terça-feira, 23 de setembro de 2008

FREDDIE AND THE DREAMERS


COLUMBIA SEG 8287 - 1964 - edição britânica

Sally Ann - Camp Town Races - Lonely Boy - Short Shorts

OAKLEY STREET


Oakley Street é uma rua muito pequena que liga a King's Road, em Londres, ao Tamisa, através da Albert Bridge.

Apesar de pequena, uma ou duas centenas de metros, tem uma história fantástica na swinging London.

Nela viveram, entre outros, Pattie Boyd, David Bowie, Mary Quant, Mick Jagger, Bob Marley...

E no 19A da rua, José Afonso fazia judo em Março de 1970 com um compatriota nos intervalos das gravações de "Traz Outro Amigo Também".

Não deixa por isso de ser curioso ver o emblema da Mercedes (que até é parecido com o símbolo da Paz, de Bertrand Russell) numa das pontas da Oakley Street (Bertrand Russell viveu aliás numa perpendicular à Oakley Street).

Oakley Street foi a primeira rua londrina a ter árvores, graças à visão lunática de John Samuel Phené, um arquitecto-cientista do final do séc. XIX.

RESISTENTE


Picasso, um dos cafés-restaurantes resistentes dos anos 60 em King's Road, Londres: the place to meet your friends is PICASSO RESTAURANT AND COFFEE BAR. Snacks and all Meals available at all Times - era assim que rezava, à época, o chamariz.

O Picasso tem uma história ligada à swinging London. Ah! fica no 127.

POSTAL SOBRE HERMAN'S HERMITS


MCPS GrF049

Uma boa auto-estrada onde possa conduzir a alta velocidade mas em total segurança, ao som de uma música bem adequada às circunstâncias, é um dos raros prazeres que ainda me resta no Mundo, não obstante as constantes ameaças da GNR...

Tenho música para todas as circunstâncias, incluindo pontes! Vem isto a propósito dos Herman's Hermits. Tenho um único CD deles, que se chama "Silhouettes" e é uma espécie de "Greatest Hits".

Todos os anos, quando a hora muda e os finais de tarde se começam a prolongar com aquela luminosidade especial do mês de Junho, o CD salta para o "porta-luvas" do meu carro e passa a ser companhia frequente no trajecto entre Oeiras e a Bica, sempre junto ao Tejo.

Ao contrário de outros grupos, que hoje já tenho alguma dificuldade em ouvir com frequência, a pop simples, escorreita e despretensiosa dos HH tem o condão de me pôr bem disposto.

E assim sucedeu na passada sexta-feira à tarde, entre Lisboa e o Algarve... "Mrs Brown You Got a Lovely Daughter", "There's a Kind of Hush", "Something's Happening", "I Understand", "End of The World", "No Milk Today" e tantas outras são músicas que me apetece ouvir e cantarolar, como se de repende o tempo se suspendesse e todas as preocupações quotidianas ficassem, por um breve momento, em "stand by".

"No milk today, my love has gone away" não é muito profundo...? Who cares? Nem todos podem ser Ray Davies, Bryan Wilson ou Lennon e McCartney... Agora, que os Abba voltaram a atacar com o beneplácido dos nossos "escribas da especialidade", talvez influenciados com a importância que Elvis Costello, Anne Sophie Von Otter e outros lhes têm dado, apetece-me gritar que "o Rei vai nu" e levantar bem alto a bandeira dos meus Herman's Hermits!

Colaboração de Luís Mira

MADNESS


NOVA BUY 71 NP - edição portuguesa

Night Boat To Cairo - Deceives The Eye - The Young And The Old - Don't Quote Me On That

Um EP de 33 rotações

Cortesia de Fernando Baptista

NIGHT STARS


Escrevo apenas de memória ou consultando os EPs deste grupo. Por isso, peço desde já desculpa por algum erro ou omissão.

O conjunto Night Stars iniciou a sua actividade com este nome por volta de 1962/1963, em Lourenço Marques (actual Maputo), Moçambique. Actuou tanto nesta cidade como um pouco por toda aquela Província Ultramarina.

Este conjunto, com inúmeros fãs em terras moçambicanas, acompanhava os ritmos contagiantes e inebriantes da música moderna da época, a chamada “Nova Vaga” e “soube impor-se, conquistando um público vasto, o que o levou aos lugares cimeiros dos conjuntos moçambicanos”.

Os seus principais “rivais” em Moçambique, neste género de música, foram “Os Corsários”, também de Lourenço Marques, e “Os Rebeldes”, da Beira.

Os Night Stars actuavam especialmente em tardes dançantes, na Associação dos Velhos Colonos, em bailes, casamentos, festas de fim/passagem do ano, no Hotel Cardoso e no Hotel Girassol, outras Associações e Clubes, etc…

Da sua constituição inicial constavam os seguintes elementos: Mário Sousa (viola solo – um virtuoso), Alex (Alexandre Rodrigues – teclas, viola ritmo e vozes), Guita (viola baixo), Carlos Alberto (bateria) e Bob Woodcook (vocalista).

Posteriormente, o Guita (baixo) e o Carlos Alberto (bateria) saíram do conjunto e foram substituídos, respectivamente por Noel Cardoso (baixo) e Dino Antunes (bateria).

O baterista Carlos Alberto foi integrar o grupo “Os Corsários” e mais tarde “Os Inflexos”.

Assim, a nova composição do grupo apresentava os seguintes músicos: Dino Antunes (bateria), Noel Cardoso (viola baixo), Mário Sousa (viola solo), Bob Woodcock (vocalista) e Alex Rodrigues (piano / viola ritmo/voz).

Antes de se apresentarem às eliminatórias do saudoso Concurso Yé-Yé, os Night Stars ainda gravaram 2 EPs:

O 1º EP (fabricado na Holanda), distribuição de “Rex” Lourenço Marques (1964), já integrando a segunda constituição do grupo, incluía os temas: Night Stars Twist / Nita (instrumental) / Heah! e Mean Woman Blues.

O tema "Nita" era inspirado num tema com o mesmo nome interpretado pelo conjunto sul-africano “The Meteors”.

Posteriormente (1965), e como consagração e exigência do público, surgiu a segunda gravação comercial (o 2º EP – ATEP 6159), gravado nos estúdios do Rádio Clube de Moçambique, com o patrocínio da Discoteca da Companhia Ultramarina de Comércio Lda., em Lourenço Marques, com a etiqueta Orfeu / Arnaldo Trindade & Ca., Lda/Porto, com os seguintes temas: Babichon (Alex Rodrigues - voz) , Jeny (Mário Ferreira) , Tsotsi (Muller-Vila Kavi) , Run Back Home (Mitchell-Jive) .

Mais uma vez o tema "Tsotsi" foi retirado da música popular sul-africana e baseado na interpretação dos Meteors.

Os Night Stars foram considerados o melhor conjunto da época em Moçambique e a comprová-lo venceram as diversas eliminatórias regionais do Concurso Yé-Yé e foi assim que se qualificaram como representantes daquela Província Ultramarina no Concurso Nacional de Yé-Yé, em Lisboa, no ano de 1966.

Na final deste Concurso que decorreu no Teatro Monumental em Lisboa, em 30 de Abril de 1966, os Night Stars ficaram em 3º lugar na classificação geral (1º Os Claves e 2º Os Rocks, de Angola) , recebendo o prémio Peninsular pela melhor interpretação de música portuguesa, com o tema “Eu Sei”, uma versão portuguesa de um tema dos Beatles, "I’ll Be Back".

Em 1966, os " Night Stars " gravaram o seu 3º EP (ATEP 6193), agora em Lisboa, com o patrocínio da Discoteca da Companhia Ultramarina de Comércio Lda., em Lourenço Marques, com a etiqueta Orfeu / Arnaldo Trindade & Ca. Lda./Porto, com os temas: Eu Sei (tema com que venceram o Prémio Peninsular/1966) , Hungry For Love, Stop, Look and Listen e She Only Wants a Friend.

Do que se sabe, Bob Woodcook ainda está por Moçambique, Noel aposentou-se e penso que vive agora em Salvador/Bahia – Brasil, Mário Sousa ainda continua a tocar, o saudoso amigo Alex Rodrigues, infelizmente, já faleceu e o Dino está por Portugal, mas não tenho informação se ainda toca bateria.

O grupo desfez-se já perto dos finais dos anos 60, tendo o Alexandre Rodrigues cumprido comigo o serviço militar na 2ª Companhia de Caçadores, em Belém/Niassa/Moçambique.

Para ele, esta pequena e singela homenagem!

Colaboração de Carlos Santos

"Eu Sei" está incluído na colectânea "All You Need Is Lisboa" (2004), uma compilação de canções dos Beatles por músicos portugueses (nota do editor).

segunda-feira, 22 de setembro de 2008

HOMENAGEM A GRAM PARSONS


RHINO - 1993

Christine's Tune (Steve Wynn), Cody, Cody (Musical Kings), The New Soft Shoe (Polly Parsons and Eden), November Nights (Coal Porters), Sin City (Clive Gregson and Boo Hewerdine), Brass Buttons (Something Happens), Big Mouth Blues (Wellsprings Of Hope), Hot Burrito #2 (Pet Clarke), Blue Eyes (Uncle Tupelo), One Hundred Years From Now (Stephen McCarthy), Do You Know How It Feels To Be Lonesome? (Carla Olson), A Song For You (Peter Holsapple & Susan Cowsill with Walkin' Tacos), Still Feeling Blue (Finger), Hickory Wind (Bob Mould & Vic Chesnutt), Return Of The Grievous Angel (Joey Burns & Victoria Williams), Juanita (Flor de Mal), $1000 Wedding (Mekons).

Curiosidades: Polly Parsons é filha de Gram; Musical Kings tem a participação de Peter Buck, dos REM.

GRAM PARSONS


Ninguém fica indiferente à pungente história de Luís Mira!

WARM EVENINGS, PALE MORNINGS, BOTTLED BLUES

Raven Records Australia, RVCD-24, 1991

Zah's Blues (Shilohs), Blue Eyes, Strong Boy, Truck Driving Man (International Submarine Band), Hickory Wind, The Christian Life, Reputation, One Hundred Years From Now (Byrds), Hot Burrito # 1 (I'm Your Toy), Christine's Tune (Devil In Disguise), Sin City, The Dark End Of The Street, Wild Horses (Flying Burrito Brothers), The New Soft Shoe, We'll Sweep Out The Ashes In The Morning, Brass Buttons, Return Of The Grievous Angel, Drug Store Truck Driving Man, Brand New Heartache, Love Hurts (Gram Parsons & Emmylou Harris)

SAFE AT HOME


Faz 35 anos que morreu Gram Parsons (19 de Setembro de 1973). Tinha então quase 27 anos, idade fatídica para uma "Rock Star", como se sabe.

Na música, há gente de quem sou muito próximo, às vezes sem saber muito bem porquê... Questão de sensibilidades, qualquer coisa que um dia nos tocou muito fundo e nunca mais saiu cá de dentro...

Uma dessas pessoas é Gram Parsons.

Razões objectivas para gostar dele, são muitas:

- Na primeira metade dos anos 60, GP andou pela cena "folk" de Greenwich Village, a solo, e com um grupo que se chamava "The Shilohs". É sabido que eu gosto muito desses tempos e dessas músicas... Numa época e num espaço fortemente dominado pelo "Deus Dylan", GP optou por deixar para a posteridade uma série de interpretações de músicas, não de Dylan, mas de outros autores então menos conhecidos, como Tom Paxton, Tim Hardin, Fred Neil, Buffy Sainte-Marie, todos meus "amigos do peito", no que considero ter sido uma enorme prova de sensibilidade e bom gosto da sua parte;

- GP deu a mão e trouxe para a ribalta uma menininha muito tímida de seu nome Emmy Lou Harris (no início era mesmo assim, separado...), que também tinha passado pelos mesmos cafés da Village à procura de um rumo e de um estilo próprio e que acabou por se impôr cantando com Parsons, as canções de Parsons e no estilo de Parsons. E eu também sempre gostei muito dessa menina, que vi crescer até se tornar, hoje, uma respeitável Senhora com os adoráveis cabelos côr de cinza...;

- GP deu voz a muitas das minhas canções favoritas, daquelas que levaria na mala, sem sombra de hesitação, para a tal ilha deserta: "Love Hurts", "Brass Buttons", "A Song for You", "Drug Store Truck Drivin' Man", "Hearts on Fire", "Sleepless Nights" e tantas, tantas outras... Mesmo quando não foi ele o autor original, as suas interpretações são, quase sempre, insuperáveis;

- Finalmente, e para abreviar, GP deu uma forte contribuição para a "invenção" do "Country Rock", de que também tanto gosto, através desse "álbum Bíblia" do género que é "Sweetheart Of The Rodeo", dos Byrds. Mas já antes dos Byrds, ele tinha desbravado esse caminho com um grupo chamado "The International Submarine Band" e depois dos Byrds continuaria nessa via com grupos como "The Flying Burrito Brothers" ou "The Fallen Angels".

A propósito destes últimos, se uma qualquer lâmpada de Aladino me desse a possibilidade de recuar no tempo e assistir a um concerto "Pop Rock" à minha escolha (mas só um...), não escolheria Woodstock, nem Bangladesh, nem Monterrey, nem a Ilha de Wight nem a despedida dos The Band, nem nada em que possam pensar... Escolheria um dos últimos concertos da vida do GP, com os Fallen Angels e a Emmylou Harris (agora já com o nome junto...). Se possível, o que se realizou em Houston, onde teve também a companhia do Neil Young e da Linda Ronstadt...;

GP era, ele próprio, um "fallen angel", com um acentuado "deficit" de adaptação a este "Mundo", uma grande necessidade de reconhecimento e uma enorme dose de generosidade e de carinho para com os outros. A sua música e o seu olhar não enganam. Mas era, em simultâneo, embuído de um forte espírito de auto-destruição.

Tal como outros da mesma cepa, o seu "princípio de vida" parece ter sido "vive depressa, morre jovem e sê um belo cadáver"... Mas se o meu pai se tivesse suicidado com um tiro na cabeça quando eu tinha 13 anos; se pouco tempo depois um padrasto me levasse para longe e me obrigasse a mudar de cidade, de amigos e de nome; e se aos 19 anos tivesse visto a minha mãe morrer lentamente devido a problemas de subnutrição e excesso de alcool, talvez que eu também tivesse sido como ele...

GP adorava isolar-se no Joshua Tree National Park, a poucas centenas de kms a leste de Los Angeles. Aí morreu no dia 19 de Setembro de 1973, na"Joshua Tree Inn" em Joshua Tree, pequeno lugarejo junto a umas entradas do parque. Parece que não de overdose, como muito se escreveu na altura, mas de ataque de coração resultante de muito alcóol e muita droga acumulada.

A história que se seguiu à sua morte é conhecida e algo macabra: Parsons sempre desabafou com os amigos de que o seu maior desejo, quando morresse, era o de que as suas cinzas fossem largadas ao vento no deserto de Joshua Tree. Os amigos juraram promessa e um deles roubou o corpo que já estava em caixão de madeira no aeroporto de Los Angeles, levou-o para o tal deserto, regou-o com gasolina e deitou-lhe um fósforo... Claro que o amigo era bom de coração, mas mau de cabeça... De cinzas nada, a não ser um tronco humano meio chamuscado. E foi esse mesmo "objecto" que acabou por ser, dias depois de descoberta a história, sepultado num cemitério de New Orleans... Há muito que já deve ir no alto mar...

Nesta recente passagem pelos EUA, a maneira que eu encontrei para fazer a minha homenagem pessoal a GP foi atravessar de ponta a ponta o Joshua Tree National Park, ouvindo a sua música tão alto quanto o permitiram os ouvidos e a boa vontade da Cristina. Depois de alguma procura, lá acabei por encontrar a "Joshua Tree Inn", mesmo ao lado da estrada que liga Joshua Tree a Palm Springs.

É um motel de estrada simples, carregado de memórias do GP. A estreita salinha de jantar tem um pequeno quadro de homenagem a GP, certamente obra de algum(a) fã. Para além disso, as suas paredes estão cobertas de posters de concertos da época e de fotografias autografadas, nomeadamente uma da Emmylou Harris.

No pátio interior há uma espécie de"monumento" (na imagem), certamente construído por "admiradores", constituído por garrafas de cerveja, Jack Daniels e outras bebidas diversas, uma guitarra em miniatura e diversos objectos certamente ligados a práticas de espiritismo e outras afins. A frase "Safe at Home" corresponde ao nome do álbum dos "The International Submarine Band", e tem um óbvio sentido duplo.

O quarto nº 8, onde GP morreu, estava ocupado por um jovem que era uma sua cópia fiel. O mesmo estilo, o mesmo corte de cabelo, alguma timidez num olhar que não me era assim tão estranho. Deixou-me penetrar no quarto com prazer, pedindo-me desculpa pela desarrumação. Disse-me que fazia parte de um grupo e que se vinha refugiar naquele lugar com alguma frequência, em busca de inspiração. Afectado com a situação, não lhe liguei muito e não lhe perguntei mais nada, tendo-me despedido dele com um imbecil "maybe it's you the next bright star of cosmic american music" (era assim que GP gostava de designar a sua música).

Na mais conhecida das músicas que compôs, "Hickory Wind", GP evocava a South Carolina da sua adolescência, as árvores altas a que subia e o bom que era apanhar com aquele vento em cheio na cara. E acrescentava, na mesma música: "and now when I'm lonesome, I always pretend that I'm getting the feel of wickory wind"...

Jamais saberemos se uma breve lufada de ar fresco ainda foi a tempo de penetrar naquele quarto e de lhe passar suavemente pelos cabelos, antes de fechar os olhos para sempre...

Desculpem o devaneio!

Colaboração de Luís Mira

PEARL


Logo a abrir, num documentário da BBC sobre Janis Joplin, pode ouvir-se: “Antes de Janis Joplin, nenhuma mulher branca cantava assim”.

Exagero?

Vamos admitir que sim, mas por mim penso que não. Para Janis Joplin faltam adjectivos à altura. Ouve-se “Pearl”, álbum publicado depois da sua morte, e que não poderia ter outro título, e pode concluir-se: puro génio!

Como todas as declarações de paixão poderei não estar certo, mas Janis Joplin é o que é.

Há centenas e centenas de versões de “Summertime”, mas nenhuma como a de Janis, como também ninguém canta “Me And Bobby McGee" como ela e aquela gargalhada final em “Mercedes Benz”, “oh! Lord por que não me compras um Mercedes Benz?”, jamais se esquecerá.

Janis Joplin nasceu em 1943 em Port Arthur, uma pasmaceira perdida no meio do Texas.

A mãe, como boa conservadora americana que era, queria que Janis fosse professora, casasse com um rapaz simples, tivesse filhos, que aos domingos ficasse em casa a fazer tartes de maçã.

Mas Janis descobriu que sabia cantar e passou a querer ir longe, o mais longe possível. Gostava de “blues” e cantava-os com energia, sensualidade, atrevimento, uma loucura extravagante, uma rebeldia cheia de inteligência.

Os colegas de universidade chamavam-lhe “amante de pretos”, ela disse: “vão-se lixar” e voou para outras paragens.

Sofreu com os homens que lhe apareceram na vida, Country Joe MacDonald portou-se particularmente mal –“ nobody is perfect” – mas Joplin só queria cantar e ter um pouco de paz. Contudo o álcool e as drogas apanharam-na na esquina mais próxima.

A mãe chegou a dizer-lhe que mais valia não ter nascido, mas estava escrito que ninguém a veria sentada no alpendre, ao cair da tarde, numa cadeira de baloiço a beber whisky e a contar histórias.

Nunca controlou os sentimentos, considerava-se o máximo – e era! – só que o fardo apresentou-se demasiado pesado.

Terá dito aos amigos: “Nunca chegarei aos trinta anos!”.

A 4 de Outubro de 1970, devido a uma overdose de heroína, foi encontrada morta num quarto de hotel. Tinha 27 anos. “Era cega mas agora vejo".

A frase batida de que morre jovem os que os deuses amam.

“De que serve beber? Posso beber toda a noite e continuar triste na manhã seguinte. Dêem-me gin, bourbon, não interessa o que eu beba desde que me apague as mágoas".

“No palco faço amor com mais de 25.000. pessoas e depois vou para casa sozinha”.

“Trocaria todos os meus amanhãs por um único ontem”.

Conheceu a angústia, o encantamento, a alegria.

Acontece aos poetas.

Colaboração de Gin-Tonic

domingo, 21 de setembro de 2008

STICKY FINGERS MERCHANDISE


2º SINGLE DE EDMUNDO FALÉ (1972)


DECCA SPN 137 - 1972

Big Brother Joe (José Cid-Edmundo Falé) - Primeiro Gesto (João Dias-José Cid)

Arranjos e direcção musical do Quarteto 1111

ENGENHOSA PEÇA DE MARKETING


K7 de "Cigarettes & Alcohol" num envólucro de maço de tabaco (1994, antes da histeria anti-tabagista).

"H.M. Government Health Warning - Rock 'N' Roll Can Be Fatal".

Adquirida na extinta Rhythm Records.

D. AMÉLIA


Presumo que seja esta a primeira vez que o rótulo do nóvel espumante de Lafões, D. Amélia, seja apresentado na Internet.

Se não é... passa a ser.

O espumante foi apresentado publicamente no sábado, dia 20, na Adega Cooperativa de Lafões.

sábado, 20 de setembro de 2008

PAULO DE CARVALHO EM INGLÊS


MOVIEPLAY - MOV. 6.000 - 1971

Face A

It's Been A Long Time (Paulo de Carvalho-Vasco Noronha) - Don't Leave Me Alone (João Gonçalves) - Ana (Luís Pedro Fonseca) - Waiting For The Bus (Manolo Diaz) - Bitter Wine (Kevin Hoidale)

Face B

- Keep Your Love Alive (Kevin Hoidale) - You Must Be Free, Bird (João Gonçalves) - Walk On The Grass (Manolo Diaz) - Peter And Paul (Rui Ressurreição-Isabel Motta) - A Flower To Be Free (José Calvário-José Sottomayor)

Cantado em inglês, este LP foi gravado em Espanha entre 24 e 26 de Agosto de 1971, com excepção de "Walk On The Grass" e "A Flower To be Free" (regravadas a 02 de Novembro de 1971).

Arranjos e direcção de orquestra de Thilo Krasmann e de Rui Ressurreição. Pedro Osório em "A Flower To Be Free".

Parece-me que este trabalho de longa duração é sobretudo a imagem da maturidade interpretativa atingida por um artista perfeitamente actualizado e alinhado com os mais consagrados padrões da canção internacional (José Nuno Martins)

DO OUTRO LADO É ASSIM


MAIS UM SACO DA HMV


IRISH SONGS OF FREEDOM


Mr. Gin-Tonic lembrou - e bem - as canções irlandesas para beber. Gosto também de recordar as canções irlandesas de liberdade.

Bem sei que este é um disco para turistas, daqueles que se vendem no aeroporto de Dublin, mas...

É um triplo CD, sendo que o primeiro se intitula lid of me granny's bin, o segundo guns and songs of the I.R.A (vol. 1 Brigid Corey) e o terceiro irish folk songs - stick 'em up - mark's men.

LET IT BE


Declaração de interesses: gosto de Beatles, ponto final, parágrafo.

Foi a maior enchente da Cinemateca, ouvi no final da projecção de "Let It Be", na Esplanada da Cinemateca de Lisboa.

Para dizer a verdade, isso é-me completamente indiferente. Até poderia ter sido eu o único espectador!

Ver "Let It Be" hoje em dia teve, para mim, um significado muito especial: repôr os Beatles e a sua música como um todo, como a ideia generosa de um colectivo.

Não há Paul, não há John, não há George, não há Ringo, há Beatles!

É que hoje em dia a tendência é a de partir os Beatles. Paul era o conservador e John o progressista. Coitado do Ringo! E o George, que vivia à sombra?!

Sempre me irritaram estas análises, até porque não correspondem à realidade. Os Beatles sempre foram uma unidade, independentemente das personalidades individuais (muito ricas, aliás), e aí residiu e reside a sua força, a sua invenção.

Por isso é reconfortante, muito, direi mesmo, voltar a este antigamente.

O que não deixa de ser irónico, já que "Let It Be" é uma peça do fim.

Já agora, como podem observar, comprei o single em Londres no dia 28 de Março de 1970, doze dias antes do anúncio formal do fim do quarteto de Liverpool (obviamente sem eu o saber).

LPA

sexta-feira, 19 de setembro de 2008

TIME OUT LISBON


Uma interessante edição para turistas... e não só.

AINDA UM JARDIM AQUI


ORFEU TSAT 326 - 1983

Ainda Um Jardim Aqui - A Alegria Vinha No Jornal

RESERVA DE CAÇA


Sempre desejei ter um gadget destes!

CANALHAS ANIVERSARIANTES


Private joke!

HOMENAGEM AO POVO DO CHILE


GUILDA DA MÚSICA 2000/008/S

Homenagem Ao Povo Do Chile - Retrato Do Herói - Retrato De Alves Redol - Retrato De Catarina Eufémia

DO IT AGAIN


ARISTA AS1-9309 - 1984 - promotional copy not for sale

Do It Again - Guilty