"Fotobiografia de José Afonso", Irene Flunser Pimentel, Temas & Debates, 2009, 200 págs., € 34,90
José Afonso, Zélia e a Mãe dos meus dois Filhos em Victoria Park, Londres (1970).Se a memória não me falha, tínhamos ido ver um
Festival Anti-Nuclear com John Lennon, Yoko Ono, Arthur Brown and the Crazy World e mais uns tantos.
Isto foi em Março de 1970, quando José Afonso e
Carlos Correia (o célebre Boris) foram a Londres gravar "Traz Outro Amigo Também".
(só por graça, José Afonso gravou nuns estúdios da Pye, paredes-meias com os Status Quo).Por causa da
crise estudantil em Coimbra, em 1969,
Rui Pato foi impedido de sair do País, falhando a sua primeira gravação com Zeca.
Gilberto Gil acompanhou-nos nesta incursão a Victoria Park. Há provas fotográficas, logo tenho a certeza.
As minhas cunhadas trabalhavam no
Chelsea Kitchen (King's Road) e viviam em Oakley Street, defronte de David Bowie.
A cunhada mais nova era a companheira de
José Labaredas, grande amigo de José Afonso. Está assim explicado todo este enredo.
Enquanto a cunhada metia as moedas no
meter do
19 A, Oakley Street SW 3, eu jogava judo com o Zeca num
dojo improvisado.
Quantas
estórias...
A mais deliciosa -
digo eu! - aconteceu quando nos encontrámos um dia (ou uma noite) num dos dois restaurantes portugueses de
Beauchamp Place: José Afonso, Gilberto Gil, José Labaredas, eu, a Mãe dos meus dois Filhos, as duas cunhadas, a Zélia e um convidado muito especial, Caetano Veloso, ele também exilado em Londres.
Caldo verde lembro-me que comemos todos. No meio dos pastéis de bacalhau, Caetano Veloso confessou que estava atrapalhado, que os seus amigos brasileiros o pressionavam, indagando de como era a vila de um exilado político em Londres.
Queria responder com uma canção, mas não sabia como.
E foi nessa noite londrina, num recanto bem português, que José Afonso trauteou a melodia do que viria a ser o famoso "London London", de Caetano Veloso, provavelmente mais conhecido na versão de Gal Costa.
É isto verdade?
Para mim é, mas se me lembro da
estória é porque não vivi os
sixties...Luís Pinheiro de Almeida