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domingo, 1 de julho de 2018

CHELSEA DRUGSTORE (50 ANOS)


Hoje em dia trazemos os discos das discotecas em sacos de plástico (que também vou juntando), mas outrora vinham em sacos de papel.

Desses tempos ainda guardo alguns como da Valentim de Carvalho, Estabelecimentos Electro-Ouro Lda, HMV (363 Oxford Street, Londres, a dos Beatles), Selfridges (também tinha discoteca, não sei se ainda tem), Sounos, I Was Lord Kitchener's Valet e Gear (todas em Carnaby Street), Harlequin Records (que tem um anúncio ao "Top Of The Pops") e Chelsea Drugstore (King's Road).

Gosto de todos, mas tenho especial carinho pelo saco meio roxo do Chelsea Drugstore, pelo que ele representa e pelo tempo que lá passei em 1970.

O Chelsea Drugstore foi inaugurado em Julho de 1968 e manteve-se até Maio de 1971. Ficava situado na esquina da Royal Avenue com a King's Road, sendo esta última, juntamente com Carnaby Street, um dos ícones da Swinging London.

Foi o primeiro drugstore britânico e foi construído com base no francês Le Drugstore na não menos famosa Boulevard de St Germain, em Paris, onde também vivi bons tempos.

O Chelsea Drugstore era fantástico, com uma arquitectura moderna, mas os residentes não acharam muita piada pela concentração de jovens que provocava. Estava aberto 16 horas por dia, sete dias por semana. Fiz lá excelentes compras como o "Bridge Over Troubled Water", de Simon and Garfunkel, e o "Let It Be" (single), dos Beatles, comprado no dia 28 de Março de 1970, exactamente 13 dias antes da separação da banda.

Ainda guardo também, religiosamente, quase como novo, o single dos Dave Clark Five, "Everybody Get Together", que tanto me apraz. Ainda lá está a etiquetazita "Chelsea Drugstore". Coisas que só têm valor para mim...

O Chelsea Drugstore ficou especialmente famoso por Mick Jagger, dos Rolling Stones, o ter cantado em "You Can't Always Get What You Want", do álbum "Let It Bleed" (1969).

Stanley Kubrick também lá filmou cenas de "A Clockwork Orange".

Hoje em dia está lá aberto um McDonalds, sinal dos tempos.

Em King's Road lembro-me também muito bem do Chelsea Kitchen (as minhas cunhadas trabalharam lá) - um excelente restaurante, também já desaparecido. O mais curioso é que só agora, apenas há uma semana, descobri que o restaurante, nessa altura, era gerido por um português, Jorge Castilho, de Luanda.

Chelsea Kitchen está agora em 451 Fulham Road.

De King's Road lembro-me ainda de outro café - Picasso - e da boîte da moda - Bird's Nest - que era um castigo para lá entrar, tal o comprimento da bicha cá fora.

quinta-feira, 20 de junho de 2013

INSTANT KARMA!


APPLE - APPLES 1003 - edição britânica (1970)

Instant Karma! (John Lennon) - Who Has Seen The Wind? (Yoko Ono)

É um dos primeiros singles de John Lennon a solo, mas creditado a Lennon/Ono with the Plastic Ono Band.

Foi composto e gravado no mesmo dia e posto à venda 10 dias depois, a 06 de Fevereiro de 1970.

Consegui comprá-lo em Londres no Chelsea Drugstore no dia 23 de Março de 1970.

No lado A diz-se play loud no B play quiet.

George Harrison, Klaus Voorman, Alan White e Billy Preston são alguns dos participantes na gravação. Os coros são de um grupo de pessoas que Preston sacou numa boîte.

A produção é de Phil Spector. (lado A) e de John Lennon (lado B)

quinta-feira, 6 de junho de 2013

CREEDENCE CLEARWATER REVIVAL


LIBERTY - LBF 15310 - edição inglesa (1970)

Travelin' Band - Who'll Stop The Rain

Adquirido em Londres no dia 30 de Março de 1970, no Chelsea Drugstore.

segunda-feira, 1 de abril de 2013

AS MINHAS DISCOTECAS



No meu tempo…

Bom, no meu tempo, que começa nos anos 60, em Coimbra, as lojas de discos chamavam-se discotecas.

A primeira discoteca onde terei entrado foi a Olímpio Medina, em Coimbra, onde, puto de capa e batina, desviei o primeiro disco dos Beatles, “She Loves You”, no dia 18 de Abril de 1964.

Mas discotecas a sério só em Lisboa, já a década de 60 ia avançada: muitos EPs na Casa Gouveia Machado, o primeiro LP dos Doors na Sol & Dó, muitos singles na Sinfonia (“Live In The Sky”, Dave Clark Five, “Games People Play”, Joe South, “Love At First Sight”, Baker Street Philharmonic, “Amor Novo”, Luís Rego), um EP inglês de Bob Dylan exposto ao sol como se fosse um jornal no exterior na Tabacaria Canasta no dia 14 de Dezembro de 1966 (“One Too Many Mornings”).

Lisboa era mesmo um viveiro: Compasso (“Chase”, Carlos Mendes, “You’re So Vain”, Carly Simon, “Le Lac Majeur”, Mort Shuman, “All Those Years Ago”, George Harrison), Apolo 70 (“Part Of The Union”, Strawbs, “Smoogin’”, Smoog, “(I Can’t Get No) Satisfaction”, Trittons, “Junior’s Farm”, Paul McCartney and Wings, “Have I The Right”, Dead End Kids), Drugstore Sol a Sol (“Magical Mystery Tour”, Beatles), Melodia, Discoteca do Carmo (“Double Fantasy”, John Lennon), Universal (“When A Man Loves A Woman”, Percy Sledge), Valentim de Carvalho (“Tous Les Garcons Et Les Filles”, Françoise Hardy, “I Get A Kick Out Of You”, Gary Shearston), GrandeFeira do Disco, Frineve (“Sê Um GNR”, GNR), Livraria Barata (alguns de Zeca Afonso), Concorrente (“Ode To The Beatles”, Quarteto 1111, “Pop Corn”, Popcorn Makers, ”El Camino”, Juan Carlos Caceres), Coop Bancários (“Johnny B Goode”, Peter Tosh), Livraria Ler, Estabelecimentos Electro-Ouro Lda.

E a capital portuguesa chegou a ter megastores como a da Valentim de Carvalho, no Rossio, e a Virgin, onde agora está a Loja do Cidadão, nos Restauradores.

Mas o que importa para aqui são as discotecas inglesas e essas – oh meu Deus! – eram o êxtase total: mexer naqueles discos, sujar as mãos com o pó, descobrir as novidades, comprar os grandes êxitos, arriscar no desconhecido.

E quando elas, as discotecas, era mais sofisticadas, até se comia lá dentro um muffin de chocolate e um capuccino para não perder pitada…

Recordo muitas, muitas, as várias HMVs, Virgins, Our Prices e Towers espalhadas por toda a cidade de Londres, mas também a Rhythm Records (provavelmente a que mais me enchia o olho e esvaziava a carteira), Sister Ray, Music & Video Exchange, Rough Trade, Revival Records, Harlequin Records, Selfridges, Sounos, I Was Lord Kitchener’s Valet e Gear, estas três últimas na Carnaby Street dos anos 60.

Até as lojas em Heathrow eu percorria para uma última aquisição.

Mas deixem-me recordar duas discotecas londrinas, ambas já desaparecidas, que sempre trago no coração pela história que ostentam.

Uma, Chelsea Drugstore, em King’s Road, que os Rolling Stones celebrizaram em “You Can’t Always Get What You Want” e Stanley Kubrick em “A Clockwork Orange”. Foi o primeiro drugstore britânico, abriu em Julho de 1968 e fechou em Maio de 1971. Hoje é um McDonald’s.

Comprei lá muitos discos na Páscoa de 1970. Do que tenho apontado, lembro: “Everybody Get Together” (Dave Clark Five), “That Same Old Feeling” (Pickettywich), “Let’s Work Together” (Canned Heat) , “Travellin’ Band” (Creedence Clearwater Revival) e “Bridge Over Troubled Water” (Simon and Garfunkel).

A segunda, provavelmente a mais famosa e a mais histórica, a HMV no 363 de Oxford Street.

Foi aqui, no dia 08 de Maio de 1962, que Brian Epstein passou as chamadas “Decca Tapes”, dos Beatles, para acetato. Foi aqui também que o mesmo Brian Epstein se encontrou com Sid Coleman, da companhia de publishing da EMI, Ardmore & Beechwood (primeiro publishing dos Beatles), que, por sua vez, serviu de intermediário para o conhecimento com George Martin, da Parlophone. E o resto é história…

E foi aqui, também, que eu, sem o saber, comprei no dia 30 de Março de 1970 o que viria a ser o último single dos Beatles, “Let It Be”. Onze dias depois, Paul McCartney anunciava formalmente a dissolução dos Beatles.

Esta primeira loja da HMV foi inaugurada no dia 21 de Julho de 1921 pelo compositor Edward Elgar e fechou em Abril de 2000.

Hoje, no local da discoteca, está, ou estava há poucos anos, uma Foot Locker, mas também a célebre placa azul que assinala os edifícios históricos da Grã-Bretanha, descerrada por George Martin no dia 26 de Abril de 2000.

Luís Pinheiro de Almeida

sexta-feira, 22 de março de 2013

CHELSEA DRUGSTORE


Era assim o Chelsea Drugstore, na King's Road, em Londres, que os Rolling Stones celebrizaram em "You Can't Always Get What You Want".

Agora está lá o McDonald's que manteve, mais ou menos, a fachada.

sábado, 20 de junho de 2009

CHELSEA DRUGSTORE


Era nesta esquina da King's Road, em Londres, com a Royal Avenue, que ficava o famoso Chelsea Drugstore.

Como se vê, é agora um McDonald.

segunda-feira, 10 de março de 2008

MAPA DE LONDRES DOS ANOS 60


Este é um mapa de Londres dos anos 60. Está cheio de anotações minhas. Alguns exemplos:

Earl's Court ("droga", "emigrantes"), Kensington High Street ("mercado indiano"), Old Brompton Road ("café dos artistas", "bistro com vinho"), Royal Albert Hall ("música"), King's Road ("casa", "mercado", "câmara", "habitat", "correio", "fulham", "chelsea kitchen", "drugstore"), Beauchamp ("rua muito gira"), Belgravia ("embaixadas"), Regent St. ("Liberty"), Oxford Street ("anorak"), Tate Gallery ("arte moderna"), County Hall ("gravura antiga"), Queen Elizabeth Hall/Royal Festival Hall ("música, teatro, cinema, self-service"), Portobello ("mercado"), etc e tal.

A mais de 40 anos de distância... sorrisos.

terça-feira, 22 de janeiro de 2008

OUTRA VEZ O CHELSEA DRUGSTORE


Hoje em dia trazemos os discos das discotecas (lojas) em sacos de plástico (que também colecciono), mas outrora vinham em sacos de papel.

Desses tempos ainda guardo alguns como da Valentim de Carvalho, Estabelecimentos Electro-Ouro Lda, HMV (363 Oxford Street, Londres, a dos Beatles), Selfridges (também tinha discoteca, não sei se ainda tem), Sounos, I Was Lord Kitchener's Valet e Gear (todas em Carnaby Street), Harlequin Records (que tem um anúncio ao "Top Of The Pops" de que já falei aqui) e Chelsea Drugstore (King's Road).

Gosto de todos, mas tenho especial carinho pelo saco meio roxo do Chelsea Drugstore, pelo que ele representa e pelo tempo que lá passei em 1970.

O Chelsea Drugstore foi inaugurado em Julho de 1968 e manteve-se até Maio de 1971. Ficava situado na esquina da Royal Avenue com a King's Road, sendo esta última, juntamente com Carnaby Street, um dos ícones da Swinging London.

Foi o primeiro drugstore britânico e foi construído com base no francês Le Drugstore na não menos famosa Boulevard de St Germain, em Paris, onde também vivi bons tempos.

O Chelsea Drugstore era fantástico, com uma arquitectura moderna, mas os residentes não acharam muita piada pela concentração de jovens que provocava. Estava aberto 16 horas por dia, sete dias por semana.

Fiz lá excelentes compras como o "Bridge Over Troubled Water", de Simon and Garfunkel, e o "Let It Be" (single), dos Beatles, comprado no dia 28 de Março de 1970, exactamente 13 dias antes da separação da banda.

Ainda guardo também, religiosamente, quase como novo, o single dos Dave Clark Five, "Everybody Get Together", que tanto me apraz. Ainda lá está a etiquetazita "Chelsea Drugstore". Coisas que só têm valor para mim...

O Chelsea Drugstore ficou especialmente famoso por Mick Jagger, dos Rolling Stones, o ter cantado em "You Can't Always Get What You Want", do álbum "Let It Bleed" (1969).

Stanley Kubrick também lá filmou cenas de "A Clockwork Orange".

Hoje em dia está lá aberto um McDonalds, sinal dos tempos.

Em King's Road lembro-me também muito bem do Chelsea Kitchen (as minhas cunhadas trabalharam lá) - um excelente restaurante, também já desaparecido. O mais curioso é que só agora, descobri que o restaurante, nessa altura, era gerido por um português, Jorge Castilho, de Luanda.

Há coisas fantásticas, não há?

De King's Road lembro-me ainda de outro café - Picasso - e da boîte da moda - Bird's Nest - que era um castigo para lá entrar, tal o comprimento da bicha cá fora.

Para quem se interessar por esta swinging London, há um esplêndido livro de Max Décharné intitulado "King's Road - The Rise And Fall Of The Hippest Street In The World".

quinta-feira, 6 de dezembro de 2007

AMO ESTE SINGLE!


COLUMBIA - DB 8660 - edição original inglesa (1970)

Everybody Get Together (Chet Powers) - Darling I Love You (Dave Clark/Mike Smith)

Este é um dos singles que mais estimo por diversas razões. Em primeiro lugar, é uma canção inspiradíssima numa interpretação genial dos Dave Clark Five, uma das bandas mais queridas deste blog.

Depois, é o design do single, com este contraste do vermelho vivo com o negro do vinil.

Finalmente - e esta é bem mais pessoal - trata-se de um single que eu próprio comprei num glorioso dia em King's Road, em Londres, no Chelsea Drugstore, de boa memória, no dia 30 de Março de 1970-