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sábado, 7 de setembro de 2013

HÁ 50 ANOS!


Victor Gomes e os Gatos Negros foram os grandes vencedores do primeiro grande concerto de ritmos modernos que se realizou em Portugal, há 50 anos, no dia 07 de Setembro de 1963, no Teatro Monumental, em Lisboa.

Na final, participaram Victor Gomes e os Gatos Negros, Nelo do Twist e Fernando Conde e os Electrónicos.

A apresentação foi de Henrique Mendes.

Ver mais informação aqui.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

VICTOR GOMES, O REI DO TWIST


Victor Gomes e os Gatos Negros foram os grandes vencedores do primeiro grande concurso de ritmos modernos que se realizou em Portugal.

O concurso teve por título Rei do Twist e foi organizado no Teatro Monumental, em Lisboa, por Vasco Morgado, o único empresário de então com direito a essa designação.

A final realizou-se no dia 07 de Setembro de 1963 e nela participaram Victor Gomes e os Gatos Negros, Nelo do Twist e o seu Conjunto e Fernando Conde e os seus Electrónicos. A apresentação foi de Henrique Mendes.

O júri era constituído pelos maestros Tavares Belo e Costa Pinto e pelo compositor Jerónimo Bragança.

Em palco, Victor Gomes, todo ele - incluindo luvas - de cabedal preto vestido, dava saltos felinos "à Tarzan".

A Imprensa deu ampla cobertura ao evento.

Escreveu "O Século":

A elegante sala do Saldanha - cuja lotação estava esgotada - apareceu com o aspecto de um estádio onde se disputasse uma rija peleja desportiva: os adeptos dos conjuntos musicais em concurso faziam pender dos camarotes vários dísticos proclamando a supremacia dos seus preferidos e entoavam-lhe os nomes em coro entusiástico de grito de guerra.

O espectáculo decorreu, porém, na melhor ordem. Vibração, frenesi, nervos excitados, doentes - mas tudo se resolveu com alguns esgares e piruetas, mais ou menos acrobáticas, cadenciadas no ritmo sem melodia, que muitos acusarão de ser um ruído como outro qualquer, mas que entusiasma a mocidade cabeluda e nevrótica das mais recentes gerações.


E o "Diário Popular":

Esta onda (twist) que há três anos anda na Europa e está já a desaparecer, chegou agora a Portugal (...) Filas inteiras dançavam e a certa altura o pessoal do teatro teve de ameaçar alguns mais entusiastas de que os mandava pôr na rua se prosseguissem na exibição.

A juventude portuguesa, porém, está longe de se entregar aos divertimentos como o fazem os franceses, os italianos ou mesmo os londrinos, que esquecem tudo e têm causado prejuízos sérios em salas e teatros dos seus países. Os "blusons noirs" portugueses não assustam e limitam-se a dançar e a aclamar com palmas e gritos a vitória dos seus ídolos.

No final do espectáculo, a Polícia teve de novo que intervir para evitar que que a juventude fosse para o palco dançar. mas mesmo assim umas largas dezenas de rapazes e raparigas "twistaram" entre clamores e aplausos, sendo imitados nos corredores e nas coxias por "furiosos" que não se contiveram perante os apelos dos acordes lançados no ar pelas guitarras eléctricas e pela voz estentórica de Victor Gomes e os seus Gatos Negros, os reis do twist de 1963
.

E a "Plateia":

Victor Gomes, logo que terminou a sua actuação, tinha assegurado o título de Rei do Twist, pois será difícil, seja onde fôr, na América ou na França, encontrar alguém que possa interpretar muito melhor este ritmo trepidante que caracteriza bem o dinamismo do nosso século.

E "O Século Ilustrado":

Embora já atenuada nos restantes países da Europa, a onda do twist invadiu agora Portugal. Fruto de uma organização de Vasco Morgado, surgiram os sábados do twist, no Monumental, cujo fim era a eleição dos reis desta curiosa e bem contorcida dança para o ano de 1963.

E, finalmente, a "Flama":

Victor Gomes é exuberante, fantasticamente desenvolto e possui uma auto-confiança notável.

Victor Manuel dos Santos Gomes nasceu em Lisboa a 06 de Fevereiro de 1940, no Alto do Pina. Aos 4 anos partiu com os pais para Lourenço Marques. A mãe, Maria Duarte Santos, foi, em 1948, segunda classificada no concurso "Rainha do Fado de Moçambique" e uma tia, Cecília Santos, foi cançonetista do Rádio Clube local.

Dos 7 aos 15 anos, Victor Gomes frequentou um colégio de padres salesianos na Namaacha.

Depois, segundo a "Flama", a sua vida tornou-se um contínuo desbobinar de emoções alternantes: actor teatral, cançonetista no Rádio Clube de Nampula, mecânico de automóveis em Lourenço Marques, pugilista profissional (sete combates na écurie de Tafoi), hoquista em defesa das cores de Malhangalene, Desportivo e Sindicato (ao lado dos mundiais Adrião, Bouçós e Velasco), futebolista no Sporting Clube de Nampula (companheiro de Eusébio na selecção de Moçambique) e, durante dois anos, caçador profissional de caça grossa.

Possuía três armas e um jeep: internava-se no mato e por lá passava semana a fio. Abateu búfalos, antílopes, jacarés, javalis, zebras, macacos-cães e hipopótamos e traficava com os nativos a carne seca.

Percorreu a Rodésia, Congo ex-belga e África do Sul cantando e caçando: na segunda faceta actuou ao lado de Cliff Richard e Marty Wilde, venceu um concurso de "caloiros do ritmo" e traçou Angola do Norte a Sul, cantando para militares e civis.

Em 1963 apareceu na Metrópole. Descoberto por Vasco Morgado na parada de artistas que desfilaram no festival de homenagem a Freddy, teve a sua grande oportunidade no Concurso do Rei do Twist que venceu.

Pouco depois, a estrelinha deixou de brilhar. Já não participaram no Concurso Ié-Ié, também no Monumental, e foram eliminados no dia 20 de Setembro de 1963, do Concurso tipo Shadows, no Cinema Roma, enquanto Nelo do Twist foi à final e Fernando Concha (com o Conjunto Mistério) foi o vencedor.

Agastado, voltou a Moçambique, prometendo que regressaria em grande, o que não viria a acontecer.

Em 1993 foi publicado um CD, "Victor Gomes e o Regresso do Rei do Rock" (já não do twist) com versões actualizadas de "Juntos Outra Vez" e "Há-de Voltar" e outras 12 canções, entre as quais interpretações de "Kanimambo" e "My Way" (em português).