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domingo, 8 de setembro de 2013
MEIO GRUPO DE JAZZ DO ORFEON DE COIMBRA
Daniel Proença de Carvalho, José Cid, do grupo de jazz do Orfeon Académico de Coimbra e emplastro!
Cascais, 06 de Setembro de 2013.
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segunda-feira, 15 de julho de 2013
ANTÓNIO PORTELA TOCOU COM SHERIDAN
António Augusto Pedro Portela nasceu em Ponta Delgada no dia 28 de Agosto de 1941.
Em 1955, aos 14 anos, foi estudar para Coimbra, onde ficou interno no Colégio Camões.
Aí conheceu José Cid, também estudante do Camões, e juntamente com António Igrejas de Bastos e Rui Nazareth formaram os Babies, tidos como a primeira banda de rock portuguesa (1958).
Os Babies tocavam sobretudo nos bailes das Faculdades e do Liceu, mas acabaram em 1960, quando Igrejas de Bastos foi viver para Lisboa com a família.
António Portela fez parte depois da Orquestra Ligeira do Orfeon, com Rui Ressurreição e Daniel Proença de Carvalho, entre outros, tendo feito uma digressão de dois meses por Angola com José Afonso.
Já nessa altura, o Zeca era um despistado, lembra António Portela.
Em Setembro de 1962, Portela foi para a Alemanha à procura dos sonhos que um amigo lhe influenciara e aí vive, em Hamburgo, até hoje.
Tornou-se músico profissional, pianista, e também engenheiro de som, tendo exercido a sua actividade com múltiplos músicos, de diversas nacionalidades, sobretudo de jazz, em diversas circunstâncias.
Tenho mais de 1.000 títulos na cabeça, revela, acrescentando que não pode estar parado.
Uma das coisas que mais satisfação me dá agora é participar em projectos sociais, tocando, por exemplo, em lares de idosos.
Em 1975, António Portela cruzou-se musicalmente com Tony Sheridan, cantor britânico que gravou com os Beatles nos chamados tempos de Hamburgo (1960-1961).
Eu já conhecia Tony Sheridan. Ele era muito famoso por causa dos Beatles e por causa do seu êxito "Skinny Minnie".
Encontrei-o num bar em Rahlstadt (Hamburgo), Radolf Stube, e tocámos durante um ano. Ele cantava e tocava guitarra e eu piano e contrabaixo.
Tony Sheridan era uma pessoa muito simples, não tinha nada ar - e mania - de vedeta!
No mundo dos Beatles, António Portela conhece também - e é amigo - de Horst Fascher que nos tempos de Hamburgo foi uma espécie de guarda-costas dos Beatles pelos bares de Reeperbahn.
Nos dias de hoje, António Portela acompanha ao piano a voz de Birgit Fischer.
Luís Pinheiro de Almeida
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sábado, 24 de julho de 2010
MAIS SEGREDOS DO ROCK PORTUGUÊS

Esta é a Orquestra Ligeira do Orfeon Académico de Coimbra, formada por António Portela, Joaquim Caixeiro, Rui Ressurreição, José Cid e Daniel Proença de Carvalho (1958-1960).
São 24 minutos e 38 segundos de ensaio que José Cid teve a cortesia de me oferecer.
A maioria das canções são versões de clássicos, mas há uma canção original, "Coimbra Antiga", uma das primeiras compostas pelo autor de "A Lenda De El-Rei D. Sebastião".
Coimbra antiga
Junto ao Choupal em flor
Cidade amiga
Onde encontrei o amor
São 24 minutos e 38 segundos de ensaio que José Cid teve a cortesia de me oferecer.
A maioria das canções são versões de clássicos, mas há uma canção original, "Coimbra Antiga", uma das primeiras compostas pelo autor de "A Lenda De El-Rei D. Sebastião".
Coimbra antiga
Junto ao Choupal em flor
Cidade amiga
Onde encontrei o amor
Junto ao Mondego sem par
Sombras a passar
Sombras a passar
Cidade a subir
E um estudante a cantar
À luz do luar
E um estudante a cantar
À luz do luar
Eu vou partir
Mas levo em mim
Adoração e saudade
Como recordarei
A tua Universidade
José Cid revelou-me também que a sua primeira composição de sempre se chama "Andorinha", mas que nunca chegou a gravá-la e que a sua primeira composição gravada chama-se "Comboio", na interpretação dos Álamos.
José Cid garantiu-me também que não existem gravações dos Babies, primeiro grupo yé-yé português, nem da versão original de "A Lenda De El-Rei D. Sebastião", cortada pela Censura, com o verso inicial "Fugiu de Alcácer Quibir".
Uma surpresa: José Cid tem uma nova e fantástica canção, "Cavalos de Fão", construída sobre "Homburg", dos Procol Harum.
Luís Pinheiro de Almeida
Mas levo em mim
Adoração e saudade
Como recordarei
A tua Universidade
José Cid revelou-me também que a sua primeira composição de sempre se chama "Andorinha", mas que nunca chegou a gravá-la e que a sua primeira composição gravada chama-se "Comboio", na interpretação dos Álamos.
José Cid garantiu-me também que não existem gravações dos Babies, primeiro grupo yé-yé português, nem da versão original de "A Lenda De El-Rei D. Sebastião", cortada pela Censura, com o verso inicial "Fugiu de Alcácer Quibir".
Uma surpresa: José Cid tem uma nova e fantástica canção, "Cavalos de Fão", construída sobre "Homburg", dos Procol Harum.
Luís Pinheiro de Almeida
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quinta-feira, 29 de janeiro de 2009
EX-DISCO ANÓNIMO

MOVIEPLAY - SP-20.147 - 1974
De Como A Canção Social Tem Uma Função Capital... Quer Dizer... - Funchal, 23
Primeiro single do SARL que, à altura (Junho de 1974), custou 50$00 (25 cêntimos). Trata-se de um disco apenas identificado pela sigla SARL, não havendo qualquer nome.
Em 1999, José Niza revelou que os autores da gravação eram ele próprio e ainda Daniel Proença de Carvalho, Carlos Perez Álvaro (director da Movieplay), Rui Ressurreição, Thilo Krasmann e José Manuel Pedrosa, acabando com o anonimato do disco.
De Como A Canção Social Tem Uma Função Capital... Quer Dizer... - Funchal, 23
Primeiro single do SARL que, à altura (Junho de 1974), custou 50$00 (25 cêntimos). Trata-se de um disco apenas identificado pela sigla SARL, não havendo qualquer nome.
Em 1999, José Niza revelou que os autores da gravação eram ele próprio e ainda Daniel Proença de Carvalho, Carlos Perez Álvaro (director da Movieplay), Rui Ressurreição, Thilo Krasmann e José Manuel Pedrosa, acabando com o anonimato do disco.
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segunda-feira, 13 de outubro de 2008
DANIEL PROENÇA DE CARVALHO
Político e advogado, antigo ministro, Daniel Proença de Carvalho tem igualmente uma história ligada á música, onde se inciou enquanto estudante, em Coimbra.Em Lisboa, chegou a fazer parte dos SARL.
Abandonada a música, ainda se reúne com os amigos para jam sessions e umas gravações para distribuição doméstica, como é o caso deste "Só Para Amigos II":
Love Letters, Pier Canela e Crazy (Natália Proença de Carvalho) - Canoas do Tejo (Luís Sá Pereira) - You Needed Me e La Vie En Rose (Manuela de Sousa Rama) - Dos Gardenias e Já Se Faz Tarde (Daniel Proença de Carvalho) - La Domenica e Como Se Fosse Um Fado (Teresa Pinto Coelho) - Gisela e Bei Dir War Es Immer So Schon (Thilo Krassman) - E Alegre Se Fez Triste e Soneto de Amor (Almeida Santos) - El Reloj e Pomba Branca (Dias Loureiro) - Doralice (José Manuel Pedrosa) - Dança do Casual (Sofia Monteiro) - I Left My Heart In San Francisco (Luís Sá Pereira)
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domingo, 12 de outubro de 2008
VICKY E DANIEL PROENÇA DE CARVALHO

Esta foto é de 1991 e foi tirada na Casa do Largo, no Old Village, no Algarve.
Eu, Vicky, na voz, o Daniel Proença de Carvalho no baixo e, por trás dele, encoberto, o Luis Waddington, o célebre solista do Conjunto Mistério e pai do Jamiroquai.
N.B. - Lennon lá atrás, muito atento à jam session.
Colaboração de Vicky
Eu, Vicky, na voz, o Daniel Proença de Carvalho no baixo e, por trás dele, encoberto, o Luis Waddington, o célebre solista do Conjunto Mistério e pai do Jamiroquai.
N.B. - Lennon lá atrás, muito atento à jam session.
Colaboração de Vicky
terça-feira, 1 de abril de 2008
CONJUNTO MISTÉRIO

IMAVOX IM-10.210 - 1979
Self Made Man - Poema Do Pária Perante A Mercearia
Durante 25 anos, este foi um conjunto mistério. O primeiro disco, "Funchal, 23", data de Junho de 1974, mas ninguém sabia nada de nada. Quem cantava, quem tocava, quem tinha feito as músicas, quem escrevera as letras.
O mistério só foi desvendado em 1999. O autor da canção é José Niza que a compôs em casa de Daniel Proença de Carvalho ao ler no "Diário de Lisboa" a notícia da partida do Funchal para o Brasil no dia 23 de Maio (daí o título) de Moreira Baptista e Silva Cunha (ministros da ditadura deposta).
José Niza limitou-se a musicar o texto da notícia.
Dias depois, José Niza, Daniel Proença de Carvalho, Carlos Perez Álvaro, então director da Movieplay, Rui Ressurreição, Thilo Krasmann e José Manuel Pedrosa gravaram "Funchal, 23" e "De Como A Canção Social Tem Uma Função Capital... Quer Dizer..." no estúdio da Musicorde.
Não garanto a mesma constituição do grupo neste "Self Made Man", uma obra de Pedro Osório.
Já agora, SARL significa Sociedade Artística E Recreativa Lusitana.
Self Made Man - Poema Do Pária Perante A Mercearia
Durante 25 anos, este foi um conjunto mistério. O primeiro disco, "Funchal, 23", data de Junho de 1974, mas ninguém sabia nada de nada. Quem cantava, quem tocava, quem tinha feito as músicas, quem escrevera as letras.
O mistério só foi desvendado em 1999. O autor da canção é José Niza que a compôs em casa de Daniel Proença de Carvalho ao ler no "Diário de Lisboa" a notícia da partida do Funchal para o Brasil no dia 23 de Maio (daí o título) de Moreira Baptista e Silva Cunha (ministros da ditadura deposta).
José Niza limitou-se a musicar o texto da notícia.
Dias depois, José Niza, Daniel Proença de Carvalho, Carlos Perez Álvaro, então director da Movieplay, Rui Ressurreição, Thilo Krasmann e José Manuel Pedrosa gravaram "Funchal, 23" e "De Como A Canção Social Tem Uma Função Capital... Quer Dizer..." no estúdio da Musicorde.
Não garanto a mesma constituição do grupo neste "Self Made Man", uma obra de Pedro Osório.
Já agora, SARL significa Sociedade Artística E Recreativa Lusitana.
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segunda-feira, 14 de janeiro de 2008
PSD

EDIÇÃO PSD
Hino do PSD - Nós
Lamentavelmente não sei - e o disco não o diz - quem é o autor do Hino do PSD. Em tempos ouvi dizer que era de Paulo de Carvalho, já depois de ter saído do PCP, como é óbvio.
O lado B tem letra de Manuel Dias Loureiro (ex-ministro e ex-dirigente do PSD e músico nas horas vagas) e música de José Calvário.
Manuel Dias Loureiro canta "El Reloj" e "Pomba Branca" num CD "Para Amigos", no qual participam também, entre outros, Daniel Proença de Carvalho ("Dos Gardenias", "Já Se Faz Tarde"), Thilo Krasman ("Gisela", "Bei Dir War Es Immer So Schon") e Almeida Santos ("E Alegre Se Fez Triste", "Soneto de Amor")
Hino do PSD - Nós
Lamentavelmente não sei - e o disco não o diz - quem é o autor do Hino do PSD. Em tempos ouvi dizer que era de Paulo de Carvalho, já depois de ter saído do PCP, como é óbvio.
O lado B tem letra de Manuel Dias Loureiro (ex-ministro e ex-dirigente do PSD e músico nas horas vagas) e música de José Calvário.
Manuel Dias Loureiro canta "El Reloj" e "Pomba Branca" num CD "Para Amigos", no qual participam também, entre outros, Daniel Proença de Carvalho ("Dos Gardenias", "Já Se Faz Tarde"), Thilo Krasman ("Gisela", "Bei Dir War Es Immer So Schon") e Almeida Santos ("E Alegre Se Fez Triste", "Soneto de Amor")
segunda-feira, 15 de outubro de 2007
2º DISCO DOS ÁLAMOS (1969)

SONOPLAY - SN-20.191 - 1969
Stop That Game (Carlos Correia) - It's A New Day (Isabel Motta/Rui Ressurreição)
Arranjos de Rui Ressurreição.
Da esquerda para a direita: Luís Colaço, Rui Ressurreição, José Pereira, Carlos Correia (Bóris), José Veloso e António José Albuquerque.
Terra de estudantes, Coimbra tinha - e tem - todas as condições para germinar boa música e bons músicos. E sempre assim foi. Coimbra é a "nossa Liverpool". Foi lá que "tudo começou" em 1956 com José Cid, António Portela, António Igrejas Santos e Rui Nazareth, os famosos e pioneiros Babies.
E ainda temos o Fado de Coimbra (António Batoque, António Menano, Edmundo Bettencourt, Augusto Camacho, Luiz Goes, Fernando Machado Soares, etc) e a Canção de Coimbra (Adriano Correia de Oliveira, José Afonso), géneros únicos, inigualáveis e imbatíveis.
O que importa agora é o ié-ié. Além dos Babies, tivémos, pelo menos, o Conjunto do Orfeão de Coimbra, onde estiveram Daniel Proença de Carvalho, José Niza e Rui Ressurreição, os dois últimos já falecidos, entre outros, os Pops, os Protões, os Folkers, os Boys (que ganharam a 11ª eliminatória do Concurso Ié-Ié no Teatro Monumental em Lisboa a 06 de Novembro de 1965), o Conjunto Universitário Hi-Fi (que sucedeu aos Boys) e os Álamos, que eram, aliás, descendentes do Conjunto do Orfeão.
José Luís Veloso, o Canjinhas, pertenceu aos Álamos. Era o viola-baixo e o tesoureiro. O conjunto nasceu em 1963. Tocou em todo o País, o que incluiu Madeira e Açores. Também foram a Angola e a Moçambique.
Nunca planeámos grandes voos, as sebentas sempre se sobrepuseram às violas. Nunca nos deixámos subjugar por profissionalismos, nunca tomámos a sério conselhos de gente ligada ao music-hall que nos incitou a abandonar os cursos. Rejeitámos contratos bastante compensadores materialmente, na Suiça e nas Canárias. Eram contratos que nos prenderiam muitos meses. Gravámos discos porque se impõe. Sempre é algo de palpável que fica no fim de uma carreira.
Não. Não somos ié-iés furiosos. Gostamos do pop e tocamo-lo. Ray Charles é o nosso monstro sagrado. Os Beach Boys e os Beatles são também os grandes para nós.
Além de José Veloso, hoje com 63 anos, faziam parte do grupo Francisco Faria (vocalista), Luís Colaço (viola-solo), Duarte Brás (viola-ritmo) e José F. Pereira (baterista) e outros.
Há exactamente 40 anos - em 1967 -, Zé Veloso, 23 anos, natural de Ançã, frequentava o 4º ano de Engenharia de Máquinas, Chico Faria, 23, o 3º ano de Engenharia Civil, Duarte Brás, 23, o 4º ano de Direito, Luís Colaço, o Gorduras, 23, natural de Nova Lisboa (Angola), o 4º ano de Engenharia Civil, e Zé Pereira, o Rodas-Baixas, natural de Castelo Branco, 22, o 2º ano de Medicina.
A morada do grupo era então na Rua Guerra Junqueiro, 24 - 2º.
Em 1969, a banda já tinha Carlos Correia, o Bóris, 22 anos, natural de Angola, 3º ano de Engenharia Electrotécnica, viola-solo e vocalista, que tinha substituído o Chico Faria, e mais um elemento - o quinto - António José Albuquerque, o Silvestre, 21 anos, natural de Coimbra, organista, compositor e arranjador.
Carlos Correia pertenceu também aos Boys e ao Conjunto Universitário Hi-Fi e foi guitarrista de José Afonso com quem gravou, por exemplo, "Grândola Vila Morena".
Os Álamos gravaram três discos, "O Comboio" (Rapsódia EPF 5305), "Stop That Game (Sonoplay SN 20191) e "Peter And Paul" (Sonoplay), estes dois últimos ambos singles e ambos editados em 1969.
Dou então voz ao músico ié-ié, ao Canjinhas (José Luís Veloso), que nos fala de outra grande figura de Coimbra, Carlos Paredes:
Foi a poucos metros do Teatro Gil Vicente que vi pela primeira vez tocar Carlos Paredes. Foi por alturas de 1965, numa tarde de convívio na Associação Académica de Coimbra, num espaço coberto que dava para o jardim interior.
O espectáculo tinha aberto com os Álamos. Tocámos os Chatos Selvagens, os Beatles e o mais que era repertório de um conjunto yé-yé dos anos 60, casacos de couro por cima das golas altas pretas, guitarras eléctricas em riste, gingando em uníssono à boa maneira dos Shadows, enquanto o Chico Faria cantava "The Young Ones" e as colegas punham os olhos em alvo ao som do "I Can't Stop Loving You. Foi o sucesso do costume. Os Álamos eram mesmo um caso de popularidade.
A seguir veio o Paredes! Sem casacos negros, sem passes, sem câmaras de eco. Tocou como só ele... não há palavras! Na minha qualidade de estrela de rock and roll senti-me pequenino, ridículo, desimportante. A sensação de orfandade artística foi tão grande que ainda hoje me dói o recordá-la. As guitarras eléctricas tinham sido abafadas pela guitarra do Paredes!
Carlos Paredes tinha uma forma de tocar muito própria, inimitável, que infelizmente deixa pouca escola. Nem é guitarra de Coimbra nem de Lisboa. É guitarra do Paredes. Mas a guitarra com que o Carlos Paredes tocava era uma guitarra de Coimbra feita para seu pai Artur e rejeitada por este. Diz o seu construtor que a guitarra foi rejeitada por ter tido originalmente um pequeno defeito de construção, logo reparado, que em nada lhe afectava a sonoridade ou a resistência. Mas Artur enjeitou-a... e Carlos aproveitou para fazer dela a companheira de uma vida! E que companheira...
Pessoalmente, gosto mais da música do Carlos. Os seus acordes "com assinatura", as suas dissonâncias, a sua melancolia não piegas, a sua docilidade selvagem têm o condão de me acalmar e excitar ao mesmo tempo. Mas a guitarra de Coimbra deve muito mais ao Artur, já que foi ele o grande responsável pela configuração que o instrumento tem hoje. Foi ele que na década de 20 reinventou a guitarra de Coimbra e a emancipou da de Lisboa.
Artur Paredes queria uma guitarra capaz de produzir sonoridades que só ele antevia naquela época. Para tanto, levou o mestre João Pedro Grácio a alterar-lhe substancialmente a anatomia, ao nível do braço e da caixa de ressonância. Alterou-lhe a afinação, tornando-a mais grave. Por isso a guitarra de Coimbra afina mais baixo que a de Lisboa. Mas fez mais. Revolucionou a forma de a tocar, a técnica. E o resultado foi tal que, de instrumento essencialmente vocacionado para linhas melódicas, trinados e rodriguilhos, a guitarra de Coimbra se transformou num instrumento nobre, capaz de desenvolver acordes completos e dissonâncias muito próprias.
Diz Afonso de Sousa, guitarrista contemporâneo de Artur Paredes, que a guitarra deixou de ser tocada longitudinalmente (percorrendo-se individualmente cada corda ao longo do braço), para ser tocada transversalmente (combinando várias cordas de uma só vez, em acorde ou arpejo). E veja-se, como exemplo do seu génio, a Balada de Coimbra, uma canção que não é do Artur mas que ele transpôs para a guitarra de forma tão magistral que ninguém depois dele ousou tocá-la de forma diferente.
Mas o curioso desta história é que, à semelhança do seu filho Carlos, Artur Paredes era futrica, ainda que a Academia o considerasse como um membro seu e ele actuasse regularmente nas digressões da Tuna e do Orfeon, mesmo depois de ter ido viver para Lisboa.
No fado como no futebol, um bom futrica nunca está a mais numa equipa de estudantes.
Texto de José Luís Veloso, viola-baixo dos Álamos
(texto de 2001)
Stop That Game (Carlos Correia) - It's A New Day (Isabel Motta/Rui Ressurreição)
Arranjos de Rui Ressurreição.
Da esquerda para a direita: Luís Colaço, Rui Ressurreição, José Pereira, Carlos Correia (Bóris), José Veloso e António José Albuquerque.
Terra de estudantes, Coimbra tinha - e tem - todas as condições para germinar boa música e bons músicos. E sempre assim foi. Coimbra é a "nossa Liverpool". Foi lá que "tudo começou" em 1956 com José Cid, António Portela, António Igrejas Santos e Rui Nazareth, os famosos e pioneiros Babies.
E ainda temos o Fado de Coimbra (António Batoque, António Menano, Edmundo Bettencourt, Augusto Camacho, Luiz Goes, Fernando Machado Soares, etc) e a Canção de Coimbra (Adriano Correia de Oliveira, José Afonso), géneros únicos, inigualáveis e imbatíveis.
O que importa agora é o ié-ié. Além dos Babies, tivémos, pelo menos, o Conjunto do Orfeão de Coimbra, onde estiveram Daniel Proença de Carvalho, José Niza e Rui Ressurreição, os dois últimos já falecidos, entre outros, os Pops, os Protões, os Folkers, os Boys (que ganharam a 11ª eliminatória do Concurso Ié-Ié no Teatro Monumental em Lisboa a 06 de Novembro de 1965), o Conjunto Universitário Hi-Fi (que sucedeu aos Boys) e os Álamos, que eram, aliás, descendentes do Conjunto do Orfeão.
José Luís Veloso, o Canjinhas, pertenceu aos Álamos. Era o viola-baixo e o tesoureiro. O conjunto nasceu em 1963. Tocou em todo o País, o que incluiu Madeira e Açores. Também foram a Angola e a Moçambique.
Nunca planeámos grandes voos, as sebentas sempre se sobrepuseram às violas. Nunca nos deixámos subjugar por profissionalismos, nunca tomámos a sério conselhos de gente ligada ao music-hall que nos incitou a abandonar os cursos. Rejeitámos contratos bastante compensadores materialmente, na Suiça e nas Canárias. Eram contratos que nos prenderiam muitos meses. Gravámos discos porque se impõe. Sempre é algo de palpável que fica no fim de uma carreira.
Não. Não somos ié-iés furiosos. Gostamos do pop e tocamo-lo. Ray Charles é o nosso monstro sagrado. Os Beach Boys e os Beatles são também os grandes para nós.
Além de José Veloso, hoje com 63 anos, faziam parte do grupo Francisco Faria (vocalista), Luís Colaço (viola-solo), Duarte Brás (viola-ritmo) e José F. Pereira (baterista) e outros.
Há exactamente 40 anos - em 1967 -, Zé Veloso, 23 anos, natural de Ançã, frequentava o 4º ano de Engenharia de Máquinas, Chico Faria, 23, o 3º ano de Engenharia Civil, Duarte Brás, 23, o 4º ano de Direito, Luís Colaço, o Gorduras, 23, natural de Nova Lisboa (Angola), o 4º ano de Engenharia Civil, e Zé Pereira, o Rodas-Baixas, natural de Castelo Branco, 22, o 2º ano de Medicina.
A morada do grupo era então na Rua Guerra Junqueiro, 24 - 2º.
Em 1969, a banda já tinha Carlos Correia, o Bóris, 22 anos, natural de Angola, 3º ano de Engenharia Electrotécnica, viola-solo e vocalista, que tinha substituído o Chico Faria, e mais um elemento - o quinto - António José Albuquerque, o Silvestre, 21 anos, natural de Coimbra, organista, compositor e arranjador.
Carlos Correia pertenceu também aos Boys e ao Conjunto Universitário Hi-Fi e foi guitarrista de José Afonso com quem gravou, por exemplo, "Grândola Vila Morena".
Os Álamos gravaram três discos, "O Comboio" (Rapsódia EPF 5305), "Stop That Game (Sonoplay SN 20191) e "Peter And Paul" (Sonoplay), estes dois últimos ambos singles e ambos editados em 1969.
Dou então voz ao músico ié-ié, ao Canjinhas (José Luís Veloso), que nos fala de outra grande figura de Coimbra, Carlos Paredes:
Foi a poucos metros do Teatro Gil Vicente que vi pela primeira vez tocar Carlos Paredes. Foi por alturas de 1965, numa tarde de convívio na Associação Académica de Coimbra, num espaço coberto que dava para o jardim interior.
O espectáculo tinha aberto com os Álamos. Tocámos os Chatos Selvagens, os Beatles e o mais que era repertório de um conjunto yé-yé dos anos 60, casacos de couro por cima das golas altas pretas, guitarras eléctricas em riste, gingando em uníssono à boa maneira dos Shadows, enquanto o Chico Faria cantava "The Young Ones" e as colegas punham os olhos em alvo ao som do "I Can't Stop Loving You. Foi o sucesso do costume. Os Álamos eram mesmo um caso de popularidade.
A seguir veio o Paredes! Sem casacos negros, sem passes, sem câmaras de eco. Tocou como só ele... não há palavras! Na minha qualidade de estrela de rock and roll senti-me pequenino, ridículo, desimportante. A sensação de orfandade artística foi tão grande que ainda hoje me dói o recordá-la. As guitarras eléctricas tinham sido abafadas pela guitarra do Paredes!
Carlos Paredes tinha uma forma de tocar muito própria, inimitável, que infelizmente deixa pouca escola. Nem é guitarra de Coimbra nem de Lisboa. É guitarra do Paredes. Mas a guitarra com que o Carlos Paredes tocava era uma guitarra de Coimbra feita para seu pai Artur e rejeitada por este. Diz o seu construtor que a guitarra foi rejeitada por ter tido originalmente um pequeno defeito de construção, logo reparado, que em nada lhe afectava a sonoridade ou a resistência. Mas Artur enjeitou-a... e Carlos aproveitou para fazer dela a companheira de uma vida! E que companheira...
Pessoalmente, gosto mais da música do Carlos. Os seus acordes "com assinatura", as suas dissonâncias, a sua melancolia não piegas, a sua docilidade selvagem têm o condão de me acalmar e excitar ao mesmo tempo. Mas a guitarra de Coimbra deve muito mais ao Artur, já que foi ele o grande responsável pela configuração que o instrumento tem hoje. Foi ele que na década de 20 reinventou a guitarra de Coimbra e a emancipou da de Lisboa.
Artur Paredes queria uma guitarra capaz de produzir sonoridades que só ele antevia naquela época. Para tanto, levou o mestre João Pedro Grácio a alterar-lhe substancialmente a anatomia, ao nível do braço e da caixa de ressonância. Alterou-lhe a afinação, tornando-a mais grave. Por isso a guitarra de Coimbra afina mais baixo que a de Lisboa. Mas fez mais. Revolucionou a forma de a tocar, a técnica. E o resultado foi tal que, de instrumento essencialmente vocacionado para linhas melódicas, trinados e rodriguilhos, a guitarra de Coimbra se transformou num instrumento nobre, capaz de desenvolver acordes completos e dissonâncias muito próprias.
Diz Afonso de Sousa, guitarrista contemporâneo de Artur Paredes, que a guitarra deixou de ser tocada longitudinalmente (percorrendo-se individualmente cada corda ao longo do braço), para ser tocada transversalmente (combinando várias cordas de uma só vez, em acorde ou arpejo). E veja-se, como exemplo do seu génio, a Balada de Coimbra, uma canção que não é do Artur mas que ele transpôs para a guitarra de forma tão magistral que ninguém depois dele ousou tocá-la de forma diferente.
Mas o curioso desta história é que, à semelhança do seu filho Carlos, Artur Paredes era futrica, ainda que a Academia o considerasse como um membro seu e ele actuasse regularmente nas digressões da Tuna e do Orfeon, mesmo depois de ter ido viver para Lisboa.
No fado como no futebol, um bom futrica nunca está a mais numa equipa de estudantes.
Texto de José Luís Veloso, viola-baixo dos Álamos
(texto de 2001)
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