quarta-feira, 22 de julho de 2009

MADALENA INAUGURA CLUBE DE FÃS


Antes de partir para o Canadá, Madalena Iglésias viveu mais outra jornada triunfal, a inauguração da sede do seu clube de fãs, que fica instalada num prédio moderno, situado na Avenida Infante Santo, 61, r/c, em Lisboa.

O acontecimento levou ali dezenas e dezenas dos seus admiradores inscritos neste clube, que tem como presidente a menina Maria Emília Barros Viegas e que abrange não só a capital, mas também a província, através de sócios-correspondentes.

Uns e outros pagam a quota mensal de sete escudos e cinquenta centavos, ficando com direito a receberem o emblema do clube e a terem todos os meses uma fotografia no formato 12x18 da Rainha da TV, autografa e dedicada.

in "Plateia" nº 250, 16 de Novembro de 1965

ATENÇÃO AOS POPPERS


Belas harmonias vocais à la sixties, guitarras com personalidade - brit-pop. Os Poppers!

MUSICIAN'S CAFÉ


Nos anos 60, La Gioconda, em Denmark Street, Londres, era o café dos músicos. Era aqui, por exemplo, que Dick James tinha o seu escritório de publishing. Os compositores vinham aqui mostrar-lhe as suas criações que Dick James depois vendia.

Não, o processo dos Beatles foi diferente. Dick James ganhou o publishing da dupla Lennon/McCartney simplesmente por ter chegado a horas a uma reunião com Brian Epstein e por ter vendido "Please Please Me", num ápice, a Philip Jones, produtor televisivo de "Thank Your Lucky Stars", revelando assim eficácia.

O verdadeiro escritório de Dick James (e, depois, da Northern Songs) funcionava na esquina, no edifício Shaldon Mansions, 1º andar, no 132 Charing Cross Road, desde 1961 até 1964, mudando-se depois para 71-75 New Oxford Street.

Foi também aqui, no Gioconda - hoje um restaurante - que David Bowie, então David Jones, encontrou a sua primeira banda, Lower Third, e que os Small Faces decidiram tornar-se profissionais.

Nos anos 70, La Gioconda era frequentada pelos punks, nomeadamente Clash e Slits.

PAROLE, PAROLE


ORFEU - SAT 850 - 1972

Parole, Parole (Tonicha e João Perry) (Michaele/G. Ferrio/Ary dos Santos) - Simplesmente Maria (Guirrajo/Algueiró/Ary dos Santos)

Versão portuguesa de Ary dos Santos, direcção musical de José Calvário.

O maestro Algueiró fez questão que fosse a Tonicha a cantar o tema da radionovela que fora comprada a Espanha, visto que ele era o autor da música. Ele tinha orquestrado a "Menina" e trabalhou muito com a cantora em Espanha.

Francisco Marzia

terça-feira, 21 de julho de 2009

FITAS DE GRAVADOR


Em mini-tertúlia antes da desgraça desta noite do Benfica - a primeira de muitas... (já há lenços brancos?!?) - Gin-Tonic incentivou-me a mostrar estes alinhamentos das bobinas de antanho.

O que me fascina são os comentários a vermelho...

THE WALL


RAUL SOLNADO NO ZIP


ZIP ZIP - ZIP 2.007/L - s/data

Face A

Fritz - O Ladrão - O Espião do Celtic

Face B

John Silva - O Homem do Emblema

AO ALCANCE DAS MÃOS


RCA - PL 40 152 - 1979

Lado 1

Desafronta – Lavadeira – Ao Alcance das Mãos - Para Ti Companheira - Os Filhos das Trevas – E De Súbito A Voz – Llanto Para Alfonso Sartre Y Todos

Lado 2

Capango – A Carta – Vira Virado – A Quinta – Desafio – De Súbito Esta Voz

Arranjos e direcção musical: Carlos Alberto Moniz

Músicos: Pedro Osório, Luis Duarte, Ramon Galarza – Samuel – Carlos Alberto Moniz, José Luis Simões, Correia Martins, Maria de Lurdes, Carlos Franco, Constantino Pino, Idalino Roque, Gilberto Mota, Maria do Amparo, Madalena Ideal

Som: José Manuel Fortes, Luis Alcobia, Rui Novais

Foto: Augusto Cabrita

Capa e arranjo gráfico: Jorge Simões

Colaboração de Gin-Tonic

CLIFF RICHARD EM PORTUGAL


- Como é que descobriu o Algarve?

- Com muito mesnos mérito, é certo, mas também em muito menos tempo do que aquele que Vasco da Gama levou a descobrir o caminho marítimo para a Índia, onde os meus pais estavam a viver quando eu nasci. E isto explica talvez a razão por que tanto adoro o sol quente da vossa terra.

- Está bem, mas venha lá a história da sua descoberta.

- É simples. Encontrei-me um dia em Londres, na TV, com uma das locutoras, a Muriel, que acabava de regressar de Portugal, depois de ter comprado uma casa no Algarve. E de tal forma me falo dos encantos do país e em especial da região, do seu clima privilegiado e da sua belíssima gente, que eu encarreguei os mesus solicitadores de me comprarem também uma casa onde pudesse vir descansar nas férias. E foi assim que na minha vida surgiu um grande amor por essa pequena Albufeira, grande caixa de surpresas, até ao dia em que até a minha própria casa deixou de ser uma delas para se tornar numa agradável realidade.

in "TV" nº109, 27 de Maio de 1965

TUGAS NA LUA


Natural de Sosa, concelho de Vagos, distrito de Aveiro, Maria Isilda Ribeiro, 23 anos, bordadeira, trabalhava em Verona (New Jersey), na fábrica de bandeiras Annin, onde bordou a bandeira norte-americana que ficou na Lua.

Estranhei que a bandeira fosse diferente, tanto no tecido, frágil, parecido com vidro, como na configuração.

Só soube que era a bandeira que iria ficar na Lua quando acabei o trabalho e o meu chefe disse: "és a primeira mulher que fez uma bandeira que há-de ser colocada na Lua". E a minha mestra também me disse: "quando chegares a Portugal vê a televisão e lá avistarás a tua bandeira na Lua, quando os astronautas lá chegarem.

Outra curiosidade de Maria Isilda Ribeiro: é prima do então ministro da Justiça, Almeida Costa.

Fonte: Diário Popular, 23 de Julho de 1969

HOMEM EM CIMA DA ÁRVORE

À falta de melhor plataforma, donde pudesse ver-se o pequeno "écran", no interior do estabelecimento, os automóveis serviram perfeitamente...

Diário Popular, 21 de Julho de 1969

"Ó PATEGO, OLHÓ BALÃO"


Aspecto parcial do interior de um dos poucos cafés que, em Lisboa, satisfizeram a vontade dos seus clientes: manterem-se abertos, com risco de multa...

Diário Popular, 21 de Julho de 1969

O HOMEM PISOU A LUA

Este telegrama da France Press contém um erro ético muito comum, mas que, neste caso, até se pode relevar: está datado de um sítio onde manifestamente o redactor não estava!

Foi na madrugada portuguesa do dia 21 de Julho, às 03H56, que Neil Armstrong levantou o pó lunar...

segunda-feira, 20 de julho de 2009

AUGUSTO CABRITA


COLUMBIA - SLEM 2315

Vou Dar De Beber À Dor – Fadinho Serrano – Meia-Noite E Uma Guitarra – Disse-te Adeus E Morri

Escolheu esta capa de um EP de Amália Rodrigues, não pela Amália em si – de que até gosta – mas pela fotografia da autoria de Augusto Cabrita.

Porque é bom que pessoas como Augusto Cabrita não fiquem no esquecimento.

Por norma é esse o destino dos artistas deste país.

Augusto Cabrita foi um homem de sete instrumentos, como diria o Sérgio Godinho. É dele a maravilhosa fotografia, a preto e branco, de “Belarmino”, filme de Fernando Lopes. Na televisão deixou o seu talento expresso numa série de colaborações só ao alcance de eleitos.

Concretamente, num programa de Luis de Freitas Branco, “Melomania”, e também o seu trabalho para a série “Vamos Jogar no Totobola". Com textos de Brandão Lucas.

Curiosamente, a propósito de um desses programas, o que foi transmitido na noite de 24 de Abril de 1974, Alice Vieira, na crítica publicada nas diversas edições do “Diário Popular” do dia seguinte, escrevia que num qualquer tempo futuro, Augusto Cabrita, ou alguém por ele, deveria reunir os melhores filmes das emissões “Vamos Jogar no Totobola”.

O Augusto Cabrita, que nos deixou em 1 de Fevereiro de 1993, não o fez e, supõe-se, que muito dificilmente alguém o fará. São daquelas coisas que não dão dinheiro…

Esteve uma única vez com Augusto Cabrita. Conversava à mesa da “Orion”, uma pastelaria no alto da Calçada do Combro, e quem o acompanhava conhecia o Augusto Cabrita e chamou-o para um café. Lembra a humildade sedutora, o fascínio daquele homem simples e de discurso claro, para quem os outros é que são importantes. Como ele, apenas se lembra de um outro mestre: Carlos Paredes.

Não resiste a reproduzir o que Dinis Machado, seu cunhado, escreveu no catálogo de uma sua exposição em Dezembro de 1986:

Talvez se possa definir o Augusto Cabrita (no que existe nele de definível) como um ser humano onde se combinam, com uma felicidade extremamente rara, a truculência, a generosidade e a arte do trabalho.

Absorve a vida como se lhe fosse pouca – e depois distribui-a, caminheiro, pelas mãos dos outros. Gosta muito de quem gosta (como se tivesse o culto do excesso) e aprende, olhando em cada novo olhar, repleto e substituído, a qualidade e a largueza de vistas que o levaram, com o tempo, a construir o seu opulento (e humilde) universo de imagens eternas.

Cheio do prazer de admirar (uma forma de benesse para aqueles que sabem confessar a grandeza possível dos outros), este homem situado de antenas visuais e de coração caleidoscópio, mestre de fotógrafos e narrador de amigos, lida com as dificuldades para se levantar sobre elas – mesmo que seja o arame farpado do grande sofrimento.

Num dia em que trocámos citações (como às vezes fazemos) ao ouvi-lo falar, no limiar da sensibilidade, do burlesco geométrico de Chaplin, disse-lhe que ele teve um destino à Le Corbusier: “Estás condenado a ver".

Acrescento nesta página para que a ideia seja mais esclarecedora: a sentir, a compreender e a revelar".

Colaboração de Gin-Tonic

MORREU GORDON WALLER


Gordon Waller, que fez parelha com Peter Asher no duo Peter and Gordon, morreu no passado dia 17 de Julho, vítima de ataque cardíaco.

Gordon played such a significant role in my life that losing him is hard to comprehend – let alone to tolerate.

He was my best friend at school almost half a century ago. He was not only my musical partner but played a key role in my conversion from only a snooty jazz fan to a true rock and roll believer as well.

Without Gordon I would never have begun my career in the music business in the first place. Our professional years together in the sixties constitute a major part of my life and I have always treasured them.

We remained good friends (unusual for a duo!) even while we were pursuing entirely separate professional paths and I was so delighted that after a hiatus of almost forty years we ended up singing and performing together again more recently for the sheer exhilarating fun of it. We had a terrific time doing so.

Gordon remains one of my very favourite singers of all time and I am still so proud of the work that we did together. I am just a harmony guy and Gordon was the heart and soul of our duo.

I shall miss him in so many different ways. The idea that I shall never get to sing those songs with him again, that I shall never again be able to get annoyed when he interrupts me on stage or to laugh at his unpredictable sense of humour or even to admire his newest model train or his latest gardening effort is an unthinkable change in my life with which I have not even begun to come to terms.

Peter Asher

NOW HEAR THIS


The Dead Of Winter (Martin Carr) - The Roll-Off Characteristics (Of History In The Making) (Cornershop) - Tea Leaves (Scaremongers) - Find My Way Back Home (Priscilla Ahn) - Losing The Will To Survive (Beyond The Wizard's Sleeve Re-Animation) (Findlay Brown) - 3AM Spanish (Hockey) - One More Tune (Julie Feeney) - I Been Born Again (Phenomenal Handclap Band) - Cliff Top (Yeah Yous) - Secret Agent (Tony Allen) - Seventeen (Marina & the Diamonds) - Invisible Tattoo (Sharon Robinson) - Kiss Me Dead (Magic Wands) - So Long St. Christopher (Goldheart Assembly) - Love, Love Alone (Blind Blake)

O excelente CD que acompanha a edição de Agosto (2009) da não menos excelente revista The Word.

THE WORD


José chamou-me a atenção para esta revista. Fiquei fã.

Tem uma perspectiva diferente e interessante sobre o fenómeno Beatles.

QUAND LES ROSES


LA VOIX DE SON MAITRE - EGF 699 - edição francesa

Quand Les Roses – J’Étais Tout Autre – Si Jamais – J’Ai Pas D’Mandé La Vie

PROTESTAR... VALE A PENA!


Depois de tanto protesto, hoje fez-se luz na Maestro Jaime Silva Filho, em Lisboa.

As obras tinham acabado há dois meses, mas a luz não tinha sido ainda reposta na totalidade! Até hoje...

NEON RAINBOW


STATESIDE - PSE 514 - edição portuguesa (s/data)

Neon Rainbow - I'm Your Puppet - She Knows How - Everything I Am

Uma das curiosidades deste EP, além das canções, é que tem a indicação "gravação mala". O que quererá dizer? Alô, José!

domingo, 19 de julho de 2009

18 DE SETEMBRO DE 1966


Anteontem estive a gravar do programa Em Órbita e consegui gravar algumas canções bestiais tais como "Eleanor Rigby" (Beatles), "Good Day Sunshine" (Beatles), "I'm A Boy" (The Who), "All Or Nothing" (The Small Faces) e mais uma ou outra. A 23ª Hora está uma porcaria. Não presta mesmo para nada. O Roberto Carlos tem uma música nova bestial que se chama Rosita. Mando-te a letra dessa canção. Vou ver se te arranjo mais. Amanhã ou depois compro a tua fita e depois gravo-ta. OK?

(...)

Estou a ouvir o "Get Away" do Georgie Fame. Passando o som do "pick-up" pela frequência modelada, fica um som bestialíssimo. Então a viola-baixo fica mesmo bem.

(...)

Ontem fui atravessar a Ponte de autocarro. Aquilo é mesmo lindo. Então a vinda para Lisboa tem uma paisagem maravilhosa. E é rápido. Quando cá vieres, levo-te a dar um passeio até à Outra Banda, OK?

Bem, tenho de ir à Missa (a minha Missa é ir à Baixa comer um gelado).

Logo à tarde, vou ao futebol ver o desafio Atlético-Académica.

SEJA EXIGENTE!


Diário de Lisboa, 08 de Novembro de 1969

ONE FROM THE HEART


CBS - 7464-37703-1 - edição norte-americana (1982)

Lado 1

Once Upon A Town – The Wages Of Love – If There Any Way Out Of This Dream? – Picking Up After You – Old Friends – Broken Bicycles

Lado 2

I Beg Your Pardon – Little Boy Blue – The Tango – Circus Girl – You Can’t Unring A Bell – This One’s From The Heart – Take Me Home

Já que o Luis Mira, andando à volta dos seus “néons”, falou em “One From The Heart” de Francis Ford Coppola, fiquem com a capa da fabulosa banda sonora, composta e interpretada por essa voz de alcatrão queimado que dá pelo nome de Tom Waits e que até consegue fazer brilhar uma incipiente Crystal Gayle.

“Do Fundo do Coração” é um dos tais filmes para a tal ilha deserta.

Coppola quis fazer o seu filme, loucuras próprias e muitas. Conseguiu mesmo mas ficou arruinado e ainda hoje anda a tentar juntar os cacos.

Por norma, os filmes incompreendidos pelas maiorias são os melhores e quase se agradece que assim seja.

Francis Ford Coppola: o doido com juízo.

“O cinema não é só para ver. O cinema é para amar. E quem não ama o cinema guarda, no seu íntimo, qualquer coisa de inacabado e, quem sabe? Uma discreta dose de imbecilidade”, disse ele.

Colaboração de Gin-Tonic

NEON RAINBOWS 07


Ou em pleno “set” do “One From The Heart”, do Coppola, a pegar na Cristina pela mão e a sair pelas ruas a cantar as músicas do Tom Waits:

Summer is gone, our love will remain
Like old broken bicycles, out in the rain


Luís Mira

NEON RAINBOWS 06


Senti-me como se estivesse bem no meio do genérico inicial do “Viva Las Vegas”, apesar de saber muito bem que a maior parte desses hotéis, bares e restaurantes já tinha desaparecido há muitos anos.

Luís Mira