sábado, 31 de maio de 2008

AMANHECER HERÓICO


TELECTRA - 17.045 S

Marcha Patriótica 25 de Abril (José Calvário/José Afonso/Sílvio Pleno/Russel) - A Mais Bela Herança (Sílvio Pleno/Luís Alcaria) - Grândola Vola Morena (José Afonso) - Cravo Livre (Sílvio Pleno/Deniz Marques da Costa)

Uma força do Batalhão de Caçadores nº 5, sito em Campolide (Lisboa), mas com uma saída estratégica pela Rua Marquês de Fronteira, comandada pelo então major José Cardoso Fontão, ocupou às 03H15 do dia 25 de Abril de 1974 o Rádio Clube Português, não muito longe, na Rua Sampaio e Pina.

"México" era o código da Ordem de Operações do MFA.

"Fazia 42 anos precisamente nesse dia e antes de sair com as tropas ainda bebi uns copos na Unidade à minha saúde", contou, 20 anos mais tarde, o coronel, na reserva.

Conta a lenda, que os militares do MFA tiveram "alguma dificuldade" em entrar no Rádio Clube Português.

Na recepção, o porteiro Alcino Leal, incrédulo com a movimentação militar, tentou impedir a entrada, exigindo os BIs dos militares para registo nas folhas. Acabou por desistir.

Bom homem, Alcino Leal manteve-se durante anos no mesmo posto, sendo carinhosamente tratado pelos trabalhadores da estação como o "senhor Leal À Causa".

Matos Maia, no seu livro "Aqui Emissora da Liberdade", Caminho, 1999, não corrobora esta estória, mas ela ficou para a História.

3 comentários:

JC disse...

Uma curiosidade e uma correção:
1. Antes do 25 de Abril, Caçadores 5 era tida como uma unidade "tramada", com disciplina férrea, para onde ninguém queria ir apesar de ter a vantagem de ser no centro de Lisboa. Será que a lenda corresponde á verdade?
2. Correção: o Marquês (actualmente o bem conhecido Fernando Mascarenhas, conde da Torre e Marquês de Fronteira e Alorna - democrata e oposicionista de sempre) é "de" Fronteira (vila alentejana) e não "da" fronteira, qualquer que ela seja. Peço desculpa, LT, pela correção, mas é um erro que vejo sistematicamente repetido.
Abraço

ié-ié disse...

Tem toda a razão! Também eu gosto das coisas rigorosas e correctas, também sou picuínhas ao ínfimo pormenor. E até sabia disto, mas... escapou! Obrigado pela correcção!

LT

Armando disse...

Bom, já que vamos de pormenores.
O primeiro, é curto. O Bom Leal não quis proíbir a entrada. Quis cumprir com a regra segundo a qual no RCP não se entrava "por aí fora".
Dizia-se com quem se queria falar, e essa pessoa vinha à porta buscar o visitante. Foi assim que os "invasores" foram recebidos pelo Jaime da Silva Pinto a quem disseram: Viemos ocupar o RCP para um golpe de estado.
Resposta do Jaime: tá bem, querem visitar as instalações não é? Então entrem lá.
Segundo e último pormenor para revelar o caracter do Leal, um antigo GNR, tão "conservador" quanto a força que serviu.
Após o 25 de Novembro, muitas foram as tentativas dos "vencedores" para que ele denunciasse comunas e afins.
E da sua boca nem uma palavra saíu.
Onde quer que estejas, Leal, sê feliz.