domingo, 24 de dezembro de 2017
CHRISTMAS MUST BE TONIGHT
A&M - 13921 - 1988
Uma das melhores canções de Natal, "Christmas Must Be Tonight", de e por Robbie Robertson (The Band).
sábado, 23 de dezembro de 2017
OUVEM-SE TAMBORES AO LONGE
No Natal de 2012 comprou o Diário de Inverno de Paul Auster.
Qualquer pretexto lhe serve para comprar um livro.
Não sendo autor referencial da casa, bastou-lhe ler na contracapa:
Pensas que nunca te vai acontecer, que não te pode acontecer, que és a única pessoa no mundo a quem essas coisas nunca irão acontecer, uma a uma, todas elas começam a acontecer-te, como acontecem a toda a gente.
Gostou do livro.
Mais ainda, quando quase a findar, leu:
Conversando com o teu pai em sonhos. Há muitos anos que ele te visita num quarto escuro do outro lado da consciência, sentando-se a uma mesa contigo para conversas longas e sem pressas, calmo e circunspecto, tratando-te sempre com amabilidade e bonomia, escutando sempre com atenção o que lhe dizes, mas, quando o sonho acaba e tu acordas, não te lembras de uma única palavra do que cada um de vocês disse.
Sininhos de Natal tremelicaram. Também a ele o pai o visita. E lembrou-se, que por aí, tinha um qualquer registo que, voltas e mais voltas, acabou por encontrar:
Há espelhos que se aproximam de nós e trazem-nos as pessoas que somos.
Lembra-se dos tambores que o pai lhe deu no primeiro Natal?
Não, não se pode lembrar, mas é como se assim fosse.
Contaram-lhe a história e ele consegue ver.
O pai deu-lhe uma mão cheia de tambores, aqueles tambores de madeira com riscas vermelhas, pele de cartão, dois pauzinhos, os tambores, tambores que o pai quisera um dia ter na sua infância e que nunca lhe deram.
Há espelhos que vêm até nós com as imagens nunca vistas, mas que outros contaram.
E passam a ser nossas.
Pendurado nos livros, colocou o último boné que o pai usou, o seu ouvinte mais inteligente.
Tem dias, mas principalmente noites, que sente que o pai anda por aqui, aquele cheiro a tabaco negro, marca UNIC, cigarros que o ajudaram a viver e acabaram
Uma voz: Então não há por aí um whisquinho e logo a seguir: já agora põe aí a Peggy Lee a cantar o «Johnny Guitar.
Play the guitar, play it again, my Johnny, maybe you're cold, but you're so warm inside.
Comove-se cada vez que olha o boné e disso fez um hábito.
Ouvem-se tambores ao longe.
E é quase Natal!
Texto: Gin-Tonic
Nota do editor: belo texto, bela foto e como conheço bem o boné!
NÃO HÁ NATAL SEM MÚSICA DE BACH
JOHANN SEBASTIAN BACH
CHRISTMAS CANTATAS
THE AMSTERDAM BAROQUE ORCHESTRA & CHOIR TON KOOPMAN
CHALLENGE CC72230
As vezes que ele lhe disse:
Não há Natal sem Música de Bach.
Sempre a mesma cantilena.
Nunca compreendeu a insistência, porque, para ela, todos os dias são dias de Bach.
Mas o tempo era de festa e regozijo, pensou ela, que assim fique, e disse também:
Não há Natal sem Música de Bach.
Mas, naquele ano, arriscou algo mais:
Põe o Natal nos meus olhos!
Ele entendeu.
Quando depois o Outono se foi aproximando, nasceu a Rita.
Texto: Gin-Tonic
sexta-feira, 22 de dezembro de 2017
VOLTOU O SENHOR NATAL
José Carlos Ary dos Santos conseguiu, numa só frase, resumir o muito que se possa dizer do Natal:
Natal é quando um homem quiser.
O mais certo é que Simona Angioni, leitora de um jornal milanês, nunca tenha lido Ary dos Santos, mas enviou para o jornal uma carta em que se fica com a sensação de que gostaria de ter lido uma outra linha do poema de Ary:
Natal é quando nasce uma vida a amanhecer, Natal é sempre o fruto que há no ventre da mulher.
E esta é a carta da leitora Simona Angioni:
Eu sou quem decide quando é Natal. Vocês põem-no sempre no mesmo dia, como uma marcação no cabeleireiro. Não funciona assim. Transfiro o Natal para onde quero. Para um banco de onde se vê o rio, para uma esquina da noite, entre lençóis vermelho fogo, para uma sala burguesa cheia de familiares à hora do chá. Ou no Verão, num alpendre, às duas da tarde de uma terça-feira qualquer. Quando souber a data, digo-vos. Agora não é altura para um feriado. Há demasiada leveza. De qualquer maneira, quando o momento chegar vocês compreenderão sozinhos. Haverá uma barriga. E um choque surpreendente para sair para o ar livre.
Ora se o Natal é quando um homem quiser, democraticamente falando se dirá que todos têm direito a fazer um disco do Natal.
É o caso de António Severino, emigrante por terras de França, que pediu a José Crispim que lhe ajeitasse uns versos, socorreu-se da música do Fado Latino, rodeou-se do Conjunto de Guitarras de António Chaínho e resulta uma história arrepiante que nos diz que os filhos não devem pagar os erros dos pais.
Outros Natais.
Texto: Gin-Tonic
HOME
Quando era rico, comprava tudo quanto era disco nos mais variados sítios.
Esta magnífica colectânea foi comprada em Manchester em 1990, com as bandas da altura.
UM AMIGO PARA NOS ACENDER O DIA
POLYDOR - 2371. 223
Lado 1
White Christmas – Midnight in December – Jingle Bells – Come Ye Shepherds – Oh Christmas Tree – Christmas Night – Tomorrow Brings Santa Claus –Oh Miracle Upon Miracle – When the Snow Falls from Heaven - The Bells Never Sound Sweeter – In Dulce Jubilo – Joseph Dear. Joseph Mine – Sleigh Ride in the Winter Forest – Silent Night
Lado 2
Ring Little Bell Cling-a-Liing-Ling – Let’s Be Gay and Merry – Happy Christmastide – The Snows Falls Softly – Snowflakes – The Wind Blows on the Mountain – Children, Tomorrow Is the Day – Every Year Anew – Merry Christmas Everywhere – The Christmas Tree Is Alight With Candles – A Rose Has Come to Bloom – Come Ye Children – The Christmas Tree is the Finest Tree – Ah! Ah! Ah!
O Natal será sempre o encanto e a ternura da impossibilidade.
O sem sentido de alguns presentes, como naquele conto de O’ Henry: ela vendeu o lindo e comprido cabelo para lhe comprar uma corrente para o relógio, de que ele tanto gostava; ele empenhara o relógio para lhe comprar as travessas, de que ela tanto gostava, para colocar no cabelo.
Karl Valentim preferia que cortássemos do calendário o Dia De Natal, se com isso conseguíssemos que os restantes 364 dias do ano fossem todos de Natal.
Gostaria que o Natal não tivesse o carácter de que se tem revestido nos últimos anos: um consumismo desenfreado que dele fazem o dia mundial da hipocrisia.
As noites de Natal, aquelas que não mais pode repetir, passava-as em casa do pai, a família mais chegada, a comer bacalhau cosido com couves, a beber vinho tinto alentejano, a conversar pela noite fora, rematando-se a festa com carne de porco frita envolta em ovos mexidos, a que se seguiam os doces, umas fatias douradas da parida, dizia a avó, filhós e uns cálices de licor de ginja que, por Junho, se tinha colocado a marinar numa grande garrafa de vidro, juntamente com açúcar amarelo, aguardente branca, um pau de canela.
A manhã começava a nascer, saía para regressar onde vivia e gostava do cheiro de Natal que sentia pelas ruas.
Tentamos fazer o mesmo com os filhos, a reinvenção dessas noites felizes, mas é mais que certo: nunca se volta aos sítios onde fomos felizes.
Falta, essencialmente, esse passe de mágica, que eram as conversas do pai, um brilhante contador de histórias.
Há coisa melhor que o Natal?
Há: os amigos!
E que mais podemos querer do que um amigo para nos acender o dia, e que esse dia seja Natal?
O Natal é um cantinho bom do ano, um aconchego.
Bom Natal!
texto: Gin-Tonic
quinta-feira, 21 de dezembro de 2017
ENCORE!
RUMOUR RECORDS - KUVA 1
Lembram-se do Hippodrome no Centro Comercial S. João de Deus (Lisboa)?
Boas importações!
Este LP custou-me 2.100$00.
SOUND OF THE SUBURBS
COLUMBIA - 468842 - 1991
Ícones, como Jam, Adam Ant and the Ants, Buzzcocks, Only Ones, Undertones, Martha and the Muffins, Elvis Costello, Ian Dury, Blondie, Boom town Rats, Psychedelic Furs, Stranglers, Vapors.
quarta-feira, 20 de dezembro de 2017
OS MALUQUINHOS DAS MÚSICAS DE NATAL
POLYDOR - 20 225 EPH
Stille Nacht, heilige Nacht – Susser die Glocken nie klingen – O du frohliche, o du selige – O Tannenbaum
Em casa do pai havia um móvel com um rádio BLAUPUNKT, daqueles de olho verde para uma clara sintonização, e um gira-discos.
Um dia, faltavam escassos dias para o Natal, o pai apareceu em casa com um EP de Canções de Natal.
Não havia televisão.
Depois do jantar, o pai reuniu a família, e colocou o disco no prato.
Canções de Natal em alemão.
Aliás, o pai tinha a opinião que o Natal é essencialmente nórdico.
Perguntou-lhe um dia porquê, disse que não sabia bem, lera num qualquer livro, mas, acima de tudo, sentia-o assim.
Um silêncio de claustro, o avô com uma lágrima ao canto do olho, o encanto espelhado nos rostos, uma família na serena paz de uma noite silenciosa.
Já não lembra quantas vezes o disco tocou nessa noite.
Como foram muitas as vezes que o foi ouvindo ao longo dos natais do seu encantamento.
Memórias antigas, ternuras doces.
Aquela noite persegue-o irremediavelmente.
O gosto por músicas e canções de Natal terá nascido aí.
O pai punha sempre na contracapa as datas em que comprava os discos.
Neste, pode ler-se: 20 de Dezembro de 1955 (faz hoje 62 anos - nota do editor).
Muitos anos depois daquela noite, faltavam três dias para ser o Natal de 1988, ele estava na loja de discos da Valentim de Carvalho no Centro Comercial Alvalade.
Ao lado, mãe e filha conversavam: «agora que temos CD era bonito levar um disco de Natal.». Escolheram um da Orquestra e Coros de Ray Conniff.
Aquele era bonito levar um CD de Natal ficou a dançar-lhe por dentro.
Ao longo dos tempos, o apertado orçamento caseiro nunca lhe permitiu grandes voos.
Tinha apenas uns discos, avulsos, de vinil com canções e músicas de Natal, nada de especial.
Quase um ano depois daquela conversa de mãe e filha na Valentim de Carvalho, comprou um CD player, Sony PM 97, na Transom, ali à Estefânia. A factura tem a data de 30 de Novembro de 1989 e custou-lhe 60.000$00, moeda antiga,
No dia seguinte começou a saga de comprar CDs de Natal, que o leva, hoje, a contabilizar a existência de 146 discos e ele apenas se sente um modestíssimo membro do Clube dos Maluquinhos das Músicas e Canções de Natal. (também faço parte - nota do editor).
Texto: Gin-Tonic
A SEGUNDA MORTE DO BLITZ
BLITZ, nº 137, Janeiro de 2018.
Esta é a derradeira edição do/da Blitz, as we know it. Apesar de datada de Janeiro de 2018, esta última edição foi para as bancas no dia 20 de Dezembro de 2017.
Fundado por Manuel Falcão no dia 06 de Novembro de 1984, o Blitz - jornal semanal - cedo vingou naquilo a que se propusera ser: especialista em música.
Co-fundadores: António Duarte, António Sérgio, Carlos Simões, João Afonso, João Filipe Barbosa, João Manuel Alves (Açores), Luís Peixoto, Luís Pinheiro de Almeida, Luís Vitta, Manuel Cadafaz de Matos, Moema Silva, Pedro Pyrrait, Quico (Porto), Rui Monteiro, Rui Neves, Rui Pego, Serge Clemens (Hamburgo), Alfredo Cunha e Luís Vasconcelos (fotografia).
Ao longo de mais de duas décadas foi leitura obrigatória às terças-feiras: Pregões e Declarações (alguém lhe chamou o twitter do séc. XX), Alô Alô Dona Rosa (uma espécie de Wikipedia de papel antes de tempo), K7 Pirata (onde pessoas ligadas à música, incluindo músicos, revelavam as suas preferências) e muitas outras rubricas e textos fizeram as delícias de quem gostava de música.
Este figurino terminou no dia 24 de Abril de 2006, a sua primeira morte!
Morreu um jornal semanal, nasceu uma revista mensal!
A revista surgiu no Verão de 2006 (Julho), com o mesmo nome, mas com a dificuldade de se lhe atribuir um género, e com Miguel Cadete como director.
O novo "produto" de Pinto Balsemão - já era assim que se chamava - perdeu a actualidade, mas não preencheu o espaço que uma revista mensal proporcionaria, com "trabalhos de grande fôlego", como diria o João Afonso, tipo "Uncut", "Mojo", "Q", nem sequer no número de páginas.
Agora veio o fim, claro, a segunda morte, a definitiva as we know it.
Apesar de excepções, aqui e ali, a revista foi perdendo gás, o que se reflectiu nas vendas e o grupo Impresa despachou-a.
Ironia das ironias, este canto do cisne é uma boa edição, com uma belíssima capa (não assinada, pelo menos não vi) dedicada a Zé Pedro, dos Xutos, falecido a 30 de Novembro pp (quase um mês antes).
Agora na nuvem, vai ser um ar que se lhe deu, longe da vista, longe do coração.
Luís Pinheiro de Almeida
I'M COMING HOME FOR CHRISTMAS
MAMOTH RECORDS - 354 980 192. 2
Winter Weather – Indian Giver – A Johnny Ace Christmas – My Evergreen – Sleigh Ride – I’m Coming Home For Christmas – Gift of the Magi – Hot Christmas – Hanging Up My Stockings
Por um Natal, o filho deu-lhe o disco, com um cartãozinho agarrado:
Isto é que é um disco de Natal. Diverte-te.
Olhou e remirou o disco: chinês puro.
Nunca ouvira falar de tal gente.
Pôs o disco a rodar e ficou encantado, amor à primeira vista, e a certeza de que estava na presença de um belíssimo disco de Natal.
Foi então colher informes e disseram-lhe que se trata de uma banda da Carolina do Norte, que tocam música alternativa independente.
Declarou a sua ignorância e pediu que lhe fizessem um desenho: qualquer coisa que também pode ser música de fusão, jazz, dixieland.
Resolveu ficar por ali, areia de mais para a camioneta do rapaz.
Mas o que importa é que se trata de um fabuloso disco e que, cada vez que o põe a tocar para amigos da sua idade, ficam rendidos.
Todo o disco é uma delícia mas, «I’m Coming Home For Christmas» e «Carolina Christmas» são, como o neto, volta e meia, diz: uma curte!
Texto: Gin-Tonic
terça-feira, 19 de dezembro de 2017
A HERANÇA DO ANDARILHO
AMRA - 2017
Traz Outro Amigo Também (José Afonso) - Os Vampiros (José Afonso) - Vejam Bem (José Afonso) - Era de Noite e Levaram (Luís de Andrade/José Afonso) - Nove Anos (António Manuel Ribeiro) - Porquê (Português) (António Manuel Ribeiro) - Vernáculo (Para Um Homem Comum) (António Manuel Ribeiro) - No Comboio Descendente (Fernando Pessoa/José Afonso) - Grândola, Vila Morena (José Afonso) - A Morte Saiu à Rua (ao vivo) (José Afonso)
Samuel, Manuel Freire, José Jorge Letria e Vitorino fazem vozes em "Grândola, Vila Morena".
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Fernando Pessoa,
José Afonso,
José Jorge Letria,
UHF
DUCK AND COVER
SST - 263 - 1990
LP de versões, como gosto: "Eight Miles High" (Husker Du), "Goog Golly Miss Molly" (Meat Puppets), "Louie Louie" (Black Flag), "Kick Out The Jams" (Volcano Suns), "Wendy" (Descendents)...
segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
FELIZ NATAL
Abri a caixa de correio e "desabou" este lindo cartão de Boas Festas da minha amiga Aida.
Obrigado, retribuo por esta tralha de última geração.
Já agora, Feliz Natal para todos!
HÁ 50 ANOS!
IMAGINARY RECORDS - ILLUSION 010 - 1990
Canções de há 50 anos com tratamento de anos 90, como, por exemplo, "Strawberry Fields" (Colin's Hermits), "I'm Your Puppet" (Dave Kusworth), "For What It's Worth" (Bomb Party), "Strange Brew" (What? Noise), "Sunshine Of Your Love" (Styler and Baldwin).
domingo, 17 de dezembro de 2017
THIS IS MANCHESTER
ESSENTIAL RECORDS - ESS LP 133 - 1990
As novíssimas bandas de Manchester, tais como Obimen, Capital Hill, Chrisalids, Moss Cat, News For Yours, Paperboys, Kinnel...
Capa (linda) de Fiona Hawthorn.
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