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sexta-feira, 7 de junho de 2019

JÁ SAIU!


Luís Pinheiro de Almeida nasceu e viveu em Coimbra até aos 17 anos. Foi aí que, em 1963, ouviu pela primeira vez os Beatles e partilhou a sua nova paixão com os amigos do Bairro e do Liceu.

Em 1965, quando veio viver para Lisboa, descobriu um novo mundo que passou a relatar, quase diariamente, aos seus amigos de Coimbra.

As cartas que escrevia para o amigo Jó (Jorge Carvalho, falecido em 2017), na altura vocalista do grupo Protões, com o registo do que acontecia em Lisboa sobre discos, rádio, cinema, bailes, jornais, concertos, vivências, tudo, ajudaram, segundo Jó, a encurtar a distancia entre Coimbra - uma cidade onde não existia informação e o Mundo.

Outro amigo de Coimbra, Rui Mesquita Branco, conta que quando recebia as cartas do Luís, o Jó convocava os amigos para sua casa e as novidades eram "devoradas linha a linha" por todos.

Agora, é graças a Jó que guardou essas cartas durante 50 anos que podemos descobrir como era, nos anos 60, o dia a dia de um miúdo de 17 anos ....fã dos Beatles, em Lisboa.

As cartas reunidas neste livro são um verdadeiro documento porque nos falam, na linguagem da época, dos discos, dos tops, dos programas de rádio, dos filmes, dos namoros, das férias de um teenager português numa época muito diferente da de hoje.

"Luís Pinheiro de Almeida Com os Beatles - "Caro Jó" (com prefácio do colega de Faculdade do Luís - Marcelo Rebelo de Sousa) à venda na Feira do Livro no stand da Sistema Solar (D 16).

Texto de Teresa Lage

quarta-feira, 13 de abril de 2016

HÁ 50 ANOS!


Faz hoje 50 anos que escrevi este postal ao meu amigo Jó, dos Protões, em Coimbra.

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

YÉ-YÉ EM COIMBRA

(Os Álamos em Oliveira do Hospital 1963/64: Luís Filipe Colaço, José Veloso, Carlos Correia (Bóris) e Alberto Nogueira ("Pente"), baterista ocasional).

O chamado yé-yé teve em Coimbra os seus principais baluartes nos Álamos e no Conjunto Universitário Hi-Fi. Mas outros conjuntos houve.

Os Álamos surgiram em Coimbra em 1963, na sequência da dissolução do conjunto do Orfeão de Coimbra, onde pontificavam José Cid, José Niza, Joaquim Caixeiro, Rui Ressurreição e Daniel Proença de Carvalho.

A primeira formação do Conjunto Universitário Os Álamos ainda manteve Rui Ressurreição, mas para a gravação do 1º EP ( "O Comboio" , Rapsódia EPF 5.305, de 1966) o grupo já era formado por Francisco Faria (voz), Luís Filipe Colaço (guitarra-solo), Duarte Manuel Brás (guitarra-ritmo), José Luís Veloso (guitarra-baixo) e José António Pereira (bateria).

"O Comboio" foi das primeiras canções jamais escritas por José Cid, que a ofereceu aos Álamos. José Cid assinava então José Cid Tavares.

O EP incluía mais três canções, curiosamente todas elas do repertório dos Beatles, mas só uma original de Lennon/McCartney, contrariamente ao que está indicado na contracapa: "The Night Before" (Lennon/McCartney), "Baby It's You" (Mack David/Barney Williams/Burt Bacharach, indicado erroneamente como sendo de Lennon/McCartney) e "Taste Of Honey" (Bobby Scott/Rick Marlow).

Os Álamos actuavam por todo o País, incluíndo Madeira (1964) e Açores (1966), e fizeram digressões por Angola (1967). Confessaram que rejeitaram contratos na África do Sul, Suiça e nas Canárias por causa dos estudos.

As sebentas sempre se sobrepuseram às violas. Continuamos como no princípio: desejosos da formatura. Não somos ié-iés furiosos. Ray Charles é o nosso monstro sagrado. Beach Boys e Beatles são também grandes para nós.

Em 1969, os Álamos editaram mais dois singles, "Stop That Game" , Sonoplay, SN-20.191 (Stop That Game/It's A New Day), e "Peter And Paul" , Sonoplay, SP 20.002 (Peter And Paul/Flip Side).

Na gravação do primeiro single participaram Carlos Correia (voz e guitarra) que substituiu Francisco Faria, José António Pereira (bateria), Luís Filipe Colaço (guitarra-ritmo), José Luís Veloso (guitarra-baixo), António José Albuquerque (teclas) e Rui Ressurreição (teclas).

"Stop That Game" é da autoria de Carlos Correia, que mais tarde acompanharia José Afonso à viola, com arranjos de Rui Ressurreição, e "It's A New Day" é uma composição de Isabel Motta e Rui Ressurreição.

No segundo e último disco dos Álamos, "Peter And Paul" é da autoria de Rui Ressurreição e Isabel Motta, enquanto "Flip Side" é da autoria exclusiva de Carlos Correia, também conhecido como Bóris, actual Doutor em Física e professor universitário em Coimbra.

Sendo Coimbra a cidade dos estudantes, seria natural que outros conjuntos universitários surgissem e em 1967 foi editado o primeiro EP do Conjunto Universtário Hi-Fi (ex-Boys) ("Back From The Shore" , Parlophone, LMEP 1271, de 1967).

Também este EP incluía uma versão dos Beatles, "I Call Your Name" (Lennon/McCartney), mas na estética dos Mamas and Papas.

As outras 3 canções são "Back From The Shore" (Carlos Correia/António Figueiredo), "Three Days Of My Life" (Carlos Correia) e "Words Of A Mad" (Carlos Correia).

Nesta altura, os Hi-Fi eram formados por Alexandre Carlos Reboxo Vaz (viola-baixo), António Manuel Sousa Freitas (bateria), Luís Manuel Bulhões Pimentel Paula de Matos (viola-ritmo), Carlos Correia (futuro Álamos, viola-solo) e Ana Maria (voz), actual professora universitária na Alemanha.

Por vezes, também Rui Ressurreição (ex-Álamos, teclas) também participava, como foi o caso do Festival da Canção do Douro, no Porto (1967) e da gravação do 1º EP.

Os Hi-Fi só editaram mais um EP, em 1968, "Crystals And Trees", Parlophone LMEP 1296, com três originais, "Crystals And Trees" (Carlos Correia), "Standing The Scene" (Carlos Canelhas/Carlos Correia) e "Running Away" (Carlos Correia) e uma versão "I See The Rain" (Campbell/Mc Aleese), dos Marmalade.

Antes das gravações dos discos, em 1965, o Conjunto Universitário Hi-Fi tinha a designação de Boys , tendo então vencido a 11ª eliminatória do Concurso Yé-Yé do Teatro Monumental, em Lisboa.

Eram então formados por Vítor Manuel (vocalista), Luís Manuel Bulhões Pimentel Paula de Matos (viola-ritmo), Alexandre Carlos Reboxo Vaz (viola-baixo), Carlos Correia (viola-solo) e António Lima (bateria).

Na transição dos Boys para os Hi-Fi (66-67), ficaram pelo caminho Vítor Manuel (voz), substituído por Ana Maria (voz) e António Lima substituído por António Manuel Sousa Freitas (bateria).

Em 1968, Duarte Brás saíu dos Álamos e com outro estudante também natural dos Açores, Ciríaco Martins, formou o duo Duarte & Ciríaco (ex-Folkers) que viria a gravar três discos (2 EPs e um single) na onda folk:

- "Nós", Sonoplay SON 100.002, de 1969, com direcção artística de Carlos Guitart: "Naufrágio" (Popular/Cristóvão Aguiar), "Canção de Embalar" (Popular), "Estrada Real" (Duarte/Fausto José) e "Trova A Este Vilancete" (Ciríaco/Francisco de Sousa (séc. XVI))

- "Duarte & Ciríaco" , Movieplay SON 100.005, s/data, com arranjos e acompanhamentos de Carlos Correia, som de Moreno Pinto e direcção artística de Rui Ressurreição: "Chária", "Bravos", "Cantares do Zé da Lata 1 e 2", todos motivos populares.

- "Duarte & Ciríaco" , Movieplay SP 20.009, s/data, com arranjos e direcção de orquestra de Thilo Krasmann, supervisão de Rui Ressurreição e som de Moreno Pinto: "Este Parte, Aquele Parte" (Rosalia de Castro/José Niza) e "Selva-Mundo" (José Niza).

O duo gravou um programa Zip-Zip para a RTP e um PBX para o RCP (João Paulo Guerra), tudo em 1969.

O "folk" veio de avião desde a América para a Terceira. Foi através da base aérea americana que a "folk music" entrou nos Açores. A nossa ambição é produzir um "folk" absolutamente português e a melodia coimbrã faz intrinsecamente parte de nós próprios.

Esta é a discografia do yé-yé (lato sensu) de Coimbra: Álamos (3), Conjunto Universitário Hi-Fi (2) e Duarte & Ciríaco (3), num total (escassíssimo) de oito discos e 26 canções:

ÁLAMOS (1966-1969):

O Comboio
- Baby It's You - Taste Of Honey - Night Before (Rapsódia EPF 5305 - 1966)

Stop That Game - It's A New Day (Sonoplay SN 20.191 - 1969)

Peter And Paul - Flip Side (Sonoplay SP 20.002 - 1969)

HI-FI (1967-1968):

Back From The Shore
- Three Days Of My Life - I Call Your Name - Words Of A Mad (Parlophone LMEP 1271 - 1967)

Crystals And Trees - Standing The Scene - Running Away - I See The Rain (Parlophone LMEP 1296 - 1968)

DUARTE & CIRÍACO (1969-...):

Nós - Naufrágio - Canção de Embalar - Estrada Real - Trova A Este Vilancete (Sonoplay 100.002 - 1969)

Duarte & Ciríaco - Chária - Bravos - Cantares do Zé da Lata 1 & 2 (Sonoplay 100.005 - s/data)

Duarte & Ciríaco - Este Parte, Aquele Parte - Selva-Mundo

Mas outros conjuntos yé-yé houve que também tiveram a sua projecção local, mas não discográfica.

Destes, os mais relevantes terão sido os Protões, que ficaram em segundo lugar no Festival Yé-Yé realizado em Coimbra em 1966. Havia também os Pops e os Scoubidous.

E, fundamental para a história do rock nacional, os Babies, tidos como os primeiros roqueiros portugueses.

Nasceram em Coimbra, em 1958, com José Cid (rabecão, piano e voz), António Portela (piano e acordeão), António Igrejas Bastos (bateria e voz) e Rui Nazaré (guitarra).

A verdade é que Coimbra sempre foi mais conhecida pelo seu fado e pela sua canção do que propriamente pelo yé-yé.

Colaboração de Luís Pinheiro de Almeida

sábado, 23 de abril de 2011

CHÁ DANÇANTE


Foi um grande Baile dos Grelados de Ciências no dia 09 de Abril de 1967 no ACM, em Coimbra.

O vocalista dos Protões, Rui Mesquita Branco actuou em grande.

terça-feira, 24 de junho de 2008

O EMBLEMA DOS PROTÕES


Discos dos Protões, que eu saiba, só se forem piratas. Gravações não tenho nada, mas gostava de ter. Nem sei se há. Mesmo que haja, não sei se existirá equipamento com capacidade técnica para reproduzir tal coisa. De qualquer modo segue uma fotografia da prova da existência dos Protões.

Colaboração de Jorge Carvalho (Jó) (Protões)

sábado, 10 de maio de 2008

COCKTAILS GANHAM YÉ-YÉ EM COIMBRA

Os Cocktails foram os grandes vencedores do I Festival Guitarra de Ouro Yé-Yé que se realizou em Coimbra, no Teatro Avenida, no dia 23 de Abril de 1966.

Foi um dos primeiros grandes festivais yé-yé que se realizou em Portugal.

Eis uma súmula dos grandes festivais yé-yé realizados em Portugal:

- Rei do Twist (Monumental, Lisboa, 07SET63)

- Concurso Tipo Shadows (Roma, Lisboa, 04OUT63)

- Festival de Ritmos Modernos (Monumental, Lisboa, 11/12JAN64)

- Festival Yé-Yé de Coimbra (Avenida, Coimbra, 23ABR66)

- Concurso Yé-Yé (Monumental, Lisboa, 30ABR66)

- Festival CITU (Império, Lisboa, 17MAI68)

- 1º Festival de Vilar de Mouros (03/04AGO68)

- Festival da Costa do Sol (Estoril, 16JUL69)

- Festival dos Salesianos (Estoril, 26AGO70 - proibido)

A final do Festival de Coimbra - que é o que interessa agora - iniciou-se com a actuação do Conjunto Leonel de Oliveira, de Aveiro, constituído por Carlos Castro (baterista), António Mónica (viola-baixo), Fernando Pires (viola-ritmo), João Carlos Imaginário (órgão) e Leonel de Oliveira (viola-solo).

O famoso conjunto da "Rainha do Vouga" comportou-se à altura dos seus créditos, reza o Diário de Coimbra, vulgo Calino, da época.

A seguir, entrou em palco os Shanes, do Porto, compostos por Rui Fernandes (viola de acompanhamento), João Manuel (viola-baixo), Carlos Alberto (solista), Pedro Cavaco (baterista) e Horácio Luís, agente artístico e técnico de som.

Senhores da sua preparação, conhecedores de música, os Shanes sofreram o precalço de se lhes ter avariado a sua aparelhagem de amplificação de som, mas reagiram desportivamente, levando até final a sua actuação, interpretando quatro escolhidas composições.

Depois foi a vez dos Moscardos, de Matosinhos, constituídos por António Carlos Rangel, Manuel Monteiro Teixeira, Pedro Manuel Taveira, Manuel de Barros Monteiro, Jorge Emanuel Ribeiro e Cláudio José Belo.

Foram ovacionados entusiasticamente pelos jovens de Coimbra, que se associaram aos fãs desse conjunto vindos do Norte.

Foi o delírio quando o conjunto os Celtas, de Lisboa, composto por Aníbal Ramos Duarte, um conimbricense, José Luís, Vítor Pinto, Carlos Félix e Vítor Manuel se exibiu.

Os aplausos foram intermináveis e quando o pano de ferro desceu, para o intervalo, teve novamente de ser levantado duas vezes.

Após o intervalo, actuaram os Corvos, do Porto, com Manuel Leitão, Manuel Ferreira, Augusto César, Mário Rui e Alberto Lima.

Surgiram depois os Protões, com Jorge Carvalho, Eugénio Eliseu, Nóbrega Pontes, António Carlos e Fernando Dias.

Mais uma lição a tirar do Festival foi dado por este grupo de rapazes estudantes, na sia maioria moradores no Bairro Marechal Carmona.

O Festival terminou com a actuação dos Cocktails, formados por Fernando Agostinho Machado, Luís António Gonzaga de Melo e Silva, António José Netura Martins e Silva, António José Ventura Martins Mano, António Luís Marques Romão, Joaquim António Colaço, Carlos Alberto Duarte da Costa e Xico.

Incrível o entusiasmo da multidão ao aplaudir os Cocktails.

Foram os seguintes os prémios:

- melhor baterista: Luís Gonzaga, dos Cocktails, a quem foi entregue o relógio-tambor, oferta da Ourivesaria Patrão;

- melhor viola-solo: Romão, dos Cocktails, que recebeu o relógio-viola, oferta da Ourivesaria Costa (antiga Ourivesaria Almeida Costa);

Conjuntos:
3º - Moscardos - 41 pontos;
2º - Protões - 42 pontos;
1º - Cocktails - 50 pontos.

sábado, 26 de abril de 2008

IÉ-IÉ: ATRASADO, MAS SEMPRE A TEMPO


O meu grande amigo de infância, Jorge Carvalho, que foi dos Protões, fez-me chegar atempadamente um cartaz do Festival de Yé-Yé que se realizou em Coimbra no dia 23 de Abril de 1966.

Eu é que me atrasei na publicação por motivos diversos. Sorry, Jó!

Em todo o caso, ainda estou à espera do texto de uma testemunha do Festival. Foi-me prometido!

terça-feira, 22 de abril de 2008

ENCONTREI O "RAPAZ DA GRAVATA ENCARNADA"


"Com certeza que me lembro, afinal o que são 40 anos?".

Foi assim que do outro lado do Atlântico me respondeu Rui Mesquita Branco, meu amigo de infância em Coimbra, vocalista dos G-Men e actualmente no Brasil onde é conselheiro da Câmara Portuguesa de Comércio e responsável pela respectiva revista.

"Ainda te recordas daquelas "voltas a Portugal" com os pequenos ciclistas movidos a dados (ou seriam caricas?) no quintal da tua casa em Coimbra?", pergunta-me.

Quanto aos G-Men, Rui Mesquita Branco diz possuir pouca coisa, mas prometeu-me que iria pesquisar.

Lembra-se que no foi no Concurso Yé-Yé, no Teatro Monumental, em Lisboa, que foram dados "os primeiros passos da Filarmónica Fraude, com o António Manuel Pinho e o José João Parracho, respectivamente baterista e viola-baixo".

"As quatro músicas interpretadas foram "Summertime", "Esquece", "All Day And All Of The Night", e a primeira composição do To Mané Pinho (actual António Pinho), qualquer coisa sobre um telefone (muito fraquinha, aliás)". (nota do editor: "A Caneta E O Telefone").

Os G-Men estrearam-se no Monumental. Nunca antes tinham tocado. Eram formados por Vítor Valente, 22 anos, viola-solo, radiotécnico, Manuel Avelar (futuro Filarmónica Fraude/Banda do Casaco, como António Pinho), 18 anos, baterista, Jorge Aníbal Horta, 18 anos, viola acompanhamento, Rui Mesquita Branco, 18 anos, vocalista, o "rapaz da gravata encarnada", e José João, 16 anos, viola-solo.

quarta-feira, 16 de abril de 2008

CÁ ESTÃO, FINALMENTE, OS PROTÕES


Cortesia de Jó, dos próprios Protões
Os outros Protões são Nóbrega Pontes (de camisa branca e viola), Couceiro (de óculos), ZéZé Eliseu (Borboleta) (com as baquetes) e o Nando (Fernando Dias), com a viola-baixo e olhar sinistro.

O grande Jó está sem instrumento.

Jorge Carvalho morreu no dia 24 de Julho de 2017.

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

DIAMANTES NEGROS VENCEM 3ª ELIMINATÓRIA



Os Diamantes Negros, de Sintra, venceram com 34,5 pontos a 3ª eliminatória do Concurso Yé-Yé que se realizou no dia 11 de Setembro de 1965, no Teatro Monumental, em Lisboa.

A seguir, classificaram-se os G-Men, do Entroncamento, com 21,5 pontos, os Misters, de Lisboa, com 17,5, os Black Boys, de Santarém, com 16, e, finalmente, os Gringos, de Torres Novas, com 3,5.

Segundo a Imprensa da época, a assistência lançou sobre os concorrentes milho, feijão, batatas e tomates. "Também as senhoras idosas redobraram de entusiasmo".

A eliminatória foi apresentada por Fialho Gouveia que "se mostrou bastante espirituoso para com o público". Entre a assistência contava-se o toureiro Amadeu dos Anjos e os actores Paulo Renato e Rui de Carvalho, o tal da tirada sobre os Beatles.

Constituído por Carlos Manuel Mendes, 17 anos, viola-solo e vocalista, estudante, Carlos Alberto Duarte, 17 anos, saxo tenor, estudante, Luís Manuel Caroço, 16 anos, viola-baixo, estudante, Álvaro Silvestre, 22 anos, viola-ritmo, militar da Força Aérea, e Carlos José Santos, 18 anos, empregado de escritório.

Vestiram "à Beatle", casaco sem gola, calça brilhante e botas e cantaram ""The Little Old Man From Pasadena", "Long Tall Texan", "Boys" e uma adaptação de uma marcha de Verdi.

Os G-Men estrearam-se no Monumental. Nunca antes tinham tocado. Eram formados por Vítor Valente, 22 anos, viola-solo, radiotécnico, Manuel Avelar (futuro Filarmónica Fraude/Banda do casaco, como António Pinho), 18 anos, baterista, Jorge Aníbal Horta, 18 anos, viola acompanhamento, Rui Mesquita Branco, 18 anos, vocalista, o "rapaz da gravata encarnada", e José João, 16 anos, viola-solo.

Cada um veste a seu gosto. Tocaram "Summertime", "All Day And All Of The Night", "A Caneta e o Telefone" e "Esquece".

Os Misters, de Lisboa, eram todos estudantes no Liceu Passos Manuel: Carlos Vieira Ramos, 16 anos, vocalista, Vítor Alves, 17 anos, vocalista, Teixeira Lopes, mais conhecido como "rei da fífia" e/ou "tubarão", 14 anos, viola-ritmo, Décio Luz, 17 anos, viola-baixo, Mário João, 19 anos, solista, e Xico, 19 anos, baterista.

"Não tiveram preocupações no vestir, apresentaram-se como os vemos na rua". Cantaram "You Really Got Me", "Shake Rattle And Roll", "Ain't Just Like Me" e "Shakin'".

Os Black Boys vestiram camisola de malha preta, com gola alta e calças de coiro com a mesma cor. Interpretaram "Do Wah Diddy", "Glad All Over", "When The Saints" e "Twist And Shout".

Eram Vítor José, 18 anos, bateria, estudante, Marques de Oliveira, 19 anos, viola-baixo e vocalista, empregado de comércio, Fernando Baptista, 18 anos, viola-ritmo, empregado de comércio, e Fernando Botas, 16 anos viola-solo, estudante.

Finalmente, os Gringos, cantaram "Os Olhos da Marianita", "Só Teu Amor", "O Leão Está À Solta" e "Espera".

Eram Vítor Manuel Pavão, 18 anos, vocalista, estudante, António Augusto Canto, 18 anos, viola-solo, empregado de escritório, Manuel Amado Maia, 18 anos, "viola acompanhante", electrotécnico, Manuel Baptista Fernandes, 18 anos, viola-baixo, empregado de escritório, e Alexandre Meireles, 18 anos, bateria, empregado de escritório.