérgio Borges.

"Isso deu uma confusão que ainda hoje persiste. Quando falamos de Quinteto Académico, muitas pessoas dizem logo: «Ah, aqueles da Madeira, do João Paulo»".

Digam lá que não é fantástico sabermos estas coisas pelos próprios protagonistas?

quarta-feira, 26 de dezembro de 2007

DANIEL BACELAR ESCREVE SOBRE GOUVEIA MACHADO


Meus queridos amigos:

Já antes de 1974, tanto os músicos profissionais como a rapaziada dos "conjuntos" (hoje bandas) tinham imensas dificuldades económicas, pois os instrumentos eram caríssimos, sobretudo para nós, simples estudantes, com pouco dinheiro, algum dele ganho em qualquer "bailarico" de liceu ou esporádica actuação.

Comprar uma Fender ou uma Burns era um sonho impossível, contentando-nos nós com uma guitarra Eko, bem popular naquela altura.

No entanto, havia uma casa de instrumentos musicais na rua de S. José (em Lisboa) que era uma espécie de Santuário para todos nós, a CASA GOUVEIA MACHADO.

Digo Santuário, pois António Gouveia Machado, seu proprietário, estava sempre pronto com o seu habitual sorriso a facilitar a vida à "malta" e a vender o tão ambicionado material musical a prestações "a perder de vista".

Era o amigo da "malta" e, muitas vezes, confidente das nossas pequenas frustrações de jovens cheios de sonhos, que, claro, 98% das vezes, nunca se realizaram devido à pequenez do nosso meio musical (já naquela altura era assim!!).

Gostaria de o relembrar, pois em 1974 já me encontrava afastado destas lides musicais e a minha vida há muito que tinha seguido outros voos, por acaso relacionados com a aviação.

Mas vim a saber que, tempos após o 25 de Abril de 1974, o nosso amigo SR. GOUVEIA MACHADO (como era conhecido entre nós) viu-se obrigado a fechar o seu estabelecimento e a rumar ao Brasil.

Desconheço as razões que o obrigaram a fazer isso, mas uma coisa senti quando tive conhecimento do facto: uma enorme saudade e montes de recordações de amenas "cavaqueiras" com o nosso AMIGO.

Junto podem ver uma fotografia tirada quando da visita dos Shadows à sua loja, (quando da inesquecível actuação do Cliff Richard e dos Shadows no Cinema Império, em Lisboa - dias 11 e 12 de Dezembro de 1965 - nota do editor), pois era o representante das guitarras Fender e Burns para Portugal, marca dos instrumentos que, como toda a gente sabe, eram a imagem de marca dos Shadows.

Pode-se ver da esquerda para a direita, John Rostill (Shadows, viola-baixo), Brian Bennett (Shadows, bateria), António Gouveia Machado (e o seu característico sorriso), este vosso criado (com um "ar apardalado", tal a emoção do encontro), Hank Marvin (Shadows, viola-solo, e os seus característicos óculos), e dois fãs e frequentadores da casa.

Caro ANTÓNIO GOUVEIA MACHADO, onde quer que se encontre, um grande "MUITO OBRIGADO" em meu nome e no de toda uma geração que foi musicalmente feliz devido à sua compreensão e a um grande coração.

BEM HAJA!

Daniel Bacelar

PS - Agradecia que se alguém tiver paciência para ler isto e ainda se lembrar destes tempos, deixasse aqui o seu testemunho, pois pessoas como ANTÓNIO GOUVEIA MACHADO infelizmente, hoje.... já não há!

quinta-feira, 25 de outubro de 2007

REVISITEI AS DISCOTECAS DE 60/70


Comprei este disco no dia 09 de Janeiro de 1973, às 16H00. Segundo escrevi na contra-capa estava um dia claro e o sol brilhava.

Comprei-o na discoteca A Concorrente, na Rua Saraiva de Carvalho, 139-143, em Lisboa.

Concluí hoje a minha revisitação às principais discotecas que frequentava nos anos 60 e 70.

Eis os resultados:

A Concorrente - Rua Saraiva de Carvalho, 139-143: mantém-se a tabacaria/papelaria, mas já não vende discos.

Casa Gouveia Machado - Rua de São José, 152: desapareceu, hoje é Vítor Silva-Instrumentos Musicais, o mesmo core business anterior.

Compasso - Rua Saraiva de Carvalho, 268-C: desapareceu, hoje (Julho de 2013) é a João Lopes Iluminação, depois de ter sido uma loja de utilidades Stock Out, que fechou em 2009.

Discoteca do Carmo - Rua do Carmo, 63: transferida para a Rua do Ouro, 272, sob o nome de Discoteca Amália, hoje (Julho de 2013) é a Muji. Em frente, uma viatura Fleur de Lys (com a matrícula OE-50-80), verde, transmite e vende Fado de Lisboa. É propriedade da Fundação Manuel Simões. Manuel Simões, 90 anos, era o dono da Discoteca do Carmo e, hoje, da Discoteca Amália, que visita diariamente.

Discoteca Melodia - Rua do Carmo, 23: desapareceu, hoje (Julho de 2013) é a Sapataria Stock-Off, depois de ter sido Marallo, também sapataria..

Discoteca Universal - Rua do Carmo, 51-C: desapareceu, hoje (Julho de 2013) é uma loja de roupa Maison Louvre, depois de ter sido Richards.

Drugstore Apolo 70 - Avenida Júlio Dinis, 10: o drugstore mantém-se, a discoteca é que não.

Frineve - Praça Francisco Sá Carneiro (Areeiro), 6-D-E, mantém-se a loja de electrodomésticos, mas já não vende discos.

Grande Feira do Disco - Rua do Forno do Tijolo, 25-C: desapareceu, futura Escola de Actores

Livraria Ler - Rua Almeida e Sousa, 24-C: mantém-se.

Canasta - Praça de Londres, 11 B: já não existe, hoje (Julho de 2013) está uma loja para a 3ª idade, Care For You, depois de ter sido a Maria Gorda, loja de roupa.

Sinfonia - Avenida de Roma, 44-A: mantém-se.

Sol & Dó - Praça Marquês de Pombal, 1 - loja 7: desapareceu, hoje é um Centro Óptico Delgado Espinosa e o Snack Napolitano. Agora (Julho de 2013) é o Grupo Óptico OMB.

Valentim de Carvalho - Rua Nova do Almada, 95-97: desapareceu, hoje (Julho de 2013) é a loja de moda Rulys. A loja fica no Edifício Castro & Melo, recuperado por Siza Vieira. Em 1996 ganhou o Prémio Secil de Arquitectura, considerado o Nobel português de Arquitectura.

Valentim de Carvalho - Avenida de Roma, 49. Hoje (Julho de 2013) é o Banco Espírito Santo.

Coop Bancários - Rua Filipa Vilhena, 6 E/F: ainda existe, mas já não vende discos.

Vice-Versa - Av. da Igreja, 19. Ficava no Centro Comercial AC Santos, hoje (Julho de 2013) está lá uma loja multiusos.

Discoteca Roma - Av. de Roma, 20 C: hoje (Julho de 2013) é o BANIF.

Além dos discos, compravam-se os jornais e as revistas estrangeiras com as novidades:

Tabacaria Mónaco - Praça D. Pedro IV (Rossio), 21: mantém-se.

Tabacaria Adamastor - Rua 1º de Dezembro, 2-B: desapareceu e a loja está desocupada.

Ah! As camisas floridas compravam-se no Porfírios, Rua da Vitória, 63. Já desapareceu e hoje é uma loja também de moda para jovens: Shop 1one.

segunda-feira, 22 de outubro de 2007

CASA GOUVEIA MACHADO


Não sei se dá para ver, mas a Casa Gouveia Machado utilizava uma imagem dos Beatles para promover os seus serviços. É claro que estávamos em 1966, isto hoje em dia seria completamente impossível.

O David Ferreira, se ainda estivesse na EMI, já teria alertado a Apple para a ilegalidade.

Mas não era sobre isso o propósito deste post.

A Casa Gouveia Machado foi nos anos 60 uma espécie de paizinho para os músicos yé-yé, sobretudo para os tesos. Arranjava sempre maneira de os músicos terem os seus instrumentos.

O meu Pai dava lá uma ajuda. E isso ajudava-me a mim próprio. É que eu ia lá sacar discos e dizia: "Ponha na conta do meu Pai, se faz favor". Que sorte a minha!

Bom, a Casa Gouveia Machado já não existe, mas o seu core business mantém-se. Hoje em dia continua a ser uma loja de instrumentos musicais: VS- Vítor Silva - Instrumentos Musicais (telefone 213 425 347).

Tem guitarras clássicas Admira com 20 % de desconto, guitarras Jackson com 15 % e faz reparações e afinações em acordeões, pianos, órgãos, guitarras, amplificadores, mesas de mistura, audios, videos, hi-fi.

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

SOL & DÓ


DISQUES VOGUE - CLVLXEK 211 - edição francesa

Side One

Strange Days - You're Lost Little Girl - Love Me Two Times - Unhappy Girl - Horse Latitudes - Moonlight Drive

Side Two

People Are Strange - My Eyes Have Seen You - I Can't See Your Face In My  Mind - When The Music's Over

Volto ao assunto das discotecas, verba gratia, lojas de discos. Já aqui da falei da "Melodia", da "Universal", da "Discoteca do Carmo", da "Sinfonia", tudo em Lisboa, claro.

Agora, ao remexer em papéis velhos dei conta de um anúncio de uma das discotecas que mais frequentei nos anos 60 e 70, a "Sol & Dó" que ficava na Praça Marquês de Pombal 1, em Lisboa, nas arcadas do Hotel Flórida, loja 7.

Era uma discoteca francesa. Vi um anúncio de Outubro de 1963: "Sol & Dó" (boutique do disco) - salut les copains - chegados de férias, com as últimas novidades de Paris - representante do clube francês do disco".

Fui lá há pouco e no local da "Sol & Dó" está agora um Centro Óptico Delgado Espinosa e um Snack Napolitano. O hotel continua.

É por isso que o meu primeiro álbum dos Doors - um dos que mais gosto, na imagem - é um LP Vogue, o que prova uma vez mais a dependência que na altura havia da cultura francesa.

Havia outras discotecas que eu frequentava como o Apolo 70, uma pequena discoteca-tabacaria ao pé da Mexicana (ainda lá vou ver como se chama), outra do mesmo tipo ao pé do Hotel Ritz, Tabacaria, Papelaria e Livraria Hélada, na Rua Rodrigo da Fonseca 152 (atende no 160), onde, por exemplo, comprei o EP francês de Mick Jagger, "Memo From Turner", em Dezembro de 1970, por 45$00.

Frequentava também a Frineve, no Areeiro, a Casa Gouveia Machado e, muito mais tarde, até a Cooperativa dos Bancários servia para comprar discos (foi lá, por exemplo, que comprei por 160$00, em 1983, o single dos Rolling Stones, "Undercover Of The Night").

Também comprei muitos discos na Exposicion Solís, em Badajoz, e em duas fantásticas discotecas de Campo de Ourique, em Lisboa, na mesma rua: a Compasso, na Rua Saraiva de Carvalho. 268-C, telefone 66 98 51 e A Concorrente, mais pequena, na mesma rua nos números 139-143, com os telefones 66 21 46 e 66 72 51.

A Compasso já não existe. Em seu lugar está uma loja Stock Out, de utilidades e peças decorativas, bem interessante, que teve o bom gosto de manter aquelas montras fantásticas que a Compasso tinha.

A Concorrente, na esquina da Saraiva de Carvalho (não, não é o capitão de Abril, mas um jurisconsulto que viveu entre 1839 e 1882), ao pé da Cervejaria Canas (ainda lá está), outro ícone dos anos 60, onde as bifanas eram de morrer, ainda existe, multifuncional: papelaria, utilidades, pequenos electrodomésticos, peças Bodrum. Discos é que já não tem.

Do outro lado da Saraiva de Carvalho, na esquina com a Ferreira Borges, lá se mantém a Pastelaria A Tentadora, outrora assaz visitada pelos meninos-bem de Campo de Ourique e por músicos ié-ié, seus aliados.

Quando por lá passei agora num dia lindo de sol, estava Miguel Sousa Tavares na esplanada com um copo de leite e uma tosta. Nem de propósito.

Um pouco mais no interior de Campo de Ourique, no chamado Jardim da Parada, onde vivi nos anos 70, ainda existe hoje em dia a Livraria Ler (Rua Almeida e Sousa, 24 c, esquina com a Rua 4 de Infantaria), onde além dos livros proibidos havia também boa música.

Só mais um pormenor: o Apolo 70, a Sinfonia e o Compasso deviam ser todas geridas pela mesma pessoa, já que o sistema de etiquetagem dos discos era exactamente o mesmo.

terça-feira, 16 de outubro de 2007

1ª ELIMINATÓRIA GANHA PELOS ÁTOMOS

Agora que a RTP - sem preconceitos e finalmente - disseca a guerra colonial, um dos maiores horrores da História Contemporânea portuguesa e que deu origem ao 25 de Abril, retomo o Concurso Ié-Ie de 1965/66 no Teatro Monumental em Lisboa.

O que tem uma coisa a ver com a outra?

Como já aqui recordei, o Concurso foi organizado pelo jornal "O Século" a favor das Forças Armadas no Ultramar, através do Movimento Nacional Feminino, com a colaboração da Radiotelevisão Portuguesa, Emissora Nacional, Rádio Clube Português e o empresário Vasco Morgado.

A 1ª eliminatória realizou-se no dia 28 de Agosto de 1965, um sábado, com duas sessões, uma às 16 e outra às 18 horas.

O anúncio da eliminatória foi coincidente com a morte, por afogamento, na Riviera francesa, do genial arquitecto suiço Le Corbusier e com a inauguração de um "troço inteiramente novo" da Estrada Nacional nº 1 entre Venda das Raparigas e a Batalha, o que permitiu encurtar em 16 quilómetros o percurso entre Lisboa e Porto.

Voltando ao Concurso: o júri era constituído por "distintos músicos profissionais e um grupo de jovens entusiastas entendidos em ié-ié":

Júri técnico: maestro Costa Pinto, Thilo's Combo, Mário Simões e José Luís Simões. Preside, a partir das meias-finais, o maestro Eduardo Loureiro, da Emissora Nacional.

Júri ié-ié: Emídio Aragão Teixeira (presidente), do Instituto Superior Técnico, Carlos Neves Ferreira, da Faculdade de Ciências, Maria Bernardo Macedo e Vale, António Martins da Cruz, Jaime Lacerda e Diogo Saraiva e Sousa, da Faculdade de Direito, Maria Avelino Pedroso, do Instituto Superior de Agronomia, e Ricardo Espírito Santo e Silva Ricciardi (sétimo ano dos liceus).

Havia ainda um Regulamento de 6 pontos que seria fastidioso transcrever aqui.

O 1º Prémio era de 15 contos, o 2º de 10 e o 3º de 5. Havia ainda uma taça oferecida pelo programa "Passatempo Juvenil", da Rádio Peninsular.

Mais: a Philips oferecia uma telefonia e uma philishave (sabem o que é?), a Casa Gouveia Machado uma viola Eko de 12 cordas (daqui o nome do conjunto) no valor de 4.360$00, um microfone Shure no valor de 2.520$00 e uma tarola Sonor, com suporte, no valor de 1.720$00, o Salão Musical de Lisboa oferecia uma bateria, uma viola, uma guitarra, uma pandeireta e três harmónicas de boca, a Casa Galeão uma mala de viagem, a Casa Pinheiro Ribeiro cinco metros de tecido, a Casa J. Nunes Correia seis gravatas, a Sapataria Lord um par de sapatos, a Loja das Meias (desaparecida há pouco) cinco gravatas e a Casa J. Pires Tavares dez frascos de água de Colónia.

No palco, um grande (e agora famoso) cartaz lembrava a ditadura: "Atenção! Barulho que não permita o júri ouvir os conjuntos, objetos (sic) atirados para o palco, distúrbios na sala são motivos para a expulsão do espectador que assim proceder sem que a organização lhe devolva a importância do bilhete. A juventude pode ser alegre sem ser irreverente".

Participaram nesta 1ª eliminatória os Martinis, de Elvas, os Átomos, de Lisboa, os Dakotas, de Almada, os Magic Strings, de Oeiras, e os Jovens do Ritmo, de Leiria. A eliminatória foi apresentada por Henrique Mendes.

A eliminatória foi ganha pelos Átomos, com 26 pontos, seguidos dos Dakotas (22), Magic Strings (14), Martinis (7,5) e, finalmente, os Jovens do Ritmo (7).

"O Século" do dia seguinte considerou a eliminatória "sensacional" e numa premonitória legenda a uma foto com três jovens femininas a guinchar escreve: "Frenéticas e estridentes (também são bonitas) estas três raparigas ié-ié entregam-se delirantemente ao espectáculo. Quando forem avós e folhearem os álbuns das suas juventudes vão sorrir e vão também suspirar".

Não sei se se percebe a legenda do conjunto de fotos que encima este post, mas eu ajudo: "Quem não foi ao Monumental não sabe o que perdeu. Para já, nesta colecção de "indiscrições", chamamos a atenção dos leitores para o senhor de cabelos brancos que, de pé, se deixou ir atrás do ritmo. Trata-se, portanto, de um homem jovem e a sua alegria, as suas palmas, ao lado das raparigas e rapazes que o rodeiam, só lhe ficam bem. Reparem como está de óptima disposição e como foi bom o tónico que recebeu ontem no Monumental. Este vai voltar. O resto salta à vista: é a exuberância, o sangue na guelra, a fúria de viver. E diga-se de novo: elas e eles divertiram-se muito, mas bem. Não houve um desacato e o próprio polícia que olha o ié-ié perturbado fá-lo com benevolência. Por que motivo não havia o rapaz de divertir-se? Ele não estava fazendo nada, o polícia também...".

Algumas passagens da notícia de "O Século":

"O público entregou-se vibrantemente ao espectáculo e estabeleceu tal gritaria, tantas palmas, assobios e cantorias que em dados momentos era difícil distinguir os dois campos de som: o palco e a sala".

"Os guardas da PSP - e estava lá o comandante da Polícia Municipal, sr. capitão Horta Veiga - observaram com benevolência e simpatia aquelas explosões inofensivas e não tiveram, felizmente, de intervir".

"Quando surgiu Albino, o vocalista (dos Dakotas) parecia um golo de Eusébio".

Os Átomos eram formados por Henrique Knobliek, bateria, 18 anos, estudante liceal, Armando Jorge, viola-solo, 18 anos, estudante liceal, Leonel Efe, viola-ritmo, 18 anos, metalúrgico, José António, vocalista, 19 anos, estudante comercial, e António Evangelista, viola, 17 anos, empregado comercial.

Agora, a descrição é da "Rádio & Televisão":

"Vestem calça escura, camisa clara e camurcine preta, excepto o vocalista que leva camurcine amarela.

"Foi o Armando Jorge que teve a ideia de formar o conjunto que se estreou em Janeiro deste ano (1965) numa festa realizada no Pinhal Novo.

"Apresentaram-se a concurso com "Expresso" e "Jovem", da autoria do conjunto, "Voando no Espaço", música cantada, e "My Bonnie", dos Beatles".