quinta-feira, 1 de janeiro de 2015

SANTA ESMERALDA


"Música & Som" nº 22,  01 de Janeiro de 1978

Esta interpretação de "Don't Let Me Be Misunderstood" foi um dos reis das boîtes, pelo menos lisboetas, em 1977.

3 comentários:

Anónimo disse...

Confirmo.
Vivi alguns anitos num apartamento por cima de uma "Boîte" que só visitei uma vez (e não fiquei fã) cuja insonorização ( música e frequência ) deixava algo a desejar, de tal maneira que sabia o alinhamento das músicas de fio a pavio e, como tal, podia adivinhar a próxima da sequência aproveitando então para impressionar as visitas dos meus dotes extrasensoriais de adivinhação além de dar descanso ao gira-discos.

Esta era uma das tais que passavam até à náusea e me fariam ir ao otorrinolaringologista, a tal especialidade médica que, se proferida para testar o eco, este retorna interminantemente "oto...quê?"... "oto...quê?...".

Na verdade estes Santa Esmeralda, e muitos outras presenças habituais do alinhamento, eram uma diabólica otite para mim.

A outra ainda mais irritante era "Fly Robin Fly" dos "Silver Convention" cuja lírica mais especificava "up, up to the sky"
uma provocação tremenda dirigida "ad hominem" a quem vivia por cima

Valia a última da lista,
"Can't Help Falling In Love" do Elvis, e era então que pregava o olho depois de contar tantos carneirinhos, perdão, levar com tantos tirinhos nos tímpanos.

Santa Esmeralda NÂO, SANTO ELVIS !

JR



Anónimo disse...

Ainda no tema "Boates", para quem viveu por cima de uma, felizmente poucos anos, para além dos efeitos sonoros, há situações inusitadas ou surrealistas que nunca mais se esquecem.

Uma delas foi, mal acordado com um brusco ruído de torpel e algazarra, presenciar no privilegiado camarote da minha janela para a rua, aquilo que então me pareceu o início da terceira guerra mundial, uma carga policial de coronhada sobre uma bando de barbudos que mais pareciam talibans em encarniçada resistência , talvez por a conta com que foram confrontados na dita "boate" ser tudo menos boato, era mais comprida que as barbas desses beberrões que acabaram a vomitar uísque de puro maltês sob coronhada policial, não fossem morrer por afogamento.

A outra foi a de uma alma abandonada pelo acompanhante à porta da "boate", eventualmente trocada por outra que, de coração destroçado, desatou a produzir um interminável dilúvio tão lacrimejante quanto ensurdecedor ali mesmo sob a parede do prédio, e, não fosse a parede abater, aqui o Noé de serviço mais próximo tratou de dar os primeiros socorros emocionais, estancando o dilúvio, mais, por estar uma noite fria, e naturalmente húmida, não fôssemos ficar os dois com uma pneumonia, trouxe a pássara ferida de coração desfeito para a minha Arca.
Mal chegada voltou a ouvir os mesmos sons que lhe fizeram logo lembrar o pródigo acompanhante uns metros mais abaixo no subsolo e o dilúvio, para meu desconsolo e do meu soalho, voltou outra vez desta vez dentro de portas. Incurável. E eu, coração empedernido, que não consegui soltar uma lágrima para a acompanhar.
Lá em baixo na "boate" soava o Rod Stewart em "Some guys have all the luck".
Na Arca, o Noé só podia dispor dos Bee Gees com "How Can You Mend a Broken Heart", ciência que tal como a mecânica quântica ainda não tem solução à vista. Bem dizia Pascal "O coração tem razões que a razão desconhece".

JR


JR

ié-ié disse...

belas histórias...

LT