sexta-feira, 26 de dezembro de 2008

ILUSÃO DO IÉ-IÉ PORTUGUÊS


Ilusão - Só (Ekos) - Óculos de Sol (Natércia Barreto) - Quero O Teu Amor - Sonhos - Oh Carol! (Conchas) - Eu Sem Ti Não Sei Viver (Fernando Concha e Conjunto Mistério) - Louco Por Ti - Um Mundo Sem Amor - Miudita - Olhando Para O Céu - Anjo (Daniel Bacelar) - Twist Para Dois (Zeca do Rock) - Juntos Outra Vez (Victor Gomes) - Crer - Somebody Help Me - Sha La La Lee (Claves) - Summertime - Tell Me Bird - Missing You (Sheiks) - God Of Negroes (Conjunto Académico João Paulo) - Era Um Bikini Pikinino à Bolinhas Amarelas (Pedro Osório e o seu conjunto) - Coimbra Menina e Moça (Conjunto Mistério) - Seguirei o Sol (Guitarra de Fogo) - Tu Nunca Saberás (António Calvário)

Arranjo gráfico de bom gosto, que julgo ser alusivo aos "Concursos Yé-Yé" que se realizavam no Monumental. Em relação às músicas, com excepção das dos Sheiks e mais algumas que constam das colectâneas que tenho, direi apenas que me lembro de uma ou outra e que todas as restantes me são completamente desconhecidas. Muito embora os conhecesse de nome, nunca tinha ouvido Daniel Bacelar, Fernando Concha, Zeca do Rock.

Esta música faz-me lembrar a história da vizinha do lado, que tinha aqueles belíssimos olhos verdes. Por timidez, ou por qualquer outrarazão, nunca conseguimos chegar à fala e agora, quarenta e tal anos depois, é tarde demais.

A minha relação com a música portuguesa sempre foi muito complicada. E, no entanto, a primeira música que me lembro de cantarolar foi "A Mula da Cooperativa", do Max.

Mas ainda antes dos meus 5 anos (a idade aqui não falha, porque foi antes de ter mudado para a casa do Campo Pequeno e mudei com 5 anos) já tinha compreendido que música e noites de Verão eram duas coisas que combinavam lindamente.

E as minhas primeiras paixões musicais, nesses tempos, já vinham da América: Pat Boone, com "A Wonderful Time Up There", e o Elvis com "Wooden Heart". Curiosamente, longe de serem os grandes êxitos de um e do outro. Mas que bem que me sabia estar no páteo da nossa casa de Entrecampos a ouvir a música que vinha através das janelas.

Devo ter percebido, com essa tenra idade, que a música era não só coisa boa de ouvir, mas também servia para pôr harmonia entre as pessoas. São talvez esses os tempos da minha infância que recordo com maior ternura: o pai estendido na cadeira de lona a fumar um charuto, a mãe a tricotar, os irmãos a brincar com o "prato chinês" e o arco do "hula-hoop" e eu encantado a olhar para tudo isso.

Mas de música portuguesa, nada. Depois do Elvis e do Pat Boone, veio a música francesa e a música italiana. E deliciava-me a folhear, só para ver as fotografias, as revistas "Salut Les Copains" que por essa altura começaram a aparecer lá por casa.

Lembro-me como se fosse hoje (porque o meu irmão fez um alarido enorme!) do primeiro EP do Adamo que chegou lá a casa enviado por uma "correspondente" francesa do meu irmão Jorge. E, como não podia deixar de ser, larguei nessa altura a Marisol e perdi-me de amores pela Françoise Hardy. Até hoje...

Depois veio "Summer Holiday", primeiro filme que vi para "maiores de 12 anos" (ainda não os tinha...). E com ele a revelação do Clif Richard. Porque sou fiel aos meus amores, até hoje... E embora tenha deixado de lhe falar ainda antes do "Congratulations".

E de música portuguesa, nada...

Depois, com a cumplicidade da minha irmã que tinha começado a trabalhar e comprava todos os EPs que eu lhe pedia para ouvir no gira-discos de plástico que então havia lá por casa, a Soul Music: Otis Reding, Aretha Franklin, Sam & Dave ...

Nesses tempos de cumplicidade com a minha irmã (mais ano, menos ano...), em que nos sentávamos à noite a ouvir a rádio na companhia da nossa querida criada Cesália (eu sei que hoje se diz empregada, mas na altura era assim...), começou a haver algum espaço para a música portuguesa. E a nostalgia da "Ilusão" vem daí.

Mas o apelo da música anglo-americana era demasiado forte, e nunca mais houve espaço para a música portuguesa. Para mim e para um reduzido grupo de amigos com os quais ouvia música de manhã à noite.

Éramos parvos, "snobs" e pretensiosos. Para nós, Claves, Ekos, Conchas, Chinchilas, Zecas do Rock, Danieis Bacelares e quejandos era música de costureirinhas e empregadas domésticas.

Era igual ao Artur Garcia e ao Tony de Matos! Abríamos, embora sem grande convicção, uma excepção para os Sheiks, talvez por cantarem em inglês, serem malta da Avª de Roma e amigos do Fernando Tordo, nosso colega do Colégio Moderno, embora bastante mais velho...

Tolerávamos que este viesse cantar nas festas do colégio com o seu grupo de amigos, porque só o faziam em inglês. E obrigá-mo-lo a tocar o "Pretty Woman", embora nos dissesse que não sabia!

Como não podia deixar de ser, ficámos escandalizados quando o José Cid e os "1111" apareceram no "Em Órbita". E parcialmente sossegados quando nos garantiram que era só uma vez, sem excepção.

Só muito mais tarde voltou a haver lugar para a chamada "música de intervenção": Zeca Afonso, Adriano, Manuel Freire, Padre Fanhais, ao mesmo tempo em que lá por fora começamos a conhecer Paco Ibanez, Joaquim Diaz, Patxi Andion, Aguaviva, Brassens, Reggiani, Léo Ferré.

Ouvidas hoje e mesmo contando com a passagem dos anos, muitas destas músicas do "Yé-Yé Português" têm uma qualidade perfeitamente comparável ao que ouviamos lá por forma.

A fraca qualidade das letras? E então "so happy together, how is the weather?" é poesia da melhor....??!!

Texto de Luís Mira, colectânea de Jack Kerouac

21 comentários:

Luis Mira disse...

Avanço já, a medo, antes que outros cheguem...

Este meu texto era privado, e destinava-se, exclusivamente, a agradecer uma simpática oferta que me tinha sido feita. Não se destinava a publicação, e muito menos num blogue concebido em glória do "Yé-Yé Português" (Hugo Santos dixit...).

Mas acontece que, por estes dias - e desculpem-me a ordinarice - eu não posso dar um peito com cheirinho a música, que ele não venha imediatamente aqui parar... Que sim, que tem "interesse didático" para a Comunidade, diz ele... Balelas! Qualquer um dos habituais escribas deste blogue sabe mais de música a dormir do que eu acordado...

Não sei que estranho prazer ele retira disso, mas o Caro Hugo, vulgo "Gin Tonic", goza imenso com estas "provocaçõezinhas à boleia". Lança o granel e depois assobia para o lado, como se não fosse nada com ele...

Aqui há uns meses atrás largou-me o isco. Fiz-lhe uma resposta apressada, pretensiosa e malcriada a um texto cuja origem desconhecia em absoluto, e o nosso Gin Tonic não esteve com meias medida: empacotou e enviou tudo direitinho para Viana do Castelo, ao cuidado do pobre do "José". Que reagiu, com toda a razão, obrigando-me a pôr uma corda à volta do pescoço e a pedir-lhe desculpa, de joelhos...

O mesmo terei de fazer agora.

É claro que exagerei ao falar de "música de costureirinhas e empregadas domésticas"...! Poderia muito bem ter acrescentado empregaditas de balcão e de cabeleireiro e rapariguinhas do Shopping, embora na altura houvesse muito poucos nesta cidade...!

Mas quem assim falava tinha na altura 13, 14, 15 anos... Hoje ele sabe que "boa música" é aquela que nos pode proporcionar dois minutos e meio de Felicidade, ainda que tal suceda em noites de tremenda bebedeira em que tudo nos é permitido e em que tudo tem o doce sabor das coisas irrepetíveis...

É, pois, boa altura para me penitenciar, embora esse gesto de "mea culpa" já esteja implícito no meu texto.

Perdoa-me Nelson Ned! Que me perdõem António Mourão, Gabriel Cardoso, Julio Iglésias, Rafael, Slim Whitman, Gary Gliter, os Supertramp e tantos, tantos outros que foram por mim injustiçados e que aqui não poderei enumerar sem colocar em sérios riscos de "over-quota" o proprietário deste blogue.

Que me perdoe, acima de tudo, Daniel Bacelar, Companheiro do blogue que ainda há pouco tempo aqui se lamentava por não ter tido oportunidade de espreitar o traseiro da Marylin Monroe...

Em boa verdade, foi assim que tudo se passou, e não poderei alterar uma só virgula nesta História. Infelizmente, também não posso fazer o tempo andar para trás e trazer-me tudo o que eu perdi...

Mas, se pequei, regenerei-me. Esqueci-me de vos dizer que, mais entradote, achei graça ao primeiro disco do Rui Veloso. Por ele reclamar a sua herança dos Blues e de B.B. KIng? Talvez...

E também é verdade que, se tentei evitar que as minhas filhas fossem do Benfica, nunca as dissuadi de ouvir os GNR, os Xutos, os Paulos Gonzos e tantos outros que elas levavam lá para casa. E até lhes ofereci, em pequeninas, um EP do Tó Maria Vinhas a cantar o "Passarinho". É claro que, de vez em quando, lhes tentava passar um supositório ligeiro, tipo Cat Stevens, mas nunca pegou.. E tiveram de ser os UB 40 a compôr a coisa com o "Red Wine", que se tornou o "hino oficial" que lá em casa aglutinava as gerações, mesmo em noites de vinho branco...

Espero, pois, que tenham em consideração tudo isto, mais o meu arrependimento, antes de desatarem a dar-me na cabeça...

Neste Natal ofereceram ao meu neto de 7 meses um capacete. Parece que é para evitar que ele bata com a cabeça no bico dos móveis. Vou ver se existe disso para adultos, e esperar pela pancada...

Um Novo Ano Cheio de Música é o que vos desejo!

Jack Kerouac disse...

Antes de mais nada, e visto que em parte sou aqui referido, uma vez que fui eu que gravei esta "compilação", só referir já duas coisas. Primeiro, eu sei que a foto está invertida, mas foi a unica que arranjei que tivesse qualquer coisa que simbolizasse o YéYé Português, para mim claro, e nem me lembrei que seria facílimo inverter a imagem, mas fica mais original :) Segundo, fiz a compilação com todo o prazer, tudo começou com um pedido do Luís que gostaria de ter o "Ilusão" dos Ekos, por motivos pessoais, depois o Hugo ainda me disse para colocar os "ÓCulos de Sol" da Natércia Barreto, quer dizer, não colocar os óculos propriamente ditos mas sim a música. O resto fui eu que escolhi, limitado ás musicas que tenho, escolhi pelo meu gosto pessoal e também tentando evitar algumas das que normalmente aparecem nas colectâneas existentes a nível comercial.
Finalizando pela parte principal, sabendo que de alguma forma fui de encontro ás pretensões do Luís Mira, e ler este texto que de certa forma também me é dirigido, deixa-me satisfeito pelo trabalho efectuado.

josé disse...

Uma das coisas que me interessam, sempre que leio textos destes, de memórias musicais, com espeleologia nas intenções e motivações, é recuperar para mim, uma velha ideia que me peresegue há anos e anos:

Entender porque gosto de certas músicas e não de outras e situar no tempo exacto e preciso, o gosto com todas as cambiantes, até as do olfacto ( o gosto tem cheiro, tem sim senhor!).

Por isso, ao ler o gosto dos outros, discuto o meu, entre os meus botões e procuro perceber a razão de ser das consonâncias das notas musicais, dos silêncios e dos ritmos.

Ao ler o nome Françoise Hardy, uma corda conhecida dá o tom: o da beleza feminina, em cambiante perfeito. A voz diz com a figura e alguns temas sonoros, completam a perfeição de uma fantasia, frágil e romântica, da adolescência que permanece pela vida fora.

Esta fantasia é parecida com a do gosto musical: intangível, intensa na corda sensível que toca, inefável, uma ponte perfeita entre a razão e o sentimento espontâneo.

Na corda de sensações auditivas agradáveis ao ouvido e à razão, penduram-se muitas vozes e muitos sons.

O entendimento das razões por que penduramos umas e não outras, é o objecto deste permanente estudo interno, porque me parece que não são apenas razões subjectivas, ligadas ao gosto idiossincrático que se ligam às molas afectivas, mas também outras, de índole perversa como as influências da publicidade, da repetição, da normalização do gosto, pela standardização mediática.

POr isso, quando ouço Os Meus óculos de sol, da Natércia Barreto, o que toca no gosto e lhe pendura a ´musiquinha, é mais do que a soma das notas alinhadas nos acordes agradáveis ao meu ouvido.
É todo um contexto de época, com referência a sítios e experiências.

Todo o string ( cordame) de músicos e músicas dos anos sessenta, do ié-ié português, pouco ou nada me dizem se aferidos a esse tempo que ainda não era o meu.
Mas já me dizem no contexto geral, das músicas lidas na Salut des copains, dos ´rádios da época, da vida desse tempo que me chega por via indirecta e experiência alheia.
Nessa altura, é uma outra fantasia que se cria e confere valor e interesse: a nostalgia de um tempo nem sequer vivido, mas sentido como agradável.

Uma pura fantasia.

E qual será a fantasia agregada a Reggiani?
Pois, por mais estranho que pareça, é a mesma associada à Hardy, apenas com maior amplitude e sofisticação.
Tes gestes, é a continuação dessa onda, assim como Sarah, é o epílogo perfeito da mesma. O marulhar a seguir ao requebro.

E o mais interessante, é perceber que esta explicação sensorial, quase sensual do ponto de vista subjectivo, assenta na corda dos sons, na sua estrutura essencial.

Sem sons, não há fantasia. E estes imbricam-se na razão do gosto que liga as notas para as tornar agradáveis ao ouvido, portanto musicais.

É por isso que uma passagem de música erudita ou um fado, ou mesmo uma xaropada das antigas, merecem o mesmo relevo, no gosto imprevisível, se tocarem nessas cordas.

E haveria mais a dizer, mas fica nas cogitações, porque o assunto é reocrrente, dá pano para mangas e hoje só falei em cordas.

daniel bacelar disse...

Meu Caro Paulo
Muito obrigado por teres revelado (segundo parece á revelia!!)este texto do Luis Mira,no qual ele têve a coragem de revelar os seus gostos e lutas interiores quanto á música portuguesa.
Achei tão interessante que desde já deixo aqui um repto!!!!
OH LUIS!!!!Não queres "alinhar no próximo almocinho organizado pelo nosso "guru" Luis Pinheiro de Almeida dono e senhor deste BLOG????
É sempre baratinho,recheado de "malucos" (pois somos todos personagens a precisar de tratamento)e a malta diverte-se imenso exactamente não ´so trocando informações musicais e não só,como contando exactamente estas historias divertidissimas.
Pelo teu "escrito" já vi que és um "bacano" e portanto bem vindo.
Tal como tu,sempre olhei de lado para o "nacional cançonetismo" hoje em dia,e comparando com o que se me é dado ouvir na rádio e tv,(não vou dizer nomes que toda a gente conhece!!)vejo-me obrigado a rever a minha posição,e a tirar o chapéu a muita coisa que naquela altura achava piroso,mas que na realidade o azar era serem em português,pois se nos dessemos ao trabalho de pôr aquilo em inglês ou francês era tão bom como os sucessos internacionais que inundavam a nossa rádio.
Por cá fazia-se o melhor que era possivel,o meio era pobre,e só depois da invasão britãnica do Cliff e Shadows (no aspecto instrumental - todos os grandes solistas ficaram a dever tudo a um sr.chamado Hank Marvin)e todos os outros grupos,Beatles,Seartchers,(estes passaram pelo palco do Monumental)e muitos outros,a rapaziada atirou-se ás guitarras,e tivémo autênticos virtuosos na matéria.
A vida não é feita a brincar,e lógicamente muita gente tomou outros rumos profissionais,nunca deixando no entanto de fazer a sua perninha sempre que surge uma oportunidade entre amigos,claro!!!!!
Os anos 60 e principio dos anos 70 fôram de uma riqueza extraordinária apesar de tão mal tratados no programa da RTP "A NOSSA GERAÇÃO".
Já estamos habituados,hoje em dia,não é preciso saber,mas sim estar infiltrado e ter uma vaga noção da coisa.
Se se dessem ao trabalho de consultarem alguns Blogs que há por aí,onde realmente se aprende qualquer coisa (para quem está interessado....claro!!)e se convive com os verdadeiros "AMIGOS DE ALEX",NÃO LHES "CAIAM OS PARENTES NA LAMA"e acreditem,divertiam-se imenso,e se calhar a vossa discoteca e videoteca enriqueceria pois podem ter a certeza que os verdadeiros documentos de uma época estão nas mãos desta cambada de malucos da qual me orgulho de fazer parte.
Caro Luis!!!!Agarra-te ao Paulo (no bom sentido claro !!!!)e aparece no próximo almocito,verás que não te arrependes...se não gostares nada te obriga a voltar!!!!

musicalissimo disse...

Caro Bacelar, vamos esquecer os esquecimentos, as dúvidas e os desacertos do programa RTP 'A Nossa Geração'? A reunião histórica dos CHINCHILAS que o programa originou, faz perdoar o passado e esperar que o futuro ainda nos traga mais prendas. Há 40anos que não tocavam juntos. Impressionante, ainda, a energia musical do I'M BELIEVER apresentado. Espero(amos) que a RTP não se esqueça que há muitos artistas e conjuntos nos anos 60 há espera de uma (re)visita.

musicalissimo disse...

Rectificação: ... que a RTP não se esqueça que há muitos artistas e conjuntos nos anos 60 à espera de ...

JC disse...

O problema não era a fraca qualidade das letras; em grande parte da música popular as letras são algo de simples, destinado a exprimir as emoções do momento, e muitas vezes a grande qualidade poética acaba por parecer um enxerto que nada tem a fazer ali, com aqueles valores. Nos "Blues", no fado tradicional, na música dos hillbillies e, depois, no "rock n' roll" as letras são simples e isso ajudou a fazer parte do seu sucesso contra a música ligeira c/ letras pretensiosas que nada nos diziam. O problema no "yé-yé" português é que, apesar de todo o esforço e boa vontade dos intérpretes, a qualidade musical, de interpretação, era normalmente medíocre. Muitas vezes apenas por falta de dinheiro para o material adequado, por amadorismo pois as condições locais não permitiam a profissionalização,mas era assim mesmo. E como, normalmente, se tratavam de "covers" a comparação com os originais era inevitável e mtº penalizadora, principalmente quando se cantava em português ou inglês com pronúncia do engate às "bifas". Era apenas uma versão "low cost" do que vinha do UK e dos USA (daí as "costureirinhas"). Tb Portugal - a n/ geração - tinha problemas específicos - a ditadura e a guerra - que só a geração de José Afonso, etc, através de formas musicais específicas que fundiram a música popular urbana - o fado (principalmente na sua vertente coimbrã, mais "intectualizada")- com a música popular de tradição rural (José Afonso e, depois, o GAC foram exímios no modo como o fizeram), entendeu e trouxe para a música popular.
Espero tenham tido todos um Bom Natal!
Abraço

Jack Kerouac disse...

Só uma correcção, o Luís Mira é amigo do Hugo(Gin-Tonic), eu não o tenho o prazer de o conhecer pessoalmente, e quem enviou este texto foi o Hugo. Eu apenas entrei nesta história, por ter acedido a um pedido do Hugo para gravar umas musicas num CD, e foi apenas aquilo que fiz :) O Luís Mira terá mesmo que se agarrar ao Hugo para vir ter com o pessoal, o que seria um prazer.

Luis Mira disse...

Caro Daniel,

Não calcula como a sua compreensão me encheu de satisfação...

Com más letras ou más interpretações e embora seja, reconhecidamente, um leigo nessa matéria, acredito que muitas das vossas iniciativas tenham constituido uma verdadeira pedrada no charco no "nacional-cancionetismo" desses tempos...

Uma vez, uma enormidade de anos depois, encontrei o Vitor Gomes a cantar com a sua banda na esplanada do então T Club, em Belém, e disse-lhe isso mesmo...

Quanto ao virtuoso Hank Marvin, tem em mim mais um adepto. E sempre me deu um enorme prazer que os Shadows tivessem prolongado a sua já longa existência através dos Mervin, Welsh and Farrar, a que não se tem dado a devida importância.

No que respeita ao almoço e tal como já disse várias vezes ao malvado do Gin Tonic, o prazer seria todo meu. Simplesmente, tenho um pequeno problema pessoal: sendo surdo, não ouço quase nada sem aparelho e ouço demasiado com o aparelho, o que me coloca alguns problemas em mesas de grandes grupos. Mas, feito a devida advertência, terei todo o gosto em comparecer numa próxima oportunidade compatível. Sairei, certamente, mais enriquecido, musical e humanamente.

Um Abraço do

Luis Mira

daniel bacelar disse...

CARO MUSICALISSIMO
Ver os "CHINCHILAS"ao vivo nesse programa e com os elementos originais foi para mim um verdadeiro acontecimento,e esse sim!!!!foi um momento histórico,ver ali o meu amigalhaço Filipe Mendes a solar cheio de garra (como de costume)é indescritivel o prazer que tive.
Julgo que de todos eles é o único que ainda está nas lides (e ainda bem !!) só é pena que nesta terra haja pouco o sentido do revivalismo,claro que com certeza a malta daquele tempo,não se está a pôr em bicos dos pés para uma carreira artistica,(seria ridiculo!!)mas o prazer do convivio,relembrar velhos tempos,foi quase conseguido pela "AA60"liderada pelo João Batista,leader dos "Charruas" a quem se devem coisas girissimas e de enorme camaradagem,até que apareceram como não podia deixar de ser uns "artistas convidados" que deram cabo do hambiente e daquilo tudo.
Enfim!....Conheces aquela historia do Deus que quando fêz a Terra e a Peninsula ibérica e estava a beber umas "bejecas" com o S.Pedro e este lhe disse:
EH PÁ!!!! OH Deus,aquela zõna do lado esquerdo na Peninsula Ibérica tem um clima e umas condições do caraças para lá se viver e desenvolver!!!!
Deus olhou para ele e disse:
Pois é PÁ,mas vais ver a malta que eu vou pôr lá a viver e que vão dar cabo daquilo tudo!!!...
POIS É!!!!....

daniel bacelar disse...

Caro Luis Mira
Para já ou deixas de me tratar por "você" ou tenho de te mandar á merda.
Somos todos amigos e essas chachadas connosco não pega.
Quanto aos SHADOWS,não sei se sabes,mas em 2009 vão dar com o Cliff a última série de concertos será a despedida,e o Hank Marvin vem de propósito da Austrália onde é "testemunhac de Jeová" (podia ter-lhe dado para pior!!.
O Bruce Welch e o Brian Bennet são produtores,e esses vivem em Inglaterra.
Deve ser um concerto "do caneco" e estou doido para obter o DVD quando fôr editado .É um acontecimento historico!!!
O Dvd do tour deste ano do Cliff "Time machine" onde ele comemora os 50 anos de carreira é um verdadeiro "estouro"!!!!!
O tipo tem a resistência e o aspecto de um sujeito de 30 anos.
FANTÁSTICO!!!!
Lá por seres surdo,isso não é problema,ficas ao pé de mim e da Fernanda,e nós berramos-te aos ouvidos o que é que os outros estão a dizer!!!
Fica combinado!!!!

filhote disse...

Ainda bem que o texto foi publicado, Luís (Mira).

Para mim, que nasci em 1967, recordações destas permitem alguma descodificação de como se viveram os anos que eu não vivi e não me importava de ter vivido - por causa da música que então se fazia.

Quanto à nacional música Ié-Ié dos anos 60, apenas algumas ressalvas...

... conjuntos como Os Claves ou Os Chinchilas nunca chegaram aos corações das "costureirinhas". Por duas razões essenciais:

primeiro, cantavam em inglês (a excepção é o "Crer" dos Claves, composto para o Festival do Monumental)e cingiam-se a covers de bandas como Kinks, Small Faces, Lovin' Spoonful, Rolling Stones, Beatles, etc...

Segundo, eram conjuntos formados por "meninos bem" que circulavam na Versalhes (Av. República), San Remo (Av. Duque D'Ávila) ou Buzina (Rodrigo da Fonseca)e cujo circuito de actuações não ia além de boites como Ad-Lib, Caruncho, Caixote, Ouriço e de festas particulares. Ou seja, moviam-se num círculo restrito somente frequentado por meninos e meninas de classe social mais alta.

filhote disse...

Os Sheiks, faziam parte da mesma cena dos Chinchilas e Claves. Porém, devido à sua superior originalidade - afinal de contas foram capazes de tirar da cartola dois clássicos originais, "Missing You" e "Tell Me" -, tornaram-se um grupo verdadeiramente popular e respeitado, transversal a toda a sociedade.

Segundo sempre me contaram, as "costureirinhas", as mais inclinadas para o Ié-Ié, dançavam ao som dos Ekos, Conchas, Daniel Bacelar, Vítor Gomes, Natércia Barreto,etc... principalmente, por que os artistas citados cantavam em português e tinham um apelo bem mais popular...

Escrevo isto, em relação ao hipotético gosto das "costureirinhas" de então, sem particular sentido pejorativo para os artistas nomeados.

Aliás, a minha mãe perseguia Os Claves e os Chinchilas para todo o lado, e simplesmente adorava a música (e voz!) do Daniel Bacelar.

E eu, que mal consigo coser um botão de camisa, considero os discos do Daniel Bacelar absolutamente brilhantes. A todos os níveis. E não digo isto por ser amigo dele. O Daniel sabe que sou um genuíno admirador dele!

filhote disse...

Enfim, deixo esta discussão em aberto. Posso estar errado nestas minhas divagações. Pelo menos, em parte. Afinal de contas, estou a opinar sobre uma época que não vivi.

JC disse...

Daniel:
Ao Brian Locking tb lhe deu para aí, para ser testemunha de Jeová e logo um par de anos depois de ter substituído o Jet Harris. Portanto, o Hank Marvin deve ter logo aí sido inoculado c/ o vírus. Ficou a incubar e manifestou-se mais tarde.
Um bom Ano Vovo

JC disse...

Quis dizer Ano Novo, claro!

Já agora, aproveito para dizer que dou razão ao Filhote quanto aos "Charruas" e "Chinchilas". Tb incluo no mesmo grupo o "Conjunto Mistério", que além disso tinha uma qualidade interpretativa mtº razoável e foram buscar temas populares portugueses. Quanto aos Sheiks foram, sem qualquer dúvida, excepção em termos de qualidade interpretativa, devendo muita dessa qualidade às capacidades vocais de Paulo de Carvalho.

daniel bacelar disse...

Caro JC
O BRIAN LICKORICE (como os outros lhe chamavam na brincadeira)realmente podia ter-lhe dado para pior,(com todo o respeito ,claro!!).
Agora o Hank Marvin,é que nunca me passou pela cabeça,mais a mais era um autêntico espalha brasas sempre de dentes de fora (conheci-os quando vieram tocar ao Império - cortesia do meu amigo Antonio Gouveia Machado)já nessa altura o baixista era o john Rostill (morreu muito novo,este morreu de certeza pois tenho fama de passar a vida a matar as pessoas).
Estou com uma curiosidade danada de os ver com o Cliff na tournée de despedida em 2009.
Deve ser o máximo!!!!!CLARO!!!!!

JC disse...

Era "Licorice" ou "Liquorice", Daniel (mas a grafia não tem importância), pois tocava clarinete, conhecido como "the liquorice stick". Tocou com o Marty Wilde, o Gene Vincent e o Eddie Cochran. Pois eu tinha uma fotografia com o Bruce Welsh, tirada no Algarve, mas a minha mãe fez o favor de um dia resolver seleccionar fotos que eu tinha deixado dentro de uma caixa, lá por casa, e... deitou-a fora!!!
Pois eu, com o meu radicalismo de que vocês não gostam, prefiro ficar com a imagem e som do antigamente, do início, de preferência ainda c/ o Jet Harris e o Tony Meehan (este tb já morreu). E o Cliff a cantar o "Move It"...
Bom Ano

daniel bacelar disse...

Olá JC
Sabias que o ano passado o Marty Wilde editou um Dvd ao vivo (gravação recente)para celebrar um aniversário qualquer????
O homem é fabuloso e continua em grande forma apesar de retirado.
Quanto á fotografia com o Bruce Welch,se isso tivesse sido comigo até dava com a cabeça nas paredes.
São essas pequenas recordações que nos fazem reviver.
Claro está que não esqueço a formação original dos Shadows,mas claro,a vida não para e tudo tem de evoluir.
Estou doido par revê-los em 2009 na tal tournée de despedida com o CLIFF.

daniel bacelar disse...

Olá Pedro (FILHOTE)
Muito obrigado pelas tuas palavras em relação á minha obra discográfica,mas na realidade tirando o último E.P. que gravei para a Valentim de Carvalho onde está incluido "Um mundo sem amôr" versão em português de "World without love" de Lennon e McCartney e onde fui acompanhado pelos Gentlemen na realidade, OBREI (do verbo Obrar ou seja,só fiz merda).
Eram outros tempos,não tinhamos um passado roqueiro,os nossos conjuntos (como se chamava na altura) estavam muito direccionados para a música de baile estilo Marino Marini,e o Jorge Machado ou qualquer outro conjunto que fôsse contratado pela editora para nos acompanhar nos discos apesar do seu grande profissionalismo e qualidade não tinha aquele "feeling",e ficava tudo com um som estilo "baile de sopeiras".
Na altura,ficava cheio de inveja dos brasileiros os quais com a Celly Campello e outros sabiam recrear na perfeição esse som.
Enfim,pode ter a sua piada como experiência,fômos os pioneiros,mas sómente isso.
Á laia de curiosidade,na nossa última jantarada musical na "Passarola" o "grande" Zé Pino devido aos insistentes pedidos do público saudosista,fêz ali na hora,um arranjo (com a rapaziada,claro)das duas primeiras músicas que gravei com 17 anos"Fui louco por ti " e "Nunca".
Não queiras saber a diferença,!!!Como é possivel pegar-se em duas "chachadas" e pô-las a soar tão bem.
É o tal "FEELING" que faltava há 38 anos atrás.

JC disse...

1.E agora toma lá esta, Daniel. Outro dia, para meu espanto, numa daquelas séries de TV inglesas pelas quais sou fanático, salvo erro "Waking the Dead", surge o Adam Faith a fazer papel de cadastrado!!!

2. Claro que só o respeito pelos 83 anos da minha mãe me impediu de fazer um disparate.