sexta-feira, 24 de novembro de 2017

FIFTIES


TRAX - Boomer 108

Estas colectâneas eram um mimo (e de preço barato) e a capa significativa.

No seu conteúdo estão nomes como Eddie Cochran, Everly Brothers, Gene Vincent, Larry Williams, Wilbert Harrison, Duane Eddy...

MARQUEE


POLYDOR - MQTV 1 - 1989

O Marquee foi uma das mais famosas salas de espectáculo londrinas, mas o facto de este duplo LP se chamar "The Marquee 30 Legendary Years" não significa necessariamente ser preenchido por gravações ao vivo no clube.

De todo!

São gravações de artistas que alguma vez passaram pelo palco, como U2, Dire Straits, Status Quo, Thin Lizzy, Queen, Elton John, Cat Stevens, etc, etc

THE IMMEDIATE SINGLES COLLECTION


CASTLE COMMUNICATIONS - CCSLP 102 - 1985

A Immediate era uma das mais simpáticas editoras independentes dos anos 60, casa de muitas estrelas como Rod Stewart, Nico, Fleetwood Mac, Nice, Amen Corner, Small Faces, Twice As Much, Humble Pie...

quinta-feira, 23 de novembro de 2017

AMERICAN GRAFFITI MORE


MCA - MCLD 618 - 1975

AMERICAN GRAFFITI 03


MCA - 8008 - edição norte-americana (1976)

Voltou o bom gosto das capas!

Ver aqui informações sobre o filme.

AMERICAN GRAFFITI 02


MCA - 11006 - edição espanhola (1979)

Esta capa foi ao lado!

Além do mais, este segundo volume tem a data de 1979, enquanto o primeiro tem de 1987... Não se compreende!

AMERICAN GRAFFITI 01


MCA - 250427-1 - edição espanhola (1987)

À época, o filme e as bandas sonoras fizeram as delícias dos amantes da música dos anos 50.

quarta-feira, 22 de novembro de 2017

BORN TO KILL


WB - 925613-1 - 1987

Não me lembro do filme e a banda sonora é banal, mas esta capa é fantástica!

SMITHS BY GIN-TONIC


ROUGH TRADE RECORDS - TM/RT 61

Face A

Reel Around The Fountain – You’ve Got Everything Now – Miserable Lie – Pretty Girls Make Graves – The Hand That Rocks The Cradle

Face B

Still Ill – Hand In Glove – What Difference Does It Make? I Don’t Owe You Anything – Suffer Little Children

Sabe-se que a ignorância tem o seu quê de atrevido.

Baseado no chavão, traz aqui um disco com uma história agarrada.

O disco encontrou-o no meio da muita tralha que por aqui jaz.

Voltas à cabeça, como é que aparece este disco quando ele, para além do conhecimento do nome, sem qualquer dose de exagero, dirá que nunca ouviu uma canção dos ditos e que a Wikipédia, num flash de 0,58 segundos, lhe deu 10.600.000 resultados e avisa que, segundo os críticos se trata da mais importante banda de rock alternativo a surgir nos anos 80.

Destes rapazes, lembra uma história que, em noite de flutes de espumante adiantada, Luís Mira lhe contou.

Mira, na primeira metade desses anos 80, tirava o curso de Sociologia no ISCTE.

Na cadeira de Sociologia Política, tinha, como assistente, Miguel Esteves Cardoso (credo! - nota do editor).

Certa noite, a meio de uma aula, tinha o disco acabado de sair, o MEC virou-se para a turma, e, com a mesma leviandade com que, no «Fugas» do «Público» dá receitas de cocktails, disse:

Deitem fora toda a vossa discoteca e fiquem apenas com The Smiths.

Por músicas, não lancem qualquer tipo de desafio ao Mira, que ele aceita num abrir e fechar de olhos.

Comprou o disco.

Não precisou de muito tempo para achar a coisa simplesmente horrorosa, e despachou-a.

Lembra a história, mas sem qualquer ideia de o Mira lhe ter passado a bola.

Investigação agora feita, soube que o Mira dera o disco não a ele, mas ao filho.

Quando o rapaz saiu da casa paterna, entre outras coisas também deixou o disco dos Smiths: este!

À memória desvalida, salta-lhe o que, em medíocre apresentação, disse ao dono do Kioske: que era mais de livros do que de músicas e estas lhe iam de Vivaldi ao Conjunto da Maria Albertina.

Os Smiths não moravam nesse comprimento de gostos.

Para que conste!

Texto de Gin-Tonic

Nota do editor:
nem tanto ao mar (MEC), nem tanto à terra (Mira).

terça-feira, 21 de novembro de 2017

PORTUGAL DELUXE 3


EDIÇÕES VALENTIM DE CARVALHO - 0580-2 - 2017

Conceito e alinhamento de Pedro Tenreiro.

Podia ser mais diversificada, colectânea preguiçosa.

Com excepção de duas canções, é tudo do catálogo da Valentim de Carvalho: fica mais barato e mais simples de fazer!

Em todo o caso, "canções sem garra", a fazer jus ao lema "modernidade longínqua".

THE BEATLES ON RECORD


"Love Me Do To Love Me Don't", Spencer Leigh, McNidder Grace, 2016, 340 págs, 14 £.

GEORGE MARTIN


AR PIAS - ARCD008 - 2017

Meio-barrete, já que não se trata de uma orquestra dirigida por George Martin, mas sim de composições do produtor dos Beatles executadas por outrém, como, por exemplo, a banda sonora de "Yellow Submarine", "Live And Let Die" e "The Mission".

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

GAL CANTA CAYMMI


PHILIPS - 6349 195

Lado 1

Vatapá – Festa de Rua – Nem Eu – Pescaria – O Vento – Modinha para Gabriela

Lado 2

Rainha do Mar – Só Louco – São Salvador – Peguei um “Ita “ no Norte – Dois de Fevereiro – Oração da Mãe Menininha

Não consideraria fechada a evocação de Dorival Caymmi, se não fosse buscar este LP de Gal Costa, maravilhosa Gal!, e, agora, batuca as teclas do computador – saudades de escrever em ardósia!... – com o mesmo ar esperançoso de um colegial ao redigir a sua primeira declaração de amor.

A última faixa do LP é «Oração de Mãe Menininha», em que Gal faz dueto com Maria Bethânia, e ele lança-lhes o desafio para irem ao You Tube e puxarem por

 https://www.youtube.com/watch?v=6UZP5b99ir4

Encontrarão uma soberba «Oração de Mãe Menininha» por Gal e Bethânia, tirada de um show de homenagem a Dorival Caymmi transmitido pela TV Manchete.

Arrepiante.

Pena, que o vídeo-clip termine de maneira abrupta, mas o que se ouve já dá para quebrar, requebrar, mexer e remexer.

Há quem diga que Cristo nasceu na Baía.

Quem é ele para dizer o contrário!

Texto de Gin-Tonic

ONDE ESTAVAS TU?


MUSIC FOR PLEASURE - MFP41 5707 1 - 1985

Agora tido como pedófilo, embora já falecido, Jimmy Saville foi uma figura importante na cena musical britânica.

Neste LP, por exemplo, estão preciosidades como "Kites" (Simon Dupree), "With A Little Help From My Friends" (Young Idea), "Let's Go To San Francisco" (Flowerpot Men), "It Must Be Him" (Vikki Carr), "Excerpt From A Teenage Opera" (Keith West), "I've Been A Bad, Bad Boy" (Paul Jones), "A Whiter Shade Of Pale" (Procol Harum), "Edelweiss" (Vince Hill), "Thank U Very Much" (Scaffold).

Baptista Bastos e os seus apaniguados têm a mania de que foi ele quem inventou a frase "onde estavas tu?".

Mentira! Mentira!

A frase é antiga, oriunda, presumo, do Chile dos tempos de Allende.

Mesmo que não seja - o que duvido - os ingleses já a usavam na primeira metade da década de 80, como neste disco, onde se perguntava where were you when Flowerpot Men said "let's go to san francisco and Procol Harum turned "a whiter shade of pale".

Mais um mito que vai ao chão!

Já agora, duvida-se que Baptista Bastos alguma vez tenha entrevistado Paul McCartney, já que não falava inglês.

OS FILHOS DE CAYMMI


ODEON - 064 82356

Lado 1

Oração de Mãe Menininha – Peguei um “Ita” no Norte – Marina – Rosa Morena – O Que É Que A Baiana Tem – Promessa de Pescador

Lado 2

Maracangalha – Saudade da Bahia – Só Louco – Dora – Vestido de Bolero – Não Tem Solução


Quando era miúdo, a telefonia estava aberta de manhã à noite.

Era um «Pilot».

«Diga Pilot ou Pailot, o que importa é o som que de lá sai.»

Como raio a música não havia de lhe entrar pelos sentidos?

Mais tarde, o pai comprou um «pick-up».

Os discos eram de 78 rpm e a pena que ele tem que se tivessem partido – outros foram fanados!

Particularmente lembra-se das músicas brasileiras, Luiz Gonzaga, o Rei do Baião, a cantar «Asa Branca», uma canção tocada e retocada «O Sanfoneiro Só Tocava Isso», muitas mais e… Dorival Caymmi.

Dessas músicas haveria, mais tarde, comprar LPs que lhe trouxeram esse sons da infância e adolescência.

Caetano Veloso tem uma feliz expressão quando menciona que, naquele pedaço abaixo do Equador, todos são filhos de Caymmi.

Reparem, acima, no naipe de canções.

São todas canções que lhe ficaram agarradas como sarna.

Eu vou prá Maracangalha, eu vou, vou de liforma branco, de chapéu de palha, eu vou, Marina, morena, você se pintou, você faça tudo, mas faça um favor, não pinte esse rosto que eu gosto e que é só meu, Ai,que saudade eu tenho da Bahia, ai se eu escutasse o que mamãe dizia, - allô, allô Carmen Miranda! - e esse extraordinário «Vestido de Bolero»:


Um casaco bordô
Um vestido de veludo
Pra você usar
Um vestido de bolero
Lero, lero, lero
Já mandei comprar
Se o casaco for vermelho
Todo mundo vai usar
Saia verde, azul e branco
Todo mundo vai usar
Apesar dessa mistura
Todo mundo vai gostar
É que debaixo do bolero
Lero, lero, lero
Tem você yayá


Se nunca ouviram, passem um tempinho no You Tube, chamem as canções e perceberão o porquê de Caetano a todos chamar filhos de Caymmi.

Texto de Gin-Tonic

domingo, 19 de novembro de 2017

MORREU CHARLES MANSON


Charles Manson morreu hoje com 83 anos de causas naturais..

Cumpria sentença de prisão perpétua.

Tinha 35 anos quando cometeu a "chacina de Tate", embora não tivesse sido o assassino directo da actriz Sharon Tate.

THE SECRET POLICEMAN'S THIRD BALL


VIRGIN - V2458 - 1987

Álbum ao vivo de solidariedade a favor da Amnistia Internacional com uma versão de "Imagine" (John Lennon) por Mark Knopfler e Chet Atkins e uma interpretação de "Biko" por Peter Gabriel com Lou Reed, Youssou N'Dour, Habib Faye, Rick Bell e Papa Oumar N'Gom.

VERSÕES EM BANDA SONORA


ATLANTIC - 781 767-1 - 1987

O interessante desta banda sonora (digo eu!) é a versão de "People Are Strange" (dos Doors) pelos Echo and the Bunnymen e de "Don't Let The Sun Go Down On Me" (de Elton John) por Roger Daltrey (dos Who).

E O NATAL JÁ AQUI TÃO PERTO...


E O NATAL TÃO PERTO...


sábado, 18 de novembro de 2017

HEROES AND VILLAINS


VICTORIA - 22L0567 - edição espanhola (1983)

Concerto comemorativo do 15º aniversário da BBC Radio One realizado no dia 21 de Setembro de 1982 no Odeon, Hammersmith, em Londres.

Entre outros, participaram no concerto Dave Berry ("Little Things"), Rockin' Berries ("He's In Town"), Merseybeats (Sorrow"), Nashville Teens ("Tobacco Road"), Chris Farlowe ("Out Of Time"), Chris Andrews ("Yesterday Man"), Wayne Fontana ("The Game Of Love"), Troggs ("Wild Thing") e Dave Dee, Dozy, Beaky, Mick and Tich ("Legend Of Xanadu").

20 GOLDEN NUMBER ONES


MFP - 50491 - 1980

Magnífica colectânea com originais como "Nut Rocker" (B. Bumble and the Stingers), "Bad To Me" (Billy J. Kramer and the Dakotas), "Poor Me" (Adam Faith), "Johnny Remember Me" (John Leyton), "Kon Tiki" (Shadows), "January" (Pilot), "See My Baby Jive" (Wizard), "I'll Never Find Another You" (Seekers), "You'll Never Walk Alone" (Gerry and the Pacemakers), "World Without Love" (Peter and Gordon) e "Lily The Pink" (Scaffold).

E só por £2,49.

E O NATAL AQUI TÃO PERTO


sexta-feira, 17 de novembro de 2017

THE LIVERPOOL SOUND


COLUMBIA - 1C 148-05 225 M - edição alemã

Inclui Manfred Mann, Johnny Kid and the Pirates, Swinging Blue Jeans, Georgie Fame, Gerry and the Pacemakers, Billy J. Kramer and the Dakotas, Peter & Gordon e Freddie and the Dreamers.

VOU DAR DE BEBER À DOR


Gosta de capas de discos.

Servem-lhe para contar histórias, as suas e as de outros.

Sabe que o dono do kioske não gosta de fado, mas por uma história que leu, teve de ir desenterrar esta capa, que já por aqui passou, mas, agora a história é outra.

Foi naquele cinzento tempo, em que decorreu a convalescença de António de Oliveira Salazar, depois de, num abençoado dia de sol de Agosto, presente o calista Hilário, corria o ano de 1968, se ter mandado para cima de uma cadeira de lona, ter batido com a cabeça nas pedras da esplanada do Forte de Santo António, no Estoril, , enquanto, mansamente, as águas do Tejo se dirigiam para a foz.

Manuel Marques, barbeiro de Salazar: tinha a mania de se sentar atirando-se para cima das cadeiras, opinião corroborada por gente próxima e por diversos médicos, que explicam que, aos 79 anos, e com uma vida sedentária como era a sua, por falta de musculatura nas pernas, teria tendência de se sentar num movimento de quem se deixa cair.

A queda obrigou, dias depois, a uma complicada intervenção cirúrgica e, dadas incapacidades várias, que houvesse a necessidade de o substituir na chefia do governo por Marcelo Caetano, para infernal desespero dos ultras do regime.

Augusto Abelaira no seu livro "A Cidade das Flores", publicado em 1969:

Quando morrer, comem-se uns aos outros, pai. Ele não tem um único discípulo de categoria, nem sequer soube criar discípulos com uma certa inteligência. Salvo um, talvez, mas ninguém no partido gosta dele. E seria ainda pior para nós, é mais esperto. Manteria o fascismo, mas disfarçando-o…

Salazar veio a morrer a 28 de Julho de 1970.

Os dias que mediaram entre a queda e a morte, são de pura farsa trágica.

Entre outros episódios, «deu» uma entrevista ao jornal parisiense "L’Aurore" em que se mostrava convencido de que continuava a ser presidente do conselho, um grupo de devotas senhoras, que diariamente acudiam ao Hospital da Cruz Vermelha, tentaram arrancar dos médicos uma autorização para levarem Salazar a Fátima, nas eleições de 1969, dentro de um carro, rodeado por Dona Maria e uma enfermeira, depositou o seu voto na urna que, expressamente, fôra levada à presença de sua excelência.

Bom, agora história que aqui o trouxe, - já não era sem tempo! -  tirada de "Música, Minha Companheira Desde Os Ouvidos da Infância", de José Gomes Ferreira:

O João José Cochofel resolveu, há dias, ir ao Valentim de Carvalho, comprar as Flores da Música. E quem havia ele de encontrar lá? O Bissaia Barreto que o João conhece desde criança. Estava a comprar discos da Amália Rodrigues. Fadinhos. Dar de beber à dor.

Ficou um pouco atarantado e desculpou-se:

Estou a escolher discos para um doentinho.

O João José supôs logo que seriam para o Salazar, mas disfarçou:

É para algum doente seu em Coimbra, não?

O Bibi decidiu então pôr as cartas na mesa. E abriu-se todo:

- Tu bem sabes para quem são. São para “ele”.

 Mas não resistiu a acrescentar como vaga desculpa:

- Bem, não são bem para ele. Mas para as enfermeiras. Para desanuviar o ambiente – coitadas!

 Este Dr. Bissaia Barreto é o mesmo que, segundo Jacinto Baptista no seu livro "Caminhos para uma Revolução", vivia esperançado num Salazar eterno:

Um repórter do Diário Popular falou esta manhã, na Casa de Saúde da Cruz Vermelha, onde Salazar está hospitalizado, com o Prof. Bissaia Barreto, que diariamente visita o enfermo. E começou por recolher esta declaração:

- O Senhor Presidente dormiu muito bem, passou uma noite muito calma, com um sono reparador. De manhã, o seu espírito encontrava-se desanuviado. Conhece as pessoas que entram no seu quarto, profere o nome das pessoas conhecidas, a sua memória responde mesmo à evocação de factos passados.

O repórter pergunta depois ao Prof. Bissaia Barreto se esta recuperação permitia manter esperanças de ser dada alta, em breve, a Salazar. Respondeu (fé inabalável):

- Tenho a certeza de que pode ainda levar uma vida normal e escolher o seu próprio modo de vida. Tenho a certeza. O tempo não interessa em casos destes. O que interessa é que ele regresse à vida.

Mais tarde, em entrevista à Televisão, simultaneamente recolhida pelos jornais, Bissaia Barreto declarava:

- O Senhor Presidente estará, em breve, em condições de se ocupara da sua vida pessoal e da vida que interessa à Nação.

Por Amália, por José Gomes Ferreira, voltará um destes dias para uma outra história, que nada terá a ver com o ditador de Santa Comba.

Texto de Gin-Tonic