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sábado, 7 de junho de 2014
segunda-feira, 16 de setembro de 2013
1º FESTIVAL DE ROCK PORTUGUÊS HÁ 50 ANOS!
O primeiro grande festival de rock português (ié-ié, "tipo Shadows) faz hoje 50 anos!
Foi no cinema Roma, em Lisboa, para promover o filme "Mocidade em Férias", com Cliff Richard e os Shadows, e tinha o curioso título Concurso de Conjuntos do Tipo Shadows.
O primeiro dia do Festival ocorreu a 16 de Setembro de 1963, faz hoje meio século.
Para o sensacional
concurso do cinema Roma,
inscreveram-se 22 conjuntos: Victor Gomes e os seus Gatos Negros, Nelo do Twist
e seus Diabos, Electrónicos, Jets, Telstars, Eddye Gonzalez e os seus Ekos, Les
Fanatics, Vendavais, Tigres, 3 Jotas, Titãs, Daniel Bacelar e os Gentlemen,
S.O.S., Lisboa À Noite, Nova Onda, Sanremo 172, Napolitano, Panteras do Diabo,
Jovens do Ritmo, Mascarilhas, Juventude Dinâmica e Condores.
Rezava assim o anúncio do Concurso publicado na Imprensa no dia
05:
O cinema Roma convida-os (aos conjuntos) a
comparecerem na sua sala nos próximos dias 6 e 7, das 10 às 12,45 e das 18,30
às 20 horas, a fim de serem ouvidos, para que se possa fazer uma selecção
prévia, e combinar o plano da sua actuação a partir da estreia do filme
"MOCIDADE EM FÉRIAS", que está prevista para sexta-feira, 13 de
Setembro.
Nesta reunião privada não se exigem os
trajos com que aparecerão perante o público. Apenas se tornam indispensáveis os
instrumentos de música e respectivos aparelhos de amplificação.
Mais uma vez se lembra que o Conjunto
eleito pelo voto do espectador terá direito, graças aos Estabelecimentos
Valentim de Carvalho, a uma face de um disco comercial e o Conjunto escolhido
pelo Júri a um disco comercial (2 faces) e ainda à apresentação pessoal aos
Shadows, em Londres, para onde serão transportados em aviões dos TAP-BEA.
O cinema Roma agradece, desde já, a todos
o entusiasmo com que acolheram esta iniciativa.
O júri era constituído por Maria João Aguiar, António Miguel, Luís
Villas-Boas, João Nobre, Paulo de Medeiros, Hugo Ribeiro, Posal Domingues,
Mello Pereira, A. Leite Rosa e José Gomes.
Com apresentação de Fernando Pessa, as actuações decorreram de 16
a 29 de Setembro, tendo o júri deliberado convocar para a finalíssima, no dia
04 de Outubro, os Panteras do Diabo, Nelo do Twist e seus Diabos, Titãs, Daniel
Bacelar e os Gentlemen e Fernando Concha e o Conjunto Mistério
(ex-Mascarilhas).
No comunicado da decisão, o júri avisa que considerando que a apreciação dos Conjuntos por princípio teria de ser
fundamentalmente do tipo do "The Shadows", não julgou a actuação dos
vocalistas (embora alguns bastante se tivessem distinguido).
A final realizou-se no dia 04 de Outubro e o júri deliberou por
unanimidade declarar vencedor do Concurso o "Conjunto Mistério de Fernando
Concha".
O júri considerou também que constituiu um êxito invulgar, tanto para o Cinema Roma como para o público, a
presença de tão elevado número de Conjuntos, na maioria formados por jovens
executantes e de alguns elementos que muito se distinguiram.
O grupo mais votado pelo público foi Victor Gomes e os seus Gatos
Negros.
No dia 07 de Outubro, o Diário
Popular, pela pena de Paulo de Medeiros, simultaneamente escriba e
membro do júri do Concurso, publica a crónica que se segue:
Perante uma enorme multidão, na sua
essência constituída por jovens apaniguados do azougado ritmo dos nossos dias -
o twist -
terminou na passada sexta-feira no Cinema Roma o certame que a Gerência daquela
sala empreendeu no sentido de escolher um agrupamento que maiores afinidades
apresentasse com os celebrados Shadows.
Depois da exibição de todos os grupos
inscritos, o júri seleccionou cinco conjuntos que dirimiam forças na final e
que na realidade se afiguraram os mais apetrechados para discutir a primeira
posição. Foram eles Os Diabos, de Nelo, Titãs, Conjunto Mistério, de Fernando
Concha, Panteras do Diabo e os Gentlemen, de Daniel Bacelar.
Após as respectivas audições, saiu
vencedor, como se previa - e por mérito próprio - o agrupamento Mistério,
dirigido pelo conceituado Fernando Concha. Com efeito, o popular conjunto
caprichou em ofertar-nos um variado e homegéneo sortilégio melódico para todos
os paladares.
Sem dúvida que para o êxito obtido em
muito contribuiu a escolha das engendradas composções onde o quarteto
desenvolveu a sua classe proverbial, pois empregou uma orquestração assaz rica
e utilizou-a em todas as tonalidades, sem perder qualquer das suas outras
facetas quer no aspecto inventivo, frescura melódica e sentido rítmico.
Apresentação sóbria, como é apanágio, de
Fernando Pessa.
Estão pois de parabéns o público, o
conjunto galardoado, Portal da Costa, idealizador do certame que com tanto
brilho decorreu e o júri pela uniformidade e certeza de critério com que
deliberou.
No dia 12 de Outubro, a revista Rádio
& Televisão deu
a capa ao Conjunto Mistério e no interior escreveu:
No palco do Cinema Roma estiveram vários
conjuntos jovens num concurso destinado a eleger o que mais se identificasse
com os famosos Shadows. Ganharam justamente Fernando Concha e o seu Conjunto
Mistério. E revelaram-se outros grupos que poderão ficar como valiosos
intérpretes de música moderna.
Além deste factor, a iniciativa teve outra
particularidade agradável: não houve êxtase de jovens contagiados na plateia,
não houve distúrbios na sala.
Provou-se que os ritmos modernos podem ter o seu lugar em Lisboa sem os alarmanetes exageros de juventude que têm preocupado outras capitais e que ainda recentemente foram nota pouco tranquilizadora numa sala lisboeta".
Provou-se que os ritmos modernos podem ter o seu lugar em Lisboa sem os alarmanetes exageros de juventude que têm preocupado outras capitais e que ainda recentemente foram nota pouco tranquilizadora numa sala lisboeta".
Luís Pinheiro de Almeida
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sábado, 7 de setembro de 2013
HÁ 50 ANOS!
Victor Gomes e os Gatos Negros foram os grandes vencedores do primeiro grande concerto de ritmos modernos que se realizou em Portugal, há 50 anos, no dia 07 de Setembro de 1963, no Teatro Monumental, em Lisboa.
Na final, participaram Victor Gomes e os Gatos Negros, Nelo do Twist e Fernando Conde e os Electrónicos.
A apresentação foi de Henrique Mendes.
Ver mais informação aqui.
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sábado, 22 de dezembro de 2012
CONJUNTO ACADÉMICO JOÃO PAULO
O Conjunto Académico João Paulo acaba de vencer o Concurso Caravana em Férias, no Funchal, no dia 19 de Abril de 1964, iniciando assim a sua aventura no Continente.
Na imagem, o Conjunto recebe as felicitações dos Electrónicos e do empresário José Farinha.
Colaboração de Ângelo Moura, baixista do Conjunto Académico João Paulo
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domingo, 22 de agosto de 2010
quinta-feira, 8 de abril de 2010
STEAMER'S

(de baixo para cima e da esquerda para a direita: Luís Ramos (Franjinhas) (voz e guitarra-solo), Victor Queiroz (Carocha) (voz e teclas), Beto Romero (voz e baixo) e Dário Foito (voz e bateria))
RR - RREP 0079 - 1969
I Am A Chancho (Carocha/Dário/Beto/Luís Ramos) - Será Assim Até Morrer (Carocha/Dário/Beto/Luís Ramos) - Mr. Pum Pum! (Luís Ramos) - Let The Heartaches Begin (Tony Macaulay/John MacLeod)
Foto de Bourdain de Macedo na zona oriental de Lisboa onde foi construída a EXPO '98, actual Parque das Nações.
Os Steamer's ter-se-ão formado em 1969 com a formação indicada na capa do único EP que gravaram.
Victor Queiroz (Carocha) saiu dos Electrónicos no início de 1965.
Estava exausto depois de dois anos de digressão, só indo a casa de seis em seis meses. Fiquei pelos cabelos, lembra o músico, hoje com 62 anos, reformado, designer de interiores.
Fez parte, pouco depois, dos Pacles, designação retirada das Produções Arlindo Conde (PAC) que apadrinharam o conjunto. Com Victor Queiroz estavam também Fernando Conde, filho de Arlindo, que era a estrela, António Montenegro (ex-Electrónicos), Tony Maurício e Fernando Maurício, irmãos, ex-Siderais.
O Arlindo Conde ofereceu-nos apoio empresarial a todos os níveis e lá colocamos o nome. Seguem-se sessões de fotos, publicidade por tudo o que era sítio e lá fizemos um excelente espectáculo no Capitólio. O Conde cantou as dele e nós as nossas, dos Searchers. O repertório dos Pacles baseava-se na música do conjunto inglês. Mas a pressão era muita e só fizemos esse espectáculo. E eu vou descansar 10/12meses.
Entretanto, os Siderais retomam a sua actividade e, sem Victor Queiroz, gravam em 1966 o 6º EP de Daniel Bacelar, após o que Victor Queiroz regressa ao conjunto para uma temporada até finais de 1968 no Maxime, em Lisboa.
É mais ou menos nesta altura, talvez em 1967, que os Siderais, comigo, gravam o EP com Victor Gomes. É a minha primeira gravação em disco.
Faço depois apenas 32 dias de tropa - é uma longa história - e regresso ao Maxime desta vez para integrar o Conjunto de Correia Martins, de onde saio para integrar os Steamer's em 1969, também com pessoal de Algés.
No Correia Martins toquei com um baixo Hoffner igual ao de Paul McCartney.
Mas foi nos Steamer's que me senti melhor, onde fiz a melhor música ao vivo. Tocávamos soul e blues. Não tenho boas recordações dos Electrónicos, porque era muito trabalho, mas nos Siderais, no Maxime, também não me senti mal.
Nos Steamer's tocávamos todos os dias no Caco e depois no Tosco. De Verão fazíamos os cruzeiros da CNN (Companhia Nacional de Navegação) no paquete "Moçambique".
Gravávamos as nossas actuações ao vivo e um dia o Nicholson (Francisco Nicholson) e o Cortês (Armando Cortês) ouviram as bobinas e quiseram gravar um disco connosco na etiqueta deles, a Riso e Ritmo, que foi a minha segunda e última gravação.
O EP tem três originais nossos, éramos muito prolixos, compúnhamos em palco.
Os Steamer's eram uma banda estranha. Naquela altura vivíamos noutro planeta, procurávamos sons irritantes e letras cáusticas para chatear o sistema.
"I Am A Chancho" retratava bem como era Portugal, analfabetismo, ordenados miseráveis. O disco foi boicotado por pessoas coniventes com o regime de Salazar. Na boîte Caco, na rua Camilo Castelo Branco, em Lisboa, onde tocámos, tínhamos um pano em cima do Vox Continental que dizia "Liberdade", mas a PIDE mandou-o retirar.
Os Steamers acabaram no primeiro ano da década de 70.
Colaboração de Luís Pinheiro de Almeida
RR - RREP 0079 - 1969
I Am A Chancho (Carocha/Dário/Beto/Luís Ramos) - Será Assim Até Morrer (Carocha/Dário/Beto/Luís Ramos) - Mr. Pum Pum! (Luís Ramos) - Let The Heartaches Begin (Tony Macaulay/John MacLeod)
Foto de Bourdain de Macedo na zona oriental de Lisboa onde foi construída a EXPO '98, actual Parque das Nações.
Os Steamer's ter-se-ão formado em 1969 com a formação indicada na capa do único EP que gravaram.
Victor Queiroz (Carocha) saiu dos Electrónicos no início de 1965.
Estava exausto depois de dois anos de digressão, só indo a casa de seis em seis meses. Fiquei pelos cabelos, lembra o músico, hoje com 62 anos, reformado, designer de interiores.
Fez parte, pouco depois, dos Pacles, designação retirada das Produções Arlindo Conde (PAC) que apadrinharam o conjunto. Com Victor Queiroz estavam também Fernando Conde, filho de Arlindo, que era a estrela, António Montenegro (ex-Electrónicos), Tony Maurício e Fernando Maurício, irmãos, ex-Siderais.
O Arlindo Conde ofereceu-nos apoio empresarial a todos os níveis e lá colocamos o nome. Seguem-se sessões de fotos, publicidade por tudo o que era sítio e lá fizemos um excelente espectáculo no Capitólio. O Conde cantou as dele e nós as nossas, dos Searchers. O repertório dos Pacles baseava-se na música do conjunto inglês. Mas a pressão era muita e só fizemos esse espectáculo. E eu vou descansar 10/12meses.
Entretanto, os Siderais retomam a sua actividade e, sem Victor Queiroz, gravam em 1966 o 6º EP de Daniel Bacelar, após o que Victor Queiroz regressa ao conjunto para uma temporada até finais de 1968 no Maxime, em Lisboa.
É mais ou menos nesta altura, talvez em 1967, que os Siderais, comigo, gravam o EP com Victor Gomes. É a minha primeira gravação em disco.
Faço depois apenas 32 dias de tropa - é uma longa história - e regresso ao Maxime desta vez para integrar o Conjunto de Correia Martins, de onde saio para integrar os Steamer's em 1969, também com pessoal de Algés.
No Correia Martins toquei com um baixo Hoffner igual ao de Paul McCartney.
Mas foi nos Steamer's que me senti melhor, onde fiz a melhor música ao vivo. Tocávamos soul e blues. Não tenho boas recordações dos Electrónicos, porque era muito trabalho, mas nos Siderais, no Maxime, também não me senti mal.
Nos Steamer's tocávamos todos os dias no Caco e depois no Tosco. De Verão fazíamos os cruzeiros da CNN (Companhia Nacional de Navegação) no paquete "Moçambique".
Gravávamos as nossas actuações ao vivo e um dia o Nicholson (Francisco Nicholson) e o Cortês (Armando Cortês) ouviram as bobinas e quiseram gravar um disco connosco na etiqueta deles, a Riso e Ritmo, que foi a minha segunda e última gravação.
O EP tem três originais nossos, éramos muito prolixos, compúnhamos em palco.
Os Steamer's eram uma banda estranha. Naquela altura vivíamos noutro planeta, procurávamos sons irritantes e letras cáusticas para chatear o sistema.
"I Am A Chancho" retratava bem como era Portugal, analfabetismo, ordenados miseráveis. O disco foi boicotado por pessoas coniventes com o regime de Salazar. Na boîte Caco, na rua Camilo Castelo Branco, em Lisboa, onde tocámos, tínhamos um pano em cima do Vox Continental que dizia "Liberdade", mas a PIDE mandou-o retirar.
Os Steamers acabaram no primeiro ano da década de 70.
Colaboração de Luís Pinheiro de Almeida
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quinta-feira, 28 de janeiro de 2010
DESCOBERTA UMA DATA IMPORTANTE DO IÉ-IÉ
Numa magnífica investigação nos arquivos dos jornais da Madeira, Ângelo Moura, que foi baixista do Conjunto Académico João Paulo, descobriu uma das datas mais historicamente relevantes do ié-ié português: a data do concurso que o Conjunto ganhou no Funchal e lhe permitiu uma entusiástica carreira no Continente.
O concurso foi organizado com a participação dos Electrónicos, de Algés, que foram o júri.
Ângelo Moura descobriu que a digressão dos Electrónicos pela ilha da Madeira, acompanhando a exibição do filme "Mocidade em Férias", com Cliff Richard e os Shadows, teve uma publicidade bastante agressiva a partir do dia 07 de Abril de 1964.
De 12 a 19 de Abril, os Electrónicos fizeram um total de 18 espectáculos, chegando a fazer 4 num dia só, em dois dias seguidos. No dia 17, ainda deram autógrafos na boîte "Casa Londrina", segundo os dados recolhidos por Ângelo Moura.
Entretanto, um pouco à semelhança do que se tinha passado no cinema Roma, em Lisboa, realizou-se também no Funchal e por iniciativa dos Electrónicos o Concurso "Caravana em Férias", cujo primeiro prémio era a deslocação a Lisboa.
A 1ª eliminatória realizou-se no dia 15 de Abril com os Incríveis e os Demónios Negros, a 2ª no dia 16 com os Gatos Mansos e Alberto Freitas e a 3ª no dia 17 com o Conjunto Académico João Paulo e os Dinâmicos.
A finalíssima realizou-se no dia 19 de Abril de 1964 - e esta é que é a data relevante - tendo o Conjunto Académico João Paulo saído vencedor (e ganho a viagem a Lisboa) no confronto com os Demónios Negros e os Incríveis.
Colaboração de Ângelo Moura, do Conjunto Académico João Paulo
O concurso foi organizado com a participação dos Electrónicos, de Algés, que foram o júri.
Ângelo Moura descobriu que a digressão dos Electrónicos pela ilha da Madeira, acompanhando a exibição do filme "Mocidade em Férias", com Cliff Richard e os Shadows, teve uma publicidade bastante agressiva a partir do dia 07 de Abril de 1964.
De 12 a 19 de Abril, os Electrónicos fizeram um total de 18 espectáculos, chegando a fazer 4 num dia só, em dois dias seguidos. No dia 17, ainda deram autógrafos na boîte "Casa Londrina", segundo os dados recolhidos por Ângelo Moura.
Entretanto, um pouco à semelhança do que se tinha passado no cinema Roma, em Lisboa, realizou-se também no Funchal e por iniciativa dos Electrónicos o Concurso "Caravana em Férias", cujo primeiro prémio era a deslocação a Lisboa.
A 1ª eliminatória realizou-se no dia 15 de Abril com os Incríveis e os Demónios Negros, a 2ª no dia 16 com os Gatos Mansos e Alberto Freitas e a 3ª no dia 17 com o Conjunto Académico João Paulo e os Dinâmicos.
A finalíssima realizou-se no dia 19 de Abril de 1964 - e esta é que é a data relevante - tendo o Conjunto Académico João Paulo saído vencedor (e ganho a viagem a Lisboa) no confronto com os Demónios Negros e os Incríveis.
Colaboração de Ângelo Moura, do Conjunto Académico João Paulo
quinta-feira, 21 de janeiro de 2010
ELECTRÓNICOS NO BARREIRO
Esta foto dos Electrónicos foi tirada no Barreiro, antes da exibição do filme "Mocidade Em Férias".
A loira que se vê na imagem era a locutora de serviço e, simultaneamente, amiga do Fernando Conde.
Nesta altura ainda estávamos com o Fernando Conde, mas foi por pouco tempo.
Foi uma loucura! Os espectadores saltavam para o palco para dançar o twist e o GNR de serviço lá ia ao palco tirá-los, mas os tipos voltavam novamente.
Todo o espectáculo era assim e eu, com receio de ser pisado, saltava para cima do amplificador e nunca mais de lá saía.
Foi assim durante toda a digressão de quase dois anos!
Recordações de Victor Queiroz (Carocha), dos Electrónicos
A loira que se vê na imagem era a locutora de serviço e, simultaneamente, amiga do Fernando Conde.
Nesta altura ainda estávamos com o Fernando Conde, mas foi por pouco tempo.
Foi uma loucura! Os espectadores saltavam para o palco para dançar o twist e o GNR de serviço lá ia ao palco tirá-los, mas os tipos voltavam novamente.
Todo o espectáculo era assim e eu, com receio de ser pisado, saltava para cima do amplificador e nunca mais de lá saía.
Foi assim durante toda a digressão de quase dois anos!
Recordações de Victor Queiroz (Carocha), dos Electrónicos
quarta-feira, 20 de janeiro de 2010
ELECTRÓNICOS EM ELVAS (62/63)
da esquerda para a direita: Faraó (Mário Covas) (baterista), António Montenegro (baixo), Carocha (Victor Queiroz) (ritmo)) e João Robalo (solo)Em Elvas, nada se passou; tudo muito cinzento, gente com fome, trabalho de sol-a-sol.
Que pena eu tive daquela gente! Maldito Salazar!
Teatro muito bonito.
Recordações de Carocha, dos Electrónicos
quinta-feira, 14 de janeiro de 2010
OS ELECTRÓNICOS

(da esquerda para a direita: Faraó (Mário Covas) (baterista), António Montenegro (baixo), João Robalo (solo) e Carocha (Victor Queiroz) (ritmo))
Os Electrónicos foram uma das primeiras bandas ié-ié portuguesas, tipo Shadows, mas nunca chegaram ao gozo de gravar um disco. Tiveram no entanto outro tipo de gozos.
Formaram-se em Algés, em finais de 1961, princípios de 1962, das cinzas dos Celtas, banda escolar da Francisco Arruda, com Carocha (Victor Queiroz) (viola-ritmo) e João Robalo (viola-solo), a que se viriam a juntar António Montenegro (viola-baixo) e Faraó (Mário Covas) na bateria.
Não tiveram outra formação.
Os Celtas viriam a designar-se Electrónicos logo a seguir ao "Passatempo Para Jovens", no cinema Restelo, em Lisboa, programa que lançou também os Conchas, Alex, os Dois Rapazes, entre outros.
"Tinha então uns 14, 15 anos", lembra agora Victor Queiroz, 62 anos, reformado, designer de interiores.
"Tocávamos as músicas dos Shadows, como o "FBI", o "Apache", etc".
"Foi por essa altura que o Fernando Conde nos descobriu, já não me lembro como, e como o Pai dele, Arlindo Conde, era do métier, lançou-nos no "Passatempo PAC", no Eden, aos domingos de manhã, onde também passou, por exemplo, o Zeca do Rock.
"Nessa altura gravámos com Moreno Pinto um anúncio para a "Rajá" que nos perseguiu durante muito tempo".
Fernando Conde e os seus Electrónicos - como passaram a designar-se - participaram depois, em finais de 1963, no primeiro festival de ritmos modernos jamais realizados em Portugal: o Concurso Rei do Twist, organizado por Vasco Morgado no Teatro Monumental, em Lisboa.
A final realizou-se no dia 07 de Setembro de 1963, tendo saído vencedor Victor Gomes e os Gatos Negros.
Uma semana depois, a 13 de Setembro, Fernando Conde e os seus Electrónicos voltam a juntar-se em palco, desta feita no cinema Roma, para a estreia do filme "Mocidade Em Férias", com Cliff Richard e os Shadows.
E aqui começa a fase mais fulgurante da carreira dos Electrónicos.
"Fernando Correia Ribeiro, pai da Helena Isabel que foi casada com o Paulo de Carvalho, e o primo Elísio tinham uma distribuidora cinematográfica, Rivus, e tiveram então a ideia de organizar um concurso de bandas tipo Shadows para promover o filme.
"Fomos ao concurso, mas fomos injustamente eliminados. Levámos "Nivram", dos Shadows, que era extremamente difícil de tocar e que ninguém ousava fazê-lo. Fomos os primeiros a fazê-lo.
"Nesta altura, já eramos só Fernando Conde e os Electrónicos. Já não éramos Fernando Conde e os seus Electrónicos, dávamos o primeiro sinal de autonomia, sem o sentido de posse que os "seus" deixava antever.
O Concurso viria a ser ganho na final do dia 04 de Outubro de 1963, pelo Conjunto Mistério que, a propósito, voltou a reunir-se e encontra-se actualmente a gravar.
Após o Concurso, os Electrónicos viriam a separar-se definitivamente de Fernando Conde e, a convite da Rivus, percorreram o País de lés-a-lés, acompanhando as exibições da película de Cliff e dos Shadows.
"Foi extenuante. Uma digressão de dois anos... Tínhamos uma van branca onde íamos escrevendo a vermelho o nome das terras por onde passávamos. Ficou coberta a carrinha.
"Durante a digressão da "Mocidade Em Férias", fomos em Maio de 1964 à Madeira no paquete "Funchal". Ficámos instalados no Golden Gate, que já não existe, e logo no primeiro dia tivémos de dar 3 espectáculos! Tocávamos na boîte do hotel, com o Trio Odemira, e também no Cine-Municipal.
"Mas antes de embarcarmos para o Funchal gravámos à pressa na Rádio Renascença, com o Moreno Pinto, um instrumental sensaborão composto por mim e pelo Robalo a que, com falta de imaginação, demos o título de "Canção Sem Nome". E foi já na Madeira que soubémos que a canção tinha chegado ao primeiro lugar da "23ª Hora".
"Com a experiência do Concurso no Roma, tivémos a ideia de fazer no Funchal, juntamente com o empresário João Firmino Caldeira, um concurso semelhante com os conjuntos locais.
"Foi aí que descobrimos e demos a conhecer em Abril de 1964 o Conjunto Académico João Paulo e também os Demónios Negros, de Luís Jardim".
De regresso ao Continente, em finais de 1964, Vasco Morgado organizou no Teatro Monumental uma "Festa de Consagração aos Electrónicos", que teve a participação de Daniel Bacelar, Victor Gomes e do Conjunto Académico João Paulo.
"No princípio de 1965, saí dos Electrónicos. Saí para descansar. Estava exausto depois de dois anos de digressão, só indo a casa de seis em seis meses. Fiquei pelos cabelos", lembra Victor Queiroz que voltou a encontrar-se agora com Fernando Conde "para umas gravações".
Colaboração de Luís Pinheiro de Almeida
Os Electrónicos foram uma das primeiras bandas ié-ié portuguesas, tipo Shadows, mas nunca chegaram ao gozo de gravar um disco. Tiveram no entanto outro tipo de gozos.
Formaram-se em Algés, em finais de 1961, princípios de 1962, das cinzas dos Celtas, banda escolar da Francisco Arruda, com Carocha (Victor Queiroz) (viola-ritmo) e João Robalo (viola-solo), a que se viriam a juntar António Montenegro (viola-baixo) e Faraó (Mário Covas) na bateria.
Não tiveram outra formação.
Os Celtas viriam a designar-se Electrónicos logo a seguir ao "Passatempo Para Jovens", no cinema Restelo, em Lisboa, programa que lançou também os Conchas, Alex, os Dois Rapazes, entre outros.
"Tinha então uns 14, 15 anos", lembra agora Victor Queiroz, 62 anos, reformado, designer de interiores.
"Tocávamos as músicas dos Shadows, como o "FBI", o "Apache", etc".
"Foi por essa altura que o Fernando Conde nos descobriu, já não me lembro como, e como o Pai dele, Arlindo Conde, era do métier, lançou-nos no "Passatempo PAC", no Eden, aos domingos de manhã, onde também passou, por exemplo, o Zeca do Rock.
"Nessa altura gravámos com Moreno Pinto um anúncio para a "Rajá" que nos perseguiu durante muito tempo".
Fernando Conde e os seus Electrónicos - como passaram a designar-se - participaram depois, em finais de 1963, no primeiro festival de ritmos modernos jamais realizados em Portugal: o Concurso Rei do Twist, organizado por Vasco Morgado no Teatro Monumental, em Lisboa.
A final realizou-se no dia 07 de Setembro de 1963, tendo saído vencedor Victor Gomes e os Gatos Negros.
Uma semana depois, a 13 de Setembro, Fernando Conde e os seus Electrónicos voltam a juntar-se em palco, desta feita no cinema Roma, para a estreia do filme "Mocidade Em Férias", com Cliff Richard e os Shadows.
E aqui começa a fase mais fulgurante da carreira dos Electrónicos.
"Fernando Correia Ribeiro, pai da Helena Isabel que foi casada com o Paulo de Carvalho, e o primo Elísio tinham uma distribuidora cinematográfica, Rivus, e tiveram então a ideia de organizar um concurso de bandas tipo Shadows para promover o filme.
"Fomos ao concurso, mas fomos injustamente eliminados. Levámos "Nivram", dos Shadows, que era extremamente difícil de tocar e que ninguém ousava fazê-lo. Fomos os primeiros a fazê-lo.
"Nesta altura, já eramos só Fernando Conde e os Electrónicos. Já não éramos Fernando Conde e os seus Electrónicos, dávamos o primeiro sinal de autonomia, sem o sentido de posse que os "seus" deixava antever.
O Concurso viria a ser ganho na final do dia 04 de Outubro de 1963, pelo Conjunto Mistério que, a propósito, voltou a reunir-se e encontra-se actualmente a gravar.
Após o Concurso, os Electrónicos viriam a separar-se definitivamente de Fernando Conde e, a convite da Rivus, percorreram o País de lés-a-lés, acompanhando as exibições da película de Cliff e dos Shadows.
"Foi extenuante. Uma digressão de dois anos... Tínhamos uma van branca onde íamos escrevendo a vermelho o nome das terras por onde passávamos. Ficou coberta a carrinha.
"Durante a digressão da "Mocidade Em Férias", fomos em Maio de 1964 à Madeira no paquete "Funchal". Ficámos instalados no Golden Gate, que já não existe, e logo no primeiro dia tivémos de dar 3 espectáculos! Tocávamos na boîte do hotel, com o Trio Odemira, e também no Cine-Municipal.
"Mas antes de embarcarmos para o Funchal gravámos à pressa na Rádio Renascença, com o Moreno Pinto, um instrumental sensaborão composto por mim e pelo Robalo a que, com falta de imaginação, demos o título de "Canção Sem Nome". E foi já na Madeira que soubémos que a canção tinha chegado ao primeiro lugar da "23ª Hora".
"Com a experiência do Concurso no Roma, tivémos a ideia de fazer no Funchal, juntamente com o empresário João Firmino Caldeira, um concurso semelhante com os conjuntos locais.
"Foi aí que descobrimos e demos a conhecer em Abril de 1964 o Conjunto Académico João Paulo e também os Demónios Negros, de Luís Jardim".
De regresso ao Continente, em finais de 1964, Vasco Morgado organizou no Teatro Monumental uma "Festa de Consagração aos Electrónicos", que teve a participação de Daniel Bacelar, Victor Gomes e do Conjunto Académico João Paulo.
"No princípio de 1965, saí dos Electrónicos. Saí para descansar. Estava exausto depois de dois anos de digressão, só indo a casa de seis em seis meses. Fiquei pelos cabelos", lembra Victor Queiroz que voltou a encontrar-se agora com Fernando Conde "para umas gravações".
Colaboração de Luís Pinheiro de Almeida
terça-feira, 19 de agosto de 2008
ELECTRÓNICOS DESCOBREM JOÃO PAULO

Numa feliz digressão, coroada do maior êxito, os Electrónicos (na imagem) apresentaram-se no Funchal, despertando o mais vivo entusiasmo, a tal ponto que logo no dia da estreia foram forçados a realizar três espectáculos, quando o que estava previsto era uma exibição.
São autênticos mensageiros de ritmos vivos, novos e como tal foram recebidos por jovens e velhos, todos unânimes num acolhimento festivo, simpático, até apoteótico.
Tiveram os Electrónicos a feliz iniciativa de, com o apoio do empresário local João Firmino Caldeira, organizarem um Concurso entre os diversos conjuntos musicais de amadores locais, o que despertou o mais vivo entusiasmo.
Os componentes inscreveram-se, desde logo, e o público acompanhou com simpatia as eliminatórias, até à final, no dia 19 de Abril de 1964, cuja ordem é a seguinte: 1º Conjunto Académico João Paulo; 2º Demónios Negros; 3º Os Incríveis.
O 1º prémio, conforme ficou estabelecido, é uma viagem a Lisboa, com exibição para o público lisboeta.
O conjunto musical escolhido tem, na verdade, excepcional valor, devendo dar-se relevo à bela voz do jovem estudante Sérgio Borges - de grande frescura, harmonia e expressão.
A deslocação do Conjunto Académico João Paulo à capital está fixada para Setembro próximo.
(in Plateia, 10 de Maio de 1964, pág. 60)
quinta-feira, 21 de fevereiro de 2008
MOCIDADE EM FÉRIAS

"Mocidade em Férias", de Peter Yates, com Cliff e os Shadows, Lauri Peters e outros, estreou-se no cinema Roma, em Lisboa, no dia 13 de Setembro de 1963, dando origem ao Concurso tipo Shadows, de que já aqui falei.
Na noite de estreia actuaram no palco do Roma Victor Gomes e os Gatos Negros, Nelo do Twist e o seu conjunto e Fernando Conde e os Electrónicos.
Interessante era o aviso nos cartazes e nos anúncios: "rigorosamente suspensas as entradas de favor nas sessões da noite". Ah, ah, ah!
Na noite de estreia actuaram no palco do Roma Victor Gomes e os Gatos Negros, Nelo do Twist e o seu conjunto e Fernando Conde e os Electrónicos.
Interessante era o aviso nos cartazes e nos anúncios: "rigorosamente suspensas as entradas de favor nas sessões da noite". Ah, ah, ah!
quinta-feira, 4 de outubro de 2007
CONCURSO TIPO THE SHADOWS
Em Setembro de 1963, o cinema Roma, de Lisboa, para promover o filme "Mocidade em Férias", com Cliff Richard e os Shadows, resolveu organizar um concurso de bandas a que deu o (agora) engraçado título Conjuntos Portugueses do tipo do "The Shadows".Não me lembro desta tradição noutros países, mas em Portugal, na década de 60, houve milhares de concursos ié-ié. Não havia cidade que não tivesse o seu.
Mas do meu ponto de vista, só houve três grandes concursos: Rei do Twist (1963), este de que vos falo agora, e o mui famoso Concurso Ié-Ié, em 1965/1966, de que vos falarei noutra ocasião.
Para o sensacional concurso do cinema Roma, inscreveram-se 22 conjuntos portugueses: Victor Gomes e os seus Gatos Negros, Nelo do Twist e seus Diabos, Electrónicos, Jets, Telstars, Eddye Gonzalez e os seus Ekos, Les Fanatics, Vendavais, Tigres, 3 Jotas (de Torres Novas), Titãs, Daniel Bacelar e os Gentlemen, S.O.S., Lisboa À Noite, Nova Onda, Sanremo 172, Napolitano, Panteras do Diabo, Jovens do Ritmo, Mascarilhas, Juventude Dinâmica e Condores.
Rezava assim o anúncio publicado na Imprensa:
"O cinema Roma convida-os (aos conjuntos) a comparecerem na sua sala nos próximos dias 6 e 7, das 10 às 12,45 e das 18,30 às 20 horas, a fim de serem ouvidos, para que se possa fazer uma selecção prévia, e combinar o plano da sua actuação a partir da estreia do filme "MOCIDADE EM FÉRIAS", que está prevista para sexta-feira, 13 de Setembro.
Nesta reunião privada não se exigem os trajos com que aparecerão perante o público. Apenas se tornam indispensáveis os instrumentos de música e respectivos aparelhos de amplificação.
Mais uma vez se lembra que o Conjunto eleito pelo voto do espectador terá direito, graças aos Estabelecimentos Valentim de Carvalho, a uma face de um disco comercial e o Conjunto escolhido pelo Júri a um disco comercial (2 faces) e ainda à apresentação pessoal aos Shadows, em Londres, para onde serão transportados em aviões dos TAP-BEA.
O cinema Roma agradece, desde já, a todos o entusiasmo com que acolheram esta iniciativa.
O júri era constituído por Maria João Aguiar, António Miguel, Luís Villas-Boas, João Nobre, Paulo de Medeiros, Hugo Ribeiro, Posal Domingues, Mello Pereira, A. Leite Rosa e José Gomes.
Com apresentação de Fernando Pessa, as actuações decorreram de 16 a 29 de Setembro, tendo o júri deliberado convocar para a finalíssima, no dia 04 de Outubro, os Panteras do Diabo, Nelo do Twist e seus Diabos, Titãs, Daniel Bacelar e os Gentlemen e Fernando Concha e o Conjunto Mistério.
Não percebo como aparecem citados Fernando Concha e o Conjunto Mistério se não estavam referidos no anúncio inicial de qualificação do Concurso. Um assunto a investigar.
No comunicado da decisão, o júri avisa que "considerando que a apreciação dos Conjuntos por princípio teria de ser fundamentalmente do tipo do "The Shadows", não julgou a actuação dos vocalistas (embora alguns bastante se tivessem distinguido)".
A final realizou-se no dia 04 de Outubro e o júri deliberou por unanimidade declarar vencedor do Concurso o "Conjunto Mistério de Fernando Concha".
O júri considerou também que "constituiu um êxito invulgar, tanto para o Cinema Roma como para o público, a presença de tão elevado número de Conjuntos, na maioria formados por jovens executantes e de alguns elementos que muito se distinguiram".
O grupo mais votado pelo público foi Victor Gomes e os seus Gatos Negros.
No dia 07 de Outubro, o Diário Popular, pela pena de Paulo de Medeiros, simultaneamente escriba e membro do júri do Concurso, publica a crónica que se segue:
Perante uma enorme multidão, na sua essência constituída por jovens apaniguados do azougado ritmo dos nossos dias - o twist - terminou na passada sexta-feira no Cinema Roma o certame que a Gerência daquela sala empreendeu no sentido de escolher um agrupamento que maiores afinidades apresentasse com os celebrados Shadows.
Depois da exibição de todos os grupos inscritos, o júri seleccionou cinco conjuntos que dirimiam forças na final e que na realidade se afiguraram os mais apetrechados para discutir a primeira posição. Foram eles Os Diabos, de Nelo, Titãs, Conjunto Mistério, de Fernando Concha, Panteras do Diabo e os Gentlemen, de Daniel Bacelar.
Após as respectivas audições, saiu vencedor, como se previa - e por mérito próprio - o agrupamento Mistério, dirigido pelo conceituado Fernando Concha. Com efeito, o popular conjunto caprichou em ofertar-nos um variado e homogéneo sortilégio melódico para todos os paladares.
Sem dúvida que para o êxito obtido em muito contribuiu a escolha das engendradas composções onde o quarteto desenvolveu a sua classe proverbial, pois empregou uma orquestração assaz rica e utilizou-a em todas as tonalidades, sem perder qualquer das suas outras facetas quer no aspecto inventivo, frescura melódica e sentido rítmico.
Apresentação sóbria, como é apanágio, de Fernando Pessa.
Estão pois de parabéns o público, o conjunto galardoado, Portal da Costa, idealizador do certame que com tanto brilho decorreu e o júri pela uniformidade e certeza de critério com que deliberou.
No dia 12 de Outubro, a revista Rádio & Televisão deu a capa ao Conjunto Mistério e no interior escreveu:
No palco do Cinema Roma estiveram vários conjuntos jovens num concurso destinado a eleger o que mais se identificasse com os famosos Shadows. Ganharam justamente Fernando Concha e o seu Conjunto Mistério. E revelaram-se outros grupos que poderão ficar como valiosos intérpretes de música moderna.
Além deste factor, a iniciativa teve outra particularidade agradável: não houve êxtase de jovens contagiados na plateia, não houve distúrbios na sala.
Provou-se que os ritmos modernos podem ter o seu lugar em Lisboa sem os alarmanetes exageros de juventude que têm preocupado outras capitais e que ainda recentemente foram nota pouco tranquilizadora numa sala lisboeta.
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