
sexta-feira, 9 de novembro de 2007
SHEGUNDO GALARZA E A ALIMÁRIA
Um amigo meu que é coordenador (sem aumento de salário) numa rádio oficial (só pode, né?) e que gosta de vinho tinto por demais ficou fascinado com este meu autógrafo de Shegundo Galarza.É que juntamente com outros amigos - igualmente ávidos de vinho tinto - mantiveram em tempos um blog dedicado aos Galarzas.
Sendo jovem, mas já com barriga significativa - é capaz de comer dois bifes em simultâneo ("alimária") - ficou também cilindrado com a expressão "liceu normal". O que é um "liceu normal"?
Um "liceu normal" era o que permitia estágios pedagógicos aos professores. Se bem me lembro, só havia três em Portugal: o de Coimbra (D. João III), o Pedro Nunes, em Lisboa, e o terceiro acho que era em Aveiro.
Os professores davam as aulas e ao fundo da sala - separada dos alunos - havia uma fila de professores estagiários que assim aprendiam a arte de dar aulas.
Além do autógrafo de Shegundo Galarza, está igualmente o do seu guitarrista, Carlos Menezes - uma sumidade na arte de dedilhar - e ainda o de João Rui Gaspar de Almeida, que deveria ser da Comissão de Finalistas, e hoje em dia é (ou foi) deputado do Partido Socialista.
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quinta-feira, 8 de novembro de 2007
AQUI ESTÁ ELA!
O Rato ofereceu-nos a capa do disco. Eu fui à procura do lado mais sexy de Mafalda Sofia.
QUINTA DO ESCORPIÃO
DESISTO!!!

Armado em sapador (uma das minhas especialidades na tropa), fui esta noite indagar do restaurante escolhido para essa grande noite de autógrafos com Daniel Bacelar.
Bom, só vos digo que assisti a uma cena deveras hilariante bem junto à minha mesa.
O meu vizinho era um daqueles indo-paquistaneses que só falam inglês. Por azar, naquela zona do restaurante o empregado era (e é) um ser natural da Roménia.
Agora imaginem o diálogo travado entre estas duas personagens. O indo-paquistanês, que só falava inglês, viu-se grego para pedir uma coca-cola a um empregado romeno num restaurante português.
What?
Bom, mas depois de ter lido todos os (inusitados) comentários ao meu anterior post, lamento, mas vejo-me obrigado a cancelar a minha participação no jantar-sessão de autógrafos de Daniel Bacelar. Em todo o caso, divirtam-se e bebam uma à minha saúde!
Afinal, a Adega de S. Roque, para mim, não passou de um... rock! Piada fácil, né?
Bom, só vos digo que assisti a uma cena deveras hilariante bem junto à minha mesa.
O meu vizinho era um daqueles indo-paquistaneses que só falam inglês. Por azar, naquela zona do restaurante o empregado era (e é) um ser natural da Roménia.
Agora imaginem o diálogo travado entre estas duas personagens. O indo-paquistanês, que só falava inglês, viu-se grego para pedir uma coca-cola a um empregado romeno num restaurante português.
What?
Bom, mas depois de ter lido todos os (inusitados) comentários ao meu anterior post, lamento, mas vejo-me obrigado a cancelar a minha participação no jantar-sessão de autógrafos de Daniel Bacelar. Em todo o caso, divirtam-se e bebam uma à minha saúde!
Afinal, a Adega de S. Roque, para mim, não passou de um... rock! Piada fácil, né?
OUÇAM ZECA AFONSO NA VOZ DE CRISTINA BRANCO

Como bom coimbrão, nunca fui (nem sou) fã do fado de Lisboa. Em todo o caso, tenho grande admiração e respeito por Cristina Branco que já tive o privilégio de entrevistar.
Pois bem, Cristina Branco subiu ainda mais na minha consideração com este excelente álbum de revisitação das canções do grande Zeca.
Desenrasquem-se: comprem o álbum, gamem-no, copiem-no, peçam-no emprestado, peçam-me os ficheiros que eu - de bom grado - cedo, mas ouçam este disco!
É uma felicidade ouvir as novas gerações cantar o meu antigo companheiro de judo.
Pois bem, Cristina Branco subiu ainda mais na minha consideração com este excelente álbum de revisitação das canções do grande Zeca.
Desenrasquem-se: comprem o álbum, gamem-no, copiem-no, peçam-no emprestado, peçam-me os ficheiros que eu - de bom grado - cedo, mas ouçam este disco!
É uma felicidade ouvir as novas gerações cantar o meu antigo companheiro de judo.
PARA OS MAIS ANSIOSOS

Para os mais ansiosos do espectáculo dos Sheiks, aqui vai em primeiríssima mão o respectivo alinhamento:
Runaway (Del Shannon, 1961)
Smile (Nat King Cole, 1961)
Runaway (Del Shannon, 1961)
Smile (Nat King Cole, 1961)
You're Sixteen (You're Beautiful And You're Mine) (Johnny Burnette, 1960)
Barbara Ann (Beach Boys, 1966)
Be Bop A Lula (Gene Vincent, 1956)
I Saw Her Standing There (Beatles, 1963)
I Should Have Known Better (Beatles, 1964)
Twist And Shout (Isley Brothers, 1961-Beatles, 1963)/La Bamba (Ritchie Valens, 1958)
Tell Me Bird (Sheiks, 1966)
My Mother's Advice (Sheiks, 1966 )/Blackbird (Beatles, 1968)
Needles And Pins (Searchers, 1964)
Barbara Ann (Beach Boys, 1966)
Be Bop A Lula (Gene Vincent, 1956)
I Saw Her Standing There (Beatles, 1963)
I Should Have Known Better (Beatles, 1964)
Twist And Shout (Isley Brothers, 1961-Beatles, 1963)/La Bamba (Ritchie Valens, 1958)
Tell Me Bird (Sheiks, 1966)
My Mother's Advice (Sheiks, 1966 )/Blackbird (Beatles, 1968)
Needles And Pins (Searchers, 1964)
Goodbye My Love (Searchers, 1965)
Treat Me Nice (Elvis Presley, 1957)
Treat Her Right (Roy Head, 1965-Sheiks, 1966)
Lonely, Lost And Sad (Sheiks, 1966)
Suzie Q (Creedence Clearwater Revival, 1968)
Ain't She Sweet (Gene Vincent, 1956-Beatles, 1961)
Porto de Abrigo (Sheiks, 1980)
Rockinho Mandado (Sheiks, 1980)
Missing You (Sheiks, 1966)
Summertime (Sheiks, 1965)
O (bom e divertido) espectáculo tem a duração de hora e meia.
Treat Me Nice (Elvis Presley, 1957)
Treat Her Right (Roy Head, 1965-Sheiks, 1966)
Lonely, Lost And Sad (Sheiks, 1966)
Suzie Q (Creedence Clearwater Revival, 1968)
Ain't She Sweet (Gene Vincent, 1956-Beatles, 1961)
Porto de Abrigo (Sheiks, 1980)
Rockinho Mandado (Sheiks, 1980)
Missing You (Sheiks, 1966)
Summertime (Sheiks, 1965)
O (bom e divertido) espectáculo tem a duração de hora e meia.
quarta-feira, 7 de novembro de 2007
47 IDOLES DES ANNÉES 60
Johnny HallydaySylvie Vartan
Jean-Jacques Debout
Hugues Aufray
Catherine Ribeiro
Eddy Mitchel
Danyel Gérard
Claude Ciari
France Gall
Serge Gainsbourg
Frankie Jordan
Michèle Torr
Sheila
Chantal Goya
Dany Logan
Michel Paje
Ronnie Bird
Monty
Sophie
Noel Deschamps
Jacky Moulière
Annie Philippe
Claude François
Eileen
Guy Mardel
Billy Bridge
Michel Berger
Michel Laurent
Nicole (Surf)
Salvatore Adamo
Thierry Vincent
Tiny Young
Antoine
Françoise Hardy
Benjamin
Dick Rivers
Monique (Surf)
Hervé Vilard
Jocelyne
Dave (Surf)
Rocky (Surf)
Coco (Surf)
Pat (Surf)
Pascal (le Petit Prince)
Chouchou
Richard Anthony
Christophe
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Salut Les Copains
IF I HAD A HAMMER
SHEIKS AO RUBRO!!!

Os Sheiks iniciam no próximo dia 08 de Novembro, às 23H30, nos Jardins de Inverno do Teatro São Luiz, em Lisboa, uma série de 12 espectáculos com a sua carreira gloriosa de 1964 a 1967.
Em palco, os músicos falam entre si e obedecem à encenação histórica de António Feio, contemporâneo da banda.
Como não podia deixar de ser, a peça inicia-se com o primeiro encontro dos músicos e a sua entrada de per si em cena.
Cantam assim, sucessivamente, "Runaway", "Smile", "You´re Sixteen", "Barbara Ann", "Be Bop A Lula", "Missing You"... e o resto é história.
A sério, vale a pena ir ver...
SESSÃO DE AUTÓGRAFOS DE DANIEL BACELAR
O popular "Ricky Nelson português", Daniel Bacelar, reúne-se no próximo dia 23 num jantar com os seus fãs na Adega de S. Roque, em Lisboa, não só para um bom repasto e um bom papo, mas também para uma sessão de autógrafos.O restaurante recomenda-se. Hoje, a ementa era a seguinte:
- bacalhau à Gomes de Sá: €5,50-€7,50
- pescadinhas fritas com arroz de tomate: €5,50
- peixe espada preto grelhado: €5,50
- truta na grela: €5,00
- carapauzinhos fritos com arroz de tomate: €5,oo-€7,00
- chocos grelhados: €7,00
- cherne na grelha: €7,00
- perna de porco assado no forno: €5,00-€7,00
- escalopes ao Madeira: €5,50-7,50
São todos bem vindos, incluindo o próprio Daniel Bacelar.
terça-feira, 6 de novembro de 2007
EPITÁFIO DE "EM ÓRBITA"

É um extenso artigo de Hélio Sousa Dias publicado no "Disco Música & Moda" de 15 de Junho de 1971.
Vou só respigar as partes que considero mais significativas:
"31 de Maio de 1971 significou o fim de um programa de rádio que, no entanto, não era mais um programa de Rádio: era o "Em Órbita". Todos os dias das 19 às 21, há já alguns anos, ou então das 24 à 1 h., há pouco tempo ainda, uma quantidade enorme de audiores certos, outros menos certos, uns a apoiarem o programa, outros nem que só fosse para dizer mal; para muita gente "Em Órbita" era o programa a ouvir.
"Tudo tinha começado em 1965, com os valores do FM do RCP. Ao princípio até tinha locutor-locutora, no esquema tradicional da rádio portuguesa (lembram-se do Pedro Castelo no "Em Órbita"?).
"Caracterizava-se então por ser o primeiro a apresentar em Portugal as últimas produções de Inglaterra e dos Estados Unidos. Aliás esse pormenor foi até ao fim característico do programa.
"Mas, ao tempo em que se começava em Portugal a ensaiar novos estilos de locução, importados dos disc-jocqueys das rádio-piratas inglesas (RU foi a primeira neste estilo com o seu "POP 397"), "Em Órbita" começou também a caracterizar-se pelo seu estilo sóbrio, pela sua intransigência para com a qualidade de tudo o que apresentava, pelas suas rubricas diárias, pelos seus comentários.
"Apresentava-se só música anglo-americana, houve só uma concessão à música portuguesa, a célebre "Lenda de El-rei D. Sebastião", mas dentro dela procurava distinguir-se o trigo do joio, justificando essa distinção. Robert "Dylan" Zimmerman foi uma das divulgações e dos orgulhos do programa. Paul Simon e Art Garfunkel idem aspas aspas. Ainda Tim Buckley. Ainda Donovan. Ainda muitos outros.
"Contudo o programa foi alterando os seus figurinos por várias vezes, numa tentiva de melhoria, de fazer diferente; as imitações eram muitas, mais ou menos disfarçadas (houve prémios que vieram retribuir essas afirmações de qualidade: prémio da imprensa, prémio "ondas" e sobretudo a aderência de muitos ouvintes, e detractores.
"Veio a "Nova Aventura", amostra interessantíssima que não vingou. Dos responsáveis do princípio, João Alexandre ficou tristemente pelo caminho. Para muita gente isso foi o princípio da derrocada e até talvez tenha sido.
"O programa há algum tempo que perdera algumas das suas características habituais. A selecção musical mantinha as suas normas de intransigência qualitativa, mas passou a ser mais um dos muitos "disco-anúncio" que enchem a nossa rádio e lés a lés. E o fim chegou, talvez inesperado, mas coerente.
"Quando se tem a noção daquilo que se está a fazer e se chega á conclusão de que continuar é cair, pois então há que acabar. E "Em Órbita" acabou no dia 31 de Maio de 1971.
"Com "Em Órbita", quer se lhe atribua um lugar à parte na rádio portuguesa, quer não, parece ter-se fechado um cliclo nessa mesma rádio. Um ciclo em que se tentaram muitas coisas novas, em que afirmaram muitas já ultrapassadas e que deviam estar mortas e entrerradas, um ciclo enfim em que agora parece ter-se entrado na estagnação. Senão vejamos:
"Com a "23ª Hora", que começou a provar que a rádio depois das 11 horas também rentável, com o "Meia-Noite", com o muito ignorado "Ritmo 64", algo de novo se começou a processar na rádio portuguesa, sobretudo em matéria de programação musical.
"O alvo era a música "pop", "beat", como lhe queiram chamar, anglo-americana; a intenção era divulgar todas as novidades possíveis; a música portuguesa totalmente desacreditada junto de uma camada de público mais evoluído foi postergada e deixou de figurar em muitas programações.
"Durante estes anos tomando como início os primeiros passos da "23ª Hora", muitas e variadas tentativas foram feitas numa louvável intenção de fazer mais e melhor.
"Tudo se tentou mudar, desde o estilo de locução (com a importação já falada do estilo dos disc-jocqueys ingleses, em cima dos discos, dizendo mais qualquer coisa do que "vamos ouvir fulano" que canta "Ó i, ó ai", por parte da RU, Nuno Martins e Adelino Gomes, até à forma mais apalhaçada desse estilo de locução, com o "Euróóópa" do Victor Espadinha, ao estilo todo sobriedade de "Em Órbita" ou do "Impacto", "lírico" do Vector, indiferente de muitos outros); também o tipo de programação musical, com entradas agora para a música francesa, espanhola de qualidade e para a nova música portuguesa (lembram-se do "Espaço 17"); tentou romper-se com o "disco-anúncio", com a programação só musical, houve um assalto à reportagem, ao exótico (primeiro que todos o "PBX" de Carlos Cruz e Fialho Gouveia, depois o "1-8-0", o "Tempo Zip"), (falou-se apenas das estações comerciais, porque foram eles que que tentaram fazer melhor e diferente. Tanto a EN como a RU, que deveriam ter representado um papel importante neste surto, visto não estarem sujeitos a qualquer espécie de subordinação comercial, não o representaram, antes pelo contrário deixando-se ficar num comodismo fácil e indo ao sabor das correntes).
(que grande parágrafo!!!)
Contudo, parece agora ter-se entrado numa rotina e num deixa-andar que estão a resultar numa estagnação total do panorama radiofónico sem nada de realmente bom ou de diferente para ouvir.
"O "Tempo Zip" começou bem, mas ficou pelas intenções. Agora é automobilismo, snobismo e meia de música mal escolhida, alguns apontamentos com real interesse não chegam.
"O "PBX" já há muito que se "enterrou". O culto do sensacionalismo e do piroso parecem ser os únicos alvos em vista. Os programas de Armando Marques Ferreira já não se usam. "Paleio de chacha", quase todo publicidade, entremeado de música sem o menor critério.
"O "Vector" tentou ser diferente mas escolheu mal a forma, as frases empregadas saíram quase sempre ocas e sem sentido: agora já mudou de forma, mas ficou-se pelo disco-anúncio.
"O "Impacto" teve um interesse enorme, com apontamentos bem feitos; deixou-se disso, hoje é apenas um programa em que só a selecção musical se salva.
"Depois deles temos a infinidade dos que enchem a nossa rádio e que, para variar, além de anúnicios, metem discos: o "Tic-Tac", a "Onda do Optimismo", o "Enquanto For Bom Dia", o "Carrossel em FM", "O Nosso Programa", só para citar alguns dos mais conhecidos.
"Para o fim ficaram os programas que ainda parece terem álgum interesse: a "Página Um" que, embora com muitos defeitos que se lhe possam assacar, procura fazer algo de válido, aliando reportagem a apontamentos e a uma selecção musical de qualidade discutível mas cuidada, e a "Banda Sonora", no FM do RCP, programa sem pretensões de maior que apenas procura e consegue passar boa música.
"E assim vai o panorama radiofónico em Portugal. nele, de novo, só o "Vértice" que não teve tempo ainda de mostrar o que vale, mas que também não dá esperanças por aí além. Pode ser que tudo se modifique para melhor. Já estamos muito melhor do que há alguns anos e pode ser que se esteja apenas num impasse. Pode ser...
"Muito mais haveria a dizer, e mais factos e programas haveria a apontar. mas a intenção foi apenas a de chamar a atenção para um facto e não de o dissecar exaustivamente. De qualquer modo, a Rádio é um assunto de que se voltará a falar".
Afinal, entusiasmei-me e transcrevi o artigo na íntegra.
Vou só respigar as partes que considero mais significativas:
"31 de Maio de 1971 significou o fim de um programa de rádio que, no entanto, não era mais um programa de Rádio: era o "Em Órbita". Todos os dias das 19 às 21, há já alguns anos, ou então das 24 à 1 h., há pouco tempo ainda, uma quantidade enorme de audiores certos, outros menos certos, uns a apoiarem o programa, outros nem que só fosse para dizer mal; para muita gente "Em Órbita" era o programa a ouvir.
"Tudo tinha começado em 1965, com os valores do FM do RCP. Ao princípio até tinha locutor-locutora, no esquema tradicional da rádio portuguesa (lembram-se do Pedro Castelo no "Em Órbita"?).
"Caracterizava-se então por ser o primeiro a apresentar em Portugal as últimas produções de Inglaterra e dos Estados Unidos. Aliás esse pormenor foi até ao fim característico do programa.
"Mas, ao tempo em que se começava em Portugal a ensaiar novos estilos de locução, importados dos disc-jocqueys das rádio-piratas inglesas (RU foi a primeira neste estilo com o seu "POP 397"), "Em Órbita" começou também a caracterizar-se pelo seu estilo sóbrio, pela sua intransigência para com a qualidade de tudo o que apresentava, pelas suas rubricas diárias, pelos seus comentários.
"Apresentava-se só música anglo-americana, houve só uma concessão à música portuguesa, a célebre "Lenda de El-rei D. Sebastião", mas dentro dela procurava distinguir-se o trigo do joio, justificando essa distinção. Robert "Dylan" Zimmerman foi uma das divulgações e dos orgulhos do programa. Paul Simon e Art Garfunkel idem aspas aspas. Ainda Tim Buckley. Ainda Donovan. Ainda muitos outros.
"Contudo o programa foi alterando os seus figurinos por várias vezes, numa tentiva de melhoria, de fazer diferente; as imitações eram muitas, mais ou menos disfarçadas (houve prémios que vieram retribuir essas afirmações de qualidade: prémio da imprensa, prémio "ondas" e sobretudo a aderência de muitos ouvintes, e detractores.
"Veio a "Nova Aventura", amostra interessantíssima que não vingou. Dos responsáveis do princípio, João Alexandre ficou tristemente pelo caminho. Para muita gente isso foi o princípio da derrocada e até talvez tenha sido.
"O programa há algum tempo que perdera algumas das suas características habituais. A selecção musical mantinha as suas normas de intransigência qualitativa, mas passou a ser mais um dos muitos "disco-anúncio" que enchem a nossa rádio e lés a lés. E o fim chegou, talvez inesperado, mas coerente.
"Quando se tem a noção daquilo que se está a fazer e se chega á conclusão de que continuar é cair, pois então há que acabar. E "Em Órbita" acabou no dia 31 de Maio de 1971.
"Com "Em Órbita", quer se lhe atribua um lugar à parte na rádio portuguesa, quer não, parece ter-se fechado um cliclo nessa mesma rádio. Um ciclo em que se tentaram muitas coisas novas, em que afirmaram muitas já ultrapassadas e que deviam estar mortas e entrerradas, um ciclo enfim em que agora parece ter-se entrado na estagnação. Senão vejamos:
"Com a "23ª Hora", que começou a provar que a rádio depois das 11 horas também rentável, com o "Meia-Noite", com o muito ignorado "Ritmo 64", algo de novo se começou a processar na rádio portuguesa, sobretudo em matéria de programação musical.
"O alvo era a música "pop", "beat", como lhe queiram chamar, anglo-americana; a intenção era divulgar todas as novidades possíveis; a música portuguesa totalmente desacreditada junto de uma camada de público mais evoluído foi postergada e deixou de figurar em muitas programações.
"Durante estes anos tomando como início os primeiros passos da "23ª Hora", muitas e variadas tentativas foram feitas numa louvável intenção de fazer mais e melhor.
"Tudo se tentou mudar, desde o estilo de locução (com a importação já falada do estilo dos disc-jocqueys ingleses, em cima dos discos, dizendo mais qualquer coisa do que "vamos ouvir fulano" que canta "Ó i, ó ai", por parte da RU, Nuno Martins e Adelino Gomes, até à forma mais apalhaçada desse estilo de locução, com o "Euróóópa" do Victor Espadinha, ao estilo todo sobriedade de "Em Órbita" ou do "Impacto", "lírico" do Vector, indiferente de muitos outros); também o tipo de programação musical, com entradas agora para a música francesa, espanhola de qualidade e para a nova música portuguesa (lembram-se do "Espaço 17"); tentou romper-se com o "disco-anúncio", com a programação só musical, houve um assalto à reportagem, ao exótico (primeiro que todos o "PBX" de Carlos Cruz e Fialho Gouveia, depois o "1-8-0", o "Tempo Zip"), (falou-se apenas das estações comerciais, porque foram eles que que tentaram fazer melhor e diferente. Tanto a EN como a RU, que deveriam ter representado um papel importante neste surto, visto não estarem sujeitos a qualquer espécie de subordinação comercial, não o representaram, antes pelo contrário deixando-se ficar num comodismo fácil e indo ao sabor das correntes).
(que grande parágrafo!!!)
Contudo, parece agora ter-se entrado numa rotina e num deixa-andar que estão a resultar numa estagnação total do panorama radiofónico sem nada de realmente bom ou de diferente para ouvir.
"O "Tempo Zip" começou bem, mas ficou pelas intenções. Agora é automobilismo, snobismo e meia de música mal escolhida, alguns apontamentos com real interesse não chegam.
"O "PBX" já há muito que se "enterrou". O culto do sensacionalismo e do piroso parecem ser os únicos alvos em vista. Os programas de Armando Marques Ferreira já não se usam. "Paleio de chacha", quase todo publicidade, entremeado de música sem o menor critério.
"O "Vector" tentou ser diferente mas escolheu mal a forma, as frases empregadas saíram quase sempre ocas e sem sentido: agora já mudou de forma, mas ficou-se pelo disco-anúncio.
"O "Impacto" teve um interesse enorme, com apontamentos bem feitos; deixou-se disso, hoje é apenas um programa em que só a selecção musical se salva.
"Depois deles temos a infinidade dos que enchem a nossa rádio e que, para variar, além de anúnicios, metem discos: o "Tic-Tac", a "Onda do Optimismo", o "Enquanto For Bom Dia", o "Carrossel em FM", "O Nosso Programa", só para citar alguns dos mais conhecidos.
"Para o fim ficaram os programas que ainda parece terem álgum interesse: a "Página Um" que, embora com muitos defeitos que se lhe possam assacar, procura fazer algo de válido, aliando reportagem a apontamentos e a uma selecção musical de qualidade discutível mas cuidada, e a "Banda Sonora", no FM do RCP, programa sem pretensões de maior que apenas procura e consegue passar boa música.
"E assim vai o panorama radiofónico em Portugal. nele, de novo, só o "Vértice" que não teve tempo ainda de mostrar o que vale, mas que também não dá esperanças por aí além. Pode ser que tudo se modifique para melhor. Já estamos muito melhor do que há alguns anos e pode ser que se esteja apenas num impasse. Pode ser...
"Muito mais haveria a dizer, e mais factos e programas haveria a apontar. mas a intenção foi apenas a de chamar a atenção para um facto e não de o dissecar exaustivamente. De qualquer modo, a Rádio é um assunto de que se voltará a falar".
Afinal, entusiasmei-me e transcrevi o artigo na íntegra.
segunda-feira, 5 de novembro de 2007
O VOZEIRÃO

DECCA - PEP 1193 - 1967
O Ventou Mudou (João Magalhães Pereira/Nuno Nazareth Fernandes) - Stop Please Don't Cry (João Magalhães Pereira/Nuno Nazareth Fernandes) - Um Homem Só (Francisco Nicholson/José Mesquita) - A Lenda do Rochedo (Nuno Nazareth Fernandes)
O Ventou Mudou (João Magalhães Pereira/Nuno Nazareth Fernandes) - Stop Please Don't Cry (João Magalhães Pereira/Nuno Nazareth Fernandes) - Um Homem Só (Francisco Nicholson/José Mesquita) - A Lenda do Rochedo (Nuno Nazareth Fernandes)
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Eduardo Nascimento,
Festival RTP da Canção,
Rocks
domingo, 4 de novembro de 2007
EDIÇÃO FRANCESA DE "TEARS ARE COMING"

ODEON - MEO 131 - edição francesa (1966)
Tears Are Coming - I've Got To Give Up - I'm Feeling Down - Try To Understand
Edição francesa, muito rara. A outra edição gaulesa, com "Missing You" e a capa do carro das castanhas no Jardim da Estrela, em Lisboa, é mais conhecida.
Tears Are Coming - I've Got To Give Up - I'm Feeling Down - Try To Understand
Edição francesa, muito rara. A outra edição gaulesa, com "Missing You" e a capa do carro das castanhas no Jardim da Estrela, em Lisboa, é mais conhecida.
POSTAL ILUSTRADO (3-FIM)

Último postal ilustrado - sobre este tema - que a minha Mãe me mandou para Lisboa no dia 09 de Outubro de 1966 (tinha 19 anos):
Querido Filho:
Será ao som da música dos Beatles que estes bailam? Não toques os teus discos muito alto para não incomodar, sim filho? Vais portar-te bem para os Pais ficarem contentes.
Saudades. Um beijo do Pai e da Mãe amiga,
Maria Isabel
Só em 1966 a minha Mãe deixou de escrever Beatles entre aspas.
Querido Filho:
Será ao som da música dos Beatles que estes bailam? Não toques os teus discos muito alto para não incomodar, sim filho? Vais portar-te bem para os Pais ficarem contentes.
Saudades. Um beijo do Pai e da Mãe amiga,
Maria Isabel
Só em 1966 a minha Mãe deixou de escrever Beatles entre aspas.
POSTAL ILUSTRADO (2)

Postal ilustrado que a minha Mãe me mandou para Lisboa no dia 20 de Janeiro de 1965 (tinha 17 anos):
Meu Querido Filho:
Com um tempo triste cá me encontro bem na "tua bem amada Coimbra". Estuda, porta-te bem e não atormentes os vizinhos com os teus "Beatles". Apesar de eu já não os poder ouvir eu já sinto saudades desse barulho!
Até breve se Deus quizer.
Da Mãe bem amiga
Maria Isabel
Digam lá que não é delicioso!
POSTAL ILUSTRADO (1)

Postal ilustrado que a minha Mãe me mandou para Coimbra no dia 18 de Maio de 1964 (eu tinha 16 anos):
Querido Filho:
A Mãe achou que gostarias de ter este postal para a tua já enorme colecção de fotos dos "Beatles". Eles estão precisadíssimos de ir ao "Albino barbeiro", não te parece?
Até amanhã, se Deus quizer!
Beijos do Pai e da Mãe bem amiga,
Querido Filho:
A Mãe achou que gostarias de ter este postal para a tua já enorme colecção de fotos dos "Beatles". Eles estão precisadíssimos de ir ao "Albino barbeiro", não te parece?
Até amanhã, se Deus quizer!
Beijos do Pai e da Mãe bem amiga,
Maria Isabel
Como é bom de ver, o "Albino barbeiro" era isso mesmo, o barbeiro a que nós íamos na Rua de S. José, no Calhabé.
Agora, atentem bem no comprimento dos cabelos dos Beatles que mereceram este comentário de minha Mãe. Na altura era um escândalo (há outra história deliciosa com a PSP andar atrás dos guedelhudos). Hoje em dia...
Como é bom de ver, o "Albino barbeiro" era isso mesmo, o barbeiro a que nós íamos na Rua de S. José, no Calhabé.
Agora, atentem bem no comprimento dos cabelos dos Beatles que mereceram este comentário de minha Mãe. Na altura era um escândalo (há outra história deliciosa com a PSP andar atrás dos guedelhudos). Hoje em dia...
AUTÓGRAFO DOS CONCHAS
NOVA ANTENA

O nosso amigo José é um especialista e um coleccionador de revistas.
Com certeza que conhecerá esta. É a "Nova Antena" (tinha havido antes a "Antena"), revista de televisão e rádio, semanário da RTP, da RR e do RCP.
Naqueles tempos, eram as únicas revistas onde se podia encontrar alguma informação sobre música. Os jornais não ligavam e revistas especializadas não havia.
Este número é de 29 de Novembro de 1968 e tem uma capa psicadélica. A fotografada é Maria Fernanda, um dos rostos mais conhecidos da televisão.
A revista era dirigida por José Maria de Almeida e tinha Fernando Peres como director-adjunto e editor.
A redacção era formada, entre outros, por Luís Filipe Costa, Orlando Dias Agudo, Matos Maia, João Paulo Guerra, José Atalaya, Francisco Nicholson, Torquato da Luz, Mário Dias Ramos e Alfredo Alvela.
Na Grã-Bretanha, o correspondente era Hernâni Santos.
A revista custava 5$00 (na Metrópole).
Com certeza que conhecerá esta. É a "Nova Antena" (tinha havido antes a "Antena"), revista de televisão e rádio, semanário da RTP, da RR e do RCP.
Naqueles tempos, eram as únicas revistas onde se podia encontrar alguma informação sobre música. Os jornais não ligavam e revistas especializadas não havia.
Este número é de 29 de Novembro de 1968 e tem uma capa psicadélica. A fotografada é Maria Fernanda, um dos rostos mais conhecidos da televisão.
A revista era dirigida por José Maria de Almeida e tinha Fernando Peres como director-adjunto e editor.
A redacção era formada, entre outros, por Luís Filipe Costa, Orlando Dias Agudo, Matos Maia, João Paulo Guerra, José Atalaya, Francisco Nicholson, Torquato da Luz, Mário Dias Ramos e Alfredo Alvela.
Na Grã-Bretanha, o correspondente era Hernâni Santos.
A revista custava 5$00 (na Metrópole).
sábado, 3 de novembro de 2007
COMO AS CEREJAS...
Estas coisas são como as cerejas. Umas puxam as outras. Bastou o Rato falar de Tony Renis para eu me lembrar que também tinha um EP do italiano.Para dizer a verdade é só meio EP, já que Tony Renis o divide com Gino Corcelli, tipo Conchas/Daniel Bacelar. É dos que abrem por cima e é Polydor 20.632 EPH.
O meu Tony Renis é o segundo disco da minha colecção. Foi-me oferecido pelos meus Pais no dia em que fiz 13 anos, em 1960.
BALLADE À LUIS REGO, PRISONNIER POLITIQUE

DISQUES VOGUE - EPL 8437 - edição francesa (1966)
Ballade À Luís Rego, Prisonnier Politique (Gérard Filipelli/Gérard Rinaldi) - Pop Jerk (Jean Sarrus/Gérard Rinaldi) - On S'En Fout (Gérard Filipelli/Gérard Rinaldi) - Pas Adieu (Luís Rego/Gérard Rinaldi)
Ballade À Luís Rego, Prisonnier Politique (Gérard Filipelli/Gérard Rinaldi) - Pop Jerk (Jean Sarrus/Gérard Rinaldi) - On S'En Fout (Gérard Filipelli/Gérard Rinaldi) - Pas Adieu (Luís Rego/Gérard Rinaldi)
Os Reis do Yé-Yé lembraram-se - e bem - de Antoine, dos Problèmes, de Luís Rego. O EP que reproduzem contém uma das minhas canções-modelo dos anos 60, "Pourquoi Ces Cannons". Pour faire la guerre, mon enfant...
Luís Rego foi para Paris em 1962, com 18 anos, com o desejo de se aperfeiçoar na guitarra Conheceu depois Jean Sarrus (baixo), Gérard Rinaldi (voz), Donald Rieubon (bateria) e Gérard Filipelli (solo)e decidiram formar os Problèmes.
Estrearam-se num clube da Normandia, assinaram contrato com a Vogue, actuaram na TV, fizeram a primeira parte dos Rolling Stones e depois é história...
Este EP é um Vogue EPL 8437, de 1966. O meu irmão caçula comprou-o no dia 26 de Dezembro desse ano (com dinheiro do Natal, é claro).
A solo, Luis Rego tem um notável "Amor Novo" (1970) e foi dos primeiros a musicar Fernando Pessoa.
Cortesia de João Pinheiro de Almeida
Luís Rego foi para Paris em 1962, com 18 anos, com o desejo de se aperfeiçoar na guitarra Conheceu depois Jean Sarrus (baixo), Gérard Rinaldi (voz), Donald Rieubon (bateria) e Gérard Filipelli (solo)e decidiram formar os Problèmes.
Estrearam-se num clube da Normandia, assinaram contrato com a Vogue, actuaram na TV, fizeram a primeira parte dos Rolling Stones e depois é história...
Este EP é um Vogue EPL 8437, de 1966. O meu irmão caçula comprou-o no dia 26 de Dezembro desse ano (com dinheiro do Natal, é claro).
A solo, Luis Rego tem um notável "Amor Novo" (1970) e foi dos primeiros a musicar Fernando Pessoa.
Cortesia de João Pinheiro de Almeida
OS NOVOS MARIALVAS

Legenda original: Luís de Freitas Branco, 7º ano do liceu, pratica o desporto e canta "yé-yé".
O semanário da Radiotelevisão Portuguesa, "TV" de seu nome, publicou no dia 15 de Dezembro de 1966 um curioso artigo, "Os Novos Marialvas", que me permito reproduzir:
"Quando começamos a envelhecer ou já somos velhos, é costume, é hábito antigo, dizer mal dos novos: "Esta gente de agora! No meu tempo! Esta geração é de uma irresponsabilidade! Com o que eles se divertem! É uma mocidade perdida! "Aranjam cada dança!". Etc, etc.
"A dança, então, talvez porque cada época cria a sua maneira própria de dançar a sua dança, tem sido tomada como símbolo das gerações.
"Foi assim no tempo do swing, foi assim no tempo do charleston, foi assim no tempo do tango, foi assim no tempo da valsa, deve ter sido assim desde que se inventou o primeiro passo de dança.
"As críticas feitas a estas "inovações" pelos que, por isto ou por aquilo, não as podem interpretar, são infalíveis...
"Evidentemente que há e houve sempree quem faça as críticas na melhor das intenções, quem seja honesto a analisar as gerações mais novas, avaliando imparcialmente o que de bom e de mau nelas existe.
"No entanto devemos confessar que há normalmente um pouco de desacerto nessas apreciações. Aqueles passos que nós consideramos grotescos, idiotas, caricatos, amacacados, animalescos, etc, com que a juventude se diverte, fazem-nos recordar o que não queremos - a nossa velhice, o caruncho a atacar as articulações, a barriga a aumentar de volume...
"Ora a tv, presente em todas amanifestações de juventude - quando parte para ir defender o sólo pátrio da cobiça estrangeira, quando ganha troféus em competições desportivas, nas suas manifestações culturais, nas festas dipicamente fadistas e nas tipicamente "yé-yé" e quando corajosa e vigorosamente bate palmas a um touro -, fala hoje dessa mocidade tão seceramente criticada.
"Através da nossa reportagem quisemos demonstrar que esta geração, que muitos já consideram perdida, é igual a tantas outras - irreverente, atrevida, convencida que vai endireitar o mundo, que quem sabe é "Ela" e não os "velhos", que o mundo governado pelos novos é que estava bem.
"Enfim... gente nova... Engana-se quem vir a juventude só a dançar "yé-yé".
Através de três ou quatro casos pessoais, pode ver-se como são e o que fazem os jovens de hoje. Os Novos Marialvas, aqueles que continuam e mantêm afinal as mais nobres características e tradições do homem português".
O artigo, que está assinado por um Chaubet, inclui várias outras fotografias: Tozé, jogador de futebol do Benfica e aluno do Técnico. Está na tropa onde pertence à polícia militar e - sem embargo - dança "yé-yé". No conjunto "Os Claves", Luís (o viola-ritmo) é furriel miliciano. João Manuel, oficial miliciano, natural de Moçambique, joga ténis e faz uma "perninha" no "yé-yé". José Manuel Concha, do famoso conjunto "yé-yé" "Os Conchas", regressou há pouco da Guiné, onde, como os portugueses de lei de antigamente, se bateu em defesa da Pátria. Raul José, internacional júnior de ragueby, forcado amador e finalista do liceu, dança "yé-yé".
Nota de Pedro de Freitas Branco, directamente do Rio de Janeiro: além do meu Pai, Luís (viola-ritmo e voz), os Claves eram ainda José D'Athouguia (bateria), João Valeriano (baixo), João Ferraz da Costa (órgão) e Luís Pinto Freitas (guitarra-solo e voz principal).
O semanário da Radiotelevisão Portuguesa, "TV" de seu nome, publicou no dia 15 de Dezembro de 1966 um curioso artigo, "Os Novos Marialvas", que me permito reproduzir:
"Quando começamos a envelhecer ou já somos velhos, é costume, é hábito antigo, dizer mal dos novos: "Esta gente de agora! No meu tempo! Esta geração é de uma irresponsabilidade! Com o que eles se divertem! É uma mocidade perdida! "Aranjam cada dança!". Etc, etc.
"A dança, então, talvez porque cada época cria a sua maneira própria de dançar a sua dança, tem sido tomada como símbolo das gerações.
"Foi assim no tempo do swing, foi assim no tempo do charleston, foi assim no tempo do tango, foi assim no tempo da valsa, deve ter sido assim desde que se inventou o primeiro passo de dança.
"As críticas feitas a estas "inovações" pelos que, por isto ou por aquilo, não as podem interpretar, são infalíveis...
"Evidentemente que há e houve sempree quem faça as críticas na melhor das intenções, quem seja honesto a analisar as gerações mais novas, avaliando imparcialmente o que de bom e de mau nelas existe.
"No entanto devemos confessar que há normalmente um pouco de desacerto nessas apreciações. Aqueles passos que nós consideramos grotescos, idiotas, caricatos, amacacados, animalescos, etc, com que a juventude se diverte, fazem-nos recordar o que não queremos - a nossa velhice, o caruncho a atacar as articulações, a barriga a aumentar de volume...
"Ora a tv, presente em todas amanifestações de juventude - quando parte para ir defender o sólo pátrio da cobiça estrangeira, quando ganha troféus em competições desportivas, nas suas manifestações culturais, nas festas dipicamente fadistas e nas tipicamente "yé-yé" e quando corajosa e vigorosamente bate palmas a um touro -, fala hoje dessa mocidade tão seceramente criticada.
"Através da nossa reportagem quisemos demonstrar que esta geração, que muitos já consideram perdida, é igual a tantas outras - irreverente, atrevida, convencida que vai endireitar o mundo, que quem sabe é "Ela" e não os "velhos", que o mundo governado pelos novos é que estava bem.
"Enfim... gente nova... Engana-se quem vir a juventude só a dançar "yé-yé".
Através de três ou quatro casos pessoais, pode ver-se como são e o que fazem os jovens de hoje. Os Novos Marialvas, aqueles que continuam e mantêm afinal as mais nobres características e tradições do homem português".
O artigo, que está assinado por um Chaubet, inclui várias outras fotografias: Tozé, jogador de futebol do Benfica e aluno do Técnico. Está na tropa onde pertence à polícia militar e - sem embargo - dança "yé-yé". No conjunto "Os Claves", Luís (o viola-ritmo) é furriel miliciano. João Manuel, oficial miliciano, natural de Moçambique, joga ténis e faz uma "perninha" no "yé-yé". José Manuel Concha, do famoso conjunto "yé-yé" "Os Conchas", regressou há pouco da Guiné, onde, como os portugueses de lei de antigamente, se bateu em defesa da Pátria. Raul José, internacional júnior de ragueby, forcado amador e finalista do liceu, dança "yé-yé".
Nota de Pedro de Freitas Branco, directamente do Rio de Janeiro: além do meu Pai, Luís (viola-ritmo e voz), os Claves eram ainda José D'Athouguia (bateria), João Valeriano (baixo), João Ferraz da Costa (órgão) e Luís Pinto Freitas (guitarra-solo e voz principal).
sexta-feira, 2 de novembro de 2007
QUINTA DO ESCORPIÃO

João Viana, 30 anos, explica o tamanho e como retirou da parede do quarto da Quinta do Escorpião a placa "To Moira, Love From George Harrison".
What?
Contemos então a história desde o princípio.
Por causa do desaparecimento ou do homicídio de Maddie, Hunter Davies regressou à Praia da Luz, no Algarve (Lagos), 40 anos depois.
Seguimos também as pisadas, mas fomos bem mais longe! Conseguimos finalmente descobrir a casa onde George Harrison escreveu o álbum "Living In The Material World".
Deixámos Lisboa pela nóvel A2 que, 200 quilómetros depois, atravessa o rio Mira, momento que Paul McCartney se lembra de ter escrito "Yesterday" em 1965.
Saímos para Monchique à procura de "A Rampa", restaurante que McCartney frequentou em Dezembro de 1968, na companhia de Hunter Davies.
O restaurante fica na estrada nacional 266-3 entre Monchique e Fóia, a 3 Km de Monchique, e mantém-se exactamente como há 40 anos.
É um restaurante caseiro, com esplanada e comida (excepcional) regional. Mantém-se nos trinques.
Quando chegámos tocava "Ebony And Ivory" e a empregada que nos serviu chamava-se Paula.
Também (ainda) vimos um burro de aluguer, de que Hunter Davies fala na sua biografia oficial dos Beatles e que tanto encantou Paul e Linda, dando até origem a uma história de férias.
Maria Teresa Albano Baiona de Jesus, 73 anos feitos exactamente hoje (há coincidências, não há?), ainda a proprietária, não se lembra de nada, nem das visitas de Paul McCartney nem do regresso de Hunter Davies.
"Tenho aí uns recortes de jornais de agora que uns clientes ingleses me deram".
"Então não manda emoldurar os recortes? Era bom para o restaurante".
"Não, não. Quero manter o restaurante exactamente como estava".
Também comemos o famoso frango com piri-piri. Fantástico e barato, o que espantou.
Também (ainda) vimos um burro de aluguer, de que Hunter Davies fala na sua biografia oficial dos Beatles e que tanto encantou Paul e Linda, dando até origem a uma história de férias.
Maria Teresa Albano Baiona de Jesus, 73 anos feitos exactamente hoje (há coincidências, não há?), ainda a proprietária, não se lembra de nada, nem das visitas de Paul McCartney nem do regresso de Hunter Davies.
"Tenho aí uns recortes de jornais de agora que uns clientes ingleses me deram".
"Então não manda emoldurar os recortes? Era bom para o restaurante".
"Não, não. Quero manter o restaurante exactamente como estava".
Também comemos o famoso frango com piri-piri. Fantástico e barato, o que espantou.
O restaurante estava repleto de alemães, ingleses e espanhóis. Nós éramos os únicos portugueses.
Seguimos o roteiro de Hunter Davies e ficámos num aldeamento na praia de Porto Mós, nas cercanias de Lagos. Foi preciso um jornalista inglês indicar uma pérola algarvia escondida.
Porto Mós, com 1,350 Km de praia, é uma benção dos deuses! Inacreditável de tanta beleza, com as suas escarpas íngremes, a sua erosão, o seu sossego. Os bares e restaurantes são soberbos, mantendo a traça regional e ignorando ostensivamente a sofisticação bacoca de outros.
Revisitámos Albufeira, onde Paul McCartney esteve em 1965 em casa de Bruce Welch, dos Shadows, e onde terminou, como se sabe, a letra de "Yesterday".
Voltámos ao "Penina", hoje "Le Merédien - Penina Golf & Resort", onde Paul McCartney escreveu "Penina" em 1968, para os Jotta Herre, então banda residente do hotel.
(Na banda de hoje, o guitarrista era canhoto. Perseguição?).
Finalmente, o hotel tem um quadro onde se evoca a canção. É que o hotel, até há pouco, ignorava completamente o feito.
Também fomos, como é óbvio, à Quinta das Redes, na Praia da Luz, que Hunter Davies tão bem descreve.
A Quinta é uma antiga fábrica de conservas, bem junto à praia, que agora está transformada em apartamentos. Diferente é certo, mas a mística mantém-se.
A cereja no topo no bolo aconteceria depois. Tínhamos a informação de que George Harrison tinha passado férias no Algarve em 1972, tempo durante o qual escreveu o álbum "Living In The Material World".
Na Internet, descobrimos um texto-anúncio da venda de uma propriedade na Herdade do Funchal (Lagos) onde George Harrison teria deixado uma mensagem na parede.
Ana Machado, da Knight Frank, deu-nos a informação preciosa: a propriedade chamava-se "Quinta do Escorpião".
Revisitámos Albufeira, onde Paul McCartney esteve em 1965 em casa de Bruce Welch, dos Shadows, e onde terminou, como se sabe, a letra de "Yesterday".
Voltámos ao "Penina", hoje "Le Merédien - Penina Golf & Resort", onde Paul McCartney escreveu "Penina" em 1968, para os Jotta Herre, então banda residente do hotel.
(Na banda de hoje, o guitarrista era canhoto. Perseguição?).
Finalmente, o hotel tem um quadro onde se evoca a canção. É que o hotel, até há pouco, ignorava completamente o feito.
Também fomos, como é óbvio, à Quinta das Redes, na Praia da Luz, que Hunter Davies tão bem descreve.
A Quinta é uma antiga fábrica de conservas, bem junto à praia, que agora está transformada em apartamentos. Diferente é certo, mas a mística mantém-se.
A cereja no topo no bolo aconteceria depois. Tínhamos a informação de que George Harrison tinha passado férias no Algarve em 1972, tempo durante o qual escreveu o álbum "Living In The Material World".
Na Internet, descobrimos um texto-anúncio da venda de uma propriedade na Herdade do Funchal (Lagos) onde George Harrison teria deixado uma mensagem na parede.
Ana Machado, da Knight Frank, deu-nos a informação preciosa: a propriedade chamava-se "Quinta do Escorpião".
O problema veio a seguir: o Funchal é uma encosta vastíssima, à saída de Lagos, direcção Sagres, com dezenas e dezenas e dezenas de vivendas meio escondidas, todas com ar dos anos 60, e ninguém conhecia a "Quinta do Escorpião".
Ao fim de seguramente uns 30 minutos completamente perdidos em ruelas minúsculas encosta acima, encosta abaixo, vimos a placa divina "Quinta do Escorpião". YES!!! Numa dead end street lá estava a Quinta do Escorpião, em obras.
Um operário a dormir, disse, enramelado, que podíamos visitar a propriedade. Era hora de almoço e todos os operários estavam naturalmente no seu direito de descanso.
Todos acordaram, excitados com a nossa presença, e João Viana lá explicou que o novo proprietário da Quinta mandou retirar a inscrição de George Harrison e a guardou para si há cerca de dois meses.
Resta acrescentar que o novo proprietário - cujo nome se omite, por opção, - é o proprietário da quinta contígua, curiosamente chamada "Las Brisas", ou seja, uma canção gravada por Ringo Starr.
Ao fim de seguramente uns 30 minutos completamente perdidos em ruelas minúsculas encosta acima, encosta abaixo, vimos a placa divina "Quinta do Escorpião". YES!!! Numa dead end street lá estava a Quinta do Escorpião, em obras.
Um operário a dormir, disse, enramelado, que podíamos visitar a propriedade. Era hora de almoço e todos os operários estavam naturalmente no seu direito de descanso.
Todos acordaram, excitados com a nossa presença, e João Viana lá explicou que o novo proprietário da Quinta mandou retirar a inscrição de George Harrison e a guardou para si há cerca de dois meses.
Resta acrescentar que o novo proprietário - cujo nome se omite, por opção, - é o proprietário da quinta contígua, curiosamente chamada "Las Brisas", ou seja, uma canção gravada por Ringo Starr.
Luís Pinheiro de Almeida e Teresa Lage
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AMIGOS DE ALEX
Faz hoje - dia 02 de Novembro - 22 anos que foi para o ar no então FM estereo da Rádio Renascença (futura RFM) a primeira emissão de "Amigos de Alex", considerado um dos mais emblemáticos programas de autor da rádio portuguesa.Com duas horas ao sábado, o programa esteve no ar durante 10 anos, de 1985 a 1995.
Em 1987, "Amigos de Alex" foi nomeado para um Sete de Ouro.
Da responsabilidade de Luís Pinheiro de Almeida - Luís Marinho, actual director de Informação da RTP, só esteve muito no início - o programa teve também durante algum tempo a participação de Manuel Falcão, ex-director do Blitz e ex-chefe de gabinete de Santana Lopes, que assinava um pequeno apontamento, "Colar de Pérolas", tendo como indicativo "Living In The Past", dos Jethro Tull.
O indicativo dos "Amigos de Alex" eram os coros femininos de "You Can't Always Get What You Want", dos Rolling Stones. Nesses coros, da London Bach Choir, com a participação também de Doris Troy (uma descoberta de George Harrison), Nanette Newman e Madeline Bell.
Não esquecer também o órgão Hammond de Al Kooper.
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