quarta-feira, 2 de abril de 2008

RUI VELOSO NÃO É "PAI" DE COISA ALGUMA


Sempre me irritou solenemente o epíteto que colaram a Rui Veloso de ser o "pai do rock português", pela simples razão de que não é, nunca foi, verdade!

Ainda por cima, Rui Veloso considera-se a si próprio mais bluesman do que roqueiro.

O rock português nasceu discograficamente em 1960 com os Conchas e Daniel Bacelar e, antes disso, já Zeca do Rock andava nas lides, conforme testemunha:

Assim nasceu o rock em Portugal nos idos de 1955, se a memória não me falha (Rui Veloso nem sequer tinha ainda nascido!!!! - nota do editor).

O filme "Rock Around The Clock" foi a semente. A música do mesmo nome já tinha aparecido na película "Sementes de Violência".

Na época ainda só existiam discos de 78 rpm, pelo que eu comprei os seguintes, com músicas que faziam parte da trilha sonora do filme:

Bill Haley and his Comets: Mambo Rock/Birth of the Boogie
Bill Haley and his Comets: Rock around the clock/Thirteen women
Bill Haley and his Comets: Rock-a-beatin' boogie/Burn that candle
Bill Haley and his Comets: See you later, alligator/The paper boy
Freddie Bell and the Bell Boys: Giddy-up-a ding dong/I said it and I'm glad

Foi uma loucura! Ouvi até à exaustão estas 10 músicas. Levei o gira-discos para o Colégio de Clenardo e, com autorização do saudoso Padre Alberto Vieira, então director, alí fiz várias sessões de divulgação que foram sucessos retumbantes.

Alguns colegas, que faziam regularmente sessões de divulgação de música clássica (de que eu era, também, assíduo ouvinte) tentaram boicotar as minhas sessões de rock, apelaram para instâncias superiores da Ordem Dominicana, etc, felizmente, sem sucesso. Para eles, aquilo era uma batucada insana que devia ser proibida.

Pouco tempo depois conheci o Fernando Alvim, aprendi com ele o essencial da guitarra de acompanhamento, e o resto é história. A história do rock em Portugal.

Colaboração de Zeca do Rock

29 comentários:

Unknown disse...

Mas que coisa! Penso exactamente o mesmo! Abaixo Rui Veloso! Grande blog! Parabéns!

João

josé disse...

Rui Veloso é tanto pai do rock português, como Elvis Presley é o rei do rock n´roll...

Logo continuo.

Rato disse...

Impõe-se aqui uma pequena correção:
Nunca vi completo o filme "Rock Around The Clock", estreado nos States em 21 de Março de 1956. Apenas extractos. Trata-se de um filme em que Bill Haley and The Comets são os reais protagonistas e em que interpretam ao vivo os seus êxitos.
Quanto ao "Blackboard Jungle / Sementes de Violência", estreado um ano antes, a 25 de Março de 1955 é cinema no seu melhor. Assinado por Richard Brooks e protagonizado por Glenn Ford e Sidney Poitier foi o percursor de filmes onde a relação professor-aluno seria o centro da trama. Tivemos nos anos 60 o mais soft "To Sir With Love" (1967) com uma luminosa Lulu e o mesmo Sidney Poitier mas então no papel inverso de professor e, já nos anos 90 o "Dangerous Minds" (1995) com a belissima Michelle Pfeiffer.
Mas voltando atrás, ao "Blackboard Jungle": é um dos meus "filmes da vida" e por isso já o vi e revi vezes sem conta. E o "Rock Around The Clock" lá está, não em qualquer versão orquestral mas sim na sua poderosa versão original, a introduzir o genérico e a abrir portanto o filme, "preparando" o espectador para os conflitos retratados no argumento.
E se há um começo para a cultura branca do Rock 'n' Roll (sim, convém não esquecer que o ritmo já tinha sido inventado muito antes pelos negros, só que nunca explorado comercialmente), esse começo dá-se efectivamente no ano de 1955, com o "Blackboard Jungle". E tal não ficou a dever-se apenas àquele tema, mas sobretudo ao salto da juventude rebelde para a ribalta. Salto esse "reforçado" sete meses depois, a 27 de Outubro de 1955, com a estreia do "Rebel Without a Cause / Fúria de Viver", do Nick Ray e com o carismático James Dean.
Ainda há dias me lembrei destes dois filmes a propósito da "cândida travessura" da menina do telemóvel. E, claro, não deixei de sorrir.
Quanto à paternidade musical do Rui Veloso, se calhar ele nunca permitiu que lhe fizessem testes ao ADN. E para quê, realmente? Há para aí tantos bastardos...
Quanto ao comentário do José, sei exactamente ao que ele se refere, mas mesmo assim a comparação é capaz de ser um pouco descabida. É que o Elvis, no arranque, liderou efectivamente uma revolução musical (onde ele foi collher as sementes para essa revolução, isso já é outra história). Ao passo que o Rui Veloso não iniciou coisa alguma, teve a sorte de lançar um bom album na altura própria e com a coincidência de se chamar "Ar de Rock".

Rato disse...

Ah, é verdade, esqueci-me de mencionar que o tema "Rock Around The Clock" fecha também o filme. E uma vez mais na versão original.

blog disse...

O Rui Veloso não pode estar sempre a dizer que é (ou não é) pai de quem quer que seja.

Já se sabe que "ideias feitas" é o que há mais por aí, contudo não foi o RV que se auto-intitulou pai do rock. Que eu saiba ele apenas diz que é pai dos seus filhos.

Como LT diz, ele sempre se assumiu como bluesmen, pelo que não vale a pena fazer polémica com o RV quando não foi ele que a criou.

Hoje em dia, RV é mais pop (ou mesmo música ligeira), contudo como refere LT não lhe podemos tirar o mérito.

Aliás o álbum "Mingos & Samurais" era um album dedicado aos pioneiros do Rock e dos bailaricos, pelo que acho que é injusto algumas críticas que aqui tenho lido (mesmo que não seja um grande fã do RV)

blog disse...

Esqueci-me de dizer que sou um grande fã do "Sementes de Violência" que deveria ser de visualização obrigatória pela Ministra da Educação e por quem se está a tentar aproveitar politicamente do caso do telemóvel do Carolina Michaelis

filhote disse...

Rui Veloso, 1ª parte.

Caros amigos, vocês fazem-me lembrar a pandilha do submundo do vinil lisboeta que persiste em desconsiderar a importância dos Beatles. Um dos notáveis desse submundo - do qual considero-me membro honorário -, chegou a afirmar: << os Beatles são os ABBA dos anos 60 >>. E então quando se fala do Macca, meu Deus, não há quem não deixe escapar um esgar de reprovação.

Nestes tempos, está na moda diminuir a influência da dupla Carlos Tê/Rui Veloso na História da música popular portuguesa. A verdade, por mais que ela vos incomode, é que para a minha geração - eu tinha 13 anos em 1980 -, o disco "Ar de Rock" foi uma pedrada do charco. Absolutamente revolucionário!

filhote disse...

Rui Veloso, 2ª parte

Antes do LP "Ar de Rock", para mim e para muitos dos artistas "rock" portugueses, era piroso, foleiro, cantar em português. Principalmente, quando as influências eram marcadamente anglo-americanas (Roxigénio; Go Graal).

Sendo assim, posso afirmar que o Rui Veloso introduziu uma nova forma de cantar a língua portuguesa, em que a dicção não é tão sublinhada - influência dos bluesmen, claro -, a ponto de certas palavras se tornarem quase imperceptíveis - a la Muddy Waters. Quando ouvi pela primeira vez a "Rapariguinha do Shopping" no Rock em Stock (o Em Órbita da minha geração), não consegui perceber claramente a letra da canção...

Tudo isto, aliado a um punhado de excelentes canções, uma guitarra que nunca se tinha ouvido por cá, uma harmónica "azul", e uma narrativa estilo "storytelling", dominada por Carlos Tê, que nos transportava para o dia-a-dia da cidade e do campo (principalmente o Porto), abriu novas portas para centenas de músicos portugueses.

Desafio os dilectos bloguistas a ouvir de novo "Afurada" e "Sei de uma Camponesa". Quanta maturidade em dois jovens compositores!!!

filhote disse...

Rui Veloso, 3ª parte

Aquele a quem chamaram "Chico Fininho", não liderou nenhum movimento. Nem foi pai de coisa alguma - para além dos filhos.

Porém, o sucesso do "Ar de Rock" foi o rastilho para o denominado "Boom do Rock Português". O formato 7" voltou a ser primordial na música urbana portuguesa, e nomes como G.N.R., Xutos e Pontapés, UHF, Táxi, Jafumega, Salada de Frutas e muitos outros, sairam da penumbra e conquistaram os jovens do país. Nem o saudoso Tony Silva escapou à "Música Ró"...

Podemos dizer, por mais que isso agora pareça desajustado, que esse boom também aconteceu por que "virou" moda cantar em português. Por causa do Rui Veloso e do Carlos Tê. Por causa do "Chico Fininho", que falava de Lou Reed, ácidos, joanetes, shoots na retrete...

Numa entrevista, o Variações diz: << foi o Rui Veloso que apontou o caminho >>. Uma década depois, Abrunhosa volta a dizer quase o mesmo...

O Rui Veloso não quis fazer nenhuma revolução, mas fez...

josé disse...

Subscrevo os dizeres do filhote.

Lembro-me da Go Graal e da incomodidade que me provocavam ao ouvir tanta inépcia.

Esperava sempre ouvir qualquer coisa de bom, bem tocado, aperfeiçoado.
Isso aconteceu com Rui Veloso e o Ar de Rock.

Um som de fazer perder de vista todos os outros que misturavam letras portuguesas, com música de raiz incerta mas de vários lados, com destaque para a americana.

E Rui Veloso parece que começou a tocar em público, na tv, num festival de canção.

filhote disse...

Rui Veloso, 4ª parte (final)

Como catalizador de um momento específico da música popular portuguesa, o Rui Veloso deixou de ser importante logo após o "Ar de Rock". É descabido compará-lo ao Elvis, mas eu diria que o Veloso pós-"Ar de Rock" é o Elvis pós-exército.

No entanto, no final dos anos 80, com o LP "Rui Veloso" (aka "Os Vês pelos Bês") o "padrasto" do Rock Português ressurgiu como catalizador de alguma música africana e portuguesa (Vitorino, Dany Silva), compondo canções que residem para sempre no panteão da nossa música popular... "Porto Côvo", "Porto Sentido", "Cavaleiro Andante", "África"...

Não vou comparar o Veloso e o Tê com nenhum outro artista internacional. Não é possível. Embora a música deles seja bastante influenciada pela América, a do Norte, eles são genuinamente portugueses. Para além da excelência musical, tão rara em Portugal, essa indiscutível portugalidade é o maior mérito deles.

O resto é polémica, movida por gostos pessoais e questões geracionais.

Queirosiano disse...

Sem querer entrar numa polémica que tem algo de artificial (e estou globalmente de acordo com o Filhote, acrescentando apenas que o impacto do Rui Veloso foi tanto maior quanto a música portuguesa da época era na sua generalidade medíocre, uma espécie de sub-punk mal assimilado), queria apenas assinalar que comparar o Rock em Stock" com o Em Orbita é como comparar uma betoneira com um Porsche. A boçalidade e a classe são universos diferentes.

filhote disse...

Caro Queirosiano, quem é que comparou o Rock em Stock com o Em Órbita???????????????????????

Eu escrevi que o Rock em Stock era o Em Órbita da minha geração, sendo o programa de rádio mais influente junto dos adolescentes do início dos anos 80.

É importante não esquecer que eu tinha 12/13 anos... mas talvez a minha geração tivesse menos classe e mais boçalidade... afinal era a geração Punk...

filhote disse...

Para acabar de vez com os equívocos:

1. Não posso comparar o Em Órbita com nada, pela simples razão de que nunca ouvi esse programa. Não é do meu tempo...

2. Usei o Em Órbita como referência (comentando o Rock em Stock) por saber da influência que o programa tinha na formação do gosto musical dos jovens dos anos 60.

3. Não me lembro se o Rock em Stock era boçal. Talvez. Porém, naquela época parecia-me perfeito. E o dia paralizava para ouvir a emissão. Através do Rock em Stock, ouvi Sérgio Godinho, Television, Lene Lovich, Joe Jackson, Talking Heads, Jorge Palma, Patti Smith, e tantos outros... tudo num ritmo meio frenético, claro... ah, e o indicativo era o "Turn me On" dos Tubes - impossível esquecer.

Queirosiano disse...

Caro Filhote, não estão, nem nunca estiveram, em causa nem as pessoas que ouviam o programa, nem os seus gostos. As opções musicais do programa reflectiam, como seria inevitável, o ar do tempo. A esse nível, pode dizer-se que havia melhor e pior, como em todos os casos, mas havia também - é uma apreciação subjectiva - uma razoável falta de critério.

Ainda assim, a referência à boçalidade não tem a ver com isso. Tem a ver, sim - em contraponto com a classe e a sobriedade que faziam parte do ADN do Em Orbita -, com o primarismo ostensivo e tonitruante como o programa era apresentado.

A seu favor, poderá dizer-se que permitiu em algumas ocasiões descobrir música interessante e inovadora. Contra, pode e deve dizer-se que foi pouco inspirado adoptar um estilo radiofónico baseado no mau gosto militante.

Um abraço

filhote disse...

Entendido.

Queirosiano disse...

Entretanto, há uma segunda questão que deliberadamente não abordei, para não misturar as coisas:

Geração Punk em Portugal ? Onde ?

O movimento punk resultou de uma reacção a uma situação social e musical muito específica. As causas do punk nem foram aliás as mesmas em Inglaterra e nos Estados Unidos. Mas, na origem, ele era o eco de uma inquietação com raízes bem definidas. Quem tiver conhecido a sociedade inglesa no final dos anos 70 e a violência das correntes que a atravessavam apercebe-se bem disso.

Portugal, recém-saído de uma revolução, estava a todos os títulos nos antípodas do contexto que gerou o punk. O que aconteceu em Portugal foi uma adesão à música que emergiu da recuperação comercial do punk (nenhum dos grupos ou cantores que menciona fez verdadeiramente parte do movimento). Terá sido a música mais ou menos formativa de uma geração em Portugal, mas apenas isso.

filhote disse...

De acordo, Queirosiano. Em absoluto. Fui mail interpretado. Devia ter escrito "geração Punk" assim, entre aspas.

Referia-me a mim e aos meus amigos - repito, tínhamos 12/13 anos -, e não aos músicos de então.

Nós não éramos Punk, longe disso, mas ouviamos de manhã à noite Ramones, MC5, Stooges, Sex Pistols, Clash, Undertones, e o lendário disco ao vivo "Roxy London" (várias bandas).

Até 1978, as minhas referências eram Beatles, Stones, Kinks, Beach Boys, Elvis Presley, Byrds, etc - influência do meu pai. Depois, recebi o meu baptismo de fogo "Punk" no Pavilhão Dramático de Cascais... concerto dos Tubes... tinha apenas 11 anos, e fiquei pasmado... no mínimo... eheheheeh

Queirosiano disse...

Também lá estive. Foi bem divertido.

ié-ié disse...

Ah, sim! "Sei De Uma Camponesa" é dos grandes hinos da música popular portuguesa! Choro quando a ouço. Aliás, choro quase sempre que ouço uma harmónica!

LT

DANIEL BACELAR disse...

Meus Amigos
Andamos nós a perder tempo para saber quem é "o pai do rock português"quando a resposta sempre esteve aí á vista.
O paizinho do "Rock Português"foi sem dúvida o Bill Halley e os seus Cometas com o seu fabuloso 78rpm "rock around the clock" (cuja fotografia o Zeca já publicou neste blog-uma preciosidade)tema do não menos famoso filme "Sementes de Violência" "Violent Playground"con Glenn Ford.
Anos mais tarde,um jóvem realizador português,fêz uma nova versão actualizada de seu nome "Dá-me o telemóvel JÁ.....Sua velha!!!).
Os americanos ficaram de tal maneira impressionados que já compraram os direitos e dentro de dias começarão as filmagens de mais um enorme sucesso "Give me your mobile right now....you old block!!!"

DANIEL BACELAR disse...

Desculpem a confusão!!!!
Claro está que o titulo original de "Sementes de Violência" era "Blackboard Jungle"e não o outro que escrevi.Não há dúvida,a idade não perdôa e já começo a misturar as coisas.

Jack Kerouac disse...

Também sempre achei um exagero chamar-se Pai do Rock Português ao Rui Veloso, mas realmente na altura que ele apareceu havia um certo vazio no rock em Português. Talvez depois do fim do Quarteto 1111 até ao Rui Veloso, se tenha atravessado uma espécie de deserto. O que de bom havia, Tantra ou Go Graal ou outros, cantavam basicamente em inglês, e muitas vez até com um estilo que já tinha passado de moda lá fora. Estava-se longe do que se fazia nesse mundo. O Rui Veloso os UHF e outros, surgiram na altura certa. Eu sou muito mais velho do que o filhote, tinha 14 anos qdo saiu o Ar de Rock, mas entendo o que ele diz sobre o peso do Rock em Stock para a nossa geração....iamos para casa ouvir aquilo religiosamente, e gravavam-se as musicas em cassetes BASF ou SONOVOX, e rezava-se para que o Luis Filipe Berros não as interrompe-se. Era o Rock em Stock, o TNT - Todos no Top, e as Estórias com Disco ao Meio, onde gravei as primeiras musicas que tive dos Everly Brothers.


p.s.- filhote, ainda trabalhei umas noites num bar que deves conhecer ... o "Anos 60" no terreirinho...o dono tocava lá, e era inquilino do meu irmão em Almada ;)

filhote disse...

Agora fiquei confuso, Kerouac... o dono original dos Anos 60 era o Luís de Freitas Branco, que, de facto, lá tocava regularmente. O que acontece é que ele nunca residiu em Almada. Posso garantir.

Aliás, no papel eu também era dono do bar Anos 60. E também lá tocava regularmente. De Setembro de 1987 (inauguração)a 1998. Depois, o dono passou a ser somente o Fernando Casanova... mas esse não toca nenhum instrumento!!!

Jack Kerouac disse...

Mas é precisamente do Luís de Freitas Branco que eu estou a falar, e olha que era ele que viveu uns tempos numa casa do meu irmão em Almada, ou Laranjeiro...lembro-me perfeitamente disso, e de trabalhar lá no bar esporádicamente, que o meu irmão explorava ou abria, já não me lembro qual era o acordo com o teu pai. Lembro-me bem de o ouvir a cantar Joe ´Dassin e essas coisas..pela minha memória deve ter sido em 88 ou 89...por aí :)

filhote disse...

Está tudo certo, Kerouac, exceptuando a "história" de Almada. O meu pai vive na Venda Seca (Belas) desde 1979/80.

Obviamente, ele podia ter alguma namorada a viver nessa casa em Almada... eheheheh... e nesse caso, teria lá pernoitado umas noites...

Jack Kerouac disse...

Passámos da discussão do Pai do Rock, para a discussão do Pai do Filhote..eheh, com a diferença que neste caso não há qualquer dúvida sobre a paternidade... se tiveres mail ou messenger podemos continuar sem encher aqui o blogue, apesar de continuarmos a falar de um dos pioneiros dos rock Português :)

Magos de seis cordas disse...

Boas!
Nasci em 81 e nessa medida posso ser vítima de descrédito...
No entanto, havia rock em Portugal nos anos sessenta (bem antes de Rui Veloso). Há quem diga que o rock chegou pelos soldados americanos que paravam nos Açores... esta inútil polémica de ser pai ou não, levou o José Cid a dizer: "Se o Rui Veloso é o pai, eu sou a Mãe!"
Apesar dos defeitos, o Cid fez dos trabalhos mais memoráveis da história da música Portuguesa (e falo de Rock).
Foi o Júlio Pereira (que chegou a tocar nos Petrus Castrus) que dizia: "Ter uma banda de rock, tocar uma guitarra eléctrica era sinónimo de problemas com a família e a polícia".... Esses sim foram lutadores de CAUSA! Além da rock progressivo (que o país não teve capacidade de entender) eles lutavam contra um regime opressor, sofrendo as consequências!
E o Rui? Filho... de "gente bem"... com $ para boas guitarras! Pois!!!
Quem tinha capital para ter bom som ou o direito a uma carreira?...
O Rui Veloso é pai do início das "cunhas" ás Editoras em Portugal!
O pobre não tinha (nem conhecimentos nem nada) para mostrar o trabalho do filhinho mimado (que não queria trabalhar) a uma Editora!... Não tiro o valor a RV, admiro-o muito e adoro os bons temas que fez!...
E cantar em Português: já muita gente o tinha feito! RV foi, uma questão de boom discográfico! "Há horas felizes"!

Para mim o Rui conseguiu ser mais acessível à "populaça" com um "Ar de rock"... é isso!...

Pai ou mãe do rock... e quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha?!

Carlos disse...

Amigos,

Este assunto do Rui Veloso tem que ser desmistificado. Pela ignorância, mau gosto, pela falta de memória histórica, tudo me leva a crer que foi trabalho (cuja moda pegou) de algum jovem jornalista mal preparado, que não fez convenientemente o seu trabalho de casa, nem se preocupo a pesquisar ou a falar com quem sabe destas coisas...lgum jornalista de aviário...ou que alguém lhe encomendou o mote...! Agora, o que é certo é que eu nunca ouvi o Rui Veloso (que o adiro como musico de valor e qualidade)alguma vez ter proferido tamanha barbaridade. É que até é uma falta de respeito pelos musicos que iniciaram verdadeiramente o Rock em Portugal e o acompanharam naquelas épocas, muitas vezes em condições muito difíceis (em vários aspectos)... Por isso julgo que isso é coisa de jornalista de aviário , pois não quero pensar noutras razões como por exemplo os jogos de propaganda e de bastidores para aumentar vendas...Pois, como já li, é como dizer que o Elvis ou o Cliff Richard são os "Pais" do Rock nos respectivos países...Mas como neste país, já ouvi um pouco de tudo...até que o 1º Presidente da República foi o Gen. Eanes...e desde que vi um porco a andar de bicicleta, já nada me espanta !!!
Este assunto tem que ficar, de uma vez por todas, explicado, resolvido e desmistificado, para bem da verdade histórica.

Carlos