sábado, 5 de abril de 2008

PADRE FANHAIS


ORFEU - ATEP 6325 - 1969

Cantilena - Juventude - Areia da Praia - Canção do Vento

Seguindo orientações do Papa Paulo VI, que instituíra o primeiro dia do ano como Dia Mundial da Paz e convidava os católicos a meditar sobre a Paz no mundo, no dia 31 de Dezembro de 1972, cerca de uma centena de católicos, em vigília, reuniu-se na Capela do Rato, em Lisboa, com esse objectivo: “Vemos, Ouvimos e Lemos não podemos ignorar”.

A PSP cercou a Capela e prendeu para cima de meia centena de pessoas. Mais tarde, alguns deles, foram entregues à PIDE/DGS e encarcerados no Forte de Caxias.

A ditadura não achava bem que se fizesse da Casa do Senhor um local de subversão e de indisciplina.

Dias depois, o Episcopado fazia saber que a vigília era “obviamente de caracterização melindrosa num país em guerra, como a que se processa no Ultramar” mas, clara e inequivocamente, condenava a iniciativa.

Os católicos começavam a enfrentar o regime. “Havemos de ser mais, eu bem sei", dirá um dia o Zeca Afonso.

Uns anos antes, em 1969, para espanto geral, um padre, Francisco Fanhais de seu nome, aparecia no Programa Zip-Zip, a cantar a balada “Cantilena”, com música de sua autoria para um poema de Sebastião da Gama.

Por esses tempos, Henrique Segurado, num poema, fazia a apologia dos pequenos nadas, lembrando a asa de uma mosca que introduzindo-se no gerador central deixara a cidade sem luz.
Saibamos antever a nossa meta no cadáver duma mosca incompleta".

Ainda em 1969, o Padre Fanhais edita este EP, onde surge a já citada “Cantilena”, e ainda “Juventude”, poema de João Apolinário (poeta que também é cantado também pelos Secos & Molhados - nota do editor), “Areia da Praia”, poema de Manuela Pina, ambos com música do Padre Fanhais e também “Canção do Vento”, um trecho bíblico com música de Pedro Lobo Antunes.

Este disco, como tantos outros, foram os tais pequenos nadas, os pauzinhos na engrenagem do regime, da então chamada “Primavera Marcelista”.

O 25 de Abril chegaria 5 anos depois.

A fotografia da capa é de Augusto Cabrita.

Colaboração de Gin-Tonic

"FOI UMA VIAGEM E TANTO"


(Alfredo Lanranjinha, Mike Sergeant e Pedro de Freitas Branco)

Um dos meus sonhos de criança era um dia participar das (nas, em português de Portugal - eheheh) lendárias packtours dos anos 50, lado a lado com Chuck Berry, Jerry Lee Lewis, Buddy Holly e James Brown.

Ou do início dos 60, em que Everly Brothers, Ronettes e Rolling Stones percorriam juntos os teatros de Inglaterra. Como nunca mais era dia e eu ainda nem sequer tocava guitarra, um espelho, uma raquete de ténis, e "That’ll Be The Day" a altos berros, imitavam o sonho.

Até que, inesperadamente, vi-me em idade adulta incluído numa dessas tours. À escala nacional. Por isso, até hoje não sei se foi um sonho tornado realidade, se uma realidade tornada sonho.

Nos camarins, viveu-se o verdadeiro espírito do Ié-Ié. Tudo ao molho e fé em Deus. Entusiasmo, amizade, whisky, competição, carolice, vedetismo. As vozes sobrepunham-se umas às outras.

Enfim, um bando de crianças à solta – nas quais me incluía –, recusando-se a ser “adultos profissionais” nem que fosse por um dia.

Guitarras circulavam de mão em mão. Lembro-me como se fosse hoje. O Duarte Mendes a mostrar-me como se toca "Every Night" do McCartney e eu a responder-lhe com "Blackbird". O Edmundo Silva, lenda dos Sheiks, a chamar-me à atenção de um acorde em falta no "Sunny Afternoon". Todos queríamos subir ao palco e brilhar mais do que o anterior. Como Jerry Lee faria, e fez, com Chuck Berry.

À parte, quem sabe a milhares de anos-luz, o Quarteto 1111 não se misturava muito. Estrela é sempre estrela, e assim deve ser. Porém, simpaticamente, Cid e companhia recebiam no seu cantinho quem lá quisesse entrar – não me fiz rogado –, deixando correr, ao sabor da conversa, estórias dos tempos áureos.

Do staff, chegava a notícia de que Victor Gomes fugira do edifício num acesso de realeza. Rezam as crónicas que Jaime Pereira, mentor do show, ofereceu 1 milhão de dólares ao “rei” para que ele voltasse e mais tarde incendiasse o auditório. It’s Only Rock’n’Roll!!!

Subi ao palco. Sozinho, com a Martin e uma harmónica. E quase tremi ao deparar com um auditório lotado, a deitar por fora. No entanto, devo ter sido possuído pelo espírito de Dylan e fui capaz de uma memorável versão de "Like a Rolling Stone" – perdoem-me a imodéstia. Depois, disse, "também eu sou dos anos 60" e a sala explodiu em aplausos, mal ouvindo a conclusão da frase… "nasci em 1967"…

Finalmente, o meu pai, ele sim verdadeira lenda dos anos 60, ex-Claves, vencedor do Campeonato Ié-Ié do Monumental, juntou-se à festa.

Ele, e Pedro Soares, exímio guitarrista de Pedro e os Apóstolos. Primeiro, "Sunny Afternoon" dos Kinks, depois a voz grave e sexy do meu pai – dizem elas – emocionou-me na interpretação de "Can’t Help Falling In Love" do Elvis. "Ruby Tuesday" dos Stones foi a nossa despedida.

No grande final, assumi orgulhosamente a voz principal de "Get Back", acompanhado pelo magistral Quarteto 1111.

Foi uma viagem e tanto. E até hoje, não sei se foi sonho tornado realidade, se realidade tornada sonho.

Pedro de Freitas Branco
Rio de Janeiro

VOZES DE ABRIL


Não é este o sítio ideal para dissecar as mais de 5 horas de espectáculo que decorreram sexta-feira á noite no Coliseu dos Recreios, em Lisboa, intitulado "Vozes de Abril, e que constituiram a gravação de um programa que a RTP1 vai transmitir no dia 25 de Abril.

Tive o privilégio de assistir, pelo que não ficaria satisfeito comigo próprio se não desse aqui uma breve nota, suspeita, é certo, já que me emociono sempre com estas celebrações do 25 de Abril.

O programa foi bem idealizado, pretendendo abranger não só a chamada música de intervenção, como de uma maneira geral a cultura de oposição. Na prática, verifica-se porém que se quis tocar demasiados pianos. Vamos ver como fica o produto final, como programa de televisão.

A sombra que pairou em todo o espectáculo foi obviamente a de Zeca Afonso e da sua música com boas interpretações da banda residente, regida por Carlos Alberto Moniz, e ainda da Lua Extravagante, Helena Vieira, Couple Coffee, João Afonso, Jacinta, entre outros.

Os grandes ausentes foram Fausto, como sempre, Sérgio Godinho e Luís Cília, na música, e Manuel Alegre, na poesia.

De Fausto, foi passada uma gravação de televisão de "Quando Um Homem Quer Partir", do seu primeiro álbum, "Fausto", praticamente desconhecido, por ausência de gravação no mercado.

Musicalmente, os momentos mais emocionantes e vibrantes terão sido a actuação de Manuel Freire ("Ei-los Que Partem" e "Pedra Filosofal"), Luiz Goes, com 75 anos, e Carlos Carranca ("Trova do Vento Que Passa") e José Mário Branco ("Eu Vim De Longe").

De arrepiar foi também Waldemar Bastos, com todo o Coliseu em silêncio respeitador a ouvir "Velha Chica", enquanto nos ecrãs passam belíssimas imagens a preto e branco de África.

Uma das cenas mais comoventes ocorreu quando José Jorge Letria ofereceu o seu cravo vermelho ao "capitão" Vasco Lourenço.

Mas houve outros momentos exemplares como Maria Barroso a declamar um curto poema de Sophia de Mello Breyner dedicado ao 25 de Abril, a grande poesia de Hélia Correia, "Arte Poética", na voz de José Jorge Letria, Samuel, Fanhais, José Barata Moura, Pedro Barroso, Brigada Vítor Jara.

Duas novidades: José Jorge Letria e Carlos Alberto Moniz compuseram "Capitães da Alegria", em homenagem aos "capitães de Abril", que o segundo cantou, e Maria do Amparo subiu ao palco pela primeira vez em 30 anos para acompanhar sua filha, Lúcia Moniz, em "Peguei No Cesto À Tardinha".

Pelo palco passaram também muitos "capitães de Abril", como Otelo Saraiva de Carvalho, Vasco Lourenço, Vítor Alves, Santos Silva, Vítor Crespo, Martins Guerreiro e outras vozes da Revolução com João Paulo Diniz, Joaquim Furtado, Adelino Gomes, João Paulo Guerra, Mário Figueiredo, Luís Filipe Costa.

Durante o espectáculo, a Câmara Municipal de Lisboa assinou com a Associação 25 de Abril uma carta de compromisso nos termos da qual assume que vai mandar construir no alto do Parque Eduardo VII (mais) um monumento ao 25 de Abril.

Patxi Andión teve direito a três canções e o final arrebator surgiu já perto das 04H00 com o palco cheio de grupos corais alentejanos para a inevitável "Grândola", fechando com chave de ouro a maratona de mais de 5 horas de emoções fortes que se tinham iniciado também com o palco cheio, mas de militares das bandas da Marinha, do Exército e da Força Aérea para a arrepiante "Marcha do MFA" ("A Life On The Ocean Wave", de Henry Russell, séc. XIX).

Não posso falar de tudo, mas deixem-me terminar com esta ambígua imagem: um dos assistentes do espéctaculo era nem mais que um desgravatado Carlos Tavares, presidente da Bolsa de Valores, um dos símbolos-nobre do sistema capitalista.

Ah! É verdade, prefiro - de longe - a canção de intervenção pré-25 de Abril, muito mais criativa, muito mais imaginativa.

sexta-feira, 4 de abril de 2008

BEATLES DOS ANOS 90


Alguém conhecia os Oasis no Verão de 1994? Não - e por isso é que esta fotografia com um amigo meu, português, foi possível.

BELA IMAGEM AFRICANA


DECCA 460.903 - edição francesa

Nakokoma - Madina 2 (Nico et l'Orchestre African Fiesta) - Nin'zi (Rochereau) - Ba Bill Oye (Nico)

Cortesia de Fernando Baptista

A MEMÓRIA DE "UMA VIAGEM AOS ANOS 60"


(Luís Cardoso, José Cid, José Manuel Fonseca e Jaime Pereira num ensaio)

Após as tentativas falhadas em obter a verba da Câmara Municipal de Cascais para a realização do Pop-Rock anual, comecei a pensar numa outra forma de realizar um espectáculo de maior visibilidade visto que ao longo de todo o ano de 2002 se tinham efectivado pequenos eventos com grande sucesso.

Pondo de parte o Pop-Rock, comecei a idealizar outro tipo de espectáculo e para isso socorri-me de um amigo comum, a mim e ao Luís Cardoso, que nos levou ao Centro Cultural Olga Cadaval em Agosto de 2002 para expor a minha ideia.

A administração foi receptiva, mas não deu uma resposta conclusiva. Voltei lá a 11 de Dezembro com dados mais precisos e aderiram à realização do espectáculo, em parceria com AA60 marcando-se desde logo a data.

Eram necessários apoios/patrocínios e algumas pessoas se esforçaram nesse sentido.

A conjuntura económica do país era a pior para a obtenção de apoios, mas a construção do espectáculo ia crescendo e propus nessa fase um alinhamento e desempenhos em consonância com o guião que estava também a construir. As pessoas entusiasmaram-se, deram também ideias e o projecto ia crescendo.

Dada a proximidade da data e a carência de apoio profissional foi-me sugerido pelo Zé Luís (dos Ekos) recorrer ao Luís Pedro Fonseca que logo aderiu marcando uma reunião com o guionista Paulo Coelho para fazer a adaptação do meu guião de autor.

Nesta altura contactámos também 3 profissionais: Joca (som e imagem), Ribeiro Chaves (gravação do espectáculo para produzir um registo em DVD) e Yara Kono (trabalhos gráficos).

Mais tarde tivemos que desistir do trabalho do Ribeiro Chaves por ser incomportável.

Elaborei um documento, que foi aprovado pela Direcção, para cada banda e solista, expondo todas as particularidades do espectáculo, tentando comprometer os interessados. Devido à falta de disciplina, muitos desses documentos não chegaram a ser preenchidos, assinados e devolvidos o que foi prejudicial e nos causou problemas.

Entretanto surgem diversas dificuldades tais como escassez de verbas, falta de algumas participações e o tempo que cada vez era menos.

O Luís Pedro Fonseca e o Paulo Coelho tentaram vender o espectáculo para cobrir as despesas e haver algum conforto entre as pessoas. Mas a situação económica era cada vez pior, o tempo era curto e isso não foi conseguido.

A responsabilidade era já muito grande e foi necessário reduzir a ideia que se tinha construído para que resultasse.

Uma coisa era certa: estariam 62 pessoas em palco que se preparavam para dar o seu melhor.

Ao longo de todo o tempo contei com o apoio da Isabel, que inclusivamente ficou decidido numa reunião da Direcção ser uma das pessoas que iria secretariar a preparação do espectáculo, mais concretamente a mim. E os dois levámos semanas em reuniões de trabalho e serões até altas horas na preparação da obra final.

Apesar de a Isabel não ter algum cargo na AA60 foi-me imprescindível, sobretudo no apoio escrito, enquanto eu me ocupava das questões mais directas. Por isso esteve quase sempre presente desde a ideia inicial até ao final do espectáculo.

Felizmente tive também o apoio de alguns sócios, uns mais do que outros na medida das possibilidades de cada um, mas tenho aqui de realçar a grande participação e apoio do Luís Cardoso, Jorge Branco e Daniel Bacelar.

Descontando as chatices que houve valeu a pena.

O espectáculo foi bastante rico, conseguimos ter intervenções de grande qualidade que abrangeram praticamente todos os estilos de música da década de 60 por ordem cronológica, desde os blues, passando pelo rock, folk e pop.

Alinhamento do espectáculo

1.ª Parte

Old Blues Band
You never can’t tell - Chuk Berry
Messin’ with the kid - Junior Wells

Edmundo Silva & Duarte .Mendes
Everly Brothers (medley)
Let it be me, All I have to do is dream, Till I kissed her, Bird dog, Be-Bop-Lula, Claudette, Rip it up.

Daniel Bacelar
Lonsesome town–Ricky Nelson
Fui louco por ti - Caloiros da Canção
Funny Feeling+Young Ones -Cliff Richard (Shadows)

Victor Gomes
Jailhouse Rock
Mama

Ekos
(medley)
À espera da nossa vez, Vou ficar sem ti, Ilusão, Os tristes olhos, Lamento aos céus e Esquece

Rockfellas
Et maintenat - Gilbert Bécaud
The house of the rising sun – The Animals

Diamantes Negros
Tell me why–Beatles
You can’t do that–Beatles
Yellow submarine

2.ª Parte

Regiophonia orchestra
Crazy – Patsy Cline
Hold on I’m coming – Sam & Dave

Guitarras de Fogo
Música Francesa (medley)
Donne-moi ma chance, Les Marionettes, Aline, Que c’est triste Venise, Tchin-Tchin, C’est ma fête.

Pamela Murphy Freitas
Farewell, Angelina – Joan Baez
It's All Over Now Baby Blue-J.B/B.D.

Pedro de Freitas Branco
Like a Rolling Stone -Bob Dylan

Luís & Pedro de Freitas Branco
Sunny Afternoon – Kinks
Can’t help falling in love - Elvis
Ruby Tuesday – R.Stones

Quarteto 1111
Domingo em Biddonville
Dócil e fácil Reino do bla-bla-bla
A Lenda D’El Rei D.Sebastião

“GRAND FINALE” ...”Get Back” –- arranjo em crescendo com todos no palco

Nota: O Zé Manel Fonseca e o Adrien Ransy (Quinteto Académico) fizeram parte da banda que acompanhou o Victor Gomes.

Colaboração de Jaime Pereira

JANTAR EM CASA DE AMIGOS

Chegado o tempo de, como dizem os espanhóis, café, puro e conhaque, o tique irreprimível de passar os dedos pelos LPs, meticulosamente arrumados numa estante.

Não tem a pretensão de conhecer toda a música – era o que faltava! – mas aqueles “Accolade” eram-lhe completamente desconhecidos.

Esse disco tem uma história engraçada, disse-lhe o amigo. Adora histórias à volta de discos e nada melhor para confissões pessoais do que um jantar caseiro.

Contou, então, que ouvira uma música no “Em Órbita” mas não sabia o nome nem quem cantava. Ficou-lhe no ouvido qualquer coisa como “Ackloid” e a música falava de Ulisses.

Não perseguiu o disco com uma fortíssima determinação, mas dedicou-lhe algum tempo. Nunca encontrou nada parecido com "Ackloid" em diccionários, enciclopédias, nem na "Amazon".

Ao folhear um desses livros sobre "Rare Records", como sempre fazia, lá foi à procura dos tais "Ackloid". Não encontrou mas reparou, pela primeira vez, num nome que lhe chamou a atenção: "Accolade".

Disse para com os seus botões que, foneticamente, a coisa não estava longe, e que os tais "Ackloid" poderiam muito bem ser estes "Accolade".

O livro não trazia qualquer referência que ajudasse a esclarecer o enigma, nomeadamente lista de músicas. Tomou nota.

Em quase todos os "sites" de música onde entrou, os "Accolade" eram completamente desconhecidos. Restava-lhe o "eBay" e foi aí que o encontrou. Como é habitual no "eBay", estava apenas a capa, sem qualquer outro tipo de indicação de músicas, que era aquilo que mais lhe interessava.

Para além disso, o disco era carote: à volta de US $70 e não tinha qualquer garantia de que seria aquele o "tal" disco... Hesitou. O "Anjo Protector" fez-lhe ver que tinha gasto demasiado dinheiro: o Natal, a Passagem do Ano... mas o seu "Diabrete" saltou-lhe em cima, dizendo que poderia muito bem ser aquele o disco e não seria por US$70 que iria deixar de o comprar... Como sempre, o "Diabrete" ganhou!...

O disco chegou duas semanas mais tarde e teve a alegria de confirmar que lá estava "Ulisses".

Surgiu então o som que nunca tinha saído dos seus ouvidos nos últimos 35 anos. Não que seja uma grande música… que não é… longe disso: são 12m32s um pouco empastelados e arrastados. Mas, finalmente, tinha ali o disco...

Ao analisar as informações constantes da capa, chegou a conclusões interessantes. Os "Accolade" eram quatro: Don Partridge (vocal + diversos instrumentos), Gordon Giltrap (guitarra acústica), Brain Creeswell (flauta) e Malcolm Pool (contrabaixo e violino).

O Don Partridge conhecia bem: era um "one man band" , do estilo do Donovan, daqueles que tocam com vários instrumentos ao pescoço e um grande tambor de pé nas costas. Nos anos sessenta tivera um relativo sucesso com uma canção que se chamava "Blue Eyes".

De resto, dá para perceber que os "Accolade" eram uma das bandas do chamado "Folk Progressivo" que pululavam em Inglaterra em finais de 60/inícios de 70, um pouco ao estilo de "Lindisfarne", de "Amazing Blondel", "Tir Na Nog" e outras.

Sem nunca terem chegado aos calcanhares da Santíssima Trindade: “Fairport Convention”, “Pentangle” e “Steeleye Span”.

Chegara o tempo do penúltimo conhaque, sim, que o último é só na hora da morte, e os “Accolade” cantavam "Nature Boy", uma velha canção popularizada, entre outros, por Nat “King” Cole e de que um dia teve uma versão do Ney Matogrosso que lhe voou de casa, não sabe muito bem como.

Sentia-se aconchegado, quase feliz. Se adora histórias, gosta muito que elas tenham finais felizes, e encontrar-se um disco que se persegue há anos, era um desses finais.

É quando o amigo deixa cair a frase: “isto de não desejar ardentemente mais nenhum disco é uma chatice. É como estar a faltar qualquer coisa essencial na vida…”.

Amanhã contará a história a Mr. “Ié-Ié”.

Talvez aconteça que outros viajantes do “blogue” saibam algo mais sobre os “Accolade” ou que contem histórias de discos que há muito, perseguem.

Com, ou sem, finais felizes.

Colaboração de Gin-Tonic

VOX


Enquanto durou, foi uma bela revista. Tenho a colecção completa que também não foram assim tantos números.

Curiosamente, ou melhor, como há bruxas, no número da imagem está a crítica ao livro de Dave Davies que Queirosiano aqui nos apresentou. Já agora, dá 7 pontos em 10.

PARECE, MAS NÃO É


Parece uma biografia de Elvis Presley, mas não é. É uma interessante edição de 1969 sobre a música pop. O livro é de Nick Cohn, jornalista inglês, a capa (excelente) de Philip Castle.

Vítor Soares e Filhote já tinham comentado aqui este livro.

quinta-feira, 3 de abril de 2008

DEPOIS DE LISBONA MIA, CIAO PORTO


DURIUM - EP A 3219 - edição italiana

Ciao Porto (Marino Marini canta em português) - Tintarella Di Luna - Quando Vien La Sera - Luna Napoletana

Adquirido pelo irmão mais velho em Coimbra no dia 08 de Outubro de 1960.

DEDICADO A JOÃO MANUEL ALEXANDRE


COLUMBIA - 8E 062-40037 - 1970 (edição em vinil)

Prólogo - João Nada - Domingo Em Bidonville - Uma Estrada Para A Minha Aldeia - A Fuga Dos Grilos - As Trovas Do Vento Que Passa - Pigmentação - Maria Negra - Lenda De Nambuangongo - Escravatura - Epílogo

O Quarteto 1111 dedicou o LP a João Manuel Alexandre, um dos principais ideólogos do "Em Órbita", pelo "Prólogo" que não chegou a escrever.

João Manuel Alexandre faleceu no dia 29 de Setembro de 1969 num choque de automóveis na Marginal, no Monte Estoril, entre o English-Bar e o Hotel Atlântico. Tinha 28 anos.

O condutor do segundo veículo, Manuel José Fragoso Garnel, médico em Santa Maria, 32 anos, viria falecer dois dias depois.

João Manuel Freitas Antunes Alexandre era licenciado em Direito pela Faculdade de Direito da Universidade Clássica de Lisboa.

Em 1963 foi presidente da AAFDL (Associação Académica da Faculdade de Direito de Lisboa), tendo sido alvo de um processo disciplinar imposto pela ditadura.

Na altura da morte era advogado e funcionário da Sociedade Central de Cervejas.

PAULO


ORFEU - SB-1075 - 1974

Face A

O Manel (Paulo de Carvalho) - E Depois Do Amor (José Calvário/José Niza) - I'll Be There With You (Paulo de Carvalho/Kevin Hoydale) - Sair Daqui (José Luís Tinoco/José Niza) - Fly (Paulo de Carvalho/Kevin Hoydale) - Dia A Dia (José Niza)

Face B

Nambuangongo Meu Amor (Fernando Guerra/Manuel Alegre) - Vamos Cantar De Pé (Pedro Osório/Fernando Grade) - Animal Farm (Paulo de Carvalho/Kevin Hoydale) - Flor Sem Tempo (José Calvário/José Sotto Mayor) - Sun And Rain (Kevin Hoydale) - E Depois Do Adeus (José Calvário/José Niza)

O PAI MORREU ESTA SEMANA


CBS - EP 5675 - edição francesa

Ça M'Avance A Quoi? (You Were On My Mind) - Combien De Temps Pour T'Oublier (Can't Help But Wonder Where I'm Bound) - Comme La Lune (Four Kinds Of Lonely) - Le Tricheur (Rhe Cheater)

Expedido de Paris no dia 30 de Abril de 1966, recebido em Lisboa pelo irmão mais velho no dia 03 de Maio de 1966.

O cineasta Jules Dassin, 96 anos, faleceu esta semana.

FERNANDO TORDO

ZIP 30.058/S-G

Fado Do Operário Leal - Tango Económico

CINEMA ROMA


Neste edifício funciona agora o Forum Lisboa bem como a Assembleia Municipal de Lisboa.

TOP OF THE POPS ALEMÃ


SONIC - 9035 - edição alemã

Side 1

Beg, Steal Or Borrow - Back Off Boogaloo - Heart Of Gold - Vincent - Young New Mexican Puppeteer - Amazing Grace

Side 2

Run, Run, Run - Me And Julio Down By The Schoolyard - A Cowboy's Work Is Never Done - Jungle Fever - Doctor My Eyes - Radancer

Trata-se de uma edição alemã similar às famosas Top Of The Pops britânicas.

Colaboração de João Pinheiro de Almeida

quarta-feira, 2 de abril de 2008

MONTE CARLO SPORTING CLUB


Este foi, se bem me lembro, dos primeiros LPs em minha casa.

PARA CONHECER EXCESSOS DO ROCK

Edição da Vox de 1995

TOMA LÁ


TOMA LÁ DISCO TLS 011

Avante Norte - Novas Quadras

SUNNY


COLUMBIA - ESRF 1785 - edição francesa

Sunny - Baby (Out Of Time) - Je Ne Vois Que Toi (All I See Is You) - Lundi, Lundi (Monday Monday)

Expedido de Paris no dia 05 de Novembro de 1966 e recebido em Lisboa pelo irmão mais velho no dia 07 de Novembro de 1966.

SELECT


Não era uma revista fundamental, mas distribuía coisas interessantes, como uma K7 com uma versão inédita de Damon Albarn e Ray Davies de "Waterloo Sunset".

RUI VELOSO NÃO É "PAI" DE COISA ALGUMA


Sempre me irritou solenemente o epíteto que colaram a Rui Veloso de ser o "pai do rock português", pela simples razão de que não é, nunca foi, verdade!

Ainda por cima, Rui Veloso considera-se a si próprio mais bluesman do que roqueiro.

O rock português nasceu discograficamente em 1960 com os Conchas e Daniel Bacelar e, antes disso, já Zeca do Rock andava nas lides, conforme testemunha:

Assim nasceu o rock em Portugal nos idos de 1955, se a memória não me falha (Rui Veloso nem sequer tinha ainda nascido!!!! - nota do editor).

O filme "Rock Around The Clock" foi a semente. A música do mesmo nome já tinha aparecido na película "Sementes de Violência".

Na época ainda só existiam discos de 78 rpm, pelo que eu comprei os seguintes, com músicas que faziam parte da trilha sonora do filme:

Bill Haley and his Comets: Mambo Rock/Birth of the Boogie
Bill Haley and his Comets: Rock around the clock/Thirteen women
Bill Haley and his Comets: Rock-a-beatin' boogie/Burn that candle
Bill Haley and his Comets: See you later, alligator/The paper boy
Freddie Bell and the Bell Boys: Giddy-up-a ding dong/I said it and I'm glad

Foi uma loucura! Ouvi até à exaustão estas 10 músicas. Levei o gira-discos para o Colégio de Clenardo e, com autorização do saudoso Padre Alberto Vieira, então director, alí fiz várias sessões de divulgação que foram sucessos retumbantes.

Alguns colegas, que faziam regularmente sessões de divulgação de música clássica (de que eu era, também, assíduo ouvinte) tentaram boicotar as minhas sessões de rock, apelaram para instâncias superiores da Ordem Dominicana, etc, felizmente, sem sucesso. Para eles, aquilo era uma batucada insana que devia ser proibida.

Pouco tempo depois conheci o Fernando Alvim, aprendi com ele o essencial da guitarra de acompanhamento, e o resto é história. A história do rock em Portugal.

Colaboração de Zeca do Rock

terça-feira, 1 de abril de 2008

COMO ESTES LPs ERAM APRECIADOS


PHILIPS - 850.060 PY

Dès Que Je Me Réveille (Enrico Macias) - Le Rapace (Los Incas) - Aussi Loin (Claude François) - Dans Une Heure (Sheila) - Dalila (Paul Mauriat) - Cheval D'Acier (Johnny Hallyday) - Rain And Tears (Aphrodite's Child) - Initials BB (Serge Gainsbourg) - Ne Vois-Tu Pas Que C'Est Toi Que J'Aime (Anna St Clair) - Quelque Chose Tient Mon Coeur (Herbert Léonard) - Tous Les Arbres Sont En Fleurs (Nana Moushouri) - La Source (Guy Bonnet)

Mais um LP do irmão caçula.

AS EXTRAVAGÂNCIAS DOS ROQUEIROS


Edição de 1986.

CONJUNTO MISTÉRIO


IMAVOX IM-10.210 - 1979

Self Made Man - Poema Do Pária Perante A Mercearia

Durante 25 anos, este foi um conjunto mistério. O primeiro disco, "Funchal, 23", data de Junho de 1974, mas ninguém sabia nada de nada. Quem cantava, quem tocava, quem tinha feito as músicas, quem escrevera as letras.

O mistério só foi desvendado em 1999. O autor da canção é José Niza que a compôs em casa de Daniel Proença de Carvalho ao ler no "Diário de Lisboa" a notícia da partida do Funchal para o Brasil no dia 23 de Maio (daí o título) de Moreira Baptista e Silva Cunha (ministros da ditadura deposta).

José Niza limitou-se a musicar o texto da notícia.

Dias depois, José Niza, Daniel Proença de Carvalho, Carlos Perez Álvaro, então director da Movieplay, Rui Ressurreição, Thilo Krasmann e José Manuel Pedrosa gravaram "Funchal, 23" e "De Como A Canção Social Tem Uma Função Capital... Quer Dizer..." no estúdio da Musicorde.

Não garanto a mesma constituição do grupo neste "Self Made Man", uma obra de Pedro Osório.

Já agora, SARL significa Sociedade Artística E Recreativa Lusitana.