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sábado, 12 de abril de 2008

DANIEL FILIPE


ORFEU STAT 016

Muitos discos rodaram na solidão da noite, no convívio de amigos. Acompanharam-me no correr dos dias, “à procura da manhã clara”, a “cidade prometida”, o outro lado do arco-íris.

Alguns levaram descaminho. Não os recuperei, jamais os recuperarei. É cada vez mais tarde para isso…

Este ficou e teria muita pena se assim não fosse: “A Invenção do Amor”, um longo poema de Daniel Filipe, um poeta injustamente esquecido, a juntar a tantos e tantos outros. É o próprio Daniel Filipe que diz o poema e di-lo com um sentir, uma serenidade, uma clareza profundamente arrepiantes.

Um cartaz na cidade denuncia que um homem e uma mulher se encontraram num hotel numa tarde de chuva e inventaram o amor com carácter de urgência souberam entender-se sem palavras inúteis apenas o silêncio a policia de costumes avisada procura os dois amantes antes que a invenção do amor se processe em cadeia há pesadas sanções para os que auxiliarem os fugitivos o perigo justifica-o não precisam de dar o nome e a morada e garante-se que nenhuma perseguição será movida nos casos em que a denúncia venha a verificar-se falsa é preciso encontrá-los antes que seja tarde importa descobri-los onde quer que se escondam antes que seja demasiado tarde e o amor com um rio inunda as alamedas praças becos calçadas (1)

No lado B outros poemas de Daniel Filipe são ditos pelo actor Mário Viegas.

Toda a música foi improvisada sob audição da voz gravada de Daniel Filipe.

A música é composta por Marcos Resende e Rui Cardoso que também fazem o acompanhamento tocando piano eléctrico e piano (Marcos Resende), flauta, sax-alto, sax soprano (Rui Cardoso).

O som é de Moreno Pinto e o arranjo gráfico de José Santa-Bárbara.

(1) Colagem de frases retiradas de “A Invenção do Amor”.

Colaboração de Gin-Tonic