domingo, 13 de maio de 2018

MULTIBANCO FAZ 50 ANOS!!!


Sabiam? Para mim foi uma surpresa ao ler o "Diário Popular" de 14 de Maio de 1968. Já não me lembrava! Será que chegou mesmo a existir?

Na véspera, dia 13, escrevia o mesmo jornal:

Com a presença do presidente do Grémio Nacional dos Bancos e Casas Bancárias, foi hoje inaugurado na filial do Chiado do Banco Fonsecas & Burnay o novo serviço "Bancomat - BFB", que consiste num sistema de distribuição automática de dinheiro por meio de máquinas com acesso directo ao público que se encontra na rua, permitindo levantamentos de fundos a qualquer hora do dia ou da noite, em todos os dias do ano, incluindo domingos e feriados.

As máquinas em causa, de concepção muito engenhosa, são de manejo fácil, bastando utilizar um cartão que previamente é distribuído ao cliente.

Para qualquer levantamento basta abrir a porta do "Bancomat - BFB" e inscrever, por intermédio de um teclado que se encontra no interior do aparelho, o código pessoal e a importância que se deseja receber, saindo as notas, uma a uma, através de uma fenda apropriada.

A cerimónia da inauguração a que assistiram numerosas individualidades especialmente convidadas para o efeito, despertou grande curiosidade.

A administração do Banco Fonsecas & Burnay ofereceu, em seguida, aos seus mais directos colaboradores, às entidades referidas e aos representantes dos órgãos da Informação, um almoço num restaurante da cidade.

8 comentários:

josé disse...

Interessante nesta notícia é o seguinte:

O modo de escrever o português, pelos jornalistas e que já não se usa.

Explico: Quem lê os jornais de hoje ( qualquer jornal, não há excepções), fica com uma ideia que escrever notícias tem mesmo que ser do modo como agora se lêem: formatadas por robots da língua portuguesa.

Não sei quem ensinou os jornalistas todos a escrever assim como hoje se escreve.

Por outro lado, a prosa que está acima, do Diário Popular, é uma delícia para ler. Explica, está bem construída e torna-se agradável pegar num jornal e ler deste modo.


Mas que raio nos aconteceu em 40 anos?

Onde e quem é que formou esta gente que agora escreve em jornais?

ié-ié disse...

Não estou inteiramente de acordo. Admito que a notícia é fácil de ler, até pela linguagem pirosa que hoje reconhecemos. Mas é tecnicamente muito imperfeita, como aliás praticamente tudo o que tenho lido da época. Por exemplo, nesta notícia ficamos sem saber quem é o presidente do grémio.

Há dias, tive de me aplicar para saber quem era o ministro das Obras Públicas em dada altura, porque a notícia do DP, que fazia a reportagem de uma qualquer posse no Ministério, "esquecera-se" de o identificar. E há muito mais.

Tecnicamente eram muitíssimo imperfeitas. Só os telegramas das agências escapavam.

Não quero com isto dizer que hoje se escreva melhor, nada disso.

Hoje, como então, não se é jornalista por ter um canudo. Ser jornalista é uma vocação, uma espécie de sacerdócio.

Trabalhei com excelentes jornalistas que só tinham a 4ª classe ou pouco mais e gastei os olhos a corrigir erros ortográficos e de sintaxe a pseudo-jornalistas saídos de pseudo-Faculdades.

O jornalismo não se aprende, aplica-se.

Acho que era no filme "Primeira Página" que um jornalista, nos EUA, se queixava ao seu chefe de estar há 20 anos na necrologia e que gostaria de fazer outra coisa. Ao que recebeu como resposta qie poderia fazer "outra coisa" quando soubesse fazer bem um óbito.

Eu costumava dizer aos meus estagiários que só poderiam singrar na profissão se soubessem fazer bem o acidente na 2ª circular.

Ah! E há outra coisa. Os "jornalistas" que têm a mania que escrevem bem, que escrevam livros. Um jornalista não é um escritor!

LT

Acqua disse...

LT: eu costumo ir mais longe... O jornalismo é uma Arte: aprimora-se quando se nasce com ela dentro de nós mas não se planta em quem nasceu sem o dom

ié-ié disse...

Absolutamente de acordo, Acqua!

E há ainda outra coisa hoje em dia: a falta de memória (para não dizer cultura!) dos nóveis "jornalistas": até são capazes de apostar que Spínola foi um jogador do Sporting e que Salgueiro Maia correu pelo Benfica!

LT

Muleta disse...

exacto LT.
a escrita da notícia é pirosa, subserviente (a direcçao ofereceu um almoço num restaurante da cidade.....) e por aí fora.
hoje em dia tecnicamente as notícias sao melhores, embora nem sempre com o portugues mais escorreito......... e concordo com o facto dos jornalistas hoje nao saberem nada. hoje uma jornalista que trabalha comigo estava espantada, pois julgava que os militares todos, mesmo os soldados, acabavam a carreira sempre em oficiais.........!!!!!!!!!

ié-ié disse...

Jesus Christ! É verdade, os novos pseudo-jornalistas além de não saberem escrever português carregam uma falta de cultura (básica) impressionante!

LT

adt disse...

No programa "Anúncios de Graça" (RTP Memória) de segunda-feira à noite deu um reclame apresentado pelo Fernando Pessoa com um sistema do Banco Português do Atlântico. Só não sei se era este ou um semelhante. (Fiquei com a ideia que era telebanco mas pode ser este). Iam até a agência colocavam o dinheiro ou os cheques num tubinho e também podia-se receber notas.

adt disse...

O reclame era apresentado pelo Fernando Pessa e o sistema do Banco Português do Atlântico chamava-se Telebanco. 1965 - http://restosdecoleccao.blogspot.pt/2018/02/telebanco-bpa-e-auto-banco-bpsm.html