quinta-feira, 24 de julho de 2008

TELL LAURA I LOVE HER


Uma das canções mais deprimentes da história do rock.

Cortesia de Daniel Bacelar

quarta-feira, 23 de julho de 2008

"EM ÓRBITA" NA "ANTENA"


Já que o Ié-ié falou, mais uma vez, do incontornável "Em Órbita" e da rubrica "Teste-disco" aqui fica um documento para a história do mítico programa: um artigo publicado na revista "Antena", do RCP, no Verão de 1968.

Colaboração de Vítor Soares

MÚSICA SOUL


Alguém - com razão - me recriminou pelo facto de não relevar aqui a música soul.

É uma evidência, mas há uma razão. Por muito que doa aos meus amigos, não sou especialmente fã de música negra, com a excepção óbvia da música soul dos anos 60, sei lá, Otis, Nina, Aretha, Pickett, Sledge...

Não sendo fã, não sou muito conhecedor, logo não gosto de me meter onde não me sinta bem.

Mas estou aberto a colaborações, sugestões, cortesias...

SALUT LES BEATLES


Não era só o yé-yé francês na "Salut Les Copains", embora fosse obviamente maioritário.

Este número é de Abril de 1964.

Uma das coisas interessantes nesta edição é a carta de uma portuguesa, Tomás Ferreira, residente na Quinta do Estrepal, na Mealhada.

Com 20 anos, escreveu à revista desejando correspondentes femininas amantes dos Chaussettes Noires, Françoise Hardy e Fantômes.

Confessava que desejava ser guitarrista.

BEATLES EM RUSSO


A QUEDA DE UM MITO URBANO (02)


No âmbito da Bootleg Series, a Sony reeditou em 1998 o famoso concerto de Manchester, mas apetitosamente deixou-lhe o subtítulo de The "Royal Albert Hall" Concert, contribuindo para a curiosidade deste mito urbano.

The Bootleg Series Vol. 4 represents the first official release of the most famous bootleg in history, the legendary "Royal Albert Hall" concert, actually recorded in Manchester, England, on May 17, 1966.

SALUT LES COPAINS


"Salut les Copains" era um conceito para a juventude francesa cultivadora dos ritmos modernos, o yé-yé.

Além da revista, mal ou bem avidamente consumida (também em Portugal), havia ainda um programa de rádio e um programa de televisão. Tudo servia de montra para o novo esplendor na música.

O conceito permaneceu e tem servido, por exemplo, para ilustrar as colectâneas em CD da música francesa dos anos 60.

Em tempos, publicou-se igualmente um livro ilustrado com a melhor informação da revista.

A QUEDA DE UM MITO URBANO (01)


Um livro de 190 páginas relata o famoso Judas! - I don't believe you! You're a liar que, afinal, foi em Manchester e não no Royal Albert Hall, em Londres.

Já no final do concerto de Manchester, no dia 17 de Maio de 1966, após "Ballad Of A Thin Man" (que Dylan fez o favor de cantar em Lisboa), alguém invectivou Dylan por estar a actuar com uma banda eléctrica, no caso os Hawks, pré-The Band!

Furioso, Dylan virou-se para Mickey Jones - play fuckin' loud! - e atacou "Like A Rolling Stone".

"Like The Night - Bob Dylan And The Road To The Manchester Free Trade Hall", C.P.Lee and Paulo Kelly, Helter Skelter, 1998, 190 págs., £ 12,00

MOVIMENTO


Cortesia de Fernando Baptista

ESTHER & ABI OFARIM


Junto esta capa de um disco de 1967..... penso que não fizeram história, mas na altura foi um sucesso.

Cortesia de PPBEAT

terça-feira, 22 de julho de 2008

HALLELUJAH, MR. COHEN


Há longo tempo, Mr. Ié-Ié lançou, no blogue, um desafio para que falassem de concertos a que tivessem assistido. O convite teve pouca ou nenhuma aceitação (eu falo! - nota do editor).

Por mim, que não sou de concertos, desafiei amigos, gente que não perde um concerto, que guarda religiosamente os bilhetes ao longo da vida, que vai dizendo “eu estive lá”, mas que não consegue escrever uma meia dúzia de linhas sobre o que viram, o que ouviram.

As vezes que lhes lembro o exemplo do Sr. Júlio Magalhães, pivot da TVI, que, como qualquer pivot de telejornal que se preze, tem livros publicados, (“isto agora não há cão nem gato que não escreva um livro”) e que, no lançamento do seu último livro “Os Retornados. Um amor Nunca se Esquece”, enfatizou à Agência Lusa: "escrever é um acto natural, toda a gente pode escrever livros, quem escreve uma mensagem num telemóvel também pode escrever um livro”.

Como o Leonard Cohen se aprestava para cantar em Lisboa, perguntei ao Abílio José, sabendo-o um incondicional, que me mandara o bilhete do último concerto do Cohen, em Lisboa, perguntei-lhe se ia ao Passeio Marítimo de Oeiras. Lançou-me um rotundo não! Que Cohen não é para aquele tipo de espaços, do mesmo modo que se recusaria a ver o Bruce Springsteen no Teatro Maria Matos.

Com uns fininhos pelo meio, dispôs-se a falar de Leonard Cohen.

Tudo começou depois de ter lido, em princípios de 1976, um livro de Manuel Cadafaz Matos, avançou depois para os discos e foi um amor à primeira audição. Gostou de saber que na Festa de “L’Humanité”, no Verão de 1974, saudou a multidão com um “Olá camaradas e espiões” e agora soube, através do Sr. Pedro Mexia, que Cohen sempre utilizou as mais variadas estratégias de sedução: uma vez até se inscreveu no Partido Comunista do Canadá, apenas porque estava interessado numa camarada.

Daí ninguém conseguir apurar se Cohen precisava de amar as mulheres para escrever canções, se as escrevia em vez de amá-las. À Nico, à Suzanne, à Marianne, à Nancy, à Jane – quantas mais? – terá sempre perguntado se eram “professoras do coração”.

Para o Abílio José, um homem que escreve canções lindíssimas, que as canta com um sentimento profundo, uma voz lenta, arrastada por 50 mil cigarros, que gosta de vinho e de mulheres, é alguém que dá gosto acompanhar para sempre, “como um pássaro num fio pousado, como um bêbado num coro nocturno eu tentei a meu modo ser livre".

O Abílio pergunta-me: “Sabes como o Cohen se tornou poeta?” O meu silêncio fê-lo avançar: “porque um dia leu um livro de Federico Garcia Lorca e percebeu o que era a poesia e foi tal a influência que decidiu chamar Lorca Sarah Cohen à primeira filha. Lindo, meu caro, mesmo lindo".

Pergunto ao Abílio quais as canções de Cohen a levar para a tal ilha deserta. “Todas, mesmo todas, mas “Famous Blue Raincoat” é genial, plena obra-prima, uma canção de outro planeta.

"Rapaz, a coisa é de tal ordem que um dia comprei o LP “The Songs of Leonard Cohen” da Jennifer Warnes, que é uma moça que fazia coros nos discos do Cohen e também nos espectáculos ao vivo e, com a ajuda do Garrudo, dois gira-discos e um misturador, fiz uma cassette de 60 minutos com os dois a cantar o “Famous Blue Raincoat” e a cassette termina com cada uma a cantar, em sobreposição, com o Cohen a arrancar segundos antes da Jenniffer. Aliás chegaste a ouvir, mas a marada da Marisa deu cabo da fita no leitor do carro. Só a tiro!”

Agora, que o Abílio José já foi embora, que ninguém nos ouve, posso dizer que se alguém me pedisse para escrever algo sobre o Cohen, também não saberia o quê e como. Só sei ouvi-lo.

Take this waltz and dance to the end of love.

Depoimento recolhido por Gin-Tonic

SALADA DE FRUTAS


ROSSIL ROSS 7071

Como Se Eu Fosse Tua - Shuy The Shock

Ver blogue de Lena d'Água

Colaboração de Fernando Baptista

LOVE ME by ELVIS


RCA VICTOR 47-9109 - edição alemã

Love Me - Rip It Up

FATS DOMINO


POLYDOR 27 710 - edição francesa

Blueberry Hill - So Long - I'm Walkin' - Blue Monday

AMERICAN HOT WAX


Banda sonora dedicada à memória de Alan Freed, the man who started it all.

Hot Wax Theme (Biag Beat Band) - Rock And Roll Is Here To Stay (Prof. LaPlano) - Mister Lee e Maybe (Delights) - Hey Little Girl (Clark Otis) - Reelin' And Rockin' e Roll Over Beethoven (Chuck Berry) - Why Do Fools Fall In Love e That Is Rock And Roll (Chesterfields) - I Put A Spell On You (Screamin' Jay Hawkins) - Mister Blue (Timmy & the Tulips) - Whole Lotta Shakin' Goin' On e Great Balls Of Fire (Jerry Lee Lewis)

Sweet Little Sixteen (Chuck Berry) - That's Why (Jackie Wilson) - Sincerely (Monnglows) - There Goes My Baby (Drifters) - Hushabye (Mystics) - Rave On (Buddy Holly) - Stay (Maurice Williams) - Tutti Frutti (Little Richard) - Zoom (Cadillacs) - Little Star (Elegants) - When You dance (Turbans) - Splish Spalsh (Bobby Darin) - Sea Cruise (Frankie Ford) - Goodnight, It's Time To Go (Spaniels)

Colaboração de Vicky

MARGINAL LIGADA À AE HÁ 40 ANOS


A ligação da Marginal à então auto-estrada do Estádio, em Lisboa, no Alto da Boa Viagem, foi concluída em Julho de 1968, segundo relata o "Diário Popular".

O viaduto tem um formato trapezoidal, em curva, fundado em sete estacas do tipo das que se utilizaram na ponte sobre o Tejo.

Cada estaca tem um metro de diâmetro e o comprimento médio de 12 metros, o que equivale à altura de um prédio de 4 andares.

O "EM ÓRBITA" DOS POBRES...


O pioneirismo e a inovação do "Em Órbita" não deixariam de influenciar a rádio nacional, provocando o nascimento em catadupa de programas vários imitando o "pai" ou, a partir dele, criando as suas próprias raízes.

O próprio "Em Órbita" se queixava amiúde das imitações baratas que pululavam no espectro nacional, insurgindo-se com a sobranceria que era apanágio dos seus criadores.

O "Eco", também no Rádio Clube Português, não era uma imitação barata. Com menos recursos do que o "Em Órbita", foi um programa que dignificou, trilhando caminhos exactamente não coincidentes com os do "EO".

Da autoria de Hélder Lucas, Mário Montenegro, Hélder Coelho, Jorge Simões e Mário Marques Pinto, com locução de José Corte-Real, o "Eco" ia para o ar entre as 22H32 e as 24H00.

Pelo menos em Dezembro de 1967 estava (data do recorte da revista "Magazine" com a imagem publicada).

O "Eco" dedicava-se sobretudo à divulgação da música popular anglo-americana e brasileira e, dentro da primeira, pelo rhythm and blues. Era um caminho que em Portugal não estava explorado e numa tentativa de fazer qualquer coisa por um tipo de música tão válida como qualquer outra.

"Eco", uma programação dinâmica, onde os ensaios, traduzindo a óptica dos realizadores e dos ouvintes, não tem carácter periódico nem limitação de tempo ou data. A qualquer momento surgem.

Tal como o "Em Órbita", também o "Eco" premiava com discos os seus ouvintes mais militantes.

CARTA DE PRAIA DOS SIXTIES


Praia de Mira, 18/9/65

Luís:

Então essa preguiça? Vai melhor? Isto por cá está tudo na mesma, mas com menos malta. A tua carta chegou cá ontem no avião das 11h30m aterrou na pista 5 na base aérea da Barrinha.

Tens estudado muito? Essa Literatura e esse Latim? O tempo por cá está bom mas como está um bocadinho de vento só se toma normalmente um ou dois banhos por dia para não se apanhar nenhuma constipação.

Desde que te foste embora os rapazes de Coimbra (não me lembro em que dia foi) vieram cá fazer uma serenata.

Já fui ver 2 filmes "Nunca Digas Adeus", com o Rock Hudson, e "O Tesouro do Lago de Prata", não me lembro qual o nome do artista. Hoje se calhar vou outra vez ver "Uma Encantadora Idiota", com a Brigitte Bardot e o Anthony Perkins.

Quanto ao James Bond é capaz de ainda ir para outro cinema, não chores!

O "Salut Les Copains" de Setembro já saiu? Quero ver se quando chegar aí ainda o compro.

O último disco dos Rolling Stones é bom? Se fôr mando também dizer à Leo para mo mandar. Como é que mandaste o dinheiro à Leo? A Mimi já me escreveu uma grande carta, mandou uma fotografia, mandou-me fotografias e moradas de vários artistas e fotografias da cidade onde ela mora.

Agora cá não está muita gente de maneira que passo os dias a ouvir discos (porque o meu gira-discos já chegou) e a ler o "Julgamento de Nuremberga".

Hoje de manhã fui até à Barrinha, estava imensa gente a tomar banho e eu para não vir a casa não tomei. Agora à tarde se estiver na mesma também vou e tu ficas em casa a estudar, bem feita!

Sem mais, cumprimentos

BEST OF TWIGGY



SPECTRUM - 552 999-2 - 1998

Here I Go Again - Just Bidin' My Time - Vanilla Olay - I'll Be Doggone - Rings - Appalachian Boy - Pieces Of April - Rain On The Roof - Done My Cryin' Time - I Lie Awake And Dream Of You - You've Got Me To Hold On To - Brown Shoes - Caravan Tonight - Everything Comes In Time - Godd For You Too - Vaudeville Man - Everything Falls Into Place - I Hope We Get To Love In Time - Cooking School - 20/20 Hindsight

SUGESTÃO DE (RE)LEITURA DE FÉRIAS


"Pela Estrada Fora", Jack Kerouac, Relógio D'Água, 2007, 403 págs., € 14,40

CANTAREMOS


ORFEU STAT OO7 - 1970

Cantar de Emigração - Saudade Pedra e Espada - Fala do Homem Nascido - O Sol Préguntou à Lua - Canção Para o Meu Amor Não Se Perder No Mercado da Concorrência - Lágrima de Preta - Canção Com Lágrimas - Cantar Para Um Pastor - Como hei-de Amar Serenamente - Sapateia - A Noite dos Poetas

Os discos de Adriano Correia de Oliveira tinham capas belíssimas. Esta, da autoria de JF Bogalho, não é excepção.

Neste disco participaram Rui Pato, Tiago Velez e Raul Mendes.

Segundo informação do próprio Rui Pato, este é o único formato com o acompanhamento dele próprio à viola, numa inspiração de "Mourir À Madrid".

Esta versão nunca passou para CD, nem na caixa que José Niza organizou com "toda" a obra de Adriano, nem na colecção que o jornal o "Público" publicou mais recentemente com "toda" a obra de Adriano Correia de Oliveira.

Adriano voltou a gravar a canção, mais tarde, com uma versão ligeiramente diferente e com a viola de Carlos Alberto Moniz e, agora, só essa versão é que aparece, conta Rui Pato.

A WELL RESPECTED MAN


PYE MAL 612 - 1966 - edição inglesa

A Well Respected Man - Where Have All The Good Times Gone - Till The End Of The Day - Set Me Free - Tired Of Waiting For You - All Day And All Of The Night - I Gotta Move - Don't You Fret - Wait Till The Summer Comes Along - You Really Got Me

Cortesia de Vicky

segunda-feira, 21 de julho de 2008

FASCINADO, A VÁRIOS NÍVEIS

O nosso comum amigo Filhote livrou-me do trabalho de elaborar uma discografia credível dos Beach Boys. Estou-lhe grato por isso!

De posse dessa discografia, fiz o trabalho de casa e comparei com o que por cá tinha e deparei-me com este LP "Rarities" de que já nem me lembrava que tinha. Foi o primeiro fascínio.

O segundo foi a observação da capa. Roça o pimba, mas ainda não é pimba! Nestes dias de calor, esta capa de praia é uma frescura! Fascinante!

O terceiro fascínio resulta de um pequeno autocolante que ainda está na contracapa. Sabem onde comprei este LP e quanto me custou? Comprei-o no Pão de Açúcar (com esforço, presumo que em Alcântara, Lisboa) e custou-me 493$00, nem chegou a € 2,5.

Mais um fascínio, o quarto: ao passar o rato pela Amazon, apercebi-me que este exemplar na versão CD não custa menos de £ 60. Meu Deus, porquê?

Finalmente, the ultimate fascínio, o alinhamento: With A Little Help From My Friends, The Letter, I Was Made To Love Her, You're Welcome, The Lord's Prayer, Bluebirds Over The Mountain, Celebrate The News, Good Vibrations, Land Ahoy, In My Room, Cotton Fields, All I Want To Do, Auld Lang Syne.

Paul McCartney participou em "Bluebirds Over The Mountain"?

BOB DYLAN E RICKY NELSON


Certa tarde estava a despejar Coca-Cola de um jarro de leite para um copo, quando ouvi uma voz vindo suavemente do altifalante de rádio.

Ricky Nelson estava a cantar a sua nova canção, "Travelin' Man".

Ricky tinha uma doçura na tonalidade da sua voz e na maneira como entoava em ritmo acelerado. Ele era diferente do resto dos ídolos dos adolescentes, tinha um excelente guitarrista que tocava uma mistura entre o herói de música country e o rabequista de bailarico.

Nelson nunca foi tão inovador como os primeiros cantores que cantavam como se estivessem num navio em chamas. Não cantava de forma desesperada, nem fazia grande estrago, e nunca seria confundido com um xamã.

Dava a impressão de que a sua resistência não era levada ao limite, mas isso também não era relevante. Cantava as suas canções calma e serenamente como se estivesse no meio de uma tempestade, entre homens aos berros. A sua voz era algo misteriosa e fazia-nos cair num certo estado de espírito.

Tinha sido um grande fã do Ricky e ainda gostava dele, mas aquele tipo de música estava a desaparecer.

"Crónicas - Volume I", Bob Dylan, Ulisseia, 2005, pág. 17, € 10.49

PACO IBAÑEZ


Cortesia de Fernando Pereira