quinta-feira, 24 de janeiro de 2008

MINI-ENTREVISTA DE LUÍS MOUTINHO


Filho de Maria Leonor e de Pedro Moutinho, duas das melhores vozes que alguma vez passaram pelos microfones da Rádio Portuguesa - neste caso a Emissora Nacional -, Luís Moutinho foi um dos mais interessantes bateristas yé-yé nacionais, quase uma espécie de Ringo Starr lusitano.

(Acho que foi meu colega no Externato Clenardo, em Lisboa).

No Verão de 1968, Maria José Valério, uma nacional-cançonestista, entrevistou-o para a revista "Plateia":

Tem os olhos, os lindos olhos, da mãe, tem a personalidade do pai, artista sincero e apaixonado.

Luís é um jovem de 20 anos, cheio de vida e de vontade de vencer. Consciente do seu valor, ele que mais parece um "príncipe encantado", nasceu para ser um artista verdadeiro e dá gosto vê-lo tocar bateria com aquele entusiasmo que só os "grandes" como ele conseguem ter.

Ele tem dentro de si o fogo, a mocidade, o talento que herdou dos seus pais, dois "grandes" da Rádio e da TV!

Parabéns, Maria Leonor e Pedro Moutinho, pelo vosso filho que considero grande artista e um moço encantador.

Para si, Luís, aqui ou no estrangeiro, que Deus o proteja e lhe dê os sucessos que merece.

- Que colégios frequentou, Luís?
- Entre outros, o Colégio Militar.

- Há quanto tempo toca bateria?
- Precisamente há quatro anos.

- Onde nasceu?
- Em Lisboa.

- Se não fosse artista, que gostaria de ser?
- Actor.

- Tem namorada?
- A minha namorada é a bateria.

- Que pensa de si, Luís?
- O pior possível, mas às vezes o melhor também.

- Em que países já tocou?
- Lá fora, só em França.

- Em que conjunto toca presentemente?
- No Tyree Glenn Junior Band.

- Em que conjunto participou?
- No conjunto "Os Sheiks".

- Que pensa dos Beatles?
- São os melhores do Mundo, criadores de uma época.

- Gosta de animais?
- Bastante, e, de momento, tenho um cão que se chama Sheik.

- É romântico ou não?
- Sou brincalhão e realista (às vezes).

- Que tem de momento para o futuro?
- Tenho em vista várias deslocações ao estrangeiro para actuar em diversos países. E em Portugal novas gravações, programas de TV, Casino Estoril, etc.

11 comentários:

Queirosiano disse...

Tocou também nos Deltons, com o Fernando Tordo e o Toy Queimado. Um grupo que acabou cedo demais

bissaide disse...

É verdade... Tão cedo que nem chegaram a gravar o anunciado disco...

Do Luís Moutinho só lhe conheço participação, não creditada, no LP da Filarmónica Fraude. Desconhecia era esta passagem dele pelo grupo de Tyree Glenn Jr.!

filhote disse...

Amigo do pai deste filhote, Luís Moutinho é há bastantes anos professor catedrático na Escócia.

Quando o conheci, já não tocava bateria...

ié-ié disse...

Perdi-o por uma unha negra quando veio à estreia dos Sheiks no São Luiz, em Lisboa.

LT

bissaide disse...

Filhote, presumo que não tenhas visto o meu comentário no post do GAC-Vozes na Luta. Perguntava eu se tens o single "Hino da Reconstrução do Partido / No Sistema Capitalista" - é que é o único que nunca vi do grupo, e já me constou que não existe... Isto apesar de ele ter número de catálogo atribuído!

Rato disse...

Não tenho dúvidas de que a razão principal que levou o YéYé a transcrever esta mini-entrevista é a décima pergunta/resposta.

Yardbird disse...

Uma inconfidência:
Conheci o Luís por breves dias, aquando do nosso exame de 5º ano no Liceu Pedro Nuunes, onde eu fazia eu era aluno e ele fazia exame como "externo".
Bem, não sei em quue colégio ele andara, mas sei que onde quer que fosse não aprendera nada. Simpatizei com o Luís, era um brincalhão e acabei por colaborar em algo nada curial: o exame de desenho era dividido em duas provas: uma de desenho geométrico e outra de desenho à vista, e eu fiz-lhe a prova de desenho à vista (ele nem material para pintar trazia). O resultado não foi mau: foi a única positiva que teve, 12 valores. O resto, tudo abaixo de 4.
Portanto, foi um conhecimento acidental, mas curioso.
Pelo que diz o filhote, melhorou de então para cá como aluno.

ié-ié disse...

Eu fiz o 7º ano no Pedro Nunes como "externo". Estava no Clenardo. Média final de 12 valores (nada mau, para um cábula como eu) no dia 29 de Setembro de 1965. O reitor era Francisco Dias Agudo.

LT

JC disse...

Como invejo o Yardbird e fico c/ pena de ele não ter feito exame de desenho ao meu lado. É que sou completamente "atrasado mental" a desenhar e no dito 5º ano, feito no D. João de Castro, tendo dispensado da oral a "Letras", só não dispensei tb a "Ciências" porque tive... 6 a Desenho! Assim, lá disse adeus à média de 14 e fui de férias mais tarde.

Yardbird disse...

Eheheh! Com o desenho não me dava nada mal. Acabei por ter 17 na minha prova. Mas tive pouco tempo para o do Luís. Também me aconteceu algo parecido, JC. Infelizmente, o que me obrigou a ir à oral foram as Ciências Natuurais, precisamente o meu forte. Mas naquele dia tive uma branca tal, que nada saía

filhote disse...

Parece que tenho por aqui vários "colegas" do Pedro Nunes...

E, caro Bissaide, não tenho esse single do GAC. Aliás, também nunca o vi! E eu que pensava ter todos...